INTERDISCIPLINARIDADE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: UMA REVISÃO DE ESCOPO
Interprofissionalidade. Interdisciplinaridade. Atenção Primária à Saúde.
Considerando a ampliação do conceito de saúde e a complexidade humana; os sistemas de saúde tem buscado desenvolver estratégias que possam otimizar seus recursos e atender a demanda de uma população longeva e que comumente apresenta doenças crônicas e multimorbidade. A fragmentação do conhecimento, torna mais difícil alcançarmos um dos pilares do SUS; a Integralidade. Desse modo, esta pesquisa teve como objetivo mapear e identificar os conhecimentos, práticas e atitudes necessárias para o exercício da interdisciplinaridade na atenção primária à saúde, além de identificar lacunas de conhecimento. Trata-se de uma revisão de escopo estruturada em conformidade com as recomendações do guia internacional PRISMA-ScR e o método do Joanna Briggs Institute Reviewer’s Manual, fundamentado por Arksey e O’Malley (2005). À medida que as demandas por serviços aumentam, a força de trabalho precisará continuar a evoluir, novas formas de profissionais e novas formas de prestação de cuidados são inevitáveis, mudando do gerenciamento regular da doença para o cuidado centrado na pessoa. Os resultados sugerem que as equipes Interprofissionais têm oportunidades de melhorar a colaboração, independentemente do contexto organizacional ou político em que operam, sendo influenciados pela estrutura e os
processos da equipe. Cinco temas foram relatados: repensar papéis e escopos de prática tradicionais, gestão e liderança, tempo e espaço, iniciativas interprofissionais e percepções iniciais de cuidados colaborativos. Os fatores interativos receberam uma atenção muito maior do que os fatores organizacionais ou sistêmicos. Os estudos focaram principalmente na Identificação de barreiras e facilitadores para o trabalho Interprofissional, através da análise dos processos envolvidos. Um Modelo de engrenagens foi proposto como um sistema dinâmico capaz de fortalecer a colaboração, com uma taxonomia de fatores capaz de auxiliar os tomadores de decisão em diversos níveis: político, organizacional, de equipe e de profissionais. Os achados reforçam a necessidade de consolidar espaços de formação em serviço e educação permanente que valorizem práticas colaborativas centradas no paciente. Além disso, políticas públicas devem estimular mecanismos institucionais que garantam tempo, estrutura e financiamento adequados para práticas interdisciplinares, como o apoio matricial e o uso de ferramentas de gestão participativa. Os resultados trazem insights sobre a importância de uma melhor compreensão da interdependência não somente entre os níveis do processo Interdisciplinar, mas também entre os conceitos(conhecimentos), processos (práticas e atitudes) e Educação Interprofissional.