Banca de DEFESA: RODOLPHO LUIZ ARAUJO CORTEZ

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RODOLPHO LUIZ ARAUJO CORTEZ
DATA: 19/10/2012
HORA: 09:00
LOCAL: auditorio de psicologia
TÍTULO:

DADOS NORMATIVOS DO TESTE DE ATENÇÃO POR CANCELAMENTO EM ESTUDANTES DE NATAL/RN

 

 

O objetivo do presente estudo é a investigação dos domínios da visoespacialidade e visoconstrução em crianças com epilepsia idiopática generalizada do tipo ausência, problematizando acerca do impacto dos déficits de tais habilidades sobre a aprendizagem escolar, mais especificamente a matemática. A epilepsia é uma desordem crônica do funcionamento cerebral, caracterizada por crises recorrentes, relativas à descarga elétrica excessiva em grupo de neurônios. Por sua vez, a epilepsia idiopática generalizada do tipo ausência é um tipo de epilepsia caracterizada pela falta de correlação com lesões neurológicas (idiopática), pela presença de descargas elétricas alteradas em ambos os hemisférios cerebrais (generalizada) e pelo comprometimento da consciência em crises de ausência que chegam a se repetir dezenas de vezes ao longo do dia (Hazin, 2006). O tipo de epilepsia em questão costuma acometer mais meninas que meninos; as crises têm início entre quatro e 10 anos e o pico de incidência é por volta dos 7 anos (Caplan et al., 2008; Liberalesso, Da Silva, Vieira & Spinosa, 2005). Por sua vez, compreende-se por visoespacialidade e visoconstrução as funções neuropsicológicas circunscritas no campo da percepção visual. De forma mais específica, caracteriza-se a visoespacialidade como a habilidade que permite ao sujeito construir uma representação métrica do espaço e posteriormente formar uma representação espacial, sendo esta última centrada sobre o próprio objeto (espaço extra-corporal) e/ou sobre o sujeito que faz a análise (esquema corporal, distinção direita/esquerda) (Mello & Muszkat, 2008; Manning, 2005).  Nesse sentido, em colaboração com as funções visoatencionais e oculomotoras, o cálculo das relações espaciais dos objetos externos e a formação de uma representação mental corporal permitem a programação de conjunto de ações motoras diferenciadas, que podem ser simples ou complexas, e que atuam sobre o espaço próximo ou sobre o espaço longínquo (Siéroff, 2009; Mazeau, 2005). Já o termo visoconstrução refere-se à coordenação voluntária de movimentos orientados que possibilitam ao sujeito construir um objeto unitário a partir da composição de suas partes, realizar desenho livre, cópia de figuras geométricas e reprodução de letras e palavras escritas (Mello & Muszkat, 2008; Manning, 2005). Em crianças, essas funções desempenham papel fundamental na vida escolar e no processo de aprendizagem, notadamente na matemática. Para essa disciplina escolar a visoespacialidade e a visoconstrução tem grande interferência sobre as habilidades procedurais e, conseqüentemente, sobre a compreensão conceitual da representação, como por exemplo, o alinhamento das colunas em problemas aritméticos e o valor posicional. Nota-se igualmente dificuldades  nas atividades que exigem rotação de sólidos, construção de imagem mental, dentre outras. Sistematicamente estudos têm correlacionado o diagnóstico de epilepsia idiopática generalizada do tipo ausência a alterações cognitivas e déficits escolares, notadamente em matemática (Caplan et al., 2008; MacAllister & Schaffer, 2007; Seidenberg, Pulsipher & Hermann, 2007; Hazin, 2006). Tal aspecto pode ser problematizado a partir da constatação que o córtex cerebral da criança apresenta uma hiperexcitabilidade e as conexões neuronais são exageradamente plásticas. Progressivamente a hiperexcitabilidade diminui e as conexões se tornam mais numerosas e especializadas.  A manutenção de descargas anormais na infância pode desestruturar a organização cerebral e alterar os processos de estabilização sináptica. Sendo assim, as funções cognitivas subjacentes a tais redes neurais podem ou não serem estabilizadas. As consequências de tais alterações ganham maiores proporções se considerarmos que alterações precoces sobre determinada função cognitiva pode promover efeito cascata sobre outras funções que irão se desenvolver ulteriormente (Gillet, 2000). Nessa direção, a neuropsicologia tem trazido importante contribuição, em especial apontando a necessidade de investigação específica das funções cognitivas, não restringindo a investigação a cômputos de QI, mas buscando compreender o funcionamento neuropsicológico em termos do estabelecimento de seus pontos fortes e deficitários. A partir do exposto, o presente estudo tem por objetivo geral a investigação das habilidades cognitivas da visoespacialidade e visoconstrução em crianças com epilepsia idiopática generalizada do tipo ausência, problematizando acerca do impacto da presença de déficits em tais habilidades sobre a aprendizagem escolar, mais especificamente no domínio da matemática. Participarão do estudo 40 crianças, de ambos os sexos, com idades entre oito e 12 anos, divididas em dois grupos distintos, sendo o primeiro constituído por 20 crianças diagnosticadas com epilepsia idiopática generalizada do tipo ausência, cujo diagnóstico será confirmado através de exames de eletroencefalograma, acompanhadas no Serviço de Neurologia do Hospital de Pediatria Professor Heriberto Ferreira Bezerra (HOSPED – UFRN) em Natal – RN. O segundo grupo será constituído por 20 crianças, sem histórico clínico de alterações neurológicas e/ou psiquiátricas, com nível sócio-econômico e educacional semelhante ao do grupo de crianças comepilepsia. O estudo será realizado em duas etapas. Na primeira etapa os grupos constituintes serão formados. O primeiro grupo através de análise de prontuário junto ao arquivo do serviço de Neurologia do HOSPED para identificação dos pacientes já cadastrados. O contato será feito pessoalmente quando o paciente e seus responsáveis vierem ao serviço para as consultas de rotina, neste momento será feita a explicação da pesquisa e a possível assinatura do Termo de consentimento livre e esclarecido. Por sua vez, o grupo controle será formado por crianças estudantes da rede pública de ensino da cidade do Natal, uma vez que a quase totalidade das crianças atendidas no Hosped é oriunda das classes sociais C e D. Na segunda etapa diagnóstica, os dois grupos serão avaliados. Inicialmente será investigada a capacidade intelectiva global das crianças, através da aplicação do teste Matrizes Progressivas de Raven; e as funções de visoespacialidade e visoconstrução, através da aplicação dos testes: Bateria de Testes Neuropsicológicos (BTN), Teste das Figuras Complexas de Rey, Teste Gestáltico Visomotor de Bender e os subtestes Labirintos, Cubos e Armar objetos da WISC-III.  Posteriormente, os dois grupos irão responder a instrumento de avaliação da atividade matemáticacomposto por 20 questões. Tal ferramenta é resultante do recorte de diferentes outros instrumentos de avaliação de redes públicas de educação municipais, estaduais e nacionais, utilizando-se igualmente de questões de pesquisa propostas por estudiosos da educação matemática, assim como questões propostas pelos próprios pesquisadores. O instrumento foi construído buscando-se avaliar atividades oriundas de campos conceituais da matemática escolar. Por fim, os sujeitos integrantes do grupo de crianças diagnosticadas com epilepsia de ausência produzirão desenhos e escreverão histórias sobre estes. Serão fornecidos quatro temas: ‘Eu’, ‘A matemática’, ‘Eu e a matemática’ e ‘Como é ter epilepsia’. O objetivo desta etapa é explorar as representações das crianças acerca de si mesmas, da epilepsia e da matemática. A avaliação desse grupo será feita em sala apropriada no próprio Serviço de Neurologia do HOSPED e terá duração média de duas sessões de 50 minutos, podendo ser feita em um único dia ou dias separados a depender do paciente. A avaliação do grupo controle será realizada na própria escola da criança. O conjunto de dados oriundos das etapas diagnósticas será submetido à análise estatística inferencial. Posteriormente, tais dados serão categorizados e analisados através do uso de ferramenta estatística multidimensional, combinada com classificação hierárquica ascendente e análise fatorial. Parte-se aqui do pressuposto que a investigação do funcionamento cognitivo de crianças com epilepsia possibilitará o estabelecimento em termos de diferenciação dos déficits específicos e globais deste subgrupo clínico. De modo geral, a compreensão dos diferentes déficits cognitivos, que cursam com os diferentes tipos de epilepsia, é indispensável para um atendimento diferenciado a este grupo clínico. Nesse sentido, a descrição fina e detalhada do desempenho nos domínios da visoespacialidade e visoconstrução em crianças com epilepsia generalizada do tipo ausência, proposta pelo presente estudo, possibilitará a reflexão em termos das modalidades de dificuldades escolares em matemática deste subgrupo, bem como poderá servir de base para trabalho de reabilitação junto a estas crianças.


PALAVRAS-CHAVES:

atenção; testes de cancelamento; normas de desempenho; psicometria


PÁGINAS: 70
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

A atenção pode ser definida como uma função neuropsicológica que permite ao sujeito o processamento de quantidade limitada de estímulos provenientes do ambiente externo ou mesmo originárias do interior do corpo.  A avaliação da função atencional, por sua vez, é considerada primordial em virtude da dependência das demais funções cognitivas em relação ao seu bom funcionamento; fato que se torna ainda mais crítico quando aplicado ao contexto da infância e adolescência por ser indispensável a consideração de aspectos neurodesenvolvimentais. Dadas essas condições e a escassez de parâmetros relacionados ao desenvolvimento dos mecanismos atencionais para crianças e adolescentes, este estudo buscou a obtenção de dados normativos e exploratórios do desempenho no Teste de Atenção por Cancelamento (TAC) de crianças e adolescentes de seis a 16 anos estudantes das redes de escolas públicas e privadas da cidade de Natal/RN. Participaram da pesquisa 608 estudantes da cidade de Natal, sendo 336 estudantes do sexo feminino (55,3%) e 272 do sexo masculino (44,7%). Deste total, 283 pertenciam à rede pública de ensino (46,5%) e 325 à rede privada (53,5%). As análises estatísticas inferenciais (ANOVA) e a análise post-hoc (Teste LSD) permitiram verificar que as variáveis: nível de escolaridade e tipo de escola mostraram-se estatisticamente significativas (p < 0,05), enquanto a variável sexo não apresentou relevância para diferenciação de desempenho dos estudantes. Em termos de acurácia e velocidade em tarefas que avaliam a seletividade e sustenção, constatou-se aumento significativo no desempenho dos estudantes até o 6º ano de escolaridade. Entretanto, a partir do 7º ano do ensino fundamental II observa-se o estabelecimento de um platô no desenvolvimento atencional para este contexto. Contudo, em tarefas que exigem seletividade e alternância, constatou-se que há incremento no desempenho dos estudantes até por volta do 8º ano, apresentando uma estabilização de resultados somente na transição do ensino fundamental II para o ensino médio; o que demonstra continuidade no desenvolvimento de características desenvolvimentais ao longo da adolescência. Dessa maneira o TAC apresentou sensibilidade para a detecção de aspectos neurodesenvolvimentais e características sócio-culturais do funcionamento cognitivo humano.


MEMBROS DA BANCA:
Externo ao Programa - 1298984 - CLARA MARIA MELO DOS SANTOS
Presidente - 1321136 - IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES LORESTO
Notícia cadastrada em: 02/10/2012 15:53
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