JORNAL BRADO CONSERVADOR: política, sociabilidades e representações da seca no sertão potiguar (1876–1879)
Imprensa; Brado Conservador; Representações; Seca de 1877; Sertão.
Esta dissertação tem como objeto de estudo o jornal Brado Conservador, publicado na cidade de Açu, província do Rio Grande do Norte, entre os anos de 1876 e 1880. A pesquisa analisa como o periódico se organizou e se inseriu no contexto da fragmentação política do Partido Conservador e da grande seca de 1877, buscando compreender sua função como instrumento de disputa partidária, como articulador de redes de sociabilidade e como produtor de representações sobre o sertão potiguar oitocentista. O estudo investiga o Brado Conservador não apenas como veículo informativo, mas como ator político que atuava ativamente na construção de discursos e no embate com jornais rivais, como o Correio do Assú e o Jornal do Açu. Para tanto, o trabalho mobiliza o conceito de representações formulado por Roger Chartier (1990). Além disso, apoia-se no método indiciário de Carlo Ginzburg, identificando, a partir de vestígios e sinais presentes nas edições analisadas, as redes de sociabilidade e colaboradores que sustentavam o jornal e suas alianças políticas. A investigação demonstra que a seca de 1877, para além de fenômeno natural, foi transformada em discurso político e retórico, funcionando como estratégia de acusação, defesa e legitimação dentro do campo das disputas locais. Nesse sentido, o Brado Conservador revela-se fonte privilegiada para a compreensão das dinâmicas políticas e sociais de Açu no século XIX, evidenciando como a imprensa regional contribuiu para moldar representações coletivas sobre o sertão, a seca e a vida política oitocentista. Assim, a dissertação insere-se no campo da História dos Sertões e da História Cultural, dialogando com reflexões sobre imprensa, política e representações no Brasil Imperial.