EFEITOS DE LONGO PRAZO NA DEPRESSÃO RESISTENTE AO TRATAMENTO: SEGUIMENTO DE 12 MESES APÓS UM ENSAIO CLÍNICO ABERTO DE FASE 2A COM N,N-DIMETILTRIPTAMINA VAPORIZADA
N,N-dimetiltriptamina; depressão resistente ao tratamento; terapia assistida por psicodélicos; seguimento de longo prazo; suicidalidade; funcionalidade.
Contexto: As farmacoterapias disponíveis para a depressão resistente ao tratamento (DRT) requerem administração diária e frequentemente apresentam efeitos tardios e limitados sobre sintomas e funcionalidade, sem ação antissuicida imediata. Em contraste, estudos com psicodélicos serotoninérgicos, como psilocibina e N,N-dimetiltriptamina (DMT), têm demonstrado efeitos antidepressivos e antissuicidas rápidos e sustentados após poucas sessões. No entanto, dados de seguimento de longo prazo permanecem escassos, apesar das altas taxas de recaída observadas nos primeiros meses de tratamento.
Objetivo: Investigar os efeitos de longo prazo em depressão, suicidalidade e funcionalidade em pacientes de depressão resistente ao tratamento um ano após a participação em um ensaio clínico aberto com DMT vaporizado.
Métodos: Estudo de seguimento longitudinal de 14 participantes com DRT unipolar provenientes de um ensaio clínico aberto de fase 2a. Os participantes receberam duas doses inaladas de DMT vaporizada (15 mg e 60 mg), seguidas de sessões de integração. Sintomas depressivos, ideação suicida e funcionalidade foram avaliados por PHQ-9, BSI e WHODAS, respectivamente, no baseline e em múltiplos pontos até 12 meses, incluindo avaliação qualitativa em M12.
Resultados: Doze participantes completaram o seguimento de 12 meses do ensaio original, que incluiu 14 adultos (21–54 anos). Em M12, os escores do PHQ-9 foram significativamente menores em comparação ao D0 (t(11)=4,33; p=0,001), com taxas de remissão em 3/12 participantes (25%) e de resposta em 4/12 (33%). A ideação suicida apresentou redução expressiva, com 83% dos participantes sem relato de ideação suicida em M12, em comparação a 28% no D0. As medidas de funcionalidade avaliadas pelo WHODAS não alcançaram significância estatística, apesar de redução numérica dos escores. Os dados qualitativos em M12 indicaram melhorias percebidas nos sintomas depressivos de isolamento social, comprometimento cognitivo e vontade de viver, predominantemente ocorrendo nos primeiros três meses após a intervenção.
Conclusão: Este seguimento de longo prazo de um ensaio clínico aberto de fase 2a com DMT vaporizada em pacientes com DRT demonstrou reduções significativas nos sintomas depressivos e na suicidalidade por até 12 meses. Embora os escores de funcionalidade tenham apresentado redução sem atingir significância estatística, a integração com dados qualitativos sugere que os efeitos de longo prazo na DRT podem ser mais bem compreendidos como mudanças na carga sintomática associadas a trajetórias de recuperação individualizadas. Apesar das limitações relacionadas ao tamanho da amostra, ao delineamento aberto e à ausência de grupo controle, este estudo fornece dados longitudinais inéditos sobre os efeitos clínicos da DMT vaporizada e sustenta a necessidade de ensaios controlados e multicêntricos especificamente desenhados para avaliar a durabilidade da resposta.