O QUE SE VENDE AQUI TAMBÉM É LINGUAGEM:
A SUPERDIVERSIDADE EM EXPOSIÇÃO NA PAISAGEM LINGUÍSTICA DO BAIRRO DO ALECRIM EM
NATAL (RN)
paisagem linguística; superdiversidade; letreiros comerciais; identidade; decolonialidade
As paisagens linguísticas dos espaços urbanos permitem observar como diferentes línguas,
repertórios, identidades e referências culturais circulam e se materializam na vida cotidiana.
Partindo dessa compreensão, esta investigação tem por objetivo analisar os letreiros
comerciais que compõem a Paisagem Linguística do bairro do Alecrim, em Natal/RN,
buscando compreender como a superdiversidade pode se materializar nesses signos e o que
eles podem revelar sobre as dinâmicas sociais, culturais e identitárias desse espaço comercial.
A pesquisa situa-se no campo da Linguística Aplicada (Moita Lopes, 2006;
Archanjo, 2011, 2016), sob uma abordagem qualitativa e interpretativista. Teoricamente,
fundamenta-se nos estudos da Paisagem Linguística (Landry; Bourhis, 1997; Blommaert,
2013; Gorter; Cenoz, 2023), da globalização e superdiversidade (Blommaert, 2010, 2013;
Vertovec, 2007) e da modernidade/colonialidade/decolonialidade (Quijano, 2005; Walsh,
2009; Mignolo, 2017). A perspectiva de Blommaert (2005, 2013) orienta ainda a
compreensão da linguagem como prática social e dos signos como produções situadas,
atravessadas pela circulação e recontextualização de recursos linguísticos e semióticos.
Metodologicamente, a investigação aproxima-se de uma perspectiva etnográfica da
linguagem e toma como corpus fotografias de letreiros comerciais, acompanhadas de
registros e notas de campo. A análise dialoga também com o paradigma indiciário de
Ginzburg (1989), direcionando o olhar para pistas, vestígios e detalhes presentes nos
letreiros. Busca-se, assim, compreender essas materialidades para além de sua função
comercial, observando como podem oferecer indícios sobre identidades, valores sociais,
relações de poder e processos de circulação e ressignificação de repertórios entre o local e o
global na Paisagem Linguística do Alecrim.