FRAGMENTAÇÃO E (DES)ORDEM NOS INSTANTES FICCIONAIS NOLLIANOS -
UMA ABORDAGEM ESQUIZOANALÍTICA DE MÍNIMOS MÚLTIPLOS COMUNS (2003)
fragmento; narrativas contemporâneas; instantes ficcionais; esquizoanálise; neobarroco
A presente tese propõe uma investigação detalhada sobre o fragmento e seus desdobramentos na construção da narrativa contemporânea, com foco específico na obra Mínimos, Múltiplos, Comuns (2003) de João Gilberto Noll. Esse livro, composto por pequenos textos publicados inicialmente na coluna "Relâmpagos" do caderno "Ilustrada" da Folha de São Paulo entre 1998 e 2001, apresenta uma linguagem fragmentária que evoca o conceito de haicais narrativos barthesianos através de seus 338 "instantes ficcionais", como o autor os denomina, e que se caracteriza pela concisão, e uma impressão de realidade. A análise se baseia em teorias da fragmentação literária, particularmente as propostas por Barthes (1986; 1987; 1989; 2004; 2005; 2015), Novalis (1988), Schelegel (1997) e Susini-Anastopoulos (1997), além de recorrer aos conceitos da esquizoanálise de Deleuze & Guattari (2014), da noção de caosmose de Guattari (2012), e da teoria do neobarroco de Sarduy (1975; 1979, 1989, 1999). O objetivo dessa tese é apresentar o livro de Noll como um paradigma da escrita fragmentária contemporânea, no qual o fragmento se inscreve como forma composicional e como um modelo estético de significação de acordo com o que propõem os teóricos cujos trabalhos sustentam essa hipótese.