Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA DAS GRAÇAS DE AQUINO SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA DAS GRAÇAS DE AQUINO SANTOS
DATA : 13/11/2017
HORA: 14:00
LOCAL: Auditorio 1 Labplan - cchla
TÍTULO:

Câmara Cascudo e seus “animais escritos” no Canto de Muro


PALAVRAS-CHAVES:

Câmara Cascudo; Fabulação; Animal autobiográfico; Devir-animal; Animalidade.  


PÁGINAS: 70
RESUMO:

A pesquisa doutoral proposta possui como foco de investigação o romance de costumes, Canto de Muro (1956), de Câmara Cascudo (1898 – 1986 - Natal-RN). Buscamos mostrar que o escritor se mantém pesquisador, mesmo na produção do texto literário, pois o referido romance foi produzido por meio da observação cotidiana comportamental dos seus personagens-animais. Nele, o autor rompe com o gênero romance de costumes de humanos para romance de costumes de animais, apresentando-nos uma nova forma de fabular, moderna, em que os animais não são de grande porte, como na fabulação tradicional, mas, aqueles considerados ínfimos pela sociedade, como a barata, o morcego, o rato, o escorpião, entre outros. Pensamos que Cascudo está a nos dizer que é preciso que se observe o mundo de forma poética, como sugerem as reflexões de Merleau-Ponty (2002). O narrador de Canto de Muro é esse ser inquieto de quem nos fala Didi-Huberman (2010), o qual nos induz a perceber que nenhuma verdade é evidente, mas todas elas são construídas por intermédio das ficções, como diria Nancy Huston (2010). Articulamos essas reflexões com o pensamento dos franceses, Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995; 1996; 2002, 1997, respectivamente), no que diz respeito ao nomadismo, à escrita como máquina de guerra, à desterritorialização, à literatura menor e ao devir-animal. A partir dessa perspectiva animal, recorremos, também, à teoria de Jacques Derrida (2011), que nos levou a refletir sobre o animal que somos e percebemos que esse era um dos focos apresentado na fabulação construída por Cascudo (1959); Maria Esther Maciel (2016) colocou-nos em contato com a animalidade que nos habita e que também habita o narrador cascudiano. Seguimos nossas reflexões com o auxílio de outros teóricos, como Michel Foucault (2013), Jacques Rancière (2009), Roland Barthes (2003; 2004), Ilza Matias de Sousa (2006), com o intuito de mostrarmos que Cascudo se coloca como um pensador que, por meio da escrita literária, contribui com uma visão diferenciada sobre os animais, fugindo, assim, do aspecto antropocêntrico. As questões desenvolvidas por Cascudo com relação aos animais, dá-se por vias transversais, pelo fora, nas dobras, como nos orienta Tatiana Salem Levy (2011). Conforme referências bibliográficas, muitos outros teóricos nos acompanharam nessa viagem pelo universo cascudiano, que se constitui de uma pesquisa qualitativa e interpretativista do texto de Cascudo e das teorias referenciadas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 270.058.107-59 - ILZA MATIAS DE SOUSA - UFRN
Interno - 1515458 - MARTA APARECIDA GARCIA GONCALVES
Externo à Instituição - JOÃO BATISTA DE MORAIS NETO - IFRN
Notícia cadastrada em: 18/10/2017 14:11
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