ASSIM O HÁBITO FOI SE TORNANDO SEGURO, À PROCURA DE BELEZAS”: O CASO DA COMISSÃO TÉCNICA DE PISCICULTURA DO NORDESTE E A NATUREZA NOS SERTÕES (1932-1937)
Comissão Técnica de Piscicultura do Nordeste; natureza; pós-humanismo; História dos Sertões.
Esta dissertação teve como foco de investigação a Comissão Técnica de Piscicultura do Nordeste, submetida ao Ministério de Viação e Obras Públicas, entre os anos de 1932 e 1937, no âmbito do Governo de Getúlio Vargas. O objetivo principal da pesquisa foi discutir a atuação da Comissão nos sertões nordestinos ao longo desse período para refletir acerca de sertões mais que humanos a partir da crítica ao racionalismo moderno antropocentrado. Desdobrou-se em análises a respeito da elaboração de paisagens pelos membros da referida Comissão, os usos feitos da categoria tempo para caracterização dos espaços sertanejos pelos cientistas e a disputa entre o habitar sertanejo e o modo de se relacionar com a natureza proposto pelos membros da CTPN. Sob o ponto de vista teórico, o diálogo entre História e Antropologia é considerado como fundamental para o debate pós-humanista que fundamenta a pesquisa, uma vez que os conhecimentos científicos elaborados pelos membros da expedição são tomados como saberes de cunho etnográfico possibilitados pelo contato direto com a natureza sertaneja que buscavam institucionalizar por meio de conhecimentos técnicos. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se no paradigma indiciário proposto por Carlo Ginzburg, uma vez que o percurso metodológico seguido se caracterizou pela busca de indícios da presença dos cientistas nas espacialidades sertanejas, bem como da alteridade (humana e não humana) com a qual estabeleceram relações em suas travessias. Utilizou-se documentação variada, desde o livro de relatos das viagens, boletins científicos, legislação e matérias jornalísticas. Como resultado, propôs-se uma História que não apenas conta sobre o sertão (entendido como objeto a ser acessado), mas que escuta e interage com o sertão e seus modos de vida em sua própria linguagem, fazendo emergir novos mundos para além dos padrões antropocêntricos.