EFICÁCIA DA SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO EM PACIENTES ANÊMICOS NO PRÉ-OPERATÓRIO DE CIRURGIA CARDÍACA: REVISÃO SISTEMÁTICA E METANÁLISE
deficiência de ferro; cirurgia cardíaca; anemia ferropriva; circulação extracorpórea; período perioperatório.
A deficiência de ferro é uma das comorbidades mais frequentes em pacientes portadores de insuficiência cardíaca e representa um importante fator de risco para complicações durante o período perioperatório de cirurgias cardíacas. Considerando o papel do enfermeiro perfusionista na gestão do sangue e na prevenção de eventos transfusionais, torna-se relevante avaliar estratégias terapêuticas que contribuam para a correção da anemia no pré-operatório. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia da suplementação de ferro em pacientes anêmicos submetidos à cirurgia cardíaca. Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos randomizados, conduzida conforme as recomendações PRISMA e registrada no PROSPERO sob o número CRD42024568295. As buscas foram realizadas nas bases de dados Cochrane Library, LILACS, PubMed, SCIELO, Science Direct, Scopus, CINAHL, Web of Science e Wiley Online Library, sem restrição de idioma ou período de publicação. Foram incluídos estudos que analisaram pacientes adultos com diagnóstico de anemia e insuficiência cardíaca submetidos à cirurgia cardíaca, que receberam suplementação de ferro por via oral ou intravenosa no período pré-operatório. A análise quantitativa foi conduzida com o software R, utilizando modelos de efeitos fixos e aleatórios, conforme o nível de heterogeneidade (I²). O risco de viés foi realizado utilizando o a ferramenta ROB2 e a certeza da evidência utilizando o GRADE. A amostra final foi composta por sete estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade. A maioria da população era do sexo feminino, com idade variando entre 18 e 67 anos. Os resultados da metanálise não evidenciaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos controle e intervenção para os desfechos primários quanto à ocorrência de fibrilação atrial (OR = 0,75; IC95%: 0,32–1,77; I² = 0%). Da mesma forma, não houve diferença significativa no tempo de permanência hospitalar (diferença média = –2,50 dias; IC95%: –7,27 a 2,27; I² = 72,7%) nem no tempo de permanência na UTI (diferença média = –0,25 dias; IC95%: –1,67 a 1,17; I² = 93,7%). Para a taxa de mortalidade, a meta-análise indicou OR = 0,47 (IC95%: 0,10–2,28; I² = 0%), sugerindo tendência à redução do risco no grupo que recebeu ferro, embora sem significância estatística. Conclui-se que a suplementação de ferro intravenoso no pré-operatório de cirurgia cardíaca mostra-se uma estratégia promissora para reduzir complicações e melhorar a recuperação de pacientes anêmicos, mas que ainda requer estudos adicionais com amostras amplas e delineamentos metodológicos padronizados.