INSTIGADORES DO CAOS: A Questão de Grossos sob a perspectiva dos usos da imprensa pelas elites locais (1901-1905)
Questão de Grossos; sertão; elites locais; representação; jornais.
A Questão de Limites entre o Rio Grande do Norte e o Ceará (1894-1920), também conhecida como a Questão de Grossos, foi uma disputa territorial atravessada por múltiplos interesses e formas de atuação política em diferentes escalas. Este trabalho, porém, não busca abarcar toda a extensão do conflito. Ao contrário, propõe-se a analisar como, através da imprensa, as elites locais instrumentalizaram o conflito para a defesa de diferentes interesses políticos e econômicos, entre os anos de 1901 a 1905. A atuação desses personagens coloca-os como agentes ativos e apresenta Grossos na condição de sertão ativo – lugar de sociabilidades –, rompendo com a noção de que se tratava de um território passivo diante de projetos estaduais. Para essa análise, utilizamos como fontes os períodicos Jornal do Brasil (1901-1905), O Paiz (1901-1904), Correio da Manhã (1901-1905), A Notícia (1901-1903), Gazeta de Notícias (1901-1905), presentes no acervo da Hemeroteca Digital Brasileira, e O Mossoroense (1902-1905), presente no Museu Histórico Lauro da Escóssia, em Mossoró-RN. A leitura dessas fontes segue a perspectiva de Mouillaud (2012), Chartier (2003) e Barros (2023), que compreendem e discutem o jornal como um veículo de comunicação atravessado por interesses editoriais, no qual os conteúdos são organizados e as estratégias discursivas são elaboradas com o objetivo de produzir sentidos alinhados aos seus objetivos políticos, econômicos e sociais. Em diálogo com essa abordagem, recorremos às discussões de Antonio Moraes (2003), Wright Mills (apud Perissinotto; Costa; Massimo, 2023) e Chartier (2002) para compreender, respectivamente, os conceitos de sertão, elites locais e representação.