Banca de QUALIFICAÇÃO: JOAO ANTONIO DE DEUS BARBOSA NOGUEIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JOAO ANTONIO DE DEUS BARBOSA NOGUEIRA
DATA : 26/08/2025
HORA: 16:00
LOCAL: Ambiente virtual (Google Meet)
TÍTULO:

Sertão e Independência do Brasil: A luta do povo do Piauí na Batalha do Jenipapo. 1808-1823.


PALAVRAS-CHAVES:

Batalha do Jenipapo; Historiografia; Independência do Brasil; Povo; Sertão.


PÁGINAS: 51
RESUMO:

Esta dissertação propõe uma releitura do processo de Independência do Brasil sob a ótica dos
sertões piauienses, com foco especial na Batalha do Jenipapo (1823). O trabalho desafia a
narrativa historiográfica tradicional que centraliza os eventos da independência nos eixos Rio
de Janeiro–São Paulo–Minas Gerais, ao mesmo tempo em que marginaliza o papel dos atores
populares e sertanejos. A Batalha do Jenipapo, travada em Campo Maior (PI), é analisada como
um episódio-chave de resistência local, protagonizado por sertanejos, pessoas escravizadas,
indígenas e trabalhadores rurais contra as forças portuguesas que buscavam manter o controle
colonial. O estudo é estruturado em três capítulos. O primeiro apresenta a independência como
um processo lento e assimétrico, marcado por conflitos regionais e interesses políticos diversos,
destacando a multiplicidade das “independências” ocorridas em províncias como Bahia,
Maranhão, Pará e Piauí. O segundo capítulo investiga a marginalização histórica dos sertões,
tanto política quanto simbolicamente, frequentemente representados como espaços atrasados
ou periféricos dentro da narrativa nacional. O terceiro capítulo explora a participação popular
no processo de independência, com base na concepção de “povo” como agente político segundo
Jacques Rancière, demonstrando como os grupos subalternizados atuaram ativamente na
construção dos acontecimentos históricos. Metodologicamente, a pesquisa se apoia em fontes
primárias, incluindo jornais do século XIX disponíveis na Hemeroteca Digital Brasileira e
relatos históricos publicados pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Utilizando o
paradigma indiciário de Carlo Ginzburg, o estudo analisa os silêncios e omissões presentes
nessas fontes, especialmente em relação ao papel dos sertões e à atuação do povo. O conceito
de sertão é compreendido como uma construção discursiva, informada por mentalidades
históricas dominantes, a partir das perspectivas teóricas de Antonio Carlos Robert Moraes e
Maria Dione de Carvalho Moraes. Dialogando com autores como Johny Santana, Lilia
Schwarcz e Evaldo Cabral de Mello, a dissertação contribui para os debates historiográficos
contemporâneos sobre a pluralidade do processo de emancipação brasileira, o papel das elites
regionais e a presença de alternativas republicanas e federalistas ao projeto imperial
monárquico. Movimentos como a Revolução Pernambucana (1817) e a Confederação do
Equador (1824) são analisados como expressões dessas visões alternativas de construção da
nação. Por fim, este estudo busca ampliar a compreensão da Independência do Brasil ao reconhecer o sertão como um espaço politicamente significativo e as classes populares como
sujeitos históricos. Defende-se uma interpretação mais plural e descentralizada da
independência brasileira, incorporando vozes e territórios frequentemente excluídos da
memória nacional — em especial, os sertões piauienses e os combatentes da Batalha do
Jenipapo.

 

 


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1040569 - ANTONIO JOSE DE OLIVEIRA
Interna - 1934542 - PAULA REJANE FERNANDES
Presidente - ***.653.724-** - ROSENILSON DA SILVA SANTOS - UERN
Notícia cadastrada em: 08/08/2025 23:43
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