Banca de DEFESA: MICHELLY NOBREGA MONTEIRO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MICHELLY NOBREGA MONTEIRO
DATA : 04/12/2021
HORA: 09:00
LOCAL: DEFESA REMOTA - https://meet.google.com/sbu-yrms-rny
TÍTULO:

EFEITO DA FISIOTERAPIA NA FUNÇÃO SEXUAL DE MULHERES NO PÓS-PARTO VAGINAL E CESARIANA: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO


PALAVRAS-CHAVES:

Comportamento Sexual, Período Pós-Parto, Parto Obstétrico, Fisioterapia, Sexualidade, Incontinência Urinária


PÁGINAS: 13
RESUMO:

A gravidez é uma fase de extrema importância na vida da mulher e a sua vivência é influenciada por alguns fatores, entre eles, mudanças hormonais, físicas e psicológicas. Durante este período, estas transformações afetam com grande relevância seu próprio conceito do que seja sexualidade, levando geralmente a problemas na vida a dois.

Muitas incertezas e ansiedades permeiam e impactam por vezes o cotidiano das mulheres, e consequentemente seus parceiros sexuais, principalmente em relação ao período da gravidez-puerpério. Alguns estudos indicam que tanto a gravidez quanto o puerpério constituem uma fase importante para o aparecimento de problemas sexuais e/ou Incontinência Urinária (IU), e algumas mulheres podem apresentar diminuição do interesse sexual em geral, nesta fase da vida.

A presença de disfunção sexual pode ser um fator decorrente de uma somatória de fatores, os quais promovem entraves totais ou parciais na resposta sexual da mulher relacionada a desejo, excitação e orgasmo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a disfunção sexual um importante problema de saúde pública e, devido aos danos que comprovadamente causa à qualidade de vida, deve ser investigada.

Este estudo trata-se de um ensaio clínico randomizado realizado entre julho e dezembro de 2019, onde foi feita coleta de dados em 56 mulheres admitidas nas Enfermarias de Puerpério da Maternidade Escola Januário Cicco, as quais foram divididas em quatro grupos: parto vaginal sem Intervenção Fisioterápica – IF (n=14), parto vaginal com IF (n=14), parto cesariana sem IF (n=14) e parto cesariana com IF (n=14). A IF consistiu-se em um programa de treinamento fisioterápico em musculatura de assoalho pélvico, contemplando exercícios de assoalho pélvico com consciência manual, exercício de assoalho pélvico com dissociação dos adutores, exercícios com a paciente sentada e exercícios em pé. Ademais, foram aplicados os questionários FSFI (Female Sexual Function Index), a fim de avaliar a resposta sexual feminina, no período pós-parto e o ICIQ-SF (International Consultation on Incontinence Questionnaire - Short Form), para avaliar o impacto da Incontinência Urinária na qualidade de vida e qualifica a perda urinária. As voluntárias assinaram o Termo de Consentimento

Livre e Esclarecido (TCLE) e foram avaliadas no decorrer das 48 horas após o parto (ainda internadas), e no segundo e terceiro meses de pós-parto, acompanhamento este realizado no Ambulatório de Puerpério da referida maternidade.

A coleta de dados dos dois grupos não submetidos a IF ocorreu em quatro etapas: (1) Aplicação da ficha de avaliação, dos questionários (sociodemográfico, FSFI e ICIQ-SF) e exame físico das parturientes com realização de Manometria Vaginal; (2) Assistência no período do puerpério imediato, composta de quatro atendimentos da Fisioterapia no nas primeiras 48h após o parto; (3) Reavaliação 2° mês: reavaliação da puérpera entre 40 e 60 dias após a data do parto; (4) Reavaliação 3° mês: reavaliação da puérpera com 90 a 100 dias após a data do parto. A coleta de dados dos outros dois grupos submetidos a IF também ocorreu em quatro etapas: (1) Aplicação da ficha de avaliação, dos questionários e exame físico às parturientes; (2) Assistência no período do puerpério imediato, composta de quatro atendimentos da Fisioterapia no nas primeiras 48h após o parto e entrega de cartilha com exercícios para o Assoalho Pélvico e cuidados no pós-parto; (3) Reavaliação 2° mês: reavaliação da puérpera entre 40 e 60 dias após a data do parto, com entrega de cartilha com outros exercícios para o Assoalho Pélvico; (4) Reavaliação 3° mês: reavaliação da puérpera com 90 a 100 dias após a data do parto.

Foi criado banco de dados em planilha de software Excel/Office 2000 com todas as variáveis do estudo. Os casos foram relacionados cronologicamente, atribuindo a cada uma delas variáveis inerentes. O banco de dados foi exportado para o EPI INFO, onde foi realizada consistência inicial da digitação dos dados, através da conferência manual da listagem. Foi realizada a estatística descritiva para apresentação das características sócio epidemiológicas das voluntárias da pesquisa. A estatística inferencial foi utilizada para estabelecer as possíveis diferenças entre os grupos, e para análise do desfecho primário (função sexual) e os secundários (IU e manometria vaginal), os testes anova de medidas repetidas e a anova 2x2 foram utilizados, a fim de estabelecer as diferenças entre os grupos, excepcionalmente, para a manometria vaginal já que apenas 2 avaliações foram possíveis.

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Onofre Lopes (CEP-HUOL), vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sendo seguidas as normas preconizadas pela “Declaração de Helsinki” e suas modificações (DECLARAÇÃO DE HELSINKI, 2000) e pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012).

De forma geral, o resultado observado foi que ao longo do tempo houve melhora de todos os desfechos, mas não houve interação tempo versus grupo.

Foi observada melhora da função sexual (p = 0,000), impacto da incontinência urinária na qualidade de vida (p = 0,000) e da pressão dos músculos dos músculos do assoalho pélvico (p = 0,000) ao longo do tempo (Figura 1). Por outro lado, não foi observada interação tempo versus grupo para função sexual F (2, 52) = 0,13, p = 0,87, impacto da incontinência urinária na qualidade de vida F (2, 52) = 0,12, p = 0,88 e pressão dos músculos do assoalho pélvico (p = 0,66).

A avaliação do grau de satisfação sexual de mulheres é uma atual e constante problemática, pois inúmeras variáveis, tais como sociais, humanas, biológicas, psicológicas, fisiológicas, tabus culturais, as quais que podem influenciar o grau de satisfação sexual final.

A queixa sexual é um dos problemas mais frequentes na prática diária do tocoginecologista, e infelizmente continua sendo abordado de maneira muito simplista na maioria das vezes. Considerando que a disfunção sexual pode estar associada a um maior risco de conflitos entre o casal durante a gravidez, torna-se importante o diagnóstico etiológico desta condição, para que possa ser instituído o tratamento adequado quando necessário, evitando desta forma as muitas problemáticas afetivas, a não-aceitação de relações sexuais durante a gravidez, o medo da retomada desta atividade, entre outras, avaliando a correlação da via de parto com disfunção sexual no puerpério.

A motivação e o benefício deste estudo foi investigar a Fisioterapia como agente facilitador no puerpério, melhorando progressivamente a função sexual. Com os resultados do estudo, mostra que o treinamento da musculatura de assoalho pélvico pode surgir como uma alternativa importante para prevenção e tratamento desse tipo de condição da mulher, diminuindo possíveis complicações físicas e afetivas. 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1199080 - ANA KATHERINE DA SILVEIRA GONCALVES DE OLIVEIRA
Externa ao Programa - 3313589 - JANAINA CRISTIANA DE OLIVEIRA CRISPIM FREITAS
Externo ao Programa - 2171955 - ROBINSON DIAS DE MEDEIROS
Externo à Instituição - JOSÉ ELEUTÉRIO JÚNIOR - UFC
Externa à Instituição - LUCIA ALVES DA SILVA LARA
Notícia cadastrada em: 01/12/2020 09:42
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