EVOLUÇÃO E PROJEÇÃO SALARIAL DA FORÇA DE TRABALHO DA ENFERMAGEM NO BRASIL: TENDÊNCIAS, DESIGUALDADES E IMPLICAÇÕES PARA A VALORIZAÇÃO DO TRABALHO
Salários e benefícios; Economia da enfermagem; Condições de trabalho; Profissionais de enfermagem.
A remuneração salarial perpassa diversas dimensões na vida do indivíduo, promovendo bem-estar, reconhecimento e segurança financeira. Contudo, é perceptível a existência de diferenciações salariais entre os trabalhadores, principalmente no campo de atuação profissional da enfermagem, o que pode contribuir para a migração de profissionais, seu adoecimento e desapontamento com a profissão. Por isso, torna-se importante a realização de pesquisas sobre esta temática, visando promover a equidade salarial, melhores condições de trabalho e a construção de políticas públicas que valorizem o profissional de enfermagem. O objetivo deste estudo foi analisar a tendência salarial dos trabalhadores de enfermagem no Brasil entre os anos de 2003-2023, considerando as faixas salariais ao longo do tempo. Tratou-se de um estudo analítico-descritivo, do tipo exploratória, com abordagem quantitativa e enfoque no estudo ecológico de tendência temporal, relacionada à tendência salarial da equipe de enfermagem nas cinco regiões do Brasil. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, com delineamento ecológico de tendência temporal, que analisou a evolução da remuneração da força de trabalho da enfermagem no Brasil entre 2003 e 2023. Os dados foram obtidos da Relação Anual de Informações Sociais, de acesso público, contemplando enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. A variável dependente foi a “Remuneração Média” e a independente, o período estudado. A extração, tratamento e análise dos microdados foram realizados no software R® e complementados no Microsoft Excel®, com aplicação de estatística descritiva, técnica de média móvel, dif erenciação de primeira ordem e teste de Mann-Kendall-Sen para identificação de tendências temporais. O estudo respeitou os preceitos éticos previstos na Resolução no 466/2012 do CNS, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN (Parecer no 6.289.051 / CAAE 26519519.5.0000.5537). Entre os anos de 2003 a 2023, observou-se que as faixas salariais atribuídas aos profissionais de enfermagem no Brasil apresentaram relativa
estabilidade, com pouca variação no quantitativo de trabalhadores em cada faixa ao longo dos anos, evidenciando a permanência de um padrão histórico de remuneração. A análise de tendência temporal demonstrou crescimento real dos rendimentos, embora de forma desigual entre regiões e categorias profissionais, refletindo persistentes disparidades estruturais. A instituição do piso salarial nacional, em 2022, provocou impacto na composição das faixas de remuneração, sobretudo entre técnicos e auxiliares de enfermagem, promovendo certa elevação dos salários mínimos praticados. Contudo, o piso não considera as diferenças regionais de custo de vida e de estrutura econômica, o que limita sua efetividade plena na valorização homogênea da categoria. A projeção baseada na série histórica revelou que as faixas salariais próximas ao valor proposto pelo piso mantêm tendência ascendente, enquanto as faixas mais elevadas apresentam tendência decrescente em ambas as classes de trabalhadores. De modo geral, a evolução e as tendências salariais da força de trabalho da enfermagem no Brasil entre 2003 e 2023 apontam avanços graduais e repercussões positivas após a instituição do piso nacional, mas evidenciam também a persistência de desigualdades e a necessidade de políticas mais amplas de valorização e equidade