O IMPACTO DA MUDANÇA DO TURNO DE TREINO NO PADRÃO DE SONO, ESTRESSE E ESTADO DE HUMOR DE CORREDORES
Ritmo Circadiano, Cronotipo, Sonolência, Recuperação
INTRODUÇÃO: A corrida de rua, que frequentemente inicia suas atividades nas primeiras horas da manhã, impõe desafios logísticos que podem exigir mudanças nos horários de treino e ajustes no sono dos atletas para garantir a recuperação. OBJETIVO: Investigar o impacto da mudança do horário de treino no padrão de sono, na tolerância ao estresse e no estado de humor em corredores amadores. METODOLOGIA: 32 corredores de ambos os sexos (19 mulheres e 13 homens; idade: 35 ± 6,09 anos; peso: 66,43 ± 10,23 kg; estatura: 166,44 ± 7,86 cm) realizaram duas semanas não consecutivas de treinamento em horários distintos (manhã: 5h–6h; noite: 19h–20h), separadas por um período de washout. Após uma avaliação inicial composta por caracterização antropométrica, composição corporal (DXA), questionários de sono (PSQI) e cronotipo (MEQ), os participantes seguiram protocolos de treino individualizados e equivalentes entre as semanas. Durante cada semana experimental, foram monitorados o sono (acelerometria e diário), a sonolência diurna (ESS), o estado de humor (BRUMS) e a tolerância ao estresse (DALDA), permitindo a comparação intraindivíduo entre os horários. RESULTADOS: Houve diferença significativa no horário de dormir (22:36 ± 01:04 vs. 22:55 ± 00:57; p = 0,04) e no horário de despertar (05:06 ± 00:48 vs. 06:07 ± 01:05; p < 0,001) entre a semana de treino pela manhã comparada à semana de treino à noite. Considerando a preferência habitual de treino, os atletas habituados a treinar pela manhã, quando treinaram no turno contrário (noite), acordaram 58 min mais tarde (t(20) = -3,256; p = 0,004). Já aqueles que habitualmente treinavam à noite, ao treinar pela manhã, foram dormir 33 min mais cedo (t(10) = -3,316; p = 0,008) e acordaram 65 min antes do habitual (t(10) = -3,688; p = 0,004). Não foram encontradas alterações relevantes de humor e tolerância ao estresse nesse período. CONCLUSÃO: O horário do treino modificou o comportamento do sono dos corredores — atrasando os horários de dormir e acordar ao treinar à noite, e adiantando-os ao treinar de manhã — sem, contudo, alterar as variáveis de tempo total, latência e eficiência do sono.