O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA CEGOS: UM PROTÓTIPO DIDÁTICO SOBRE CONSTELAÇÕES
Educação Inclusiva. Deficiência Visual. Impressão 3D. Constelações.
A Educação Inclusiva é amparada legalmente no Brasil, com destaque para a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), 9.394/1996, e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), 13.146/2015. Todavia, no contexto educacional em geral e no Ensino de Astronomia em particular, ainda há muito a avançar quanto às estratégias didáticas inclusivas. Desse modo, a presente dissertação visa contribuir para a elaboração de um produto educacional inclusivo no contexto do Ensino de Astronomia, mais especificamente sobre as constelações e suas múltiplas manifestações culturais. Para isso, enquanto estratégia metodológica, foi desenvolvida uma versão adaptada de placa perfurada de grandes dimensões, adquirida em loja de materiais de construção, adaptada com sinalizações táteis e acompanhada de peças representando as estrelas, confeccionadas por impressão 3D. Dentre os principais resultados alcançados, destaca-se a aplicação do produto educacional no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), campus João Câmara, com três estudantes, dois com cegueira total e um com baixa visão, a qual evidenciou alto engajamento, intensa exploração tátil e interação colaborativa entre os participantes. Observou-se que os estudantes compreenderam as constelações como construções culturais e científicas, reconheceram padrões espaciais entre as estrelas por meio do tato, diferenciaram magnitudes representadas pelos tamanhos das peças e elaboraram representações próprias durante a atividade de criação autoral. A proposta favoreceu o protagonismo discente, a autonomia na manipulação do material e a aprendizagem investigativa, ampliando o acesso significativo ao conteúdo astronômico por estudantes com deficiência visual.