Dissertações/Teses

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2017
Dissertações
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  • HEDYANNE GUERRA PEREIRA
  • ADAPTAÇÃO TRANSCULTURAL PARA O PORTUGUÊS (BRASIL) DO INSTRUMENTO KIDCOPE

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 30/01/2017
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  • O estudo do enfrentamento de situações estressoras na infância é considerado importante, visto que ao longo dessa etapa do desenvolvimento, a criança aprende as modalidades básicas da existência humana, que influenciam na forma com que ela se relaciona com o mundo e integra suas experiências. Nesse contexto, a literatura enfatiza a necessidade de aprofundar a potencialidade de medidas de enfrentamento infantil baseadas no autorrelato. Diante disso, considera-se oportuno disponibilizar versões brasileiras de ferramentas advindas
    de investigações bem estabelecidas de outras culturas, como o instrumento Kidcope, medida de autorrelato, que investiga estratégias de enfrentamento utilizadas por crianças e adolescentes de 7 a 12 anos em situações estressoras. Objetivo: Adaptar transculturalmente o Kidcope para o Português (Brasil). Método: Pesquisa metodológica, transversal. Realizou-se equivalência conceitual e de itens, semântica e operacional entre o instrumento original e a versão brasileira; e a equivalência de mensuração. Resultados: Evidenciou-se boa equivalência conceitual e de itens, além de semântica, entre os itens do instrumento original e das retrotraduções, sobretudo quanto à díade T2 – R2. Quanto à equivalência operacional, foram incluídas 33 crianças, que avaliaram o instrumento como adequado e compreensível. Na de mensuração, participaram 150 crianças, com média de idade de 9,31 anos. Verificou-se que as estratégias mais utilizadas são as de enfrentamento ativo e de evitação, consideradas mais eficazes pelos participantes. Por meio do Alfa de Cronbach, constatou-se valor 0,315 de consistência interna para os itens do Kidcope. Conclusão: Apesar das limitações relacionadas à baixa confiabilidade do instrumento, considera-se que ele cumpre o objetivo a que se propõe. Configurando-se como um instrumento de rastreio de estratégias de enfrentamento de crianças e adolescente diante de situações estressoras, tanto em contextos clínicos quanto de pesquisa.

2
  • LEDA MENDES PINHEIRO GIMBO
  • ANÁLISE ARQUEGENEALÓGICA DA CASA DE SAÚDE SANTA TERESA: ABERTURA, MANUTENÇÃO E FECHAMENTO DE UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO

  • Orientador : JADER FERREIRA LEITE
  • Data: 02/02/2017
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  • A história da loucura no Brasil é indissociável da história dos hospitais psiquiátricos, uma vez

    que a organização das cidades e sua higiene, pautadas nos moldes franceses do século XIX

    dependiam dessas instituições para a manutenção da ordem social. As casas de internamento

    tinham o princípio de instituir organização à sociedade capitalista e burguesa nascente, dando

    abrigo a loucos, mendigos, prostitutas e todos aqueles que pusessem em risco o projeto de

    desenvolvimento em curso, atendendo também ao ideal caritativo, um dos pilares da

    sociedade da época. A região do Cariri cearense contou com a existência de um hospital

    psiquiátrico, a Casa de Saúde Santa Teresa, que funcionou desde a década de 1970 até o ano

    de 2016. Sua inauguração não foi uma aleatoriedade, mas fruto de formações discursivas

    específicas e relações de saber e poder que constituíram o alicerce para que o hospital abrisse

    suas portas na região, bem como para se manter em funcionamento até o ano de 2016. O

    objetivo desse trabalho é construir uma análise arquegenealógica da história da Casa de Saúde

    Santa Teresa. Para tanto propõe-se a trabalhar com análise de jornais, revistas e fotografias

    ilustrativas referentes à instituição, os quais possibilitam a preservação da memória de uma

    época e povo, mas especialmente o reconhecimento das forças de sustentação dessa

    instituição. Foram consultadas além de duas publicações jornalísticas importantes do Cariri

    cearense (jornal A Ação e revista Itaytera – de 1963 a 1990), os jornais O povo, Diário do

    Nordeste e Jornal do Cariri (1990 a 2016). As imagens foram divididas em três blocos de

    tempo, a saber: 1900 a 1970, quando da abertura do hospital; 1970-1990, anos de abastado

    funcionamento da Casa de Saúde e 1990-2016, período de tensões e fechamento do hospital.

    Nessas mesmas fontes documentais, buscou-se dados para a contextualização econômica,

    política e cultural do município do Crato, no intuito de articular a história e os discursos

    acerca do hospital com as produções políticas e culturais. O resultado consiste numa análise

    arquegenealógica da história de um hospital psiquiátrico localizado no sul do Ceará, contada

    através de notícias de jornais, revistas e fotografias ilustrativas, apontando as relações de

    saber e poder da lógica psiquiátrica manicomial como mecanismo de exclusão, bem como

    possibilitando análise da desconstrução do modelo hospitalocêntrico no Brasil enquanto

    resultado do movimento de Reforma Psiquiátrica.

3
  • ZARA CRISTINA DE ANDRADE BARBOSA
  • COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL DOS ROLE PLAYING GAMES (RPG): DESVELANDO SENTIDOS.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 21/02/2017
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  • Este trabalho é uma pesquisa qualitativa, de cunho Fenomenológico-Existencial de inspiração Heideggeriana, realizada com jogadores de Role Playing Game (RPG). A revisão de literatura mostrou que a produção acadêmica na área da Psicologia a respeito do RPG no Brasil é escassa, porém na Educação os estudos estão crescendo e abordam, em sua maioria, a utilização do jogo em salas de aulas como ferramenta facilitadora do processo de ensino-aprendizagem. Alguns estudos apontam a eficácia do jogo no ensino de disciplinas escolares. Outros focam nos benefícios para o desenvolvimento e estimulação da memória e da atenção e um melhor desempenho na leitura e escrita. No exterior existe um fluxo bem maior de estudos em Psicologia, abordando os benefícios na melhoria do desempenho cognitivo, desenvolvimento de habilidades sociais, formação de grupos de suporte e ajuda na resolução de conflitos. Estes estudos dão suporte para pensar e discutir o jogo por um caminho que vai além do pedagógico, preocupando-se em olhar para o jogador de RPG enquanto ser-no-mundo que, ao habitar sua existência, pensa e atribui sentidos às suas experiências. Portanto, esta pesquisa tem como objetivo compreender, à luz da hermenêutica heideggeriana, a experiência de ser jogador de RPG. Foram realizadas entrevistas narrativas com três jogadores de RPG com uma pergunta desencadeadora sobre sua experiência como jogador. Os dados foram analisados com base no método fenomenológico hermenêutico de inspiração heideggeriana, por possibilitar um olhar compreensivo do fenômeno. Foi possível perceber, a partir das narrativas dos jogadores, que o jogo possibilita um espaço no qual eles sentem-se livres para serem eles mesmos, ocupando um lugar de grande importância em suas vidas. 

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  • ALLANA DE CARVALHO ARAÚJO
  • Efeitos do cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto: uma análise a partir da perspectiva de adolescentes egressos em Natal-RN

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 06/03/2017
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  • Os egressos do sistema socioeducativo não só convivem com os mesmos desafios pré-existentes ao cumprimento de medida, como, por vezes, lidam com estigma e o preconceito relacionados ao cometimento do ato infracional. Apesar disso, inexiste, nacionalmente, um atendimento sistemático voltado ao egresso. Nesta pesquisa, investigou-se as contribuições proporcionadas pelo cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto ao egresso em Natal. Para tanto, a construção dos dados foi realizada em duas etapas: pesquisa documental e entrevista com os adolescentes. A primeira visou caracterizar o cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto no município para compreender o contexto no qual os adolescentes estiveram inseridos. As entrevistas buscaram investigar mudanças e permanências na vida dos egressos proporcionadas pelo cumprimento de medida socioeducativa. Na análise dos resultados, foram feitas articulações entre os dados obtidos nas duas etapas. Identificou-se que a experiência socioeducativa, no município, tem sido reduzida à responsabilização. A duração processual vem sendo bem maior que a esperada, gerando um quantitativo de adolescentes remanescentes vinculados ao serviço. Em 2015, por exemplo, poucos adolescentes conseguiram finalizar a medida socioeducativa no mesmo ano em que iniciaram. Há indicativos de que diferentes manifestações de violência permanecem atravessando a vida dos adolescentes no pós-medida. Nesse cenário, os entrevistados relatam não associar o atendimento socioeducativo à garantia de direitos nem a mudanças positivas em suas vidas e, no geral, sentem-se injustiçados. Esses dados estão associados ao funcionamento precário tanto do atendimento socioeducativo, como da rede de garantia de direitos.

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  • ROBERTA TRINDADE DE ALBUQUERQUE
  • A ATUAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS EM JOÃO PESSOA: A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 10/03/2017
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  • Este trabalho buscou investigar a atuação de organizações não governamentais (ONGs) na educação de crianças e adolescentes no município de João Pessoa/PB. O estudo foi desenvolvido com sete organizações em seis bairros da cidade, a partir de entrevistas, observações e leitura dos projetos pedagógicos. As ONGs, situadas em comunidades em situação de vulnerabilidade, desenvolvem ações de formação com o público infanto-juvenil complementando o ensino formal. A atuação dessas instituições sem fins lucrativos se configura como uma estratégia, especialmente no novo milênio, de combater a pobreza com a educação por meio da inclusão social e qualificação para o trabalho. Para tanto, compartilham dessa responsabilidade o Estado, o privado e a sociedade. A perspectiva de análise desse estudo se deu a partir da construção de categorias relacionadas com a literatura. Os resultados apontam que a cidadania é o principal foco do trabalho desenvolvido por meio de atividades nas áreas de artes e cultura. A concepção de educação se fundamenta na perspectiva de transformação em nível individual, através de inserção social, melhoria de vida e compreensão da realidade. A luta pelos direitos sociais constituídos na sociedade é uma das bandeiras das organizações. Na prática, atividades lúdicas e recreativas são realizadas em todas as ONGs e, em algumas, há também o desenvolvimento de um trabalho reflexivo e crítico. Conclui-se que o trabalho das ONGs é significativo para as crianças e adolescentes atendidas, por terem acesso a conhecimentos e ao desenvolvimento de capacidades e habilidades artísticas. Dessa forma, as mudanças que as ONGs conseguem produzir acontecem através de uma educação que visa auxiliar no processo de empoderamento e criticidade do público atendido. No entanto, limites do trabalho foram encontrados no que se refere à distância entre o prescrito no projeto pedagógico e o que acontece na prática e nos desafios quanto à sustentação dos projetos das ONGs.

6
  • LARA MENDES BRAGA RIGOTI
  • Produção de sentidos e caminhos existenciais: como adolescentes abrigados significam as suas histórias de vida?

  • Orientador : MARLOS ALVES BEZERRA
  • Data: 14/03/2017
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  • O acolhimento institucional de crianças e adolescentes é um tema complexo para discussão e pesquisa dentro e fora do campo psicológico. Esta pesquisa buscou contribuir com tal discussão apresentando as narrativas de dois adolescentes de uma unidade de acolhimento em Natal-RN. Através de seus próprios olhares e vozes, as narrativas da institucionalização foram discutidas, tanto em relação com sua vida anterior ao abrigo, quanto com a previsão de projetos após o abrigo. Para atingir esses objetivos, o scrapbook foi usado como um instrumento lúdico para trazer suas narrativas em um esquema metodológico apoiado pela Pesquisa (auto) biográfica e Sociologia Clínica. Este procedimento metodológico proporcionou um ambiente reflexivo no qual novos sentidos sobre sua vida poderiam emergir. Os resultados mostraram que o acolhimento institucional se dá por diferentes violações de direitos às crianças e adolescentes, reflexo de um quadro de vulnerabilidade social. A medida protetiva de abrigo, destinada a garantir o direito à convivência familiar e comunitária, não funciona bem na prática. O abrigo é um lugar complexo e controverso, que muitas vezes não cumpre o seu papel. Pode ser um lugar de reproduções de vulnerabilidades e desproteção. E também pode ser um lugar de proteção, relações afetivas, referências e saídas existenciais. Portanto, a instituição adotiva pode ser um "mal necessário" ou um "bem indesejado".

7
  • JULIA CARMO BEZERRA
  • MODO DE ENFRENTAMENTO E APEGO MATERNO-FETAL EM GESTANTES DE ALTO RISCO: UM ESTUDO COMPARATIVO

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 10/04/2017
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  • A gravidez de risco pode levar a um desenvolvimento inadequado para o concepto e/ou a mãe, podendo provocar um impacto na vinculação da díade mãe-bebê, visto que as expectativas da mãe são frustradas e substituídas pelo temor de uma gestação diferente da esperada e o bebê real pode se apresentar diferente do idealizado por ela. Esses temores estão presentes em maior ou menor grau na saúde psíquica de toda gestante, podendo provocar sintomas de estresse e ansiedade. Assim, essas mães podem se utilizar de diferentes estratégias de enfrentamento para se adaptar e superar essa situação de risco. Neste sentido, objetivou-se investigar se há diferença no modo de enfrentamento e apego materno fetal em gestantes de alto risco e gestantes de baixo risco. Participaram do estudo 169 grávidas, sendo 120 de alto risco atendidas no ambulatório da Maternidade Escola Januário Cicco; e 49 de baixo risco, que realizam pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde. Estas responderam a um questionário com dados sociais, demográficos, psicológicos e de saúde; a Escala de Apego Materno-Fetal, que investiga os comportamentos que a mulher desenvolve durante a gravidez na preparação para o nascimento de seu bebê; e a Escala de Modos de Enfrentamento de Problemas. Para a análise dos dados foi realizada estatística descritiva e inferencial. Não houve diferença estatística na variável de apego materno-fetal entre os grupos investigados, contudo houve diferença estatisticamente significativa (p<0,001) na variável “estratégias de enfrentamento” quando comparadas entre os grupos de baixo e alto risco, sendo esta maior no grupo de baixo risco. Estes sugerem que quanto menor o risco gestacional, maior as estratégias que as gestantes se utilizam para superar o estresse e ansiedade na gestação.

8
  • ALEXANDRA CAVALCANTE DE FARIAS
  • O olhar infantil: como crianças de duas escolas natalenses percebem as mudanças climáticas globais

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 09/06/2017
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  • As Mudanças Climáticas Globais (MCGs), fenômeno ambiental que vem se popularizando
    com o passar dos anos, são geralmente divulgadas e discutidas como Aquecimento Global
    (AG), denominação esta que restringe o problema a um aumento na temperatura. Muito
    além de tratar-se apenas de um aumento da temperatura mundial, as MCGs atingem
    atualmente a esfera das políticas públicas, gerando interferências na vida dos seres
    humanos e mobilizando vários setores na busca de uma mudança de comportamento, visto
    que a humanidade desempenha um papel bastante significativo na degradação e na
    preservação do meio ambiente. É importante ainda salientar que em se tratando das MCGs,
    existe uma distância temporal das consequências mais alarmantes do fenômeno, bem como
    da eficácia das ações de mitigação, que tem suas respostas a longo prazo. Torna-se,
    portanto, de extrema importância a consideração do futuro, de forma a pensarmos não só
    nas mudanças de comportamento refletindo na atualidade, mas em décadas e séculos à
    frente. Ao levar em consideração que as crianças de hoje experienciarão as consequências
    mais graves do problema, o estudo em questão teve como objetivo investigar como 46
    crianças de 7 a 10 anos, de duas escolas particulares natalenses percebem as MCGs e
    pensam ações de mitigação para o fenômeno. O estudo adotou uma perspectiva
    multimetodológica, que envolveu técnicas combinadas de entrevista semiestruturada,
    desenho e grupo focal com as crianças participantes, de modo a proporcionar uma
    abordagem lúdica adequada a esse público. A análise dos dados integrou os resultados das
    três técnicas, cujo conteúdo possibilitou a criação de eixos temáticos, relacionados aos
    referenciais teóricos dos estudos pessoa-ambiente. Os eixos temáticos assim obtidos foram:
    local-global, causa-consequência, impacto à vida humana – aos ecossistemas, mitigação –
    adaptação e a categoria mudança de estação. Os resultados demonstraram que as crianças
    participantes encontraram certa dificuldade em compreender um fenômeno tão complexo
    em sua totalidade. No entanto, puderam se expressar a respeito da problemática,
    principalmente se os temas tivessem sido tratados previamente no contexto escolar. Essa
    constatação, aliada ao compromisso manifestado pelas crianças com medidas de mitigação,
    fornece subsídios importantes para o planejamento de projetos de educação ambiental para
    este público.

9
  • KAMILLA STHEFANY ANDRADE DE OLIVEIRA
  • PROCESSO DE SIGNIFICAÇÃO DO TRABALHO PARA DIARISTAS ATUANTES NA CIDADE DE NATAL, RIO GRANDE DO NORTE

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 13/06/2017
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  • Independente do reconhecimento jurídico, diaristas são trabalhadoras que prestam serviços por até dois dias por semana para um mesmo tomador de serviço. A ocupação das diaristas é marcada pela manutenção de um sistema estratificado de gênero e classe, o que ajuda a reforçar desigualdades, agregando-se a isso outra dimensão: a idade. O número de pessoas que trabalham como Diarista vem crescendo, principalmente nos grandes centros metropolitanos. Mais recentemente, esse tipo de trabalho tem sido estudado pela Psicologia do Trabalho, notadamente pela Psicologia Social do Trabalho. Diante disso, esta pesquisa busca compreender o processo de significação do trabalho para diaristas que atuam na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Baseando-se, essencialmente, na teoria da atividade, esta dissertação entende significados como construções mediadas pela atividade concreta. Para tanto, 12 diaristas foram entrevistadas e suas respostas foram analisadas a partir da construção de Núcleos de Significação. Neste estudo, inferimos e sistematizamos a construção de seis núcleos de significação que têm como foco: a) a trajetória ocupacional das diaristas; b) ferramentas, impedimentos e estratégias de enfrentamento para a execução da atividade de trabalho; c) relações sociais no processo de trabalho; d) a percepção da atividade de trabalho das diaristas; e) repercussões das mudanças no mundo do trabalho sobre a atividade da diarista; e f) a constatação do trabalho final. Na atividade humana da diarista há a prescrição de objetivos, regras e procedimentos relacionados aos resultados desejados e como fazer para alcançá-los, porém, esse sistema é dinâmico, o que pode levar a semelhanças e contradições no próprio sistema de atividade. Conseguimos confirmar os resultados com boa parte da literatura, principalmente nos quesitos que desvelam a precarização do trabalho, pois essa ocupação ainda carrega muito das estruturas das desigualdades brasileiras. Além das contribuições desta pesquisa, constatamos uma série de temáticas a serem estudadas futuramente.

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  • LETÍCIA RABOUD MASCARENHAS DE ANDRADE
  • O PROFESSOR POLIVALENTE DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE MUNICIPAL DE NATAL/RN: TRABALHO, VIVÊNCIA E MEDIAÇÕES.

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 28/06/2017
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  • A democratização da educação apresenta interesses contraditórios, envolvendo mecanismos de reprodução das desigualdades e forças voltadas à transformação social.Neste cenário, a precarização do trabalho docente pode produzir adoecimento e situações de alienação que repercutem nas vivências do trabalho. A presente pesquisa enfoca o trabalho do professor “polivalente” dos anos iniciais do ensino fundamental da rede municipal de Natal (RN-Brasil) e compreende a perspectiva da clínica da atividade. Este trabalho visa à exploração e análise de elementos e percepções constitutivas do trabalho docente e seu contexto de inserção, bem como a articulação com as vivências, sua expressão e constituição. A pesquisa compreendeu uma etapa descritiva e inferencial quantitativa, envolvendo o uso de questionário sócio profissional e instrumento de avaliação das dimensões psicossociais do trabalho; e outra etapa clínico-qualitativa, baseada na técnica de Instrução ao Sósia, que permite o diálogo do trabalhador com sua prática laboral. Foi identificado um elevado percentual de professores que se sentem solitários no trabalho (30,2% da amostra) e associação desta variável à situação de risco psicossocial. Da etapa clínico-qualitativa participaram duas professoras de 1º ano da rede municipal. Observaram-se diferentes modos de relação com a atividade: uma vivência estabelecida na lógica da produção e controle da turma, revelando impedimentos da ação e sentimentos de solidão; e outra centrada na mobilização intelectual do aluno, expressandodinamismo e satisfação laboral, além de acesso a recursos de enriquecimento da ação. Aponta-se para a necessidade de criar e fortalecer coletivos de trabalho nas escolas visando ao desenvolvimento e construção de referenciais para a ação, além da mobilização política por melhores condições de trabalho. 

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  • CAROLINA BORBA VILAR GUIMARÃES
  • INSIGHT E TRANSTORNO DE ASPERGER

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 14/07/2017
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  • O presente estudo objetivou ampliar a compreensão acerca dos processos de insight no Transtorno de Asperger (TA). Entende-se por insight o conhecimento do próprio diagnóstico e os sentidos construídos a partir deste. O desenvolvimento do insight é aqui compreendido não como função da vida mental pessoal, mas como fenômeno intersubjetivo, forjado nas relações sociais.  O arcabouço teórico que subsidia a presente pesquisa é a perspectiva genética de desenvolvimento avançada pela psicologia histórico-cultural. Nesta perspectiva, ressaltam-se os processos de construção de sentido, considerando para tanto a inserção histórico-cultural do sujeito e suas vivências. Assim, para o estudo defende-se que o entendimento sobre “como é ser Asperger” precisa ir além da consideração dos aspectos cognitivos compartilhados socialmente sobre esta condição clínica. Torna-se indispensável o esforço de compreensão dos sentidos e vivências destes sujeitos sobre sua condição e do mundo que os cerca. Diante disso, têm-se o construto de insight como fenômeno complexo que demanda investigação ampla e aprofundada. Buscando atingir os objetivos avançados pelo estudo, foram propostas atividades em três etapas que investigaram aspectos relacionados às experiências asperger. Primeiramente, foi realizada a produção de uma narrativa acerca da questão que norteia o estudo: “Como é ter TA?”. Como estratégia facilitadora da produção narrativa, recorreu-se à mediação de um personagem alienígena para o qual eles deveriam produzir uma narrativa que possibilitasse o entendimento da experiência asperger, pois este seria de outro planeta e não saberia nada sobre o TA. Após essa etapa, foi realizada entrevista semi-estruturada objetivando investigar aspectos relacionados ao conhecimento formal que os sujeitos têm do TA.  Em sequência, foi proposta nova atividade com dois objetivos complementares, a saber, a capacidade de identificação de características do TA em terceiros, que por sua vez, serviu de facilitador para o segundo objetivo que foi a produção de sentidos para as próprias vivências dos sujeitos em relação ao TA. Participaram do estudo três sujeitos entre 15 e 20, selecionados por conveniência, com diagnóstico prévio de TA e com conhecimento deste há pelo menos cinco anos, tempo este considerado suficiente para a construção de significados e sentidos sob a condição do diagnóstico clínico. Também participaram seus respectivos pais, que realizaram também as mesmas etapas da pesquisa que seus filhos, mas foram convocados a respondê-las como se fossem estes. Como resultados observou-se que eles produziram narrativas sobre o diagnóstico de TA e que em suas conceptualizações estiveram presentes diversos elementos reconhecidamente presentes em discursos científicos e da mídia sobre o diagnóstico. Quanto ao sentido do TA para eles, observou-se novamente a presença de discursos da mídia, mas principalmente foram vistas diversas aproximações entre o discurso destes e de seus pais. Assim, foi observado que a constituição do discurso sobre o próprio diagnóstico para os indivíduos com TA teve grande influência dos discursos sociais, principalmente de pessoas mais próximas. Os resultados sugerem que uma característica dos processos de insight no TA pode ser descrita como disrupção na transição de um modo monológico para um dialógico de pensamento. Acredita-se que os resultados aqui encontrados contribuem para a compreensão da singularidade da existência e da experiência subjetiva.

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  • JOEDER DA SILVA MESSIAS
  • ESTUDO CLÍNICO DA ATIVIDADE LABORAL DOS TÉCNICOS EM NECROPSIA DE UM SERVIÇO DE VERIFICAÇÃO DE ÓBITO DO NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 25/07/2017
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  • O papel principal do técnico em necropsia de um Serviço de Verificação de Óbito (SVO) consiste em auxiliar o médico patologista nos procedimentos da necropsia clínica, ou seja, envolve o contato direto com cadáveres humanos. Esta ocupação encontra-se permeada por riscos ocupacionais e estigmas relacionados à atividade laboral que a caracterizam, reforçando assim a importância do desenvolvimento deste estudo, adotou os constructos teórico-metodológicos da Clínica da Atividade como âncora principal e teve como objetivo geral: construir, em parceria com os técnicos de necropsia de um SVO, uma análise clínica, visando o desenvolvimento do poder de reflexão, de ação e de transformação dos trabalhadores em seu próprio contexto de trabalho. A pesquisa foi desenvolvida em um SVO de uma cidade do Nordeste do Brasil, contando com a delimitação de duas etapas de construção de dados. A primeira etapa contou com a adesão total do grupo de 13 técnicos em necropsia. Nela, realizamos uma entrevista individual semiestruturada visando trazer para a análise fatores relacionados à carreira profissional, sobretudo os motivadores iniciais, as vivências atuais e os possíveis projetos. A segunda etapa foi desenvolvida com uma dupla de trabalhadores, utilizando a técnica de Instrução ao Sósia. Os dados construídos nesta pesquisa foram interpretados à luz dos operadores teóricos da abordagem supracitada. O grupo trouxe indícios de baixa visibilidade e estigma social associados ao ofício. Contudo, no geral, eles reconheceram a relevância social da ocupação profissional e se identificaram com ela. Os principais impedimentos apontados foram as condições salariais, os recursos materiais, o relacionamento com a direção, os conflitos no grupo e os variados desvios de função, que são percebidos de formas distintas. No decorrer da etapa clínica, a dupla relembrou o potencial de mobilização que o grupo possuía e refletiu sobre os meios possíveis para resgatar o poder de agir do coletivo.

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  • EMERSON GADELHA LACERDA
  • Percepção ambiental sobre os espaços naturais de um hospital de Natal: affordances de restauração?

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 18/08/2017
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  • Os efeitos terapêuticos das paisagens naturais são reconhecidos há milênios por diferentes culturas, e diversas pesquisas destacaram os benefícios do contato com a natureza à saúde humana. Os elementos naturais reduzem estresse e fadiga mental, distraem, favorecem pensamentos e sentimentos positivos, à medida que mitigam os efeitos deletérios da vida moderna e as emoções negativas por eles disparadas. Estudos demonstraram que áreas verdes em unidades hospitalares contribuíram para a recuperação de pacientes, reduzindo estresse, ansiedade e depressão, além de diminuir a quantidade de analgésicos. Na contramão dos achados científicos, os hospitais, focados em tecnologia e eficiência, oferecem escassos espaços naturais aos seus usuários. Tais instituições tornaram-se ambientes frios, pouco hospitaleiros, aos pacientes e à equipe. Diante desse cenário contraditório, o objetivo desta dissertação é investigar como os espaços naturais de um hospital de Natal são percebidos pelos seus usuários. Adotei uma abordagem multimetodológica, combinando mapeamento comportamental centrado no ambiente e entrevistas semi-estruturadas. Com base no mapeamento, elaborei o roteiro de entrevistas e escolhi os potenciais candidatos. Entrevistei 11 usuários, maiores de 18 anos, incluindo funcionários, pacientes e acompanhantes, no Centro Avançado de Oncologia da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer. Os achados ratificaram a literatura: os espaços naturais da unidade hospitalar são ambientes restauradores às pessoas que os utilizam. O conhecimento alcançado com este estudo pode ser uma contribuição valiosa à gestão e ao projeto de ampliação da instituição.

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  • LUNA PINHEIRO VALLE
  • Rede Juventude Viva do RN: enfrentamento ao extermínio da juventude

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 18/08/2017
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  • O presente trabalho objetiva investigar a atuação da Rede Juventude Viva do RN (RJV RN) no enfrentamento ao extermínio da juventude, mais especificamente: caracterizá-la no que se refere à composição, objetivos e estratégias propostas para o enfrentamento ao extermínio da juventude; caracterizar as ações que a Rede efetivamente articulou e desenvolveu frente a essa realidade; identificar e problematizar limites e possibilidades no trabalho da Rede. Resguardados os cuidados éticos, utilizou-se a observação participante, diários de campo, entrevistas semiestruturadas e a análise de documentos para este estudo, do qual participaram oito membros da RJV RN - tanto nas observações de reuniões internas e ações nas comunidades, quanto para as entrevistas. Os resultados obtidos foram submetidos à análise de conteúdo temática. A RJV RN surgiu inspirada no Plano Juventude Viva (PJV), em meio a mobilizações nacionais e locais, coletivos e eventos em prol dos direitos da juventude, com uma identidade mista, utilizando recursos de pequenas doações e pensando ações para todo o estado. Integrou diversas iniciativas de/para/com juventudes e realizou várias ações, desde incidência política pela adesão e implementação do PJV no RN, até formações envolvendo as juventudes nas comunidades. Foi considerada como um modelo nacional no enfrentamento ao extermínio da juventude. Recentemente sofreu um processo de desmobilização e esvaziamento, estagnando suas atividades até o atual momento, devido a mudanças na conjuntura política do país e fatores de organização e estruturação internas. No entanto, apresenta possibilidades, desde sua reestruturação, retomada dos contatos com os parceiros, retorno das reuniões e atividades até o alinhamento da pauta do extermínio às diversas outras pautas e mobilizações emergentes no cenário nacional desde a sua criação etc. 

15
  • GUILHERME PAIM MASCARENHAS
  • Atenção?! Pare?! A mobilidade por bicicleta e a relação ambiente urbano - normas de trânsito

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 21/08/2017
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  • A mobilidade é uma característica fundamental da vida do ser humano e se expressa de diversas
    formas. Normalmente a ideia de mobilidade está atrelada apenas à noção de transporte, mas ela
    não se resume a isso. A circulação humana pelos espaços é uma das formas de manifestação da
    mobilidade. Nas cidades, o automóvel promoveu mudanças nos usos das ruas. A indústria
    automotiva, que amargava uma péssima reputação no início dos anos 20, conseguiu incorporar
    não apenas a ideia do pedestre imprudente, como naturalizou a ocorrência dos acidentes de
    trânsito. O uso da bicicleta não fica de fora desta lógica que responsabiliza os mais vulneráveis.
    Nesse sentido, o objetivo geral deste estudo é investigar a relação dos usuários de bicicleta com
    os aspectos ambientais e normativos do trânsito urbano. O presente trabalho possui caráter
    exploratório e contou com diferentes técnicas de produção de dados devido à complexidade do
    objeto, a saber: no primeiro momento, a técnica adaptada do mapeamento comportamental
    centrado no lugar e no segundo momento, o mapeamento comportamental centrado na pessoa e
    a entrevista com base em vídeos. Os dados permitiram trabalhar com algumas das formas dessa
    relação, a saber: a necessidade ou não do capacete durante circulação no trânsito, os discursos
    sobre o código de trânsito, as formas de mover o corpo durante a prática da bicicleta, e por fim,
    os comportamentos que fugiram às normas. Os resultados demonstraram que os ambientes do
    trânsito fazem com que os ciclistas apresentem formas de se movimentar que por vezes vão de
    encontro ao Código de Trânsito Brasileiro.

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  • RAUL BEZERRA DAMASCENO
  • Pessoas, lugares e emoções: explorando a relação pessoa-ambiente em autobiografias ambientais

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 22/08/2017
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  • A humanidade vive em praticamente todas as partes do planeta. Os lugares são
    diferentes, assim como as experiências nestes. As pessoas vivem os lugares e estes, por
    sua vez, passam a viver nas pessoas a partir do processo de atribuição de significado.
    Processos de memória que envolvem a emoção transformam as experiências marcantes
    em lembranças. Este estudo qualitativo e exploratório tem como objeto Autobiografias
    Ambientais e os processos cognitivo-afetivos que estas abarcam, visando explorar a
    expressão escrita da relação pessoa-ambiente. Especificamente, é feita a compreensão
    da expressão escrita da afetividade. A pesquisa foi de natureza documental. Nela, foram
    analisadas 133 Autobiografias Ambientais por meio de análise de conteúdo temática. Os
    dados foram organizados em quatro temas: o brincar, a afetividade, a expressão do self e
    a perspectiva temporal. Foi observado que o fenômeno brincar se constitui em uma
    forma singular de se relacionar com o ambiente, se associando ao conceito de
    affordance, de Gibson (1983). A afetividade é expressa via sentimentos com relação aos
    lugares, não sendo possível detectar emoções em relatos escritos, tendo em vista seu
    caráter fortemente biológico. As pessoas utilizam as autobiografias como um espaço
    para reflexão, alterando sua ideia de self. No entanto, o conflito entre diversos tipos de
    self pode explicar distorções nas lembranças relatadas. A perspectiva temporal foi
    observada como sendo de maneira linear, sendo marcada principalmente por datas e
    mudanças de ambiente, às vezes por distorções espaciais que podem ser explicadas pelo
    acesso ao tempo subjetivo. O estudo realizado atingiu os objetivos propostos e alguns
    dos achados corroboram Elali e Pinheiro (2008) e Cooper-Marcus (1992; 2014).

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  • REBECKA WANDERLEY TANNUSS
  • POLÍTICA CRIMINAL E SISTEMA PRISIONAL: A ATUAÇÃO DOS PSICÓLOGOS NAS PRISÕES PARAIBANAS

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 22/08/2017
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  • A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar a atuação do psicólogo no sistema prisional paraibano, bem como, relacioná-la com a política criminal vigente. Para tanto, foram elencados como objetivos específicos: mapear e caracterizar o trabalho dos psicólogos nas instituições prisionais paraibanas; investigar as relações existentes entre a política criminal e a atuação dos psicólogos junto às instituições prisionais. No tocante ao método, foram realizadas 10 entrevistas semiestruturadas e individuais com psicólogos que trabalham nos presídios da Paraíba. A análise dos dados foi realizada a partir do referencial teórico da Criminologia Crítica, perspectiva de enfoque materialista e que se propõe a estabelecer uma análise radical dos mecanismos punitivos e das reais funções do sistema penal. Os resultados obtidos confirmaram a realidade já esperada: prisões superlotadas; péssimas condições de infraestrutura; insalubridade; inúmeras violações aos direitos humanos. No que tange aos profissionais, esses se inserem no sistema prisional paraibano por meio de equipes de saúde, cujo trabalho tem se voltado, de modo geral, para acompanhamentos individuais, realização de testes rápidos de saúde e atividades pontuais. Além disso, os psicólogos também têm a prática voltada para a construção de documentos que subsidiam decisões judiciais relacionadas à progressão de regime e livramento condicional. As entrevistas apontaram para a prevalência do modelo clínico de atuação com discursos voltados para culpabilização da família, individualização das questões que norteiam o cometimento do crime e forte influência das Criminologias Positivista e Liberal. Notou-se também que a atuação desenvolvida esbarra diretamente nas condições precárias de trabalho, como a alta demanda, superpopulação carcerária e ausência de infraestrutura adequada. Por fim, pode-se concluir que a prática do psicólogo dentro das prisões ainda faz parte de um debate complexo e em construção, com limitações que são potencializadas pelo ambiente violento e precário. Somando-se a isto, a permanência de práticas que estão muito mais se adequando ao modelo tradicional do que ampliando uma análise que se aproxime da garantia de direitos humanos nos presídios e repense estruturalmente a existência das prisões.

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  • FÁBIO HENRIQUE ALMEIDA DANTAS
  • A FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA NO CONTEXTO DA DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 23/08/2017
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  • O Ensino Superior no Brasil carrega uma estrutura que privilegia os interesses da burguesia e exclui
    estudantes oriundos das classes trabalhadoras. Dessa maneira, o elitismo que é um elemento marcante nas
    Universidades, caracterizou também a formação em Psicologia ao longo da sua história. Diante disso, torna-

    se pertinente questionar: essa parcela da população que foi historicamente excluída do acesso ao Ensino
    Superior passa, por meio das políticas de democratização, a terem mais contato com a formação em
    Psicologia? As políticas de democratização dos últimos dez anos contribuíram para uma possível
    “deselitização” da formação em Psicologia? Dessa forma, esse trabalho objetiva analisar o cenário da
    formação graduada em Psicologia no Brasil, no contexto da expansão e das políticas de democratização do
    Ensino Superior. Além dos objetivos específicos, tais como: caracterizar o panorama atual de expansão e
    distribuição dos cursos de Psicologia do Brasil; identificar quais fatores das políticas de democratização
    reverberaram na formação em Psicologia. Para isso foi realizada uma investigação por meio de informações
    de domínio público sobre o ensino superior localizadas em banco de dados do Ministério da Educação
    (MEC) e do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), coletando informações
    em microdados de bancos como o e-MEC, Censo da Educação Superior e ENADE. Os principais resultados
    mostram que os cursos de Psicologia se distribuem geograficamente de forma heterogênea nas regiões
    brasileiras, e que o perfil dos estudantes tem demonstrado mudanças concernentes às questões étnicas, ao
    número de alunos beneficiados por bolsas e financiamentos, além do predomínio do curso noturno, o que
    pode fazer supor que o curso de Psicologia seja composto majoritariamente por estudantes-trabalhadores.

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  • MARIANA FONSECA CAVALCANTI
  • UMA ANÁLISE SOBRE O DISCURSO DA REDUÇÃO DA IDADE PENAL NO TELEJORNAL POLICIAL

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 23/08/2017
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  • A redução da maioridade penal tornou-se uma discussão urgente na sociedade, sobretudo após a admissibilidade e aprovação de diversas PEC's que visam a responsabilização penal dos adolescentes. Vale ressaltar que as propostas favoráveis à redução da idade penal emergem, posteriormente, a ocorrência de crimes que atingem grande repercussão nacional e comoção pública. Nesse sentido, o telejornalismo policial exerce um papel de destaque ao espetacularizar o ato infracional cometido por adolescentes e apontar a diminuição da idade de imputabilidade penal como solução para a criminalidade juvenil. Dentre os telejornais policiais, o Cidade Alerta se destaca ao fazer parte do cotidiano da população brasileira desde 1995 e ainda alcançar altos índices de audiência. Ressalta-se que este gênero do telejornal é responsável pela disseminação de ideais punitivistas que favorece a adesão à redução da idade penal. É justamente o discurso sobre a redução da maioridade penal que interessa, particularmente, este projeto de pesquisa que partirá do conteúdo das reportagens sobre adolescentes autores de atos infracionais transmitidas no site do telejornal policial Cidade Alerta. Portanto, a presente pesquisa tem como objetivo geral: analisar o discurso sobre a redução da idade penal no telejornal policial. Além dos objetivos específicos, tais como: caracterizar os (as) adolescentes autores (as) de atos infracionais expostos nas reportagens; identificar as causas atribuídas ao ato infracional e as soluções apresentadas para diminuir a violência, bem como investigar os argumentos utilizados para defender a redução da idade penal. Para compor o corpus desta pesquisa foram selecionados trinta e dois vídeos de reportagens sobre adolescentes autores (as) de atos infracionais transmitidos durante o ano de 2015.  Em seguida, foi realizada a transcrição e a análise das reportagens à luz de categorias temáticas. De modo geral, notou-se que o telejornal reproduz a seletividade punitiva ao priorizar a exposição de adolescentes negros e pobres como autores da violência. Além de fomentar a criminalização da pobreza, ao dirigir o clamor punitivo a este público. 

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  • SUSANA SARMENTO SILVEIRA
  • Estratégias de Conciliação na relação Trabalho-Família, por professores universitários

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 20/09/2017
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  • O objetivo deste estudo foi investigar estratégias de conciliação trabalho-família adotada por professores universitários em uma capital do Nordeste brasileiro, associando-a à centralidade atribuída ao trabalho por parte desses participantes. A amostra foi formada por168 professores localizados na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. As informações foram coletadas por meio da aplicação online de um instrumento padronizado sobre estratégias de conciliação, semanticamente adaptado para a realidade brasileira, conjuntamente a uma escala de centralidade do trabalho. Os dados foram analisados por meio de técnicas multivariadas e de associação entre médias. Os resultados indicam que as cinco estratégias de conciliação previstas no modelo original da escala se mantêm empiricamente com estes participantes, a saber: perspectiva positiva sobre a situação de dupla-renda; apoio emocional mútuo; ajustes profissionais; competências de gestão e planejamento; e apoio institucional. O fator apoio emocional destaca-se como o mais importante, levando-se em conta a análise de médias. Centralidade do trabalho não mostrou-se relacionada com a maioria dos fatores, exceto com o fator apoio emocional. A pesquisa sugere que tal achado faz sentido teórico, na medida em que estratégias de conciliação implicam justamente na interconexão entre esferas, no caso, família e trabalho.

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  • LUANA REIS METTA
  • DADOS NORMATIVOS DO TESTE PICTÓRICO DE MEMÓRIA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE NATAL/RN

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 21/09/2017
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  • A memória, enquanto processo cognitivo, possibilita a aquisição, a conservação e a evocação (ou recordação) de informações originárias de eventos externos ou internos. Identifica-se diferentes classificações para a memória, considerando aspectos relativos ao tempo de duração da informação, o conteúdo do material armazenado e a função. Dentre os sistemas de memória destaca-se a memória de curto prazo, responsável pelo armazenamento temporário de um número reduzido de informações, verbais ou visuais, por curto intervalo de tempo. A memória de curto prazo visual (MCPV) tem sido associada ao desempenho adequado em atividades cotidianas, tais como reconhecimento de objetos, construção de imagens mentais, orientação espacial, bem como para a aprendizagem e o raciocínio visoespaciais. Porém, apesar de sua importância para os domínios da escolarização e das atividades laborais, ainda são escassos os instrumentos de investigação, em especial, aqueles que possibilitam a investigação em separado da MCPV e da memória de trabalho. Tal situação é agravada se for considerado o contexto da infância e da adolescência. Considerando a relevância da MCPV para os processos típicos e atípicos, de desenvolvimento e aprendizagem, de crianças e adolescentes, bem como a escassez de instrumentos normatizados para a população brasileira, o   presente teve como objetivo a construção de dados normativos do Teste Pictórico de Memória Visual (TEPIC-M), para crianças e adolescentes de seis a 16 anos da cidade de Natal/RN. Adicionalmente, investigou a interferência das variáveis idade, sexo e tipo de escola sobre o desempenho no teste. O TEPIC-M investiga a capacidade de o indivíduo recuperar uma informação num curto período de tempo. Participaram da pesquisa 542 estudantes, sendo 301 do sexo feminino e 241 do sexo masculino. Deste total, 256 pertenciam à rede de pública de ensino e 286 à rede privada. Os dados obtidos foram submetidos a análises estatísticas descritivas e inferenciais previamente inspiradas na proposição dos autores do instrumento. Para verificar o nível de significância das diferenças entre os desempenhos obtidos em função das variáveis sexo e tipo de escola, foi realizado o teste estatístico inferencial U de Mann-Whitney, cujo resultado indica que não houve diferença significativa entre os dois grupos em função da variável sexo (p=0,808), todavia quando analisada a variável tipo de escola encontra-se diferença significativa entre os desempenhos, em benefício da escola particular (p<0,001).  Posteriormente foi realizado o teste de correlação de Spearman que verificou a interferência da variável idade sobre o desempenho no teste da amostra total (p<0,001). Posteriormente, foi realizada análise de variância multi-variada (n-Anova) e análise post-hoc (Teste LSD), comparando os desempenhos de cada grupo etário em função dos demais. Com base nas significâncias encontradas na análise post-hoc, propõe-se nesse estudo o agrupamento das crianças e adolescentes em quatro grupos etários: 6 e 7; 8 e 9; 10 e 11; 12 a 16, bem como a divisão destas por tipo de escola. Os dados apresentados no presente estudo atestam a validade desenvolvimental do Teste Pictórico de Memória Visual (TEPIC-M), apresentando dados normativos para a faixa etária dos 6 aos 16 anos, ampliando assim o potencial de alcance do teste na sua proposição original. Desta forma, disponibiliza para os profissionais brasileiros, que trabalham com avaliação psicológica, um instrumento com evidências de validade e que se propõe a investigar o sistema de memória de curto prazo visual, para o qual se identifica escassez de instrumentos disponíveis. 

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  • PEDRO PAULO LIMA DE ANDRADE
  • PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE NA ABORDAGEM DO ATO INFRACIONAL ADOLESCENTE: CARACTERÍSTICAS, LIMITES, PERSPECTIVAS

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 28/09/2017
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  • O estudo aqui reportado aborda a Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) por adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, no contexto jurídico-normativo de reparação ao cometimento de atos infracionais. A pesquisa visou à caracterização, registro e análise dos limites e perspectivas que se relacionam com o fenômeno investigado. Para tal, foram coletados dados de 127 Planos Individuais de Atendimento (PIA), referentes aos anos de 2013 a 2015, de adolescentes que cumpriram tal medida. Os resultados apontam que os serviços são necessários, porém triviais e sem relação direta com a atividade-fim de destinação das entidades que recebem estes adolescentes. Tais serviços se caracterizam pela pobreza em termos de aspectos formativos, apesar de propiciarem ganhos pessoais e sociais para os adolescentes participantes. Os dados obtidos permitiram finalmente concluir que a oferta dos serviços comunitários tem apresentado poucas alternativas concretas e muitas carências e limites para efetivação do seu caráter sociopedagógico, visto que a sistematização da medida apresenta pouca coerência com as regras e objetivos fixados pelas normativas institucionais, notadamente no que diz respeito ao estabelecimento de atividades de qualidade para a formação e a preparação à reinserção social do adolescente autores de atos infracionais e em conflito com a lei. Não obstante, alternativas de encaminhamento no bojo do próprio modelo são retomadas e sugeridas, como (1) zelar pela formação e qualificação profissional dos atores do SINASE; (2) asseverar, minimamente, ao adolescente formação técnico-profissional, compatível com o seu perfil biopsicossocial e história de vida, ao mesmo tempo em que provêm a comunidade de serviços reais, e não tarefas esvaziadas e fictícias; (3) caberiam aperfeiçoamentos no próprio texto legal que ordena a PSC; em seu formato atual, bastante sucinto, genérico e alusivo, aspectos importantes ficam implícitos e ao sabor das equipes técnicas que se encarregam de concretizá-los. 

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  • MICHELE NOBRE BORGES
  • Compreendendo a vivência do parto domiciliar planejado e as implicações para um cuidado humanizado

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 29/09/2017
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  • No Brasil, cerca de 98% dos nascimentos acontecem em instituições de saúde e uma parcela da pequena quantidade de partos que ocorrem fora das instituições de saúde são provenientes de nascimentos de urgência. Existe também uma crescente quantidade de partos domiciliares planejados no qual as mulheres buscam resgatar nessa experiência uma assistência e cuidado focados na autonomia, protagonismo, individualidade e privacidade de cada mulher. No Brasil, essa modalidade de parto ainda é tratada com muito preconceito, tanto por profissionais da saúde quanto pela sociedade. Diante desse contexto, essa dissertação teve como objetivo principal compreender a experiência de mulheres que optaram pelo parto domiciliar planejado na cidade de Natal/RN a fim de subsidiar contribuições para um cuidado humanizado. Foi realizada uma pesquisa de natureza qualitativa. As participantes do estudo foram 5 mulheres e tivemos como instrumentos de acesso ao universo das colaboradoras a entrevista narrativa e a oficina com uso de cenas e brasões. Para análise e interpretação das narrativas recorreremos ao método de interpretação de sentidos baseando-se em princípios da hermenêutica gadameriana. A partir do diálogo com as narrativas chegamos aos seguintes eixos temáticos que compõem três capítulos: 1) “A escolha pelo parto domiciliar planejado: Entre o desejo de um parto humanizado aos medos e apoios” no qual foi possível identificar que essa decisão está ancorada principalmente no desejo de vivenciar um parto humanizado, que para elas significa obter o respeito em todo o processo da escolha, que por sua vez implica na construção de conhecimentos e protagonismos da mulher, do casal e de uma rede de apoio. 2) “Os preparativos para a boa hora” onde elas narraram alguns medos e dificuldades relacionados à escolha pelo parto domiciliar no que diz respeito à questão financeira e medo da equipe hospitalar. Ainda sobre esses preparativos foi possível conhecer de que maneira se deu a escolha da equipe que as acompanharam durante parto, evidenciando que essa escolha foi motivada por questões relacionadas à formação técnica e envolvimento afetivo e 3) “Chegou a hora”, capítulo no qual as colaboradoras retratam a vivência do parto expondo os sentimentos vivenciados, dores físicas e emocionais, os recursos utilizados no cuidado direcionado a elas, a convivência com a equipe escolhida, assim como a expressão da gratidão por ter vivido essa experiência. Acompanhar as narrativas dessas mulheres possibilitou a compreensão do quanto os sofrimentos emocionais agregados ao processo dizem respeito a luta que travam quanto aos preconceitos em torno do PDP. A busca pela humanização do cuidado no parto domiciliar, ou não, passa pelo resgate a autonomia das mulheres, a associação da ciência à sabedoria populare feminina,portanto,um cuidado que alie saberes científicos, sagrados e humanos, onde a escuta respeitosa e responsável sejam os guias. Esse percurso implica em formação acadêmica e humana e o resgate de saberes múltiplos. Espera-seque esse estudo possa contribuir nesse caminhar e que a Psicologia possa ser mais um lugar capaz de a(m)parar o parir de quem pari e está se parindo no processo de parturição. 
Teses
1
  • TADEU MATTOS FARIAS
  • Afetividade e resistência: vínculo, transformações socioambientais e oposição capital-lugar na cidade de Galinhos-RN

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 07/04/2017
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  • A cidade de Galinhos passou por transformações significativas nos últimos anos. A

    transição de uma comunidade organizada em torno da pesca artesanal para uma que

    se estrutura em função do turismo, catalisada pelo impacto da ampliação de uma

    salina na década de 1980, e a implementação, em 2012, do parque eólico Rei dos

    Ventos I, tiveram impactos locais importantes que implicaram movimentos de

    resistência por parte da população: manifestação dos pescadores em função da

    ampliação da salina; manifestação contrária à presença de um barco de passeio de uma

    empresa de turismo em 2010, e; manifestações contrárias à implementação do parque

    eólico sobre as Dunas do Capim, local importante para o turismo local. O objetivo deste

    estudo foi investigar a relação entre laços afetivos dos(as) moradores(as) com Galinhos e

    as disputas concernentes às transformações socioambientais locais. Como objetivos

    específicos, busquei: (a)identificar as principais transformações socioambientais em

    Galinhos e seu impacto sobre os modos de vida locais; (b) investigar os afetos dos(as)

    residentes em relação a tais transformações e como esses afetos participam da

    produção de sentidos sobre o lugar, e; (c) entender como esses sentidos são mobilizados

    na formação de movimentos de resistência às transformações socioambientais. Para

    tanto adotei uma abordagem etnográfica, vivendo por três meses no local e contando

    com o suporte de dois informantes locais. Os registros das experiências foram feitos em

    21 diários de campo. Além disso, entrevistei 23 moradores(as), tendo como foco as

    histórias de vida. A análise do corpus da pesquisa teve como pressuposto

    ontoepistemológico o realismo crítico, e utilizei uma análise multinível, considerando os

    níveis extradiscursivo e discursivo articulados na compreensão dos conflitos. Os

    registros nos diários permitiram uma caracterização da dinâmica local, destacando

    aspectos de contexto importantes no dia a dia. Além disso, identifiquei discursos locais

    que funcionam como significados compartilhados, e ajudam a organizar a vida local.

    Utilizando a categoria da afetividade de Espinosa como elemento ético-político

    extradiscursivo e imanente à transição entre modos de vida, foi possível compreender: a

    vinculação ao lugar como constitutiva do modo de vida da pesca artesanal; a ampliação

    da salina como desarticulação desse modo de vida; o turismo como articulador do novo

    modo de vida com significados e práticas próprios, mas mantendo e recuperando

    aspectos do modo de vida pesqueiro; a implementação do parque eólico como ameaça

    de ruptura com os aspectos de tal modo de vida. No nível dos discursos, para

    compreender a emergência dos conflitos, fiz uma análise crítica de discurso, tratando

    discursos como ação, mas articulados ao nível extradiscursivo como sua condição de

    possibilidade. Foi possível notar que a própria natureza histórico-social dos

    empreendimentos levou a uma oposição entre capital e lugar, o que implicou a

    identificação desses empreendimentos como invasores pelos moradores. O fato de o

    turismo ser feito e controlado pelos moradores, alimentando o sentido de que é uma

    atividade que os vincula ao lugar, junto aos saberes locais, ajudou a significar a

    empresa turística e o parque eólico como ameaças à vida local. As resistências às ações

    de tais empresas tiveram os diferentes conteúdos de vinculação dos modos de vida

    como organizadores tanto de uma consciência local sobre tal oposição capital-lugar,

    como das iniciativas de contestação. Compreendo, assim, que as relações fundamentais

    dessas atividades, quando em contato com as especificidades das relações e saberes

    locais, produziram uma oposição sustentada pelo sentido de que são empresas que lhes

    alienam o lugar, entendido como parte de suas vidas.

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  • NELSON GOMES DE SANT''''ANA E SILVA JUNIOR
  • Política Criminal, saberes criminológicos e Justiça Penal: Que lugar para a Psicologia?

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 25/04/2017
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  • O sistema de justiça criminal representa, historicamente, um campo fértil para as aproximações entre Psicologia e Direito. Nesta seara, podemos observar uma série de mecanismos de controle social e gestão penal da miséria postos em funcionamento cotidianamente como estratégia de manutenção do modo de produção capitalista e seus princípios. As práticas penais se impõem com o auxílio de diferentes discursos criminológicos e, concomitantemente, com o apoio de saberes laterais ao Direito, como a Psicologia. Neste campo de tensões são flagrantes os processos de criminalização da pobreza, seletividade penal e encarceramento em massa como dispositivos de classificação, contenção e extermínio dos que são considerados excedentes ao capitalismo. Em meio a este cenário, interessou saber qual lugar tem sido destinado e ocupado pela Psicologia junto à Justiça Penal. O objetivo geral desta tese é, portanto, analisar as relações existentes entre a Política Criminal e os discursos/práticas psicológicos ligados à Justiça Penal no Brasil. O percurso metodológico trilhado iniciou-se com a revisão da literatura (nacional e internacional) relacionada à política criminal, saberes criminológicos tradicionais, criminologia crítica e psicologia jurídica (principalmente ligada à esfera penal). Como etapa complementar, foram acessados 84 pareceres psicológicos presentes em processos criminais de uma Vara de Execuções Penais sediada em uma capital brasileira. No decorrer do debate teórico travado ao longo do estudo, fragmentos dos documentos investigados foram confrontados com os postulados da criminologia crítica, referencial teórico central da tese, com vistas a exemplificar argumentos e colaborar com o melhor entendimento da discussão apresentada. O trabalho aponta que as práticas psicológicas ligadas ao campo penal são fortemente influenciadas por pressupostos das Criminologias Liberal e Positivista; que o trabalho do psicólogo majoritariamente corrobora a política criminal vigente; e que os fazeres psicológicos comprometidos com a defesa e promoção dos direitos humanos ocupam posição contra-hegemônica no âmbito penal. Conclui-se afirmando as necessidades de participação ativa da Psicologia na construção de um novo projeto ético-político de sociedade; atuação profissional como resistência às práticas de ortopedia social e; reinvenção das práticas psicológicas neste campo de modo a superar as ilusões burguesas de ressocialização, readaptação e reeducação dos autores de crimes.

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  • LILIANE PEREIRA BRAGA
  • Formação do vínculo pai-filho no puerpério: a construção de uma escala de verificação do apego em pais.

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 26/04/2017
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  • Uma das consequências da pouca atenção que se dá a saúde do homem é que ele não possui espaços

    para falar sobre as situações de conflito, como tornar-se pai. Ademais, culturalmente, é atribuída aos

    homens a função de manter-se estável emocionalmente e não expressar suas emoções. Tais fatores

    contribuem para o adoecimento dos homens, sendo a depressão paterna a expressão mais atual do

    cenário descrito. Faz-se necessária a realização de estudos com o público masculino, principalmente os

    que permitam a verificação de fatores promotores da formação do vínculo pai-bebê, possibilitando

    futuras intervenções de saúde pública que promovam tais fatores. A literatura científica sobre o apego

    tem mostrado que esse vínculo atua como promotor do desenvolvimento saudável do bebê. A

    formação de um vínculo entre o pai e o bebê já desde a gestação, principalmente no puerpério, permite

    ao homem uma melhor preparação para o exercício da paternidade. O objetivo geral da investigação é

    construir um instrumento de verificação do apego paterno durante o puerpério. Trata-se de uma

    pesquisa multi-métodos, contendo métodos e análises qualitativa e quantitativa, em 3 estudos. No

    Estudo 1 foram realizadas revisões integrativas sobre o conceito de apego e sobre os instrumentos de

    avaliação do apego paterno no puerpério. No estudo 2 foram realizadas doze entrevistas em

    profundidade com pais de distintas escolaridades para conhecer seu conceito de apego e os fatores que

    acreditam ter contribuído para a formação desse vínculo. Os conteúdos das entrevistas foram tratados

    pela Análise de Conteúdo clássica. Os conceitos de apego explicitados formaram duas categorias: na

    primeira o apego foi definido como a necessidade de estar próximo ao filho e cuidar dele; na segunda o

    apego foi definido como a expressão do afeto pelos filhos. Esses resultados sugerem que o apego

    paterno ainda está vinculado às responsabilidades atribuídas à função paterna de cuidado no sentido da

    provisão material. O estudo 2 dá base para construção teórica dos itens que compõem o instrumento e

    sua adequação semântica. O estudo 3 analisa as propriedades psicométricas do instrumento elaborado,

    e inicia com a submissão para avaliação de experts que validem o constructo apego presente no

    instrumento. Foi realizada aplicação piloto do instrumento, e depois a aplicação da versão final do

    instrumento com 228 pais em Maternidades de Natal/RN e do interior do estado. A análise fatorial

    revelou itens com baixa carga fatorial, que foram excluídos, restando 31 itens ao final. O instrumento é

    composto por dois fatores intitulados “Investimentos do pai no bebê” e “Atitudes, Sentimentos e

    Expectativas dirigidos ao bebê”. As análises indicaram que o instrumento final possui boa consistência

    interna. Indica-se a realização de estudos posteriores para verificação da validade de critério.

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  • KARINA CARVALHO VERAS DE SOUZA
  • Infância(S) e Criança(S) sob o olhar da Psicoterapia: concepções de Estagiárias em Psicologia

  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 26/05/2017
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  • Esta pesquisa objetivou descrever e analisar as concepções de infância e criança no contexto da clínica psicológica infantil, para estagiárias de psicologia. Parte do pressuposto em Vygotski, segundo o qual a história do desenvolvimento infantil e o nascimento cultural da criança definem sua condição de ator social. Nessa perspectiva, tomamos o processo psicoterápico como dialógico, no qual a criança produz sentidos acerca do lugar em que foi posta pelo adulto. Na situação de supervisão clínica acadêmica, observamos reiterados argumentos dos estagiários relativos a não saber o que dizer à criança e/ou aos pais; sobretudo diante da divergência entre a queixa relatada pelo adulto e o que a própria criança apresentava. Para investigar o contexto das psicoterapias, realizamos a pesquisa de campo no Serviço de Psicologia de uma universidade. Os participantes foram quatro estagiárias de Psicologia que orientavam suas práticas segundo a concepção histórico cultural. Os instrumentos adotados na construção do corpus da pesquisa foram entrevistas semiestruturadas e registros de prontuários clínicos. A Análise de Discurso, fundamentada nas ideias do Círculo de Bakhtin, foi a ferramenta com a qual analisamos o discurso das estagiárias, resultando no eixo denominado Concepção de criança. Este se dividiu em outros três subeixos: 1. Ser que desperta medo; 2. Criança: mobilização peculiar e 3. Ser criança x Ser adulto. Concluímos que a concepção de criança na clínica permanece referenciada pelo discurso do adulto sobre ela. Nesse sentido, a linguagem da criança; sua compreensão da realidade, a forma de estabelecer relações, os modos de interação com o outro e modalidades de sofrimento psíquico foram tomados numa referência marcadamente inferior em relação ao que o adulto pode apresentar quanto aos mesmos aspectos. Desse modo, é preciso reconhecer que a criança tem uma vivência e que é esta que deve orientar, prioritariamente, os processos de intervenção na relação psicoterápica.

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  • ANA IZABEL OLIVEIRA LIMA
  • Trabalho e saúde mental: o caso dos agentes do sistema prisional no Rio Grande do Norte

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 31/08/2017
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  • Agentes Penitenciários estão constantemente expostos às situações de violência e ameaças, as quais estão associados ao surgimento de enfermidades ocupacionais como Transtornos Mentais Comuns/TMC e consumo de abusivo/dependente de substâncias psicoativas. Em função disso, objetivou-se investigar a relação entre trabalho e saúde mental entre agentes penitenciários do Rio Grande do Norte, categoria pouco investigada no âmbito acadêmico. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas. A etapa 1 constou do mapeamento da incidência de TMC e padrão de consumo de drogas junto a 403 agentes penitenciários de um total de 902 trabalhadores. Como ferramentas metodológicas, utilizamos o Self-Reporting Questionnaire/SRQ-20, o ASSIST e  questionário sócio demográfico. Constatou-se uma incidência de 23,57% de casos suspeitos de TMC e consumo abusivo/dependente em tabaco, álcool, maconha, cocaína, anfetamina, inalante, hipnótico, dado que inspira preocupação e cuidado.  A etapa 2 consistiu em visitas às unidades prisionais cujos agentes apresentaram maiores índices de TMC e consumo abusivo/dependente de drogas, visando identificar aspectos relacionados aos problemas mapeados na etapa anterior. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 6 gestores, com 19 agentes e 9 familiares que concordaram em participar. Detectou-se uma evidente desvalorização social da profissão, que associada às precárias condições de trabalho e às particularidades do processo e organização do trabalho, tornam esses trabalhadores vulneráveis nas dimensões subjetiva (dinâmica cotidiana que leva ao sofrimento), familiar (devido à rotina de trabalho amedrontadora), relacionada ao trabalho (falta de controle, sentido e autonomia) e programática (baixa visibilidade no âmbito das políticas públicas). Essa pesquisa buscou contribuir com o debate crítico sobre o Sistema Prisional Brasileiro por meio de análises acerca do encarceramento, considerando suas configurações e efeitos no próprio agente do Estado que se encontra na mesma condição do apenado. Reafirma-se, por fim, que tal sistema é tão perverso que adoece e condena a todos, em particular, os que nele trabalha.

6
  • EDIANA ROSSELLY DE OLIVEIRA GOMES
  • INVESTIGAÇÃO DE ASPECTOS NEUROPSICOLÓGICOS E ACADÊMICOS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES
    SOBREVIVENTES DE LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA – LLA

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 29/09/2017
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  • A leucemia linfoide aguda (LLA) é o tipo de câncer mais comum entre crianças e adolescentes. A
    sofisticação dos processos diagnósticos e terapêuticos promoveu a elevação da sobrevida e a
    redução das recaídas da doença. A inclusão do tratamento profilático direcionado ao SNC,
    realizado através de quimioterapia e/ou radioterapia, tem sido apontada como essencial para o
    sucesso terapêutico, todavia parece relacionar-se à emergência de efeitos neuropsicológicos
    tardios em cerca de 30% dos sobreviventes. Estudos sugerem que alterações sobre domínios
    cognitivos específicos contribuem para o declínio do funcionamento intelectual e dificuldades
    acadêmicas. O objetivo geral da presente pesquisa foi investigar aspectos neuropsicológicos e
    acadêmicos de crianças e adolescentes sobreviventes de LLA. A pesquisa foi dividida em quatro
    estudos: 1) Funcionamento intelectual de crianças e adolescentes diagnosticados com LLA; 2)
    Atenção e funções executivas em pacientes pediátricos sobreviventes de LLA; 3) Tradução e
    adaptação do Questionário Comportamental Deasy-Spinetta (DSBQ); 4) Investigação de aspectos
    acadêmicos em crianças e adolescentes diagnosticados com LLA. Participaram desse estudo 26
    crianças e adolescentes sobreviventes de LLA submetidas exclusivamente à quimioterapia (grupo
    clínico) e 26 crianças e adolescentes saudáveis (grupo controle), além de 26 pais e 46 professores.
    O protocolo de avaliação neuropsicológica contemplou os seguintes domínios: funcionamento
    intelectual, atenção, memória, funções executivas, habilidades acadêmicas e aspectos
    comportamentais. Os resultados foram analisados por ferramentas estatísticas descritivas e
    inferenciais. No estudo 1 o grupo clínico apresentou desempenho significativamente inferior ao
    grupo controle. A baixa escolaridade materna foi associada a menor desempenho nos domínios
    verbal, não-verbal e funcionamento intelectual global. A menor idade ao diagnóstico foi
    correlacionada com baixos desempenhos no domínio verbal, capacidade intelectual global e
    memória operacional, estando esta última também associada ao maior tempo de conclusão do
    tratamento. O estudo 2 evidenciou desempenho significativamente inferior do grupo clínico em
    atenção e funções executivas, especialmente no subgrupo de crianças diagnosticadas antes dos
    cinco anos de idade. Os resultados do estudo 3 sugeriram que o DSBQ apresenta validade
    aparente ou de face, sendo um instrumento de fácil utilização. No estudo 4 o grupo clínico
    apresentou resultados inferiores em aritmética, compreensão de textos e nos processos de
    armazenamento, evolução da aprendizagem e recuperação de informações. Dificuldades
    específicas do funcionamento escolar associaram-se predominantemente com a menor idade da
    criança ao diagnóstico. Espera-se que o conhecimento produzido por esse estudo possa contribuir
    com o desenvolvimento de programas voltados para a reinserção escolar e a elaboração de
    políticas públicas para essa população clínica, bem como a realização de estudos futuros em
    neuropsicologia do desenvolvimento e da aprendizagem.

2016
Dissertações
1
  • EUDES BASÍLIO DE ALENCAR SEGUNDO JÚNIOR
  •  

    A  Constituição  do  Eu  e  a  Alteridade:  Diálogos  entre  a  Perspectiva  Histórico- Cultural de Vigotski e a Psicologia Psicogenética de Henri Wallon

     

     


  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 22/02/2016
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  • O presente estudo constitui um trabalho sobre o processo de constituição do sujeito nas perspectivas histórico-cultural de Vigotski e na psicologia psicogenética de Henri Wallon. Estas duas concepções são de base marxista e estão fundamentadas em uma mesma ontologia (a natureza histórico-social do sujeito) e pressupostos epistemológicos (o materialismo histórico-dialético). Consequentemente, nosso objetivo foi estabelecer um diálogo, no sentido bakhtiniano (aproximações, divergências e complementariedades), entre essas duas abordagens, considerando o papel do outro na constituição do eu. Tanto Vigotski quanto Wallon empreenderam críticas às concepções psicológicas biologizantes, mecanicistas e idealistas de suas épocas. Contudo, ressaltam a relevância dos fatores orgânicos, inclusive para compreendermos o percurso desenvolvimental da constituição  histórica  do  sujeito.  Os  dois  teóricos  propuseram  uma  nova  concepção acerca da relação entre o orgânico e o social na compreensão e estudo dos fenômenos psicológicos,  isto é,  de como se constitui a  consciência  humana.  Vigotski e Wallon contribuíram significativamente no estudo do desenvolvimento humano, com ênfase para o desenvolvimento do pensamento e da linguagem, na área da educação, da psicologia e no estudo das emoções. Em Vigotski, localizamos uma concepção cientifica, histórico- cultural, sobre o estudo das emoções e o crescente interesse de pesquisadores para com o estudo dessa temática. Encontramos nesse autor, uma relevância em relação ao estudo da linguagem e, sobre o estudo das emoções, observamos um destaque em Wallon.  Assim,  mesmo reconhecendo que  Vigotski  (linguagem)  e Wallon  (emoções) divergem em relação à base da origem da consciência humana, os dois autores apresentam aproximações em relação à questão da busca pela origem, gênese, para se compreender  o  processo  de  constituição  do  sujeito.  Logo,  a  noção  da  origem  do processo é substancial para os dois teóricos. Desse modo, ambos dialogam sobre a compreensão do psiquismo humano à luz de sua origem e desenvolvimento. Embora Vigotski e Wallon tenham estudado diferentes conceitos centrais em suas teorias, sinalizamos que as duas perspectivas teóricas evidenciam o papel e a importância do contexto e das interações sociais como condições fundantes para compreendermos a construção e constituição do sujeito.

     

2
  • MAURICIO CIRILO DA COSTA NETO
  • Cuidado psicossocial em saúde mental: estudo em assentamentos rurais do Rio Grande do Norte.

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 22/02/2016
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  • Moradores de assentamentos de reforma agrária têm uma vida marcada por condições de vida e trabalho precárias, que aliadas às barreiras no acesso às políticas e programas de saúde e assistência social, agravam as situações de vulnerabilidade psicossocial e ambiental que impactam na saúde mental. Essa pesquisa objetiva caracterizar as ofertas de cuidado desenvolvidas pelas equipes de saúde e assistência social referente às demandas de transtornos mentais comuns e uso problemático de álcool de moradores de 9 assentamentos do Rio Grande do Norte. Foram entrevistados 53 profissionais de forma individual ou em grupo de diferentes categorias profissionais. Resultados indicam que os trabalhadores vivenciam condições precárias de trabalho, traços da herança patrimonial e assistencialista que ainda persiste no campo das políticas sociais brasileiras e em especial nas gestões locais no interior do país. As equipes têm pouco conhecimento do território e das necessidades de saúde mental, o que impacta no acolhimento e cuidado ofertado. O cuidado implementado ainda corresponde à lógica biomédica, caracterizada pelo etnocentrismo, tecnicismo, biologicismo, curativismo, individualismo e especialismo, com pouca participação dos moradores e desconsideração dos saberes e práticas de cuidado tradicionais, não alcançando a resolutividade esperada. A atenção psicossocial não funciona de forma articulada apresentando problemas quanto ao seguimento e continuidade de cuidados. O cuidado psicossocial em saúde mental em contextos rurais tem como desafios a serem enfrentados a reorganização das redes de atenção, o estabelecimento de cuidados primários próximos do cotidiano das populações, a construção de práticas intersetoriais tendo em vista a multideterminação da saúde, e a educação em saúde conectada com estes contextos específicos. Em função do desconhecimento das especificidades da população assentada e da fragmentação da rede de atenção psicossocial, essas equipes não conseguem acolher e responder às necessidades em saúde mental de modo a interferir nas iniquidades em saúde.

3
  • ERICK LEONARDO PEREIRA
  • SOBRE A PULSÃO INVOCANTE NA REABILITAÇÃO AUDITIVA COM SUJEITOS SURDOS: UM ESTUDO TEÓRICO

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 26/02/2016
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  • A pesquisa tem origem a partir da prática clínica, orientada pela psicanálise freudolacaniana, com sujeitos surdos. Os impasses na entrada da linguagem de uma criança surda submetida ao implante coclear levam ao questionamento acerca dos elementos que estão em jogo para que uma representação do som possa existir, permitindo ao sujeito utilizar-se da linguagem oral. A revisão de literatura aponta para as consequências psíquicas da intrusão do implante coclear para a constituição do sujeito e remete a uma reflexão sobre o impacto do mesmo na vida pulsional da criança, delienando o objetivo da pesquisa: abordar a teoria psicanalítica de orientação freudolacaniana acerca das pulsões, mais especificamente a pulsão invocante. Trata-se de uma pesquisa teórica em Freud, Lacan e comentadores. O conceito de pulsão em Freud ocupa um lugar privilegiado, como uma força decisiva para os progressos mentais, em detrimento do conjunto de estimulações externas ao sujeito. A abordagem lacaniana aponta que se a via auditiva não oferece as condições mínimas para a entrada na linguagem, a função escópica do olhar funciona como entrada possível na medida em que a superfície do corpo se configuraria como uma borda contingente ao significante, não se restringindo ao ouvido. Assim, para certos sujeitos o som não se configuraria como matéria-prima para que o significante se inscrevesse no psiquismo, ou poderia evocar cadeias rudimentares. O implante coclear, e a aposta reabilitadora da via sensorial produzida pelo mesmo possibilitando a captação sonora, não se constitui uma garantia, na medida em que a relação que o humano estabelece com a linguagem não consiste na capacidade de articular fonemas orais. Isso nos mostra que a reabilitação do corpo não é pressuposto para a constituição do psiquismo, mas são as experiências primitivas de cada sujeito que lhe permitem construir uma forma muito particular de se representar frente ao Outro.

4
  • DANIELE CAROLINE LEÔNCIO FERREIRA
  • MEMÓRIA OPERACIONAL E CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA EM CRIANÇAS COM EPILEPSIA ROLÂNDICA

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 15/03/2016
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  • A associação entre alterações cognitivas, déficits de linguagem e o diagnóstico  de Epilepsia Rolândica (ER) vem crescendo paulatinamente. Entretanto, inúmeras críticas são feitas aos estudos, notadamente pela ausência de controle do nível de QI dos participantes. Adicionalmente, identifica-se polêmica em termos das relações existentes entre os déficits no domínio da linguagem, a atividade epileptiforme e um conjunto de variáveis clínicas intervenientes. Buscando contribuir para a compreensão de tais relações, o objetivo deste estudo foi investigar a memória operacional e a consciência fonológica em crianças diagnosticadas com Epilepsia Rolândica (ER). Foram avaliadas 42 crianças com idades entre 6 e 13 anos.  Destas, vinte e uma crianças diagnosticadas com ER, segundo a classificação da Liga Internacional Contra a Epilepsia – ILAE, constituíram o grupo experimental e; 21 crianças sem ER, recrutadas de base de dados já existente, pareadas em relação às do grupo experimental em função do sexo, idade, escolaridade e nível socioeconômico compuseram o grupo controle. O processo avaliativo contemplou anamnese com pais/responsáveis e protocolo avaliativo composto por instrumentos psicométricos, a saber, Teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven, Teste das Matrizes Progressivas Escala Geral de Raven, subteste Dígitos da Escala Wechsler de Inteligência para crianças (WISC IV), Teste Blocos de Corsi, Teste de Fluência Verbal e Consciência fonológica – instrumento de avaliação sequencial (CONFIAS). Os resultados evidenciam diferenças significativas entre os desempenhos de crianças com ER e crianças hígidas nos testes que avaliaram a memória operacional e consciência fonológica. Ademais, foram identificadas correlações significativas positivas e altas entre a memória operacional e a consciência fonológica no subgrupo clínico da ER. Os achados indicam que não há influência significativa de variáveis clínicas sobre os desempenhos de crianças diagnosticadas com ER nos testes de memória operacional e consciência fonológica. De maneira geral, sugere-se que o comprometimento em ambas as funções cognitivas pode estar associado ao prejuízo no domínio da linguagem em crianças com ER, assim como pontua-se que o desenvolvimento da memória operacional e da consciência fonológica se interrelacionam.

5
  • THAIS TEIXEIRA DOS SANTOS
  • Qualidade do sono e qualidade nutricional de pacientes renais crônicos no pré e pós-transplante renal

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 30/03/2016
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  • A doença renal crônica se caracteriza pela perda progressiva e irreversível das funções renais a partir de uma doença ou após uma insuficiência renal aguda, podendo causar problemas do sono e distúrbios no metabolismo, absorção e excreção de nutrientes, prejudicando o estado nutricional. A má qualidade do sono está presente entre 80% dos pacientes renais e pode afetar diversos mecanismos relacionados ao funcionamento do nosso organismo, tais como a imunidade, as funções cognitivas e as manifestações afetivas. Já as alterações nutricionais também são muito frequentes em pacientes com DRC e, entre as múltiplas causas dessa doença, destacam-se: a ingestão deficiente de nutrientes, catabolismo, uremia, distúrbios endocrinológicos e do equilíbrio eletrolítico. Devido às complicações relacionadas com uremia, metabolismo, imunidade, maior susceptibilidade a doenças inflamatórias e cardiovasculares e ao risco aumentado de morte associados a uma qualidade de sono ruim e a um status nutricional inadequado, avaliaram-se as variáveis qualidade do sono e qualidade nutricional de pacientes com doença renal crônica no pré e pós-transplante renal em um hospital universitário do município de Natal, Rio Grande do Norte. O estudo contou com 10 pacientes. No pré-transplante renal houve associação dos sintomas de ansiedade com insônia, narcolepsia e síndrome das pernas inquietas (SPI); do uso de medicamentos para dormir com narcolepsia e SPI. No pós-transplante renal, apneia esteve relacionada com a ansiedade e com o uso de medicamentos para dormir; a insônia e a narcolepsia com diabetes e hipoteiroidismo. O peso esteve relacionado com latência do sono, cochilos e qualidade de sono; o IMC e a circunferência da cintura com a latência do sono. Foi possível concluir que, após o transplante renal, houve melhora significativa na qualidade de sono, além de redução dos sintomas indicativos de distúrbios do sono. O estado nutricional de modo geral também foi elevado assim como o aporte energético-protéico.

6
  • IANNY FELINTO MEDEIROS DE AZEVEDO
  • Qualidade de Vida, Imagem Corporal e Autoestima de pacientes com sequelas bucomaxilofaciais candidatos à reabilitação protética

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 31/03/2016
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  • A neoplasia de cabeça e pescoço, bem como o seu tratamento, causam grandes modificações estéticas e das funções básicas para o paciente, podendo causar alterações na Qualidade de Vida, na Imagem Corporal e na Autoestima. O objetivo geral deste estudo consistiu em avaliar a Qualidade de Vida, a Imagem Corporal e a Autoestima em pacientes com câncer de cabeça e pescoço do município de Natal-RN candidatos à reabilitação protética. Realizou-se um estudo do tipo transversal. Para a coleta de dados foi utilizado o Questionário sociodemográfico, o Questionário de avaliação da Universidade de Washington, a Escala de Investimento Corporal, a escala de Autoestima de Rosenberg e a Escala de Ansiedade e Depressão Hospitalar. A amostra foi constituída por 10 pacientes (06 homens e 04 mulheres), com idade entre 35 e 82 anos. Os resultados obtidos mostraram que as melhores pontuações na escala UW-QoL foram no domínio Ombro. As piores pontuações foram no domínio Mastigação para os homens e domínio Fala para as mulheres. Dentre os domínios da Escala de Investimento Corporal, o domínio Cuidado corporal apresentou diferença significativa entre os homens e mulheres, apontando que as mulheres após o tratamento do CCP exercem um maior cuidado sobre o próprio corpo. A autoestima dos participantes da pesquisa foi classificada entre média e alta, indicando a existência de autovalor positivo, não havendo diferença significativa entre homens e mulheres. Houve correlação significativa entre a Qualidade de vida geral e a Imagem corporal, apontando que quanto melhor a qualidade de vida, melhor a relação com a imagem do corpo. Através desse estudo foi possível observar que para os pacientes com câncer de cabeça e pescoço os aspectos funcionais são os mais significativos para a obtenção de uma melhor QV, bem como que existe relação entre a imagem corporal e a qualidade de vida nestes pacientes.

7
  • ANA PAULA SANTOS DE MEDEIROS
  • Percepções de Apoio Social e Estigma em Pessoas Afetadas pela Hanseníase.

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 01/04/2016
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  • Relatada como uma das doenças mais antigas da humanidade, a hanseníase foi considerada por muito tempo incurável e mutiladora, repleta de mitos e geradora de isolamento daqueles antes chamados leprosos. O estigma da hanseníase provoca impacto que pode afetar o desenvolvimento físico, psicológico, o bem-estar social e econômico. A literatura aponta o apoio social como proteção que resguarda o indivíduo de riscos ocasionados por crises patológicas, sendo essencial para a promoção da saúde. Objetivou-se verificar percepções de apoio social e de estigma em pacientes afetados pela hanseníase. Trata-se de uma pesquisa predominantemente quantitativa, de natureza exploratória e corte transversal com 110 pacientes de dois hospitais. Foram utilizadas Questões sobre estigma, Escala de Apoio Social e Questionário Sociobiodemográfico. A análise contou com ajuda da estatística descritiva e inferencial, e de softwares de processamento estatístico de dados e de análise textual. Os resultados sugerem apoio social satisfatório e apontam associações significativas entre altos escores deste apoio e variáveis como possuir companheiro, praticar atividade grupal, melhor estado de saúde, maior renda e escolaridade; os piores escores foram encontrados envolvendo pacientes multibacilares, com reação hansênica tipo 2, comorbidades, menores renda e escolaridade. A presença de estigma caracterizou-se especialmente por sentimentos negativos sobre si, medo de transmissão, fantasias, comportamento evitativo, de isolamento e de exclusão. A ausência e a baixa escolaridade apareceram como fatores protetivos para o estigma. Evidências apontam para a presença de relação significativa entre percepções de apoio social e estigma, frisando-se o possível fator protetivo do apoio social para a amostra estudada. Sugere-se criação e fortalecimento de estratégias para redução do estigma e dos danos por ele causados, com especial atenção para intervenções junto à pessoa com hanseníase e sua rede de relacionamentos, aqui representada pela família e equipe de saúde. São aconselhados programas que fortaleçam os vínculos sociais.

8
  • ARTEMIS PAIVA DE PAULA
  • ONTOGÊNESE DA MEMÓRIA AUTOBIOGRÁFICA EM CRIANÇAS DOS 4 AOS 6 ANOS

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 27/05/2016
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  • O construto memória autobiográfica – MA faz referência à competência mnemônica que permite ao sujeito formar memórias pessoais sobre sua vida e revivê-las através de viagem mental no tempo. Assim, o sujeito pode criar uma representação de si mesmo e de sua vida. A ontogenia da MA pode ser compreendida a partir da construção dialética entre processos maturacionais da infância e o contexto histórico e cultural. No entanto, identifica-se na literatura divergências e lacunas a serem respondidas acerca de como ocorre tal interação. As diferentes teorias convergem na opinião de que existem habilidades precursoras ou importantes para o seu desenvolvimento, tais como linguagem, teoria da mente, funções executivas e memórias declarativas básicas. Todavia, os teóricos atribuem diferente relevância a estas habilidades no que se refere à emergência da MA. Isso posto, o presente trabalho buscou ampliar a compreensão do processo desenvolvimental da MA, associado aos das habilidades precursoras supracitadas. A amostra foi composta por crianças de quatro a seis anos, tendo em vista que o desenvolvimento deste sistema de memória está fortemente associado ao fim da amnésia infantil, que se dá neste período. A MA foi analisada através da técnica encenando eventos e da adaptação da Entrevista Autobiográfica Infantil – EAI, enquanto as demais habilidades foram avaliadas através dos respectivos instrumentos: linguagem (análise dos componentes da linguagem), funções executivas (subteste Inibindo Respostas e subteste Estátua da Bateria NEPSY-II e Teste de Atenção por Cancelamento, Atividade Blocos de Corsi e Subteste Dígitos da Escala Wechsler de Inteligência para Crianças - WISC-IV), teoria da mente (subtestes de Teoria da Mente da Bateria NEPSY-II) e memória declarativa, semântica e episódica (Teste de Aprendizagem Auditivo Verbal de Rey – Versão Infantil e atividade de Recordação de História). Realizou-se análise de Cluster, a partir da qual, verificou-se que o desenvolvimento de habilidades executivas, desencadeia avanços linguísticos meta-cognitivos que repercutem na transição de uma MA mais generalizada, para uma MA mais especifica, período este que marca a consolidação da emergência da MA e fim da amnesia na infância. 

     

9
  • GEORGE KLINGER BARBALHO DA CUNHA
  • EFEITO VIAGEM NA QUALIDADE DO SONO, ESTRESSE-RECUPERAÇÃO E ATENÇÃO EM ATLETAS DE FUTEBOL UNIVERSITÁRIO.

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 30/05/2016
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  • No futebol, notadamente, o sono é um processo essencial por propiciar a restauração corporal e o reequilíbrio homeostático. Além de funções fisiológicas, seu papel também está claro em funções endócrinas, imunológicas e de desempenho cognitivo. No entanto, um eventual efeito da viagem pode alterar o padrão de sono de atletas com implicações para o estresse, recuperação e a atenção, bem como para a relação entre essas variáveis supracitadas. O objetivo geral foi analisar os índices de qualidade do sono, estresse e atenção, em atletas de futebol universitário de Natal-RN nos momentos - pré e pós-viagem - para competição. A amostra foi constituída por 16 atletas de futebol universitário, do gênero masculino, que responderam a questionários (Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh - IQSP; Avaliação de Cronotipo de Horne e Ostberg e RESTQ-Sport) e realizaram a tarefa atencional de execução contínua (Continuous Performance Task - CPT). Uma alta pontuação (acima de 5 pontos) no IQSP sugere uma qualidade de sono ruim. Foram encontrados valores moderados de estresse e recuperação, altos percentuais de resposta correta e baixo tempo de reação na tarefa atencional tanto pré como pós-viagem, o que parece adequado para o desempenho esportivo. Quando comparados os momentos pré e pós viagem de cada variável foram encontradas diferenças significativas apenas nas escalas de Recuperação Geral (Wilcoxon, p<0,05) e de Recuperação (Wilcoxon, p<0,05) Específica, com redução da capacidade regenerativa no momento posterior. Não houve fortes correlações entre as variáveis em nenhum dos dois momentos. Por fim, esses resultados contrariam nossas hipóteses, principalmente, de que os índices de estresse estariam mais elevados após viagem e o desempenho atencional prejudicado. Novos estudos com amostras maiores e grupo controle são importantes para tentar confirmar as evidências de um efeito viagem.

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  • ALANNA DE MEDEIROS PINHEIRO CACHINA
  • O MINISTÉRIO PÚBLICO NA REDE DE PROTEÇÃO AO IDOSO NA CIDADE DE NATAL-RN E OS ENCAMINHAMENTOS DAS DENÚNCIAS DE MAUS-TRATOS


  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 13/06/2016
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  • Os maus-tratos contra idosos apresentam grande representatividade em Natal-RN. Dado o seu papel fiscalizador, bem como sua articulação na rede de proteção, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN) foi escolhido como campo desta pesquisa. A proposta da investigação voltou-se a analisar os processos referentes às denúncias de maus-tratos, as quais chegaram às Promotorias de Justiça especializadas na matéria do idoso, na cidade de Natal-RN. Delimitou-se sobre os perfis do idoso, do denunciante, do agressor, do contexto situacional e acionamentos de outros órgãos da rede nos encaminhamentos relativos às medidas protetivas. A perspectiva teórica adotada foi a discussão interdisciplinar de políticas públicas e, no método, utilizou-se a análise documental retrospectiva. Como resultados, encontrou-se que as principais portas de entrada das denúncias foram as Promotorias de Justiça e a rede socioassistencial. As violências mais apontadas foram: negligência, seguida de violência psicológica, violência financeira, abandono, violência física e autonegligência. Registra-se ainda que, dos casos selecionados, nenhum deles foi de violência sexual, o que pode indicar uma maior dificuldade em identificar e/ou denunciar esse tipo de maus-tratos. As mulheres figuraram mais como vítimas do que os homens, em todas as faixas etárias. Os familiares foram identificados como principais violadores, sobremaneira os filhos homens. Registrou-se a expressão do fenômeno em todas as regiões da cidade de Natal. Ademais, verificou-se haver comunicação em rede, tanto nos registros das notificações, quanto nos encaminhamentos, contudo, não há fluxo consolidado. Outrossim, observou-se que as denúncias por parte dos serviços de saúde expressaram-se timidamente, o que demonstra a necessidade de investimento na comunicação entre a área da Saúde e os órgãos fiscalizatórios; e, sugeriu-se a proposição de um sistema integrado de notificações, como fomento a ações de intersetorialidade, com foco na celeridade e precisão nas atuações em casos de maus-tratos contra idosos.

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  • PEDRO VON SOHSTEN DE MIRANDA
  • DA GENERALIDADE À SINGULARIDADE: UM ESTUDO ACERCA DO LUGAR DO DIAGNÓSTICO NA PSIQUIATRIA E NA PSICANÁLISE DE FREUD E LACAN.

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 17/06/2016
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  • Esta pesquisa parte de um caso clínico no qual o lugar do diagnóstico na vida do sujeito era central. A revisão de literatura quanto ao diagnóstico dirigiu-se tanto para o campo psiquiátrico como psicanalítico, realizada em livros vinculados a temática, bem como artigos, dissertações ou teses nas bases Bvs-Psi, SciELO, LILACS, Portal de Periódicos CAPES. Evidenciou-se, no diagnóstico psiquiátrico, a influência deste nos sistemas epistêmicos que embasam a psiquiatria. Na psicanálise viu-se um deslizamento quanto às abordagens teóricas e clínicas que referem o lugar do diagnóstico. Traçou-se, então, o objetivo de uma pesquisa teórica mais detida sobre tal conceito nas obras de Freud e Lacan. Em Freud, viu-se que a teoria do complexo de Édipo e sua relação com a castração – responsável pela simbolização da falta de representação da diferença sexual no psiquismo – sustenta uma análise diagnóstica em mecanismos distintos usados pelo psiquismo para lidar com essa falta, apresentada pela castração. Na neurose a castração é objeto de recalque, na psicose é objeto de foraclusão e na perversão é objeto de recusa. Em Lacan encontram-se três abordagens: as duas primeiras relacionam as entrevistas preliminares com o diagnóstico de estrutura; apontando a constituição psíquica no engate com o a linguagem. Finaliza-se com o recurso do nó borromeano; este modelo teórico e clínico traz para as bases da constituição do sujeito o enodamento dos registros – R,S,I –  e orienta uma abordagem diagnóstica que não está calcada na primazia do significante. Este é um avanço de Lacan ao inominável campo de gozo do sujeito, no qual os nós são o suporte para pensar a constituição psíquica e o conhecimento psicopatológico. Tal diagnóstico não se funda na psicopatologia clássica, não é dado pelo naming, e sim pela amarração dos registros R, S, I, o nó de cada um. Esta abordagem final de Lacan, quanto ao diagnóstico, nos encaminhou um fértil avanço com a clínica psicanalítica e deixa grandes questões para o savoir-faire da clínica psicanalítica, ainda a ser galgado.

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  • ELENI DE ARAÚJO SALES CASTRO
  • Padrão de sono e tomada de decisão em médicos de unidades móveis de atenção às urgências submetidos a esquemas de turnos.

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 20/06/2016
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  • A alteração no padrão de sono e vigília, uma das consequências do trabalho em turnos e noturno, causa inúmeras alterações biopsicossociais que interferem nos processos saúde-doença dos trabalhadores. Um dos impactos dessas alterações é observado no processo de tomada de decisão, um dos componentes do funcionamento executivo. No contexto de trabalho de urgências e emergências em saúde, a tomada de decisão torna-se um dos elementos mais importantes, pois embora a maioria das decisões possa ser resolvida com a equipe preparada, o cenário de imprevisibilidade e gravidade das intervenções expõe a equipe médica a um estresse constante, que pode prejudicar atividades como planejar respostas apropriadas.  Este estudo teve como objetivos gerais avaliar a relação entre sono e tomada de decisão em 26 médicos de unidades móveis de atenção às urgências, submetidos a esquemas de turnos e traduzir e adaptar para o português cenários hipotéticos de tomada de decisão baseados na Policy Capturing-Technique. Para avaliação do sono, foram utilizados o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (IQSP), o Questionário de Hábitos do Sono, a Escala de Sonolência de Epworth e o Questionário de Identificação de Cronotipo de Horne-Ostberg. Para avaliação da tomada de decisão foi utilizado o Iowa Gambling Task (IGT) e cenários hipotéticos criados de acordo com a Técnica Policy-Capturing. Para critérios de inclusão/exclusão, os participantes responderam à Escala de Fadiga de Chalder, ao Inventário de Ansiedade de Beck (BDI), ao Inventário de Depressão de Beck (BDI) e ao Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). Os participantes foram divididos em turno diurno (N=6) e alternante (N=20). Os resultados mostraram uma boa qualidade de sono para os médicos do turno diurno e uma má qualidade do sono para os médicos do turno alternante. Uma boa qualidade de sono e menor sonolência foram correlacionados com melhores desempenhos na tomada de decisão. Foi feita uma avaliação com o objetivo de verificar relação entre os dois protocolos de tomada de decisão e o resultado mostrou correlação entre eles, indicando pior tomada de decisão avaliada pelo IGT relacionada a prejuízos na tomada de decisão avaliadas pelos cenários. Foi encontrada tomada de decisão prejudicada quando avaliada ao longo do turno.  Conclui-se que o esquema de trabalho em turnos alternantes pode ser prejudicial para a qualidade de sono dos médicos e que uma boa qualidade de sono pode contribuir para um melhor desempenho na tomada de decisão. 

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  • DEMETRIUS LOPES DE ABREU
  • Das ações coletivas de junho de 2013 ao (ciber)ativismo brasileiro: um estudo sobre os processos de subjetivação políticos do movimento Fora do Eixo

  • Orientador : JADER FERREIRA LEITE
  • Data: 29/06/2016
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  • No ano de 2013 percebemos os ecos socioinformacionais das manifestações ocorridas pelo mundo, também promovemos ações coletivas que assumiram caráter de massa. São elas o pano de fundo do trabalho. Dentre os atores sociais que se destacaram em 2013 escolhemos o Fora de Eixo (FdE), que transmitiu pela mídia NINJA os protestos através da internet. O FdE é composto em sua maioria por jovens que moram, trabalham e circulam por casas coletivas, tem nas tecnologias informacionais uma ferramenta muito presente em seu ativismo político. Entendemos que a vivência do ativismo político é um forte vetor nos processos de subjetivação e ocorre principalmente dentro dos movimentos sociais. Abordaremos a subjetividade sobre o prisma da processualidade, que admite o atravessamento de múltiplos vetores de forças político-desejantes, discursivas, tecnológicas. O corpo teórico do trabalho transversaliza o pensamento de Deleuze e Guattari para tratar dos processos de subjetivação, a concepção de redes de movimentos sociais de Scherer, redes socioinformacionais de Castells, e o político no pensamento de Mouffe. Tivemos como objetivo investigar os processos de subjetivação relativos ao ativismo político vivenciado pelos integrantes do movimento FdE, assim como compreender suas redes de solidariedade e luta, entender a influência dos agenciamentos informacionais nas práticas políticas deste movimento, acompanhar os processos de subjetivação e formação identitária, e discutir sua proposta de horizontalidade nas relações de poder dentro do grupo. Realizamos entrevistas semiestruturadas, observação participante e pesquisa do material multimídia. A análise ocorreu por meio da categorização das informações alinhada aos objetivos da pesquisa, na qual separamos as informações em duas categorias gerais e três específicas. Sucintamente, observamos quanto aos agenciamentos socioinformacionais, que transitam mais pelos norteadores ético-político da cultura digital, do que propriamente por uma imersão tecnologicista, demonstram uma grande flexibilidade e integração de suas redes internas, porém com pouca descentralização e horizontalidade. 

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  • ANNA CAROLINA VIDAL MATOS
  • A ATUAÇÃO DOS CONSULTÓRIOS NA RUA (CnaR) E A ATENÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA.

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 12/07/2016
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  • A presente pesquisa tomou como referência a população em situação de rua como uma manifestação da Questão Social, o que implica um fenômeno gerado a partir de condições históricas, com a mediação de aspectos sociais, econômicos e políticos. Em consequência da organização e das lutas do Movimento Nacional da População de Rua, atualmente, no Brasil, tal fenômeno é abordado pelo Estado como uma questão transversal a várias áreas da gestão pública. Assim, em 2011, surge a Política Nacional Para a População em Situação de Rua, em que foram criados os Consultórios na Rua (CnaR). Estes são equipamentos da atenção básica voltados para a prevenção e promoção de saúde junto à população em situação de rua. Nessa direção, esta pesquisa visou a entender a atuação dos profissionais dos CnaR no município do Natal/RN. O objetivo geral foi analisar a atuação das equipes do CnaR frente às demandas e necessidades de saúde da população em situação de rua do município de Natal/RN. De forma mais específica, pretendeu-se caracterizar as práticas dos profissionais do CnaR; problematizar os limites e as potencialidades desse equipamento na sua relação com a rede de saúde e com a intersetorialidade e; discutir como se dá o acesso ao cuidado integral à saúde da população em situação de rua, por meio das práticas do CnaR. Assim, foram feitas entrevistas semiestruturadas com os profissionais das equipes e, concomitantemente, observação participante e registros em diários de campo a partir do acompanhamento de uma das equipes. Em Natal/RN, existem três equipes do CnaR, localizadas em duas regiões da cidade, sendo elas compostas por 19 profissionais e um coordenador. Participaram das entrevistas 17 profissionais. Foi constatado que as demandas que chegam para as equipes são bastante diversificadas, mas ligadas ao perfil de desassistência e negação de direitos característico dessa população, o que exige uma educação crítica e permanente acerca do fenômeno, algo que foi visto como incipiente. Além disso, o trabalho dos profissionais se dá na direção das práticas voltadas para a inserção dos usuários na rede de saúde, como o matriciamento, e no atendimento às demandas apresentadas no campo, e essas últimas acabam sendo priorizadas por seu volume. A dificuldade de articulação com outros serviços da rede emergiu como uma das mais marcantes da atuação e, junto com o excesso de atividades, foi apresentada como limite para a efetiva inserção dos usuários na rede. Constatou-se também que há uma necessidade de estimular a articulação com parceiros centrais como o NASF e o MNPR. Por fim, é importante ressaltar que entender as práticas dos CnaR permite ampliar o entendimento da construção das políticas sociais para a população em situação de rua, diminuir a invisibilidade e promover a construção de possibilidade de uma transformação na realidade desse público.

     

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  • MAÍRA TRAJANO COSTA XAVIER
  • O desemprego de longa duração: aspectos sociodemográficos e vivências do indivíduo desempregado.  

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 18/07/2016
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    Este estudo combinou abordagens do perfil sócio-econômico-demográfico de amostra de desempregados de município de Macaíba, na região metropolitana de Natal (RN), e investigação clínica das vivências do desemprego dos indivíduos-participantes. Buscou-se avançar na compreensão da contribuição conjunta  de aspectos sociodemográficos e outros relacionados à biografia e vivências subjetivas do indivíduo desempregado para a explicação do desemprego e das dificuldades à saída da condição de desempregado. A pesquisa foi realizada com o apoio de órgão público municipal de assistência social do município supracitado, contando com 180 participantes (27 homens e 153 mulheres), majoritariamente (67%) desempregados há mais de um ano. O estudo foi realizado em duas etapas, abarcando o mapeamento do perfil sociodemográfico (Etapa 1) e  levantamento das vivências relacionadas ao desemprego narradas pelos participantes-colaboradores (Etapa 2). Construtos teóricos como vivência e poder de agir ofereceram referenciais de análise centrais para a análise global do desemprego como fenômeno que se insere na biografia pessoal (atravessada de emoções e afetos) e no contexto sócio-histórico-cultural, simultaneamente. A etapa de descrição de aspectos sociodemográficos relacionados à condição de desemprego, com especial ênfase para o desemprego de longa duração, baseou-se na análise de respostas a questionário fechado; as análises clínicas basearam-se em registros audiográficos de entrevistas semiestruturadas com questões abertas sobre as histórias de vida e profissional dos sujeitos. A análise descritiva multidimensional do tipo cluster evidenciou divisão do efetivo em dois clusters (grupos), cujo critério de maior contribuição para a partição foi a crença ou descrença na possibilidade de voltar ao emprego formal, juntamente com outros aspectos sócio-demográficos relevantes. Tal cisão foi retomada e ampliada com análises clínico-qualitativas de participantes oriundos de cada um dos clusters, que mostraram a importância da postura subjetiva interna como fator decisivo para a compreensão do desemprego de longa duração e as dificuldades de retorno ao emprego formal. 

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  • DANIEL SANTOS DE CARVALHO
  • Atividade artesanal e o processo de significação do trabalho

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 22/07/2016
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  • As sociedades capitalistas são marcadas por transformações, graduais e progressivas, em aspectos que se ligam à economia, política, cultura, entre outros, que impactam diretamente nos modos de conceber e realizar as ações de trabalho. Entendendo que este é um elemento central na estruturação da vida dos indivíduos, assim como na organização dinâmica das sociedades, se faz importante compreender como o trabalho, envolto nas organizações cotidianas capitalistas, é significado e empreendido em meio a essa lógica. A presente pesquisa se propôs, então, a investigar os processos de significação do trabalho, escolhendo como categoria ocupacional os trabalhadores artesanais, acreditando que estes trariam contribuições extremamente importantes, devido às características peculiares da atividade que desenvolvem, entre elas, o fato de ser uma atividade anterior ao próprio capitalismo (muitas vezes considerada a primeira ação laborativa humana, protótipo do próprio trabalho). Foram entrevistados 20 artesão da regiam da Grande Natal/RN, de forma individual, em diversos espaços do território mencionado. Os resultados apontam que o público referenciado significam o trabalho a partir de três grande dimensões específicas, ligadas à tradicionalidade dos processos, à estruturação da atividade e às relações necessárias para o seu desenvolvimento, evidenciando fortes tensões na articulação de uma atividade, que tem em sua origem, a liberdade e a autonomia como fortes postos de desenvolvimento, e que, estabelecida no seio da dinâmica capitalista, abre mão de tais ideais para que possa funcionar como mais uma forma de sobrevivência e manutenção de trabalhadores, submetidos à precarização de suas ações de labor.

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  • LORENA MACÊDO ANDRADE NEVES DE OLIVEIRA
  • O OLHAR DOS ESTUDANTES SOBRE A RELAÇÃO ESCOLA-BAIRRO: UM ESTUDO NO GUARAPES, NATAL-RN

  • Orientador : GLEICE VIRGINIA MEDEIROS DE AZAMBUJA ELALI
  • Data: 22/07/2016
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  • Atualmente a aproximação entre a escola e os contextos locais onde está inserida é discutida tendo como base a terminologia ‘relação escola–comunidade’. Defendendo-se a importância de considerar os aspectos físicos e sociais da escola e do bairro onde está inserida, essa dissertação explora a percepção ambiental para a compreensão da relação entre ambos, o que envolve a valorização da experiência da pessoa que explora o ambiente, envolvendo informações sobre o local e sua representação. Foram selecionadas para o estudo turmas do 9º ano do ensino fundamental de uma escola pública municipal situada no bairro Guarapes, Natal-RN. Metodologicamente a investigação recorreu a uma estratégia multimétodos, por meio de elaboração de diários e realização de entrevistas. O diário solicitou aos participantes desenhar mapas e escrever sobre: informações para alguém que não conhece o local; espaços frequentados durante um final de semana; espaços frequentados em um dia na semana. Participaram da primeira etapa, 23 estudantes, com idades entre 13 e 18 anos. Dentre eles, 16 estudantes aceitaram a continuidade da participação que, como esforço de entendimento sobre o cotidiano dos respondentes, aconteceu por meio de entrevistas realizadas durante caminhadas pelo bairro. Finalmente foram trabalhadas as informações coletadas com 13 participantes. O resultado expôs atrativos do bairro, localizados no chamado “centro”. A percepção dos participantes também mostrou que, embora a políticas públicas no campo da educação indiquem a importância da relação escola-bairro, os estudantes não aparentam reconhecer aspectos comuns à integração entre ambos. Discute-se importância de instâncias urbanísticas; e o papel da escola na formação do entendimento sobre a relação escola-bairro.  

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  • LUANA DE BARROS CAMPOS DO AMARAL
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO TRABALHO DOCENTE E DA APOSENTADORIA PARA PROFESSORES DE DUAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

     

  • Orientador : TATIANA DE LUCENA TORRES
  • Data: 22/07/2016
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  • Esta pesquisa teve como objetivo analisar representações sociais do trabalho docente e da aposentadoria, considerando as práticas sociais de professores de duas universidades públicas federais. Para isto buscamos identificar estrutura e conteúdo das representações sociais que permeiam o discurso sobre os temas e associar informações sobre características sociodemográficas, percepção da condição de trabalho e situação familiar com as representações sociais desses temas e suas práticas sociais. O estudo buscou responder os seguintes questionamentos: quais são as representações sociais dos docentes de instituições públicas federais acerca do seu trabalho e da aposentadoria? Como as representações sociais do trabalho e da aposentadoria se associam para a construção das práticas desse grupo profissional? Para alcançar os objetivos foram aplicadas técnicas quantitativas e qualitativas paralelamente, com uso de questionário online (313) e entrevistas narrativas (20). Os resultados indicaram que as representações sociais do trabalho docente abrangem quatro dimensões: ser, fazer, saber e sentir, o que sugere que esse tipo de trabalho envolve identidade, conhecimento, ação e emoção. A relação com professor-aluno aparece como construtora de representações mais significativas do trabalho. As práticas docentes que mais se destacaram foram: pesquisa, ensino e gestão. A prática docente é construtora de uma identidade profissional que interfere nas representações sociais da aposentadoria no sentido de que a grande identificação com o trabalho, faz com que o momento de aposentadoria possa ser adiado. As representações sociais da aposentadoria mais fortes e positivas foram: o retorno ao lar, melhor convivência familiar, nova etapa e tempo para lazer e viagens. As negativas foram: medo da ociosidade, adoecimento e velhice. Não houve diferenças significativas entre as instituições. O estudo cumpriu com o objetivo de avançar na teoria no que diz respeito a associações entre representações sociais de fenômenos diferentes e da associação entre as representações sociais e práticas sociais. E pretende ajudar nas construções de políticas voltadas aos professores que estejam planejando se aposentar, assim como políticas de combate ao “idadismo” nas instituições.

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  • DANDARA MORAIS
  • Cuidando da natureza sagrada: um estudo exploratório das relações entre compromisso pró-ecológico e espiritualidade.

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 25/07/2016
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  • Por que algumas pessoas cuidam do meio ambiente e outras não? Visando responder a essa pergunta, diversos estudos em Psicologia Ambiental têm contribuído para a construção de conhecimento sobre compromisso pró-ecológico (CPE): a relação cognitiva e afetiva que as pessoas estabelecem com o meio ambiente, por meio da qual se interessam e responsabilizam por ele. Em estudos anteriores, religião e espiritualidade foram recorrentemente apontadas como influências relevantes para a formação do CPE. Em vista disso, o objetivo deste estudo foi explorar e aprofundar o entendimento da relação entre CPE e espiritualidade, entendida como uma busca pelo sagrado, que pode ou não ocorrer por meio de religiões. Foi adotada uma abordagem metodológica de base qualitativa, tendo como estratégia a realização de entrevistas semiestruturadas com 10 pessoas, de ambos os sexos, socialmente percebidas como compromissadas pró-ecologicamente, que estabelecem relação entre esse compromisso e a espiritualidade. Foram abordadas práticas e motivações do cuidado ambiental, conceitos e histórias pessoais com a espiritualidade. A análise de conteúdo dos relatos apontou para, além da influência mútua nos processos de formação, uma interseção entre os dois fenômenos, na qual se alimentam mutuamente: noções de sacralização da natureza, que compõem a espiritualidade, fornecem motivação para o compromisso com a prática de cuidado ambiental, que, por sua vez, é experienciada como fonte de espiritualidade. Além disso, a conectividade com a natureza surge como elemento importante nos entendimentos dos dois fenômenos: a recuperação de uma conexão perdida entre a humanidade e a natureza é vista como importante para a superação da crise ambiental, ao passo que a espiritualidade é vista como busca e exercício dessa conexão. Finalmente, a compreensão da espiritualidade como estilo de vida, no qual se busca uma postura permanente de cuidado com todas as coisas, se entrelaça ao compromisso de cuidar do meio ambiente.

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  • PRISCILA CRISTINE ANDRADE DE SOUSA
  • RELAÇÕES ENTRE INTELIGÊNCIA E FUNÇÕES EXECUTIVAS EM CRIANÇAS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 25/07/2016
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  • Na atualidade, identifica-se ampliação do número de estudos que investigam as relações entre inteligência e funcionamento executivo, notadamente por conta da importância que estes têm assumido enquanto preditores do desempenho escolar e profissional. Porém, ainda há controvérsia em termos da existência de correlações entre estes domínios e se há variabilidade na contribuição de funções executivas específicas para estas. Por outro lado, os estudos têm investigado população infantil, adolescente e adulta dentro da variação normal de inteligência, sem considerar os extremos, ou seja, a deficiência intelectual e as altas habilidades. Diante do exposto, este estudo objetivou caracterizar o perfil executivo de crianças com altas habilidades/ superdotação. Participaram do estudo 24 crianças, sendo 12 identificadas com AH/S e 12 com inteligência dentro da variação normal, com idades entre 7 e 11 anos, pareadas por idade, sexo, escolaridade e nível socioeconômico. Ambos os grupos foram avaliados a partir do Teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (TMPCR) e dos subtestes de atenção e funções executivas do Nepsy II. Os resultados apontam que o grupo de crianças com AH/S obtiveram resultados inferiores aos do grupos em controle em tarefas que envolveram atenção sustentada, atenção alternada e controle inibitório. Porém, obtiveram melhores resultados em tarefas que envolveram flexibilidade cognitiva e criatividade. Por fim, não foram identificadas correlações significativas entre os subtestes do Nepsy II e o Teste das Matrizes Progressivas de Raven.  

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  • DANIELE DE SOUZA PAULINO
  • Os significados do trabalho para jovens nem-nem e suas estratégias de inserção no mercado de trabalho

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 26/07/2016
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  • Os jovens são um dos públicos mais afetados pelas transformações do mercado de trabalho, estando mais suscetíveis a situações de desemprego e de inserção em trabalhos precários. Em paralelo ao desemprego juvenil, outro fenômeno tem ganhado destaque nos últimos anos: a juventude nem-nem. Jovens nessa condição estão fora do mercado de trabalho, de iniciativas educacionais e de formação profissional. Diante dessas caraterísticas, o fenômeno tem gerado preocupação entre órgãos governamentais e levantado questionamentos sobre a importância e significados atribuídos ao trabalho por jovens nessa condição. Com o intuito de compreender os fatores relacionados à condição nem-nem e os motivos da permanência dos jovens na mesma, esta pesquisa se propôs a investigar a relação entre o significado do trabalho e os comportamentos de busca de emprego para jovens nem-nem. Especificamente, ela pretendeu identificar a centralidade do trabalho para esse grupo; identificar que características sociodemográficas estão relacionadas com o significado do trabalho e com os comportamentos de busca de emprego; e investigar os motivos dos jovens estarem na condição e suas perspectivas de futuro. Trata-se de pesquisa quantitativa com desenho de métodos mistos incorporado. Participaram 224 pessoas com idades compreendidas entre 18 e 24 anos que responderam um questionário sociodemográfico, a ESAT-BR, a Escala de Centralidade do Trabalho, os itens de centralidade do MOW, a Escala de Intensidade de Busca de Emprego e duas questões abertas. Os resultados apontam para uma relação entre os significados do trabalho e os comportamentos de busca de emprego. Ao mesmo tempo, a associação entre varáveis sociodemográficas e os constructos investigados, e as respostas às questões abertas, evidenciam que outros fatores estão relacionados com esse fenômeno, os quais reafirmam a sua complexidade. 

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  • MONIQUE PIMENTEL DIÓGENES
  • O ZEL-A-DOR: UM ENREDO PROTAGONIZADO PELO IDOSO INSTITUCIONALIZADO SOBRE O CUIDADOR.

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 27/07/2016
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  • A nova configuração da família brasileira, com a modernização da sociedade, que incluiu a inserção da mulher no mercado de trabalho, o uso de contraceptivos, a redução do tamanho das famílias e a falta de tempo na vida atual vem modificando a relação do cuidado ao idoso, que estava relacionado ao contexto familiar. Em decorrência disso, a institucionalização é um fenômeno irreversível, a qual boa parte da população idosa deverá se submeter, nas próximas décadas, tendo em vista o aumento expressivo dessa população e as mudanças nas relações sociais de gênero, que desobrigaram a mulher do ônus do cuidado dos idosos e enalteceram a figura do cuidador de idosos. Diante dessa realidade, realizamos uma pesquisa qualitativa visando compreender, na vivência de idosos institucionalizados, os significados atribuídos ao bom cuidador, a fim de subsidiar estratégias para a qualidade do cuidado prestado a essa população. O local da pesquisa foi uma Instituição de Longa Permanência de caráter filantrópico. Como estratégia metodológica para o acesso às narrativas dos colaboradores, utilizou-se a entrevista narrativa mediada pelo “baú de recordações”. Para análise e interpretação das narrativas suscitadas, recorremos à Hermenêutica Gadameriana. A partir do diálogo com as narrativas chegamos a três cenas (capítulos): 1)”Envelheci: e agora?” 2)”Estou em um abrigo” e 3) Cuidar é zelar: dialogando sobre o Cuidado e cuidador. Na primeira cena, as idosas trazem os significados de ser idoso, que vão desde a comparação com o ser criança às dores e alegrias, tendo como questão central a autonomia, que pode ser uma alegria quando mantida ou um dor quanto ela está tolhida. E assim a busca pelo envelhecimento ativo foi evidenciado nas vozes das idosas. A segunda cena traz a realidade dos abrigos para as nossas colaboradoras, ressaltando que essa alternativa foi uma decisão do outro, além de trazer os ganhos, como um lugar para se viver e ser cuidado e as perdas, evidenciadas nas dificuldades da relação em um ambiente coletivo com outras idosas. Na última cena, o zelar foi o significado atribuído ao cuidar pelas idosas. Sobre o cuidador, narraram as dificuldades da delimitação do seu lugar profissional, a sobrecarga de trabalho e, por fim, sobre a relação do bom cuidador, descreveram atributos do Cuidado humanizado, integral, presente em suas vivências com seus cuidadores, em uma constante inter-relação dos aspectos instrumentais e os aspectos humanistas, configurando a denominação de Zela-a-dor como aquele que Cuida zelando todas as dores. Espera-se agregar reflexões aos conhecimentos já existentes para que juntos vislumbremos novos scripts, que possam fomentar estratégias de Cuidado que (re)conheça o idoso institucionalizado em suas necessidades visando um envelhecimento saudável, ativo e amoroso em uma ILPI.

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  • ISABELLY MARQUES SOUZA DE FRANCA
  • Atividade laboral como contexto de sofrimento e adoecimento psíquico: análise dos servidores públicos em instituição federal brasileira de ensino superior.

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 28/07/2016
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  • O presente trabalho de pesquisa voltou-se para a descrição e aprofundamento dos aspectos mais relevantes relacionados à saúde mental, sofrimento psíquico e atividade de trabalho no âmbito do serviço público federal brasileiro, mais especificamente servidores técnico-administrativos de instituições federais de ensino superior. Participantes de universidade federal da região nordeste representaram a categoria visada.  O pressuposto teórico aqui compartilhado enfatizou a centralidade do trabalho para a construção da identidade psicossocial do indivíduo, e em decorrência para sua subjetividade, saúde e adoecimento físico e psicológico. Dados anteriores indicam que as doenças mentais e o sofrimento psíquico têm especial relevo como fatores incapacitantes para o trabalho. Transtornos mentais e comportamentais aparecem como responsáveis pelas principais causas para as faltas de servidores ao trabalho nos órgãos públicos brasileiros, o que correspondente a 60% dos motivos de afastamento. Nesse contexto de problematização, a presente pesquisa realizou análises descritiva e clínico-interpretativa da atividade laboral de servidores públicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que apresentaram histórico de queixa de adoecimento psíquico relacionado ao seu contexto laboral. Essa análise comportou dois estudos: o primeiro de caráter descritivo-quantitativo e o segundo, clínico-qualitativo. Os resultados corroboraram os dados epidemiológicos de estudos anteriores quanto à alta prevalência dos transtornos mentais e comportamentais (TMC) dentre as principais causas de afastamentos do trabalho dos servidores. Na instituição pesquisada, os TMC representam o segundo lugar dentre as ocorrências de Licença para Tratamento da própria Saúde, concedidas aos servidores entre os anos de 2012 a 2014. Por sua vez, a análise clínica assinalou a potencialidade metodológica da clínica da atividade em contextos de sofrimento e/ou adoecimento psíquico no trabalho, a partir do desenvolvimento da atividade laboral dos servidores e da adoção da mudança conceitual acerca das categorias saúde e trabalho, para subsidiar as intervenções nessa área. 

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  • LAURA CRISTINA SANTOS DAMÁSIO DE OLIVEIRA
  • A Mãe que Entrega um Filho em Adoção: desvelando dores, preconceitos e possibilidades de ressignificações.

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 28/07/2016
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  • A experiência de mulheres que entregaram o filho recém-nascido em adoção é tema permeado por preconcepções sobre essas genitoras, estigmatizadas como desalmadas. O abandono infantil sempre esteve presente na sociedade. Porém, com mudança na concepção de família e infância, a partir do século XV, esse ato tornou-se condenável. Com a construção da categoria Mulher, ao longo da História, e do Mito do Amor Materno, instaurou-se que o amor ao filho é natural às mulheres, e que a estas cabe o cuidado ao lar e à prole. Tal ideal feminino de maternidade perdura até hoje. Este estudo teve por objetivo compreender a vivência das mulheres que entregam seu filho em adoção, buscando subsídios ao acolhimento dirigido a elas. Realizamos uma pesquisa qualitativa, com 3 mulheres que entregaram o filho junto à instituição jurídica de Natal/RN. O estudo foi ancorado na Hermenêutica Gadameriana, e teve como instrumentos a Entrevista Narrativa com uso de cenas. Nos diálogos com as narrativas chegamos aos seguintes capítulos: 1) Ser Mulher E Ser Mãe: É Padecer No Paraíso?, no qual dialogamos inicialmente com a construção do feminino e as concepções de ser mulher e ser mãe de nossas colaboradoras. Em seguida apresentamos dois eixos temáticos: Ser mulher: entre a perdição e a honra e Ser mãe é tudo de bom. No primeiro, as colaboradoras evidenciaram que ser mulher é não se perder, que implica em ser honrada, sendo do lar, e, se estiver na rua, a honra seria exercendo atividades laborais dignas. Sobre ser mãe é tudo de bom, elas narram que a boa não maltrata os filhos e se cuida. 2) O Antes Da Entrega: A Decisão. Este trata brevemente da história da infância e do abandono infantil, relacionando com as motivações de nossas colaboradoras para a entrega, as dificuldades para criar: financeiras, falta do apoio familiar e do genitor, o uso de drogas, além da possibilidade de ofertar um futuro melhor ao filho; 3) A Entrega e Seu Depois. Neste identificamos a distinção que as mães fazem entre abandono e entrega; a esperança que possuem de reencontrar o filho no futuro; o conforto que encontraram em outros filhos; o medo das condenações; as dores que carregam pela entrega, e a invisibilidade destas promovendo o luto prolongado e não autorizado. Espera-se que esse estudo possa trazer luz ao tema, possibilitando reflexões aos estereótipos em torno delas e possíveis ressignificações, contribuindo para qualidade da assistência às mães nas instituições que a atendem, tornando-se relevante para tais profissionais e para ampliação do saber em Psicologia. 

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  • RAFAELLA MARIA DE VARELLA DOMINGUES
  • ERA UMA VEZ...HISTÓRIAS DE CRIANÇAS (CON)VIVENDO COM A RECIDIVA DO CÂNCER E SEUS ENSINAMENTOS SOBRE O CUIDADO 

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 28/07/2016
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  • Caminhar nos corredores de um hospital pediátrico especializado em oncologia é, sem dúvida, um desafio para as crianças que enfrentam a trajetória do tratamento, assim como, para os que experienciam o câncer como cuidador familiar ou profissional. O fato é que milhares de crianças percorrem esse caminho diariamente em todo o mundo e a expectativa é que, no Brasil, novos casos surjam anualmente, constituindo um grave problema de saúde pública. Apesar dos números alarmantes, observa-se uma escassez de pesquisas realizadas com as crianças em tratamento oncológico, especialmente, em recidiva. Diante desse cenário, realizamos uma pesquisa qualitativa visando compreender a experiência de adoecimento para as crianças em recidiva oncológica. O estudo foi realizado em um hospital pediátrico referência em oncologia, localizado no município de Natal/RN. Como estratégia metodológica utilizamosa entrevista narrativa mediada por recursos projetivos: o desenho do hospital e o boneco-personagem, para quem as crianças contaram suas histórias, além do diário de campo da pesquisadora. Para a análise e interpretação das narrativas recorremos à Hermenêutica Gadameriana. Participaram da pesquisa cinco crianças, hospitalizadas, em recidiva oncológica, de ambos os sexos, com idade entre sete a dez anos. Iniciamos o nosso percurso trazendo o primeiro capítulo, A infância é construção e o câncer infantil não é brincadeira, no qual realizamos um passeio histórico sobre a infância no ocidente que vai da invisibilidade à criança cuidada, seguindo com considerações sobre o câncer infantil e finalizando com a apresentação das nossas crianças. Em seguida, a partir do diálogo com as narrativas das crianças teremos três capítulos: 1) Era uma vez...o hospital e minha doença. Nele abordamos um breve histórico sobre o surgimento do hospital e os significados atribuídos ao hospital e ao adoecimento. Elas revelam que o hospital é um lugar estranho inicialmente, onde vivenciam diversas dores (física, social e emocional), assim como se torna um lugar acolhedor e de cuidados que possibilita a luz da cura. Sobre o adoecimento as crianças contam sobre as perdas do mundo de lá: o afastamento da escola, das brincadeiras, dos familiares e amigos e das dores físicas que juntos suscitam dores emocionais causadas por tantas limitações. No lidar com as dores surge a capacidade ou o aprendizado da resiliência. 2) Era uma vez...cuidar porque ela voltou. Nessefazemos um percurso teórico sobre a recidiva oncológica, seguindo com o impacto diante de precisar começar tudo de novo: o retorno das perdas do mundo de lá e as dores vivenciadas em tratamentos anteriores; os temores diante de novos procedimentos, as incertezas do tratamento, o medo da morte, a fé e a esperança na cura, finalizando com uma breve exposição dos medos relatados por suas mães.3) Era uma vez...o Cuidado humanizado, abordando a categoria do Cuidado nas práticas de humanização em saúde e a importância da comunicação clara para o estabelecimento da relação terapêutica entre a criança-família-médico. Em seguida, as crianças revelam o que fazem para espantar a tristeza: as brincadeiras; a relação afetuosa com os cuida-dores familiares e profissionais e a fé que promove a esperança em dias melhores. Por meio dos ensinamentos dessas crianças, vislumbramos lançar luz que possibilite novas reflexões aos trabalhos existentes a fim de subsidiarmos melhores práticas do Cuidado humanizado com as crianças em tratamento oncológico. 

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  • THAMIRES PINTO SOARES
  • O direito à convivência familiar e comunitária e os serviços de acolhimento institucional para crianças e adolescentes

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 28/07/2016
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  • A partir da análise da trajetória histórica de construção das políticas sociais de atenção a crianças, adolescentes e famílias em situação de pobreza no Brasil, o presente trabalho visa discutir sobre o direito à convivência familiar e comunitária no âmbito dos serviços de acolhimento para crianças e adolescentes. Para tanto, foram investigadas as três unidades municipais de acolhimento de uma mesma cidade. Realizou-se entrevista semiestruturada com coordenadores e profissionais dos serviços, bem como observação participante. Os dados produzidos foram sistematizados e organizados nas seguintes categorias: (1) Características gerais das unidades, (2) Público atendido, (3) Trabalho com as famílias, (4) Convivência comunitária, (5) Articulação da rede e (6) Refletindo sobre a convivência familiar e comunitária. A análise de dados foi realizada à luz do materialismo histórico dialético. As unidades estudadas funcionam no modelo abrigo institucional, e as crianças e adolescentes acolhidos são distribuídos em função da faixa etária e dos grupos de irmãos. Já as famílias atendidas, caracterizam-se por vivenciar situação de pobreza, baixa escolaridade, uso de drogas, violência familiar, etc. Assim, o trabalho social visa a superação destas problemáticas, bem como o fortalecimento dos vínculos familiares, para possibilitar o retorno da criança à família. O contato entre acolhidos e a família de origem é mantido, bem como a convivência dos acolhidos com a comunidade. Por fim, a articulação com a rede de serviços mostra-se essencial para a resolução dos casos. Os resultados demonstram que, apesar de algumas dificuldades e limitações, os serviços estudados buscam condutas condizentes com o paradigma estabelecido no ECA e no PNCFC, visando à superação de práticas excludentes da convivência social e o respeito à legalidade. Entretanto, avanços ainda são necessários para a efetiva garantia do direito à convivência familiar e comunitária.

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  • ARTHEMIS NUAMMA NUNES DE ALMEIDA
  • Práticas restaurativas nas escolas públicas: o que a experiência do município de Natal/RN pode revelar?

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 29/07/2016
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  • A violência nas escolas é uma realidade em todo o mundo e envolve várias modalidades e protagonistas. Nessa direção, a Justiça Restaurativa (JR) nas escolas pretende alcançar o entendimento entre os envolvidos para que participem de sua resolutividade. No Brasil algumas experiências pressupõem a instrumentalização dos atores escolares, diferenciando-se de Natal/RN, onde aconteceu através do Núcleo de Justiça Juvenil Restaurativa nas Escolas (NJJRE). Assim, objetiva-se analisar as possibilidades e os limites das práticas restaurativas. Para tanto, foram realizadas 12 entrevistas semiestruturadas com representantes das escolas onde o Núcleo atuou. Para análise de dados, foram criadas categorias que compõem três eixos de discussão: violência nas escolas, justiça restaurativa nas escolas e estratégias preventivas para a violência nas escolas. Como resultados, tem-se que a violência acontece entre os alunos, que reproduzem a violência social dentro das instituições. Para resolvê-la, as escolas, em geral, seguem um fluxo de atendimento que busca evitar a judicialização ou medidas drásticas. Com o Núcleo, as escolas preferem sua atuação por ser um órgão da justiça; ter equipe capacitada; e, porque os alunos respondem melhor a alguém externo à instituição. Verificou-se ainda que os alunos que participaram não se envolveram em novos conflitos e as escolas mudaram a visão sobre como resolvê-los, entretanto, como a JR vinculou-se às ações do Núcleo, pouco se disseminou e as escolas não se implicaram para que se tornar-se uma prática cotidiana. Mesmo assim, ao pensar em estratégias preventivas, algumas escolas indicaram a JR. Conclui-se que a JR pode ser uma possibilidade para resolver conflitos e violências escolares, entretanto, pressupõe disposição de todos para que se dissemine pela instituição e propicie mudanças efetivas.

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  • FERNANDA AVELINO BEZERRA SILVA
  • Os filhos da prostituição: desvendando a relação mãe-prostituta, filho e sociedade.

  • Orientador : HERCULANO RICARDO CAMPOS
  • Data: 29/07/2016
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  • A presente dissertação tem por objetivo geral investigar se e como a profissão da mãe, sendo ela prostituta, incide na vida do filho. Diante disso, elencou-se como objetivos específicos: compreender como se constitui a família na qual os filhos estão inseridos, analisar a relação entre mãe e filhos e investigar os reflexos da profissão da mãe na vida e nas escolhas dos sujeitos participantes. Para alcançar os objetivos propostos, foram realizadas entrevistas abertas com as mães e os filhos, por meio das quais resgatamos a história de vida dos participantes. Também se procedeu à observação participante, realizada a partir do contato direto e prolongado com sujeitos participantes em seu cotidiano, fazendo uso do Diário de campo, que permitiu o registro das informações coletadas. No que diz respeito aos resultados, aparece como ponto central a influência da atividade da mãe no que se refere aos aspectos socioeconômicos, dos quais desfrutam os filhos. Bem como, o ocultamento que as mães fazem da atividade que exercem. Percebeu-se, em alguns discursos, por parte dos filhos, o preconceito existente com relação à prostituição e um certo desconhecimento da atividade da mãe. Por fim, como destaca a bibliografia abordada e o resultado do presente estudo, o estigma e o prejulgamento existentes na sociedade acerca da prostituta e do seu filho se revelam em ações, situações e discursos intolerantes na vida dos filhos.

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  • SARAH RUTH FERREIRA FERNANDES
  • Psicologia e Formação Generalista: do Currículo Mínimo às Diretrizes Curriculares

  • Data: 29/07/2016
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  • Desde a regulamentação como profissão no Brasil, a formação em Psicologia se constrói em torno da ideia de um curso generalista. Atualmente, a formação generalista é um dos consensos nas discussões sobre o currículo, mas envolve questões diferentes das anteriores sobre o mesmo tema, fruto dos avanços dos debates críticos sobre a Psicologia. Esses debates, no entanto, disputam espaço com imposições de reformas que pactuam com uma agenda liberal para o ensino superior, o que insere outras questões na formação e nas ideias de generalismo. O objetivo deste trabalho é investigar as concepções e estratégias atuais sobre formação generalista nos cursos de Natal-RN. Para tanto, analisamos os Projetos Pedagógicos dos cursos e realizamos entrevistas com docentes e coordenadores. Constatamos que os cursos operacionalizam o generalismo da seguinte forma: buscam uma matriz curricular que distribua as disciplinas equitativamente nos eixos das Diretrizes Curriculares e áreas da Psicologia, porém há uma proeminência no eixo teórico-metodológico e na área clínica. A ideia de pluralidade é ligada ao estudo das bases epistemológicas, porém os conteúdos referentes a essas bases são bem menos presentes no currículo. A partir de uma concepção ligada à diversidade para o preparo profissional, procuram estratégias que superem uma formação superficial, mas existem limites que impedem isso, como o fato de a pesquisa ser restrita a universidades públicas e a questão das competências representar mudanças escassas.  Conclui-se que, no momento atual, a formação generalista significa uma aceleração dos estudos teóricos em nome de uma profusão de informações sobre as diversas teorias (clássicas e emergente), treinos rápidos e familiarização com locais e procedimentos de trabalho. É preciso avançar ainda mais nas discussões sobre a formação a fim de construir uma formação generalista cientificamente fundamentada e consistente.

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  • AMANDA DE LOURDES BERNARDO GUERRA
  • TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO TRANSCULTURAL PARA O PORTUGUÊS/BRASIL DO PROTOCOLO FEE – FONCTIONS EXÉCUTIVES CHEZ L’ENFANT

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 30/08/2016
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  • A avaliação neuropsicológica das funções executivas (FE) tem sido objeto de interesse crescente de pesquisas. No Brasil, os testes utilizados para avaliar FE em crianças geralmente são adaptações de tarefas para uso em adultos e com alta complexidade, perdendo a capacidade de discriminar funções e déficits específicos. Além disso, identifica-se significativa dispersão de testes e protocolos padronizados utilizados na avaliação das FE em crianças, dificultando a realização de estudos multicêntricos, bem como compreensão do impacto de quadros clínicos sobre o desenvolvimento e funcionamento das FE. Esse estudo tem como objetivo traduzir e adaptar o protocolo FEE (Roy, Le Gall, Fournet, 2011) para o português/Brasil. O protocolo é composto por um conjunto de testes e escalas de avaliação neuropsicológica das FE destinado a crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos e construído com o objetivo de modificar e/ou melhorar, em termos de materiais, instruções e/ou correções, os principais paradigmas e testes de avaliação das FE, com o intuito de suprir as insuficiências das tarefas existentes e adaptar tarefas consagradas internacionalmente. A adaptação transcultural do FEE foi realizada pelo modelo proposto por Borsa et al (2012), constituído de 6 etapas (1- Tradução do instrumento para o novo idioma, 2- Síntese das Versões , 3- Avaliação da Síntese por Experts, 4- Avaliação pelo Público-Alvo, 5- Tradução Reversa-Back-translation, 6- Estudo-Piloto). Inicialmente, o instrumento original passou por duas traduções independentes da língua francesa ao português brasileiro. Na etapa 2 (Síntese das Versões), participaram três juízes, psicólogos, doutorandos e experts em avaliação neuropsicológica, assim como os autores pesquisadores da pesquisa. Os juízes julgaram boa equivalência experiencial, idiomática e semântica. Porém, ainda na etapa 2 foram realizadas alterações para tornar a versão em português mais adaptada para a população-alvo. Na etapa 3 (Avaliação da Síntese por Experts), participaram três juízes, professores doutores de diferentes regiões do país, que avaliaram a estrutura, o formato, as instruções e a abrangência e adequação das expressões contidas nos itens que constituem o instrumento. A concordância entre juízes foi avaliada pelo Kappa de Cohen(0.4945), que indicou concordância moderada. Na etapa 4, participaram 30 crianças e adolescentes, sendo10 crianças na faixa etária entre 6 e 7 anos, 10 crianças entre 10 e 11 anos e 10 adolescentes entre 15 e 16 anos. De forma geral, observou-se compreensão ampla das instruções do protocolo. Na etapa 5 foi realizada back-translation por duas traduções independentes do português para a  língua francesa e após síntese das traduções o instrumento foi enviado aos autores que julgaram o instrumento adequado. Por fim, a etapa 6 (estudo piloto) consistiu na aplicação do protocolo em 60 crianças e adolescentes entre 6-15 anos,  de escolas públicas e escolas particulares da rede de ensino do Natal. O instrumento mostrou-se adequado para avaliação das funções executivas no contexto cultural brasileiro. A continuidade deste projeto possibilitará ampliar a compreensão do desenvolvimento das FE da infância à adolescência bem como da semiótica dos distúrbios das FE. Por fim, destaca-se ainda a possibilidade de realização de estudos transculturais acerca do desenvolvimento das FE. 

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  • SHIRLEY DE FIGUEIREDO MEDEIROS RÊGO
  • (RE)CONTANDO HISTÓRIAS: RELATOS AUTOBIOGRÁFICOS DE MULHERES, VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, ABRIGADAS EM NATAL/RN

  • Orientador : MARLOS ALVES BEZERRA
  • Data: 04/11/2016
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  • A presente pesquisa tem como contexto a violência doméstica contra a mulher. Essa é entendida como qualquer ação que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico, ocorrida no ambiente doméstico, ou ainda praticada por cônjuge, companheiro, amante ou ex-namorados, fora desse ambiente. Constitui uma grave violação de direitos humanos com sérias consequências para a saúde física e emocional da mulher. As estatísticas mostram que, apesar dos avanços nesse campo, ainda é alto o número de pessoas que vivem nessa condição. Tais números evidenciam a necessidade de contínuas discussões na busca de estratégias e políticas para a prevenção e o enfrentamento dessa forma de violência, bem como para o apoio à mulher agredida. Para subsidiar tais reflexões, é preciso conhecer melhor quem são as mulheres que vivem nessa situação, perguntar o que é importante para elas, o que pensam sobre a condição em que vivem, quais são seus desejos e sonhos. Tal escuta significa ir além de uma prática assistencialista, uma vez que lhes concede um lugar diferente do de vítimas, considerando-as como sujeitos que podem dizer de si. Dessa forma, trata-se de um estudo qualitativo, que busca compreender os relatos autobiográficos de mulheres, vítimas de violência doméstica, abrigadas na Casa Abrigo Clara Camarão, em Natal/RN, com o intuito de construir dados sobre esses sujeitos. O acesso às narrativas se deu através da realização de oficinas, nas quais foram utilizados escritos, desenhos e/ou recortes de revistas escolhidos pelas mulheres, para disparar a fala sobre suas histórias. Após a produção dos relatos, o material das oficinas foi analisado através da hermenêutica gadameriana – que se vale da linguagem no centro da experiência do sujeito com o outro, dentro de uma historicidade demarcada pelo tempo e espaço – em articulação com a perspectiva relacional sobre a violência doméstica. A análise ressaltou a importância que os companheiros ocupam na vida das mulheres, destacando a dificuldade que elas apresentam para romper com a situação de violência e para articular estratégias que viabilizem mudanças em suas vidas.

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  • MAÍRA LEITE ESCÓRCIO
  • “O sertão é um mundo”- uma aproximação fenomenológica dos modos de ser-no-mundo de sertanejos do semiárido nordestino.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 28/11/2016
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  • O Semiárido Brasileiro é caracterizado pela irregularidade das chuvas, grande evaporação da água, clima quente e bioma da caatinga, ocupando 86% da região nordeste. Existem concepções sobre o sertão, seja na literatura, mídia ou cinema, como local de seca e escassez. Contudo, existem também estudos destacando a diversidade cultural, a religiosidade e a criatividade sertaneja. Esta pesquisa objetivou compreender a experiência do sertanejo no horizonte da irregularidade da oferta da água. É uma pesquisa qualitativa de inspiração fenomenológico-existencial, amparada na hermenêutica heideggeriana. O ser humano (Dasein) é entendido como único ente que possui seu ser em questão e sempre é ser-no-mundo. O local da pesquisa é o Sítio Galinhas, em Icó (CE), escolha dada por conveniência, e a coleta de dados foi realizada em duas viagens de campo, além de observações e entrevistas. Foram utilizadas quatro entrevistas, com três participantes homens e duas mulheres para a contrução do texto interpretativo. As gravações transcritas e confrontadas com as observações e afetações da pesquisadora em diário de campo foram compreendidas a partir da hermenêutica heideggeriana, resultando em texto narrativo. A interpretação das entrevistas teve como eixo a entrevista do fundador do sítio Galinhas, sendo acrescida das narrativas dos outros quatro entrevistados. A partir de suas falas, foi possível identificar que as vidas desses sertanejos são marcadas pela seca. Alguns passaram a economizar água em decorrência da experiência de falta e do apelo viabilizado pela angústia, a força motriz dessa nova possibilidade de relação com a água. Políticas públicas no semiárido passaram por transformações e desvelam o espírito de nossa época, a “Era da Técnica”. Os sertanejos mais velhos habitam sua terra natal no modo da proximidade e da familiaridade, enquanto que o jovem revela um estranhamento para com a região. A religiosidade se abriu como horizonte de significância dos sertanejos, inundando mundo.

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  • FRANCISCO EMANUEL SOARES GOMES
  • OS SENTIDOS DE HABITAR PARA PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA: UM OLHAR FENOMENOLÓGICO

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 09/12/2016
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  • Pensar no habitar é algo que remete à ideia de moradia ou lugar. No entanto, para a fenomenologia-existencial heideggeriana, habitar é a expressão do próprio ser-e-estar-no-mundo e se refere ao modo como o homem, ao se relacionar com suas possibilidades de ser-no-mundo, constrói o mundo que o circunda. As pessoas em situação de rua compõem um grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares fragilizados ou rompidos e a inexistência de moradia convencional regular. Tendo em vista que essa população se configura como temática de discussão atual em nossa sociedade e de interesse de diversas áreas do conhecimento e que para a fenomenologia-existencial heideggeriana a noção de habitar diz do próprio ser-e-estar-no-mundo, o objetivo desse estudo foi compreender quais sentidos pessoas em situação de rua atribuem à sua experiência de viver nas ruas. Pesquisas de orientação fenomenológica e existencial se encaminham na direção da experiência, considerando que tal perspectiva dá ênfase à dimensão existencial do viver humano e aos significados vivenciados pelo sujeito no seu estar-no-mundo. Esta é uma pesquisa de inspiração fenomenológico-existencial em que foram entrevistadas duas pessoas adultas em situação de rua, um homem de 42 anos e uma mulher de 25 anos, ambos potiguares. As entrevistas aconteceram no espaço das ruas e foram interpretadas à luz da hermenêutica heideggeriana. Uma das contribuições desse estudo para o campo da Psicologia, da Saúde em geral e das Políticas Públicas consistiu em apresentar modos de vida de pessoas em situação de rua a partir de uma leitura fenomenológica. Tal leitura considera a existência e o modo de ser dessas pessoas como seres-no-mundo, possibilitando reflexões acerca de como elas atribuem sentidos a sua experiência de viver nas ruas. Os relatos das entrevistas e sua análise nos permitem dizer que as pessoas entrevistadas atribuem às ruas sentidos diferentes daqueles a que as representações desses locais podem nos remeter. Para algumas pessoas, a rua torna-se um local de refúgio e acolhimento, sobretudo para aquelas que tentam evitar uma situação de sofrimento e violência. As narrativas também demonstraram que as pessoas em situação de rua possuem projetos de vida, planos para o futuro, e sonhos a serem alcançados. Por fim, a rua se configura como um lugar inóspito, assim como o mundo, desvelando a condição humana, na medida em que revela a provisoriedade e a indeterminação características da existência humana.

Teses
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  • CINTIA GUEDES BEZERRA CATAO
  • A experiência de sofrimento em estudantes de Ciências e Tecnologia da UFRN sob o enfoque fenomenológico-existencial

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 08/04/2016
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  • As universidades têm apresentado, nos últimos anos, aumento na incidência de estudantes vivenciando experiências de sofrimento e uma intensificação na procura por atendimento psicológico, merecendo atenção o complexo contexto que atravessa o universitário, por se partir da concepção de que o ser humano é um Dasein, um ser-aí que não se encerra como interioridade psíquica, mas é expressão particular e reflexo do seu copertencimento ao mundo. A pesquisa objetivou problematizar o sofrimento na universidade, compreender e explicitar os sentidos presentes na vivência de sofrimento de estudantes do Curso de Bacharelado em Ciências e Tecnologia (C&T) da UFRN e discutir sobre as possibilidades de atenção dispensadas ao estudante universitário. Foi feito um levantamento bibliográfico sobre o sofrimento em universitários, discriminou-se o contexto acadêmico do aluno de C&T, bem como foi dada ênfase à conjunção da contemporaneidade e suas solicitações. Procedeu-se com a realização de entrevistas semiabertas com quatro estudantes, as quais foram interpretadas de acordo com a perspectiva fenomenológico-existencial. Revelou-se que a lógica da ideologia contemporânea perpassa a experiência de sofrimento dos estudantes e que o curso de C&T tem particularidades que podem acirrar o mal-estar tão comum na atualidade, ao passo que se verificou o quanto a experiência de sofrimento é singular e depende dos sentidos que cada um atribui a sua vivência. Mostrou-se decisivo implicar a própria universidade para que seja possível promover ações e ofertar medidas pedagógicas que tributem para o êxito no nível superior e, sobretudo, provocar o questionamento do estudante acerca do seu modo de existir no mundo contemporâneo, convocando-o para o caminho de uma construção pensante. Destaca-se, portanto, a importância da criação de espaços que possibilitem e estimulem o pensar, rompendo com o círculo vicioso do ritmo acelerado em que se vive e de ocupações desviantes, como estratégias para uma melhor atenção ao estudante universitário.

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  • GIMENA PÉREZ-CARABALLO
  • Activités et compétences professionnelles dans des espaces culturellement et linguistiquement hybrides: le cas des professionnels de santé à la frontière Uruguay-Brésil

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 15/04/2016
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  • Dans cette recherche nous nous intéressons aux professionnels du domaine de la santé qui travaillent à la frontière Uruguay-Brésil. Cet espace est marqué non seulement par une culture « frontalière », mais aussi par le plurilinguisme car deux langues standard telles que l‟espagnol et le portugais, ainsi que deux dialectes locaux étant le Portugais Gaúcho da Fronteira et Portugais de l‟Uruguay (populairement appelé portugnol) son présents sur ce territoire. C‟est exactement dans ce sens que nous cherchons à savoir comment les professionnels de santé travaillent dans un espace si singulier et si complexe. L‟objectif de cette recherche est ainsi celui d‟étudier l‟activité professionnelle et les compétences mises en œuvre par les travailleurs de ce domaine dans le but de mieux répondre aux besoins des patients frontaliers. Nous nous demandons quelles compétences, autres que techniques, sont nécessaires afin d‟assurer une prise en charge adéquate et efficace des patients dont le cadre de référence socio-économique, culturel et linguistique peut différer de celui du professionnel. Pour aborder ce sujet, nous avons choisi de travailler avec plusieurs approches, qui bien que différentes, s‟avèrent pertinentes pour une compréhension plus holistique de notre objet d‟étude. C‟est ainsi que nous évoquerons les travaux de l‟ergonomie francophone, la théorie des champs conceptuels proposée par Gérard Vergnaud, la didactique professionnelle, la clinique de l‟activité et les travaux réalisés dans le domaine de l‟interculturalité. En nous situant plus particulièrement dans la perspective historico-culturelle du psychisme, développée par l‟école russe de psychologie, et notamment à travers les travaux de Vygotski et de Leontiev, nous étudierons davantage l‟activité professionnelle et les compétences qui s‟expriment à travers cette activité. Pour cela, nous avons mené cette étude auprès de 208 professionnels, aussi bien uruguayens que brésiliens, en utilisant cinq outils méthodologiques : des observations ethnographiques, un questionnaire, des entretiens informels, des entretiens dits d‟instruction au sosie et des entretiens d‟autoconfrontation simple. Les résultats de cette recherche montrent que les professionnels de santé travaillant dans cet espace frontalier semblent avoir développé des compétences, autres que techniques, afin de proposer une prise en charge plus adéquate et plus efficace. En outre, et à travers les résultats qualitatifs et quantitatifs, nous avons remarqué que ce contexte culturellement et linguistiquement hybride ne viendrait pas tellement rendre difficile l‟activité professionnelle. Au contraire, et dans certains cas, il aiderait même à développer d‟autres compétences et à prendre des initiatives qui dépassent aussi bien ce qui est attendu par les prescriptions formelles que par les prescriptions propres au métier.

3
  • CLARIANA MORAIS TINOCO CABRAL
  • MANICÔMIO AO CAPSI: O PERCURSO BRASILEIRO PARA AS POLÍTICAS DE SAÚDEMENTAL INFANTIL

  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 22/04/2016
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  • O presente trabalho teve por objetivo analisar o cenário histórico de construção das políticas de saúde mental para a criança no Brasil, desde sua matriz até a criação do CAPSi. Teve como ênfase a realidade de Natal/RN, escolhida em virtude da recenticidade da implantação do CAPSi, serviço de saúde mental de vanguarda na proposta de substituição ao modelo médico asilar historicamente estabelecido. Foram objetivos específicos: a) resgatar e analisar, pela perspectiva da saúde mental infantil, os documentos produzidos a partir das Conferências Nacionais de Saúde (CNS) e de Conferências Nacionais de Saúde Mental (CNSM); b) analisar o cenário histórico que perpassou a criação dos CAPSi no Brasil e na capital do Rio Grande do Norte (RN); c) identificar e analisar as práticas e os discursos utilizados para legitimar ações no CAPSi Natal. Para isso, submeteu-se à análise de discurso foucaultiana dados de pesquisa documental em relatórios e documentos oficiais, e de entrevistas semiestruturadas com técnicos responsáveis pela implantação do CAPSi Natal. Os relatórios das CNS evidenciaram estas como espaço de discussão sobre a criança, primeiramente a criança deficiente e posteriormente a criança diagnosticada com transtornos neuróticos e psicóticos graves, passando pela saúde da parturiente enquanto política de controle da saúde mental infantil. Já as CNSM se inseriram no processo político de reforma do modelo psiquiátrico, abrindo espaço para o debate direto e efetivo do projeto de implantação dos CAPSi’s. Em Natal, esse projeto tem origem na demanda jurídica para enfrentamento ao problema social do adolescente adicto. Graças à luta travada pelos técnicos, o CAPSi Natal se efetivou com uma proposta de desinstitucionalização e inclusão, assumindo características efetivas de política em saúde mental para a infância e juventude, as quais, atravessadas pela herança de exclusão, encontram no século XXI espaço privilegiado para efetivas mudanças, igualmente seu maior desafio.

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  • FELLIPE COELHO LIMA
  • Ideologia e significado do trabalho: o caso dos trabalhadores por conta própria

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 02/06/2016
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  • Com a reestruturação produtiva, adensou-se a heterogeneização do trabalho e, consequentemente, o crescimento do trabalho informal (assalariado sem registro e por conta própria). A alocação de trabalhadores nesse contexto é mediada pela ideologia, que corresponde às ideias que atuam sobre a práxis sociais dos indivíduos para a resolução dos conflitos sociais, que, por sua vez, alcançam as consciências individuais por meio dos significados. O objetivo dessa pesquisa é analisar as características da ideologia no trabalho informal a partir dos significados atribuídos ao trabalho por trabalhadores por conta própria. Realizou-se 12 entrevistas semiestruturadas com feirantes do Shopping de Pequenos Negócios (“camelódromo”) do Alecrim, sendo o número de participantes determinado por saturação teórica. Analisou-se os significados do trabalho levantados com base no contexto biográfico dos participantes, a sua relação com o contexto social e a função ideológica que desempenham. Identificou-se que os participantes trabalharam na infância, motivados pela sobrevivência da família, possuem mais de quatro experiências profissionais, tendo trabalhado como feirante anteriormente e se inserido em trabalho formais precarizados. Estabelecem relações contraditórias de competição e cooperação entre os demais feirantes e não planejam interromper o seu trabalho em nenhum momento do futuro. Eles significam o trabalho como uma fonte de dinheiro e de ocupação do tempo, o trabalho assalariado como lugar de humilhação e o trabalho por conta própria como forma de realização de suas demandas. Esses significados concordam com as condições as quais esses sujeitos foram submetidos e com o modo como o trabalho é concebido no capitalismo (trabalho como fonte de renda e o centro das relações sociais). Eles desempenham três funções ideológicas: fixação dos trabalhadores nessa condição de trabalho, impedimento de construção de uma consciência de classe e crítica ao trabalho assalariado. É necessário que os organismos representativos dos trabalhadores atentem para as potencialidades dos trabalhadores por conta própria poderem integrar o campo de lutas mais amplo dessa classe. 

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  • FLAVIO FERNANDES FONTES
  • TEORIZAÇÃO E CONCEITUALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA: O CASO DO BURNOUT

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 03/06/2016
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  • Pesquisas filosóficas e conceituais vêm sendo reiteradamente apontadas como necessárias na Psicologia, dada a caracterização da disciplina como excessivamente centrada no método e na coleta de dados empíricos. Apresentamos a Psicologia Teórica e Filosófica enquanto área de pesquisa que procura responder a esse problema, constituindo um campo de reflexão e trabalho metateórico capaz de evitar as armadilhas da aplicação meramente mecânica de procedimentos metodológicos. Em seguida fornecemos algumas diretrizes sobre como realizar a análise de conceitos em psicologia. Defendemos como abordagem levar em consideração a dimensão linguageira (palavra e metáfora) de um determinado objeto psicológico e seguir seu desenrolar de transformações pela história. Com base nessa perspectiva, realizamos o estudo de uma problemática oriunda da psicologia do trabalho: a síndrome de burnout, que pode ser caracterizada como uma situação de “exaustão” em relação à atividade laboral por parte do indivíduo-trabalhador. Analisamos em profundidade a obra de dois dos teóricos mais importantes na história desse conceito: Herbert J. Freudenberger e Christina Maslach. Expomos qual o contexto de surgimento e a filosofia da ciência que embasam a criação desse novo objeto psicológico, ressaltando a diferença entre a perspectiva clínica-psicanalítica (Freudenberger) e a perspectiva de mensuração positivista (Maslach). Seguimos as mudanças conceituais e de ortografia da palavra pelas quais passou o burnout na obra de ambos os autores escolhidos, enfatizando a instabilidade das definições apresentadas. Defendemos que duas metáforas são os aspectos mais estáveis do objeto psicológico em questão: a metáfora da síndrome e a metáfora do homem como sistema de energia. A primeira encontra dificuldades de se justificar teoricamente, enquanto a segunda constitui o aspecto central do burnout através da ideia de exaustão.

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  • ADRIANA DE OLIVEIRA
  • AVALIAÇÃO DO LAÇO  MÃE  E  BEBÊ:  ELABORAÇÃO  E  CONSTRUÇÃO  DE  INSTRUMENTO  E  ESTUDOS  DE EVIDÊNCIA DE VALIDADE.

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 12/08/2016
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  • Trata-se de uma pesquisa multi-métodos e tem por objetivo geral estudar o estabelecimento da relação mãe e bebê e construir um instrumento de verificação deste a partir da perspectiva materna. A tese está composta por 3 estudos, o primeiro buscou caracterizar o conteúdo da percepção das mães sobre a relação mãe e bebê, por meio de seis entrevistas em profundidade com mães de distintas escolaridades. Os conteúdos das entrevistas foram tratados pela Análise Lexical do software Alceste, verificando-se três classes, 55% (classe 1), 26% (classe 2) e 19% (classe 3) do corpus, que sugerem um foco de atenção voltado aos cuidados básicos; podendo ser a escolaridade materna um fator interveniente na maternagem e na dinâmica da mãe com seu bebê, influenciando tanto a narrativa de estilo do laço quanto a forma do cuidado. No estudo 2 o objetivo foi elaborar e construir um instrumento para avaliar a relação mãe e bebê a partir da perspectiva materna. Partiu-se de fontes teórico-empíricas com o propósito de identificar e caracterizar o construto Laço Mãe e Bebê nos aspectos dinâmico-relacionais. Elaborou-se um instrumento de 92 itens com alternativas dicotômicas administrado à mães de bebês de até 18 meses. Os resultados geraram um instrumento que contempla as principais manifestações do desenvolvimento infantil em 4 períodos de 0 a 18 meses. O estudo 3 buscou verificar por meio da Análise de Componentes Principais (PAF) a estrutura fatorial do instrumento e evidenciou-se 34 fatores sobre os processos de desenvolvimento infantil e a percepção materna destes. Apesar de os fatores gerados serem promissores, optou-se em manter as dimensões teóricas inicialmente propostas que serviram de matriz para a organização dos itens. A confiabilidade apresentou um índice aceitável para o questionário relativo ao bebê (KR-20 0,92) e para as questões pertinentes a mãe (KR-20 0,71). Como conclusão tem-se a possibilidade da sequência deste trabalho, com vistas a ulteriores investigações, a fim de vir a ser efetivamente utilizado como um instrumental para a intervenção precoce.

                                                                           

     

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  • MARIA AURELINA MACHADO DE OLIVEIRA
  • Adaptação e evidências psicométricas da versão brasileira da Cambridge Worry Scale

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 12/08/2016
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  • Adaptação transcultural da Cambridge Worry Scale (CWS) com objetivo geral adaptar e buscar evidências psicométricas da CWS, que avalia preocupações maternas. Os objetivos específicos foram: a) fazer a adaptação semântica dos itens da CWS do inglês para o português brasileiro b) avaliar evidências de validade de conteúdo através do Coeficiente de Validade de Conteúdo (Etapa 1); c) verificar elementos de validade e confiabilidade da CWS através de procedimentos de avaliação psicométricos (Etapa 2). Pesquisa transversal com 420 gestantes com idade a partir de 13 anos assistidas em Unidades Básicas de Saúde de Natal (RN). As grávidas tinham em média 26,85 (±8,93) anos, a maioria apresentou baixa escolaridade e renda, era dona de casa e vivia em união estável. Predominaram multíparas, com poucos abortos e não planejamento da gestação. Utilizou-se como instrumentos: 1) Questionário Estruturado; 2) Cambridge Worry Scale; 3) Subescalas de Estresse e Autoestima do Perfil Psicossocial no Pré-natal (PPP); e 4) Escala de Apoio Social. Na Etapa 1 efetuou-se estatísticas descritivas (frequência e Coeficiente de Validação de Conteúdo - CVC) e uso do Kappa de Fleiss. Na Etapa 2 usou-se Análise Fatorial Exploratória e Confirmatória, teste t, ANOVA, correlações de Pearson, e alfa de Cronbach. Na Etapa 1 obteve-se a autorização formal dos autores; preparação e consolidação da versão preliminar; e validação de conteúdo acerca dos critérios Clareza, Pertinência Prática e Relevância Teórica, com maioria dos itens com CVCs maiores que 0,8. A Dimensão Teórica apresentou concordância substancial (k=0,7164). Na Etapa 2 os resultados da Análise Fatorial Exploratória (Oblimin), seguida de Análise Fatorial Confirmatória para a versão de 16 itens e 13 itens (reduzida), apresentaram bons indicadores de validade e confiabilidade para ambos modelos. Porém a versão reduzida se mostrou similar ao modelo original com 4 fatores, considerando-a mais adequada. As validades convergente e divergente foram efetuadas com estresse, autoestima e apoio social. A validade de critério com grupos de gestantes (idade/paridade). A confiabilidade avaliada pela consistência interna foi satisfatória (valor α=0,825/escala). Portanto a versão brasileira da CWS apresentou bons índices de validade e confiabilidade, podendo ser usada por pesquisadores e clínicos para avaliar preocupações em gestantes.

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  • ETIENNE ANDRADE DE MEDEIROS DANTAS
  • PERFIL DO TECNÓLOGO EM CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS: UM ESTUDO SOBRE A CONCATENAÇÃO ENTRE COMPETÊNCIAS NA FORMAÇÃO E NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 26/09/2016
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  • A presente tese de doutorado teve por objetivo geral investigar as competências na formação e prática profissional do tecnólogo em construção de edifícios. Nesse contexto, a pesquisa contribuiu para a discussão acerca da natureza de competências e habilidades requeridas para ocupações profissionais historicamente caracterizadas como predominantemente práticas, no sentido de fundadas em saberes práticos, extra-acadêmicos e pragmáticos (saber-fazer), em contraste com competências simbólico-formais fundadas em saberes formais-conceituais (saber-dizer). A tese encontra-se fundamentada na perspectiva da psicologia histórico-cultural e amparada pela proposta teórico-metodológica da Clínica da Atividade.  A pesquisa foi realizada com egressos, professores e gestores do Curso Superior de Tecnologia em Construção de Edifícios. Para atingimento dos objetivos esperados adotou-se a combinação de métodos quantitativos e qualitativos de produção e análise dos dados. Na etapa quantitativa, aplicou-se um questionário socioprofissional, obtendo-se o retorno de 41(quarenta e um) participantes. A análise dos dados quantitativos foi realizada através de estatística descritiva uni e multidimensional, complementada por análise estatística inferencial. Na etapa qualitativa, realizou-se consulta a documentos oficiais de natureza pedagógica, entrevistas semi-dirigidas com professores e gestores do curso e, por fim, as entrevistas de Instrução ao Sósia (IaS) com egressos. Esta etapa foi executada através de análise clínico-interpretativa, tendo por base a perspectiva histórico-cultural vigotskiana e a abordagem francesa das competências e habilidades. Os resultados analisados permitiram constatar que os profissionais são, na maioria jovens (média de idade de 26 anos e 06 meses), 58,6% do sexo feminino, 58,5% solteiros e somente 19,5% tem filhos. Também averiguou-se que a profissão de tecnólogo em construção de edifícios tem servido como estágio preliminar ou caminho de passagem em direção a outra formação e ocupação profissional, àquela de engenheiro civil. As principais competências requeridas do tecnólogo em construção de edifícios recobrem os domínios da gestão, projetos e orçamento. Conclui-se que a ocupação profissional do tecnólogo em construção de edifícios apresenta uma formação sólida e atualizada com as demandas do mercado de trabalho, havendo concatenação entre os conhecimentos teóricos e práticos em função das estratégias pedagógicas utilizadas durante o processo de formação profissional, segundo avaliação dos sujeitos participantes. No entanto, ainda tem sua área de especificidade estabelecida notadamente em relação aos engenheiros civis. Por esta razão, percebe-se que há uma necessidade de consolidação da identidade profissional do tecnólogo em construção de edifícios junto às entidades regulamentadoras da profissão e ao mercado de trabalho. 

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  • MAIHANA MAÍRA CRUZ DANTAS FONSECA
  •  

    Apoio social em mães de bebês prematuros hospitalizados: elaboração e evidência
    de validade de um instrumento


  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 04/11/2016
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  •  

    Esta tese tem como objetivo geral elaborar e buscar evidências de validade de uma escala que avalie o
    apoio social em mães de recém-nascidos prematuros hospitalizados. Para tanto, foram desenvolvidos
    quatro estudos. O estudo I efetuou uma revisão sistemática da literatura que identificou os cinco
    instrumentos mais utilizados para avaliação do apoio social. Como resultado, foi possível estabelecer
    uma definição constitutiva do constructo que teve como foco o apoio percebido, sendo este
    compreendido como multidimensional. No Estudo II, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas
    com 18 mães acompanhantes de bebês prematuros que estavam na Unidade de Terapia Intensiva
    Neonatal. No que se refere ao apoio que as participantes acharam importante ser recebido durante o
    momento de hospitalização, as categorias mais prevalentes foram apoio de informação e emocional.
    Com base nos resultados encontrados no Estudo I e nas entrevistas, foi elaborada a definição
    operacional do apoio social. O Estudo III retratou a construção dos itens e a análise de juízes, sendo
    constatadas evidências de validade de conteúdo. No estudo IV, foi realizada a administração da escala
    em 218 mães de bebês prematuros hospitalizados. Na análise dos dados foi utilizada estatística
    descritiva, Alfa de Cronbach, análise fatorial exploratória, ANOVA e teste de correlação de Pearson.
    Foram identificadas seis dimensões de apoio sendo os índices alfas de Cronbach e de variabilidade,
    respectivamente: apoio afetivo (α = 0,904; 29,31%), material (α = 0,905; 10,25%); informação (α = 0,90;
    5,80%1), emocional (α = 0,899; 4,10%), acolhimento (α = 0,899; 3,75%;) e atenção (0,901; 3,56%). Além
    disso, foi constatado um valor global de alfa de 0,92. A Escala para avaliação do apoio social em mães de
    neonatos prematuros hospitalizados apresentou qualidade psicométrica satisfatória e promissora, com
    evidências de validade de critério, de consistência interna e validade de construto.


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  • DANIELLE FERREIRA GARCIA MAFRA CAMPELO
  • CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL NEUROPSICOLÓGICO, ACADÊMICO E COMPORTAMENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES SOBREVIVENTES DE TUMORES DE FOSSA POSTERIOR


  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 01/12/2016
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  • A neuropsicologia é um campo de pesquisa que investiga as relações entre cognição, comportamento e atividade do sistema nervoso central (SNC) em condições normais ou patológicas. Seu papel vem sendo reconhecido como possibilidade de resposta às demandas de investigação e intervenção em situações de lesões e/ou disfunções cerebrais, dentre as quais o câncer infantil vem surgindo como importante foco de atenção. Tal interesse decorre das seguintes razões: 1) a incidência de câncer infantil no Brasil é de aproximadamente 12.000 casos anuais, sendo o sistema nervoso central a região de maior incidência de tumores sólidos; 2) a implicação direta dos tumores e de seus tratamentos sobre a organização e o funcionamento do SNC e; 3) aumento da sobrevida e necessidade de garantir a qualidade de vida após a cura da doença. Em conjunto, tais fatores vêm se traduzindo em esforços voltados para a compreensão, prevenção e/ou minimização dos prejuízos ao neurodesenvolvimento, uma vez que é crescente o reconhecimento da presença de sequelas resultantes da lesão tumoral e da neurotoxicidade do tratamento anti-neoplásico direcionado ao SNC. Esta realidade é ainda mais preocupante em localidades distantes dos grandes centros urbanos brasileiros, nas quais a população enfrenta adicionalmente a precariedade no acesso a serviços de educação e saúde, o que por sua vez pode ocasionar atrasos no diagnóstico, agravamento do estado da criança e a necessidade de tratamentos mais agressivos que, embora mais eficazes, comprometem mais intensamente o desenvolvimento das estrurturas nervosas. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo é investigar o funcionamento neuropsicológico, acadêmico e comportamental de crianças e adolescentes sobreviventes de tumores de fossa posterior nos estados brasileiros do Rio Grande do Norte e da Paraíba. A presente proposta foi inicialmente subdividida em dois estudos: 1) Caracterização da capacidade intelectiva de pacientes pediátricos diagnosticados com tumores de fossa posterior e; 2) Alterações neuropsicológicas em crianças sobreviventes de tumores de fossa posterior à luz do modelo do Transtorno Não-Verbal de Aprendizagem. Participaram dos estudos 40 sujeitos com idades entre seis e 16 anos, divididos em três subgrupos: G1) 10 crianças e adolescentes diagnosticados com astrocitoma pilocítico de fossa posterior e tratados através de neurocirurgia; G2) 10 crianças e adolescentes com meduloblastoma de fossa posterior tratados com cirurgia de ressecção, quimioterapia sistêmica e radioterapia crânio-espinhal e; 3) 20 crianças e adolescentes sem histórico de alterações neurológicas ou psiquiátricas, que compuseram grupo controle espelhado segundo as características sócio-demográficas das crianças dos grupos clínicos. Os participantes foram submetidos a uma bateria de avaliação neuropsicológica composta por instrumentos que investigam domínios cognitivos, afetivos e comportamentais, cujos resultados foram analisados através de ferramentas de análise estatística descritiva multidimensional de tipo cluster a partir do tipo de tratamento realizado e do resultado nos instrumentos avaliativos.  No que diz respeito ao estudo 1, a referida análise efetuou a partição da amostra em dois subgrupos, os quais revelaram que os participantes cujos resultados em todos os domínios intelectivos estiveram abaixo da média esperada pertencem majoritariamente ao grupo de participantes submetidos a radioterapia de crânio e neuroeixo. Além da presença do tratamento radioterápico, os escores de QI Total, Índice Velocidade de Processamento e Índice Compreensão Verbal se destacaram enquanto principais determinantes da partição do grupo, indicando consistência teórica com estudos anteriores que apontam a capacidade intelectiva global e a velocidade de processamento como principais marcadores distais resultantes dos efeitos desmielinizantes promovidos pela radioterapia sobre o cérebro em desenvolvimento. Este resultado motivou a realização do estudo 2, cujo principal objetivo foi a realização de uma interpretação clínica dos dados em direção à proposição de um modelo conceitual capaz de explicar tanto os efeitos adversos da radioterapia sobre o cérebro em desenvolvimento, quanto o desdobramento de tais efeitos em um perfil neuropsicológico típico a quadros de alterações de substância branca na infância. Para o alcance deste objetivo, partiu-se de dois modelos conceituais específicos, a saber: 1) o modelo do Transtorno Não-Verbal de Aprendizagem (TNVA) de Rourke e; 2) O modelo conceitual de cascata de Palmer. Tais modelos se aproximam na medida em que ambos consideram as alterações na substância branca como o principal disparador das importantes alterações cognitivas, em geral concentradas no domínio não-verbal. Os resultados obtidos neste estudo a partir de análise de cluster apontam para a emergência de um fenótipo neuropsicológico típico ao quadro de lesão desmielinizante produzido pelo meduloblastoma e seu tratamento, cujas características se revelam bastante semelhantes ao modelo do TNVA de Rourke, ao mesmo tempo em que o seu desdobramento temporal ao longo do curso maturacional encontra respaldo no modelo proposto por Palmer, produzindo uma cascata de alterações cognitivas que produzem seus efeitos na direção inversa à que ocorre em crianças em desenvolvimento típico. Espera-se que os resultados deste trabalho contribuam para oferecer melhor compreensão da natureza e extensão do impacto do diagnóstico e tratamento dos tumores de fossa posterior sobre o desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo dos participantes, que possam servir a profissionais de saúde, educação e familiares que os assistem. Portanto, pretende-se fornecer dados que subdisiem a proposição de tratamentos eficazes e menos danosos ao SNC e o desenvolvimento de programas de intervenção que minimizem os seus impactos adversos, garantindo a essas crianças a expressão plena de seu potencial de desenvolvimento.

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  • MARIA VALQUÍRIA NOGUEIRA DO NASCIMENTO
  • Práticas Integrativas e Complementares Grupais nos serviços de saúde da atenção básica: possibilidades de diálogo com a educação popular

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 05/12/2016
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  • A Política de Práticas Integrativas e Complementares [PNPIC] foi implantada em 2006,por meio da portaria GM nº 971, contemplando as práticas terapêuticas como Homeopatia, Fitoterapia, Acupuntura, Medicina Antroposófica, Termalismo/Crenoterapia, Práticas Corporais/Atividade Física e Técnicas em Medicina Tradicional Chinesa, com base nos princípios de uma escuta acolhedora, desenvolvimento do vínculo terapêutico, integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade, visão ampliada do processo saúde-doença, promoção global do cuidado humano e autocuidado. Embora não instituídas pela Política Nacional, as Práticas Integrativas e Complementares [PIC’s] de natureza coletiva têm crescido gradativamente nos serviços de saúde, em razão das demandas locais e das próprias reivindicações da população. Nesse sentido, o objetivo deste estudo consistiu em analisar a inserção das PIC’s Grupais como estratégia de cuidado e atenção integral à saúde na atenção básica e as possibilidades de diálogo com a educação popular. A pesquisa teve como cenário as Unidades Básicas de Saúde [UBS] e Unidades Básicas de Saúde da Família [UBSF], e como participantes profissionais que realizavam PIC’s Grupais nos serviços. Em termos operacionais, desenvolvemos a pesquisa a partir das seguintes etapas: (a) visita à Secretaria Municipal de Saúde [SMS]; (b) mapeamento dos equipamentos de saúde e de profissionais da atenção básica que desenvolviam atividades em PIC’s Grupais; (c) identificação e caracterização das PIC’s Grupais; (d) realização de entrevistas e rodas de conversa; (e) observação-participante nos grupos de pic’s.O estudo identificou 56profissionais em saúde que desenvolviam PIC’s Grupais, vinculados às seguintes categorias: 16 agentes comunitários de saúde, 09 enfermeiras, 08 educadores físicos, 07 médicas, 04 nutricionistas, 03 psicólogas, 03 auxiliares de enfermagem, 03 dentistas, 02 farmacêuticos e 01 fonoaudiólogo. Dos 66 equipamentos de saúde da atenção básica contactados, 37 realizavam PIC’s Grupais, divididas em 14 modalidades, a saber: relaxamento, meditação, yoga, tai chi chuan,grupos de suporte mútuo, tenda do conto, grupo de prosa com mulheres, grupo de bordadeiras, grupo de idosos, grupo de caminhadas, grupo de terapia e arte, grupos de contação de histórias, terapia comunitária e teatro do oprimido. As PIC’s Grupais atuam com ênfase na valorização das trocas interpessoais entre profissionais e usuários, com um olhar integral e interdisciplinar sobre os sujeitos, de modo a garantir uma participação mais efetiva e o compartilhamento de saberes, elementos essenciais na produção da autonomia. Nessa direção, a educação popular pode ser instrumento de reorientação da atenção à saúde e globalidade das PIC’s Grupais, com base numa perspectiva participativa, criativa, dialogada e emancipadora. 

2015
Dissertações
1
  • FERNANDA CAVALCANTI DE MEDEIROS
  • A inserção da família no processo socioeducativo de adolescentes em privação de liberdade

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 06/03/2015
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  • A presente dissertação tem como objetivo geral investigar de que forma as famílias estão inseridas no processo de socioeducação dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas de privação de liberdade. Neste sentido, elencaram-se como objetivos específicos: caracterizar a convivência entre adolescentes em privação de liberdade e seus familiares, a partir das ações e rotinas do sistema socioeducativo; analisar as articulações das equipes profissionais que atuam no campo da socioeducação, visando o atendimento e fortalecimento das famílias dos adolescentes; investigar como as famílias avaliam a operacionalização do processo de socioeducação no qual os adolescentes são atendidos. Método: Para alcançar os objetivos propostos, a coleta de dados ocorreu em etapas complementares: a primeira fase se deu a partir de visitas às unidades socioeducativas de privação de liberdade do RN, e diálogos com profissionais que atuam na socioeducação. Posteriormente, foi realizada etapa de pesquisa-ação, a partir da inserção da pesquisadora no projeto de extensão “Familiares e a luta pela efetividade do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo”, que objetivou fortalecer o acompanhamento da socioeducação dos adolescentes por seus familiares, e teve como metodologia rodas de conversa e oficinas temáticas. Por fim, foram realizadas a leitura e análise das referências à família no Plano de Atendimento Individual (PIA) dos adolescentes. As informações coletadas foram registradas em diários de campo e submetidas à análise de conteúdo temática.  Esta pesquisa foi orientada pelo referencial teórico marxiano, que parte da compreensão do envolvimento dos adolescentes com atos infracionais como desdobramento e expressão da “questão social”. A partir deste referencial teórico, é possível problematizar a visão predominante na sociedade capitalista dos adolescentes em conflito com a lei como indivíduos que são tratados pela via da repressão e segregação, bem como a fragilidade das políticas sociais, tanto na execução das próprias medidas socioeducativas como na articulação da rede de serviços para a proteção do adolescente e o fortalecimento de sua família. Resultados: quanto ao funcionamento do sistema socioeducativo do RN, de modo geral, pôde-se observar um quadro de espaços físicos insalubres e práticas institucionais violadoras de direitos humanos, ociosidade e falta de acesso aos direitos sociais, e de criminalização e institucionalização dos jovens pobres e suas famílias. No que diz respeito à convivência familiar, percebeu-se grande distância entre os princípios e diretrizes preconizados pelo SINASE, acerca da convivência e fortalecimento familiar, e as práticas cotidianas da socioeducação no RN: foram observadas graves violações, que comprometem a convivência entre os adolescentes e seus familiares, como a distância entre as unidades socioeducativas de privação de liberdade e os municípios onde residem as famílias; ausência, irregularidade e condições precárias na realização das visitas pelos familiares; não existência de visitas íntimas; ações restritas e desarticuladas para o cuidado e fortalecimento com os familiares dos adolescentes, que em sua maioria vivem em condições de pobreza ou extrema pobreza. Por fim, foram encontradas uma série de culpabilizações e punições à família, que incluem práticas como a revista íntima vexatória, além de uma série de violências e omissões de cuidados que adoecem os familiares e fragilizam os vínculos entre os adolescentes e suas famílias.

2
  • BLENDA CARINE DANTAS DE MEDEIROS
  • A compreensão de crianças em situação de acolhimento institucional acerca dos seus direitos.

  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 27/03/2015
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  • A presente pesquisa tem por objetivo investigar como crianças com cinco anos de idade, acolhidas em uma organização não governamental na modalidade casa-lar, situada na cidade de Caicó-RN, compreendem seus direitos, levando-se em conta suas experiências e vivências cotidianas. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com a equipe de acolhimento da instituição, com o gestor, e com as cuidadoras residentes responsáveis pelas casas-lares. Com as crianças, foram utilizados métodos participativos, a fim de potencializar a expressão infantil, como jogos, vídeos e fotografias. Foi possível perceber que algumas crianças não tem compreensão da sua condição de sujeito de direitos. No entanto, representam vários direitos específicos enquanto direitos das crianças, com ênfase aos direitos à família e à moradia, ao brincar e à educação. A figura materna aparece como uma das principais responsáveis pela garantia desses direitos, e a escola é retratada enquanto um espaço que possibilita, além da educação, a convivência comunitária, o brincar e a alimentação.

3
  • GISCELY COSTA MEDEIROS DA SILVA
  • QUANDO A INDISCIPLINA ESCOLAR É UM SINTOMA? ARTICULAÇÕES PSICANALÍTICAS

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 30/03/2015
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  • A partir de um caso clínico cuja queixa era uma severa “indisciplina escolar”, este trabalho interrogou quando a indisciplina pode ser um sintoma. Para responder a questão analisamos o conceito de sintoma na perspectiva freudo-lacaneana, e suas articulações com o tema da “indisciplina escolar”. Utilizou-se o método teórico-clínico, no qual a construção do caso dialoga com os textos psicanalíticos reatualizando as questões sobre o tema. Empreendemos uma análise histórica da construção do mecanismo disciplinar através das obras de Foucault (1987; 1996), Deleuze (1988; 1992) e comentadores que apontou o caráter datado e não natural dessa produção discursiva nomeada “indisciplina escolar”, revelando que a queixa de indisciplina nasce de um discurso social que impõe a ideia de que o aprender depende da disciplina. No entanto, esse ideário possui uma fenda, pois algo sempre escapa ao disciplinamento. A resposta do social ao que escapa constitui a queixa de indisciplina, que pode ser tomada como um sintoma social. A cada criança cabe encontrar sua resposta frente a esse discurso, e a mesma define o caráter sintomático, ou não, da mesma. Percorremos o conceito de sintoma e seus desdobramentos na clínica com a criança nos ensinos de Freud e Lacan. A leitura de Freud mostrou que o sintoma é o resultado de um trabalho psíquico que substitui uma representação recalcada e ligada a uma satisfação sexual insuportável, constituindo uma solução para que a criança possa lidar com a castração e com as interdições impostas pelo social. A releitura da obra freudiana empreendida por Lacan coloca o assento no caráter de trabalho psíquico empreendido pelo falante com o seu sintoma, na medida em que lhe permite fazer laço com o social. Analisar, a cada caso, a posição ocupada pelo sujeito frente à queixa de indisciplina permite abrir as vias para o trabalho com a mesma. Se a indisciplina é a resposta do sujeito frente ao Outro social, a partir da psicanálise trata-se de ofertar uma escuta que permita resignificar essa resposta. Elucidar o caráter sintomático, ou não, das atitudes consideradas indisciplinadas convoca à análise da singularidade implicada na resposta de cada criança, a sua subjetividade.

4
  • BEATRIZ MENDES E MADRUGA
  • Aspectos da flexibilidade cognitiva e do controle inibitório em crianças de escolas bilíngues em Natal-RN.

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 13/04/2015
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  • O bilinguismo tem sido correntemente investigado na literatura associado à possíveis vantagens cognitivas. Pesquisas contemporâneas seguem encontrando vantagens cognitivas consequentes do bilinguismo, enquanto outras não têm encontrado vantagens significativas em grupos de bilíngues. A presente pesquisa tem por objetivo investigar se em determinada faixa etária e modalidade de bilinguismo vantagens cognitivas podem aparecer: refere-se à infância e ao bilinguismo escolar. As funções investigadas foram a flexibilidade cognitiva, através do Teste Wisconsin de Classificação de Cartas, e o controle inibitório, este através da Tarefa Simon e Tarefa Stroop. Os grupos da amostra analisada (36 sujeitos) foram subdivididos em: grupo less bilingual, com crianças com até dois anos de educação bilíngue; grupo middle bilingual, com crianças com 04 anos de educação bilíngue; grupo more bilingual, cujas crianças estão há pelo menos cinco anos sob educação bilíngue. A média etária da amostra foi de 9,97 anos de idade. Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos em relação aos itens do WCST. Já os testes do controle inibitório revelaram diferenças quantitativas em favor do grupo com maior tempo de bilinguismo, no tempo de reação dos itens congruentes e incongruentes de ambos os testes: Simon e Stroop. Os resultados não são passíveis de generalizações em virtude da amostra pequena e da ausência de significância estatística. Entretanto, fazem eco a outras pesquisas contemporâneas que apresentam vantagens sutis para o grupo bilíngue com mais tempo de exposição ao bilinguismo escolar.

5
  • KAMILA SIQUEIRA DE ALMEIDA
  • Urbanização e modos de vida: debate sobre determinação social da saúde na cidade

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 23/04/2015
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  • As desigualdades em saúde constituem o centro da relação entre condições de vida,

    recursos sociais, assistência e situação de saúde, sobretudo em contextos urbanos.

    Destaca-se a importância de compreender as raízes, mecanismos e dinâmicas das

    desigualdades sociais e como estão dispostas de forma singular nos territórios. No Brasil,

    atualmente, mais de 85% da população é urbana. O processo acelerado de urbanização

    produziu cidades extremamente desiguais, marcadas pela força do capital imobiliário,

    informalidade, pobreza, infraestrutura inadequada e degradação ambiental. Esse

    quadro nos leva a questionar de que forma tais aspectos condicionam a saúde e, mais

    especificamente, o sofrimento psíquico da população. Sendo assim, realizamos uma

    pesquisa na Vila de Ponta Negra, localizada em Natal/RN, devido ao seu processo de

    urbanização e configuração comunitária peculiar. Objetivou-se analisar a determinação

    social da saúde mental e as estratégias de enfrentamento de seus moradores. Foram

    realizadas 11 entrevistas com moradores da comunidade e 11 com profissionais da

    Unidade Básica de Saúde de Ponta Negra, mapeamento dos recursos comunitários,

    registros fotográficos, observação participante nas ruas e participação em grupos

    comunitários. A história da antiga comunidade de pescadores e agricultores foi marcada

    pelo conflito de terras e privatização do espaço em função das atividades turísticas e

    imobiliárias. Isso produziu desigualdades sócio espaciais que influenciam os modos

    de vida, consequentemente, na saúde mental da população. Identificamos mulheres

    com familiares em situação de consumo e tráfico de drogas, que, somada à sobrecarga

    de trabalhos domésticos estão associados a sintomas de “doença dos nervos”. Como

    maiores problemas da vila os moradores detectam o tráfico de drogas e a violência; o

    lixo; a carência de escolas e creches; a falta de segurança e de espaços recreativos,

    o que é associado ao aumento do consumo de drogas. Há uma contradição no bairro,

    ícone do lazer e da fruição, porém faltam alternativas favorecedoras da convivência, das

    manifestações de cultura popular e práticas desportivas para os moradores. Quanto aos

    profissionais de saúde, identificamos um conhecimento superficial sobre a comunidade,

    indicando um trabalho desconectado do território, agravado pela ausência de equipe

    de Saúde da Família. Foram identificados 21 recursos comunitários, além de grupos de

    dança popular, porém pouca articulação entre eles. Como potencialidades, podemos citar

    a presença e proximidade de serviços e comércio local, fortes relações de vizinhança e

    a riqueza cultural. Dentre os grupos encontrados, destacamos a atuação de dois deles

    para mobilização política e integração comunitária: o Coletivo das Dez Mulheres e a Feira

    Feito na Vila. Concluímos que a despeito de uma história marcada por uma desigualdade

    social ocasionada pela disputa pelo espaço, o que afeta fortemente a saúde dos seus

    moradores, a Vila resiste e traz em sua dinâmica comunitária pistas importantes para sua

    própria reabilitação.

6
  • DENISE SOARES DE ALMEIDA
  • Percepção do Suporte Familiar em Adolescentes com Repetição Gestacional.


  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 27/04/2015
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  • A gravidez na adolescência é uma questão de saúde pública, principalmente pelo agravante da repetição gestacional ainda nesta faixa etária. Segundo pesquisas 30% das adolescentes primigestas terão uma nova gestação no prazo de 02 anos. Nos últimos anos estudos têm apontado a influência desta realidade na dinâmica familiar e suas consequências biopsicossociais. Assim, o objetivo geral foi averiguar possíveis relações entre os aspectos sociodemográficos, obstétrico, psicossociais e a percepção de suporte familiar em adolescentes com reincidência gestacional. Específicos: caracterizar o perfil demográfico das gestantes pesquisadas; caracterizar o perfil obstétrico das gestantes pesquisadas; caracterizar o perfil psicossocial das gestantes pesquisadas; e investigar a Percepção de Suporte Familiar entre adolescentes com reincidência gestacional. Utilizou-se de um questionário estruturado contendo aspectos sociodemográficos, Obstétricos e Psicossociais e o Inventário de Percepção de Suporte Familiar (IPSF). Os dados foram computados em um software de processamento de dados para a estatística descritiva e inferencial. Foi utilizado o teste de Correlação de Pearson, Teste T de Studant e o teste do X². Observou-se que 77,4% das participantes têm entre 18 a 19 anos, 78,6% vivem em união estável, 57,1% possuem o ensino fundamental incompleto. Nos dados obstétricos 45,24% têm acima de seis consultas de pré-natal, 67,86% iniciou no primeiro trimestre, 51,8% teve de 13 a 24 meses de intervalo gestacional.  Entre as adolescentes 65,48% tem antecedentes gestacionais da adolescência em parentes próximos.  No IPSF as adolescentes apresentaram baixo escore nas três dimensões e no valor final, na dimensão Afetivo-Consistente com 38,09%, Adaptação Familiar com 57,14% e Autonomia 41,67% e valor total obteve-se 47,62%. Verificaram-se correlações entre suporte familiar e intervalo gestacional (p = 0,042), dimensão Afetivo-Consistente e intervalo gestacional (p = 0,036) e idade do companheiro e a dimensão da Autonomia (p = 0,049). Evidenciando que as adolescentes que tem maior intervalo gestacional também apresentam um suporte familiar mais alto, bem como um maior escore da dimensão Afetivo-Consistente. Em geral o baixo escore do Suporte Familiar sugere que as adolescentes deste estudo percebem suas famílias distantes emocionalmente, com dificuldades em demonstram carinho e atenção e problemas da comunicação intrafamiliar. Assim, os resultados mostrados aqui podem constituir um importante caminho para o planejamento de medidas que favoreça a redução da taxa de repetição gestacional e possa contribuir na reflexão da importância do suporte familiar para o público em questão.

7
  • MARIANA ALIEVI MARI
  • Avaliação do Desenvolvimento Infantil e a Influência dos Fatores Biopsicossociais em Crianças com Cardiopatia Congênita.

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 27/04/2015
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  • O desenvolvimento infantil é o resultado da interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Ambiente hostil, renda, estímulos oferecidos, bem como a presença de uma doença crônica são questões que podem interferir significativamente no desenvolvimento infantil. Considerando as doenças crônicas, podemos identificar a cardiopatia congênita (CC) que se caracteriza por malformações cardíacas anatômicas e funcionas e atualmente tem apresentado uma incidência de até 1% na população de nascidos vivos. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar o desenvolvimento infantil e o possível comprometimento por fatores biopsicossociais de crianças com CC. Fizeram parte do estudo crianças de zero a seis anos, divididas em três grupos: Grupo1- crianças cardiopatas congênitas pré-cirúrgicas, Grupo2- crianças cardiopatas pós-cirúrgicas e Grupo3 crianças saudáveis. Os instrumentos utilizados foram um questionário biopsicossocial e o Teste de Triagem de Denver II. Os resultados mostraram que no G1 29 crianças foram avaliadas, no G2 43 e no G3 56. Do total 66 (51,56%) são meninas e a idade variou dos dois meses aos seis anos (mediana 24,5 meses). No G1 e G2 houve predomínio de cardiopatias acianóticas (55,2% e 58,1%). Em relação as avaliações do Denver II, as crianças cardiopatas tiveram mais classificações “suspeito” e “suspeito/anormal”, sendo que 41,9% das crianças que já passaram por procedimento cirúrgico foram caracterizadas como “suspeito/anormal”. No grupo das crianças saudáveis 53,6% foram consideradas com desenvolvimento “normal” (p=˂0,0001). Sobre os domínios do Denver II, entre as crianças cardiopatas houve maior alteração nas áreas motoras (p= 0,016, p=˂0,001). As variáveis biopsicossocias que se mostraram relacionadas a um possível atraso no desenvolvimento foram: sexo (p=0,042), idade da criança (p=0,001) e renda per capita (p=0,019). Não foram encontradas associações entre as variáveis relacionadas ao tratamento da cardiopatia, informação, compreensão da doença e do modo como os pais tratam os filhos. Já no grupo das crianças saudáveis evidenciou-se que crianças que passaram por internação hospitalar tiveram mais índices de alterações no desenvolvimento (p=0,025) e quanto maior o número de internações mais essas alterações se intensificaram (p=0,023). Os resultados sugerem que crianças com cardiopatia congênita tenham provável atraso no desenvolvimento. Também foi possível verificar que existe uma diferença significativa entre as crianças que passaram por procedimento cirúrgico, daquelas que ainda aguardam cirurgia fazendo somente acompanhamento clínico. As alterações de o desenvolvimento estarem mais ligadas as áreas motoras podem ser explicadas por aspectos característicos da doença e do tratamento, como dispneia, cansaço, cuidados e limitações nas atividades diárias. As variáveis sexo e idade parecem ser determinantes no desenvolvimento, bem como, crianças saudáveis passarem por experiência de hospitalização. Já nas crianças cardiopatas, se percebeu que as variáveis sociais que envolvem a doença e o tratamento não comprometeram o desenvolvimento. Essa questão pode ser entendida por meio de fatores protetores e de resiliência, já que essa população receber apoio familiar e social.

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  • WELYTON PARAÍBA DA SILVA SOUSA
  • Resiliência e Apoio Social em Gestantes Tardias


  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 27/04/2015
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  • A gestação, de forma geral, é um evento importante na vida de uma mulher e provoca mudanças físicas, fisiológicas e emocionais, constituindo uma experiência repleta de sentimentos intensos. Por gravidez tardia, entende-se aquelas gestações que ocorrem na faixa etária de 35 anos ou mais. A ocorrência desse tipo de gravidez vem aumentando no Brasil e no mundo, fatores como maior acesso aos recursos de controle da natalidade e a busca da estabilidade financeira tem explicado o adiamento da gestação. Processos importantes como a resiliência e o apoio social podem auxiliar, as gestantes tardias, de forma benéfica na adaptação ao processo gestacional. A resiliência caracteriza-se pela capacidade de um determinado sujeito ou grupo passar por uma situação adversa, conseguir superá-la e sair fortalecido, transformando-a em estímulos para o seu desenvolvimento biopsicossocial. O apoio social é um processo dinâmico e complexo que envolve transações entre indivíduos e as suas redes sociais, satisfazendo as necessidades sociais, promovendo e completando os recursos pessoais que possuem para enfrentarem novas exigências. No intuito de levantar informações sobre esses construtos em gestantes tardias do município de Natal-RN, que se justifica a importância dessa pesquisa, cujo objetivo geral foi avaliar os indicadores de resiliência e o apoio social em gestantes tardias do município de Natal (RN). Pesquisa descritiva e correlacional de corte transversal que foi realizada com 150 gestantes tardias. Os instrumentos utilizados foram: um Questionário estruturado com informações sociodemográficas e gestacionais, a Escala de Resiliência e a Escala de Apoio Social. Para analisar os dados foi utilizado um software de planilhamento eletrônico que auxiliou na realização de estatísticas descritivas e inferenciais conforme a tipologia das variáveis e os objetivos do estudo. Para as variáveis nominais utilizou-se frequências relativas e para as contínuas correlações de Pearson e coeficiente de determinação, visto que a amostra teve uma distribuição normal. O projeto cumpriu os aspectos éticos prescritos pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, tendo obtido parecer favorável (356.436/ 2013) do Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN. A maioria das gestantes apresentaram baixa renda e escolaridade, natural do Rio Grande do Norte, tinham em média 37,49 (±2,577) anos de idade, eram católicas, viviam em união estável, trabalhadoras do lar (“donas de casa”), multigestas e estavam no terceiro trimestre gestacional; além de baixo histórico de aborto, de não planejarem a gravidez, com média de 4,22 (±2,506) consultas pré-natais, de residirem em média com 3,673 (±1,397) pessoas, terem feito uso de algum tipo anticoncepcional e de possuírem indicadores elevados de resiliência e apoio social. As correlações mantidas entre a resiliência, o apoio social e algumas das variáveis sociodemográficas e gestacionais foram consideradas baixas. Tais dados sinalizam que o fato da maior parte dessas grávidas se encontrarem num relacionamento estável, não terem tido histórico de aborto, fazerem parte de alguma religião, não serem mães primigestas, possuírem uma média de idade suficiente para serem consideradas mães experientes e ainda terem apresentado escores elevados na escala de apoio social, possivelmente, sejam os fatores que mais tenham contribuído no desenvolvimento e na construção da resiliência nessas gestantes de 35 anos ou mais. Espera-se que as informações oriundas dessa pesquisa possam incrementar conhecimentos, ações e melhorias na qualidade da assistência à saúde das gestantes tardias e para uma maior compreensão do fenômeno da gravidez em geral.

9
  • RAFAELA PALMEIRA NOGUEIRA BELO
  • Atuação de psicólogos em Centros de Referência de Assistência Social na região amazônica do Marajó

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 19/05/2015
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  • Este trabalho investigou a atuação de Psicólogos em Centros de Referência de Assistência Social da região amazônica do Marajó, considerando sua extensão territorial, espalhamento populacional e presença de Povos e Comunidades Tradicionais. Foram realizadas 11 entrevistas em 10 municípios do total de 16. Apreendeu-se um contexto de economias frágeis; precárias condições de habitação; redes protetivas incompletas ou desarticuladas; condições de trabalho precárias. As atividades realizadas são pontuais ou assistemáticas. Experiências promissoras apostam na descentralização dos serviços e na intersetorialidade. Experiências de outros grupos apontam a importância do trabalho a longo prazo. Conclui-se que um caminho potente de atuação é o fortalecimento da sociabilidade característica dos povos tradicionais, valorizando seus saberes e desenvolvimento seu protagonismo social.

    Palavras-chave: psicologia rural; povos e comunidades tradicionais, Amazônia

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  • RÔMULO MÁGNUS DE CASTRO SENA
  • Relação entre Imagem Corporal e Autoestima em Ostomizados

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 22/05/2015
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  • Este estudo tem como objetivo geral investigar se existe relação entre imagem corporal e autoestima em ostomizados; e como objetivos específicos averiguar a satisfação desses indivíduos com a sua imagem corporal no tocante ao aspecto da aparência e avaliar o grau de autoestima relacionada a tal condição. Trata-se de uma pesquisa correlacional, de corte transversal, que foi realizada em uma instituição de apoio a esses usuários do estado do Rio Grande do Norte, com sede em Natal. Foram usados três instrumentos de coleta: um questionário geral estruturado, abrangendo dados sociodemográficos e clínicos; a Escala de Satisfação com a Aparência (ESA), e a Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR). As informações obtidas foram analisadas com auxilio de um software de planilhamento eletrônico. O projeto está de acordo com a resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UFRN, sob o número 348.948 em agosto de 2013. A amostra foi constituída por 93 ostomizados, com uma média de idade de 50,4 anos (DP = 15,4), 62,4% dos sujeitos são do sexo masculino e o mesmo percentual está em um relacionamento afetivo, 34,8% dos participantes cursaram apenas o ensino fundamental incompleto; 62,4% são aposentados; 63,4% possuem renda familiar de até 2 salários mínimos, 75,3% residem na zona metropolitana de Natal; 91,4% têm alguma crença religiosa; 83,9% eram colostomizados, e em 60,2% a causa da estomização foi o câncer. A aplicação do Teste de Correlação de Spearman demonstrou uma correlação moderada, positiva e estatisticamente significativa entre as variáveis de satisfação com a imagem corporal, no tocante ao aspecto da aparência, e a autoestima; permitindo inferir que embora a satisfação com a aparência desses sujeitos fosse baixa, seus níveis de autoestima eram elevados. Os instrumentos se mostraram bastantes simples de serem operacionalizados, e eficazes em mensurar os aspectos em análise; desse modo, recomenda-se sua incorporação na prática dos profissionais que assistem aos ostomizados, para enriquecer as possibilidades de compreensão desses sujeitos, qualificando a escuta do profissional para que suas intervenções no sentido da reabilitação sejam mais eficientes e eficazes. 

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  • LUCIA MARIA DE OLIVEIRA SANTOS
  • MULHERES COM LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO: SINTOMAS DEPRESSIVOS E APOIO SOCIAL PERCEBIDO

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 25/05/2015
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  • Resumo c/ Palavras Chaves:

     

    O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, rara, multissistêmica, com um padrão muito heterogêneo de manifestações clínicas e sorológicas. O paciente, além de sofrer agravos físicos e no funcionamento fisiológico, também pode enfrentar uma série de problemas psicossociais. Pesquisas apontam que o LES pode acarretar danos importantes no âmbito psicológico, principalmente com presença de ansiedade e depressão. O American College of Rheumatology (ACR), em 1999, propôs a definição de 19 síndromes clínicas neuropsiquiátricas atribuídas ao LES. A depressão, portanto, encontra-se entre os transtornos de humor e é uma das manifestações psiquiátricas mais comuns nesse grupo, sendo encontrada com maior frequência nesses pacientes do que na população em geral. Estudos também sugerem que o apoio social desempenha um papel importante no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, na gestão do LES e na depressão. Assim, este estudo tem como objetivo geral verificar a associação entre sintomas depressivos e apoio social percebido em pacientes com LES. Os objetivos específicos voltaram-se à: investigar a prevalência de sintomas depressivos; investigar o apoio social percebido e verificar se há associação entre a depressão, o apoio social e variáveis sociodemográficas. Utilizou-se um questionário sociodemográfico, a Escala de Depressão de Beck e a Escala de Apoio Social Percebido. A análise foi realizada através das estatísticas descritiva e inferencial. A amostra final foi de 79 mulheres com LES, com uma média de idade de 35,7 anos. Destas, 44 (55,7%) eram casadas. Apenas 6 (7,59%) haviam terminado o ensino superior e 32 (40,51%) ainda não finalizaram o ensino médio. Setenta e uma (89,87%) tinha renda abaixo de três salários mínimos e 71 (89,87) praticavam alguma religião, sendo a católica (67,71%) a mais mencionada pelas participantes. Do total da amostra, 37 (46,74%) já haviam sido diagnosticadas há mais de 7 anos, sendo que 25 (31,65%) tinham LES há mais de 10 anos. Apenas 19 (24,05%) desenvolviam alguma atividade laboral. Quarenta e duas (53,17%) apresentaram níveis de sintomas depressivos de leve a grave e 51 (64,46%) referiram níveis de dor igual ou acima de 5. Encontrou-se associação significativa entre sintomas depressivos e dor (p=0,013) e sintomas depressivos e atividade laboral (p=0,02). Quando se verificou a percepção de apoio social, os resultados mostraram níveis altos pelas participantes do estudo. Através do teste de correlação de Spearman, encontrou-se forte correlação entre sintomas depressivos e apoio social (p= 0,000037) de modo que quanto maior a frequência de apoio menor os escores de depressão. Esses achados são relevantes porque sintomas depressivos nos pacientes com LES têm um caráter multicausal e multifatorial e podem permanecer despercebidos, pois muitos deles se confundem com as manifestações da doença. Tal fato exige dos profissionais uma avaliação cuidadosa, não apenas no âmbito clínico, mas também considerando outros fatores de ordem psicossociais que podem estar atuando no surgimento ou mesmo agravamento dos sintomas. Esses resultados também corroboram com outros estudos, os quais não apenas confirmam o papel preditivo do apoio social nos aspectos físicos, mas também psicológicos. Nesse sentido, os profissionais de saúde que atuam nesta área, podem desenvolver ações que fortaleçam as dimensões de apoio social, pautando-se em intervenções bem-sucedidas já em curso ou, a partir da fala dos pacientes com LES, construir práticas de cuidado que estejam de acordo com as necessidades, peculiaridades e disponibilidade desse grupo.

     

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  • MARÍLIA NORONHA COSTA DO NASCIMENTO
  • As ações das equipes volantes dos Centros de Referência de Assistência Social no Rio Grande do Norte

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 27/05/2015
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  • A compreensão da Assistência Social como política pública tem como um dos principais pressupostos o princípio da territorialização, que significa o reconhecimento de que as particularidades do território fazem diferença no manejo da política. Para operacionalizar esse e outros princípios, a Política Nacional de Assistência Social organiza-se no Sistema Único da Assistência Social (SUAS) que, por sua vez, hierarquiza-se em proteção social básica e especial. A organização da proteção social básica é de responsabilidade dos CRAS, cujo objetivo é atuar no âmbito da prevenção de riscos sociais por meio do desenvolvimento de potencialidades e do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Em contextos em que o território possui grande extensão, espalhamento, difícil acesso e ou presença de populações tradicionais, como comunidades indígenas e quilombolas, Equipes Volantes são implantadas para compor a equipe dos CRAS. No Rio Grande do Norte, essas equipes estão presentes em municípios de pequeno porte e próximas a áreas rurais, onde estão os grandes focos da pobreza extrema. Diante dessa realidade, o objetivo geral desta dissertação foi investigar como as ações das equipes volantes de CRAS respondem às demandas de seus territórios de abrangência no Rio Grande do Norte. Para isso, foram mapeadas todas as equipes volantes existentes e em funcionamento no estado e, em seguida, realizadas oito entrevistas semiestruturadas com equipes atuantes em sete municípios de pequeno porte do RN. As informações foram sistematizadas e agrupadas em categorias gerais para análise qualitativa do conteúdo textual, na tentativa de apreender a realidade investigada em sua totalidade e processualidade. Os resultados apontam que as equipes volantes investigadas ainda são recentes no estado, compostas predominantemente por assistentes sociais, mas profissionais da psicologia e pedagogia também fazem parte de algumas delas. De um modo geral, diante da recenticidade, da falta de infraestrutura e da quantidade de comunidades rurais espalhadas pelos territórios, a presença das equipes nas áreas rurais se torna esporádica e acaba por fragilizar a continuidade das ações. Aliado a isso, o conhecimento das profissionais sobre a realidade dos territórios ainda aparenta ser precário, pois a busca pelas demandas e necessidades das famílias não é sistemática e organizada. Por outro lado, foi possível identificar que algumas equipes realizam estratégias e ações que buscam romper com os limites existentes e com as práticas assistencialistas tradicionais, promovendo articulação com organizações comunitárias, movimentos sociais e outros equipamentos sociais que estão mais próximos às famílias.

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  • POLIANA CARNEIRO DE MEDEIROS AGUIRRE GONZALEZ
  • Habilidades, Hábitos e Atitudes de estudo e seus efeitos no desempenho acadêmico universitário

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 08/06/2015
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  • Nas últimas décadas, com a democratização do acesso ao ensino superior brasileiro e as elevadas taxas de retenção e evasão universitárias, investigações sobre a forma como os alunos estudam e que recursos utilizam no processo de aprendizagem são fundamentais diante da complexidade de fatores que envolvem o sucesso acadêmico. O objetivo desta pesquisa foi investigar as habilidades, hábitos e atitudes de estudo (HHA) utilizados por universitários e sua relação com o desempenho acadêmico. Tratou-se de um estudo de ampla abrangência, descritivo, observacional, com desenho ex post facto retrospectivo, realizado com estudantes dos cursos de graduação presencial da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), considerando as especificidades das áreas do conhecimento (Biociências/CB, Exatas/CCET, Saúde/CCS, Humanas /CCHLA, Sociais Aplicadas/CCSA e Tecnológica/CT.   A amostra correspondeu a 1.443 estudantes assistidos em 55 cursos de graduação, sendo a maioria mulheres (56%), com faixa etária predominante de 19-23 anos (54,7%), solteiros (92,4%), com renda familiar predominante de 1 até 5 salários mínimos (65,8%) e que fizeram o Ensino Médio todo em escola particular (44,1%) e pública (36, 7%).  O instrumento utilizado foi um questionário online, com respostas em escala likert, desenvolvido pela mestranda e colaboradores, e aplicado pelo sistema de informação adotado pela universidade (SIGAA), O instrumento abordou variáveis sócio demográficas e de HHA (condições de estudo, motivação, gerenciamento do tempo e planejamento de estudos, aproveitamento da aula, uso de tecnologias e otimização da leitura). Para análise dos dados foram realizadas análises estatísticas descritivas (frequência relativa e absoluta) e inferencial (correlação, análise de variância e regressão linear múltipla), tendo como variável dependente o Índice de Eficiência Acadêmica (IEA) adotado pela universidade. Os resultados mostraram que as áreas que tiveram maior eficiência no modelo de regressão foram: Exatas (R²=0,57), Tecnológica (R²=0,29), Biociências (R²=0,26) e Humanas (R²=0,20). Como variáveis de HHA preditoras para o desempenho acadêmico comuns entre as áreas encontrou-se: o gosto pelos estudos, estabelecer metas, organizar as anotações das matérias para evitar acúmulos, cumprir calendário e horários de estudo, participação e assiduidade nas aulas e fazer resumos das leituras. Quanto as particularidades de cada área observou-se que os alunos de exatas parecem sentir-se motivados ao serem desafiados à aprender coisas novas, os da saúde referem-se a atitude de valorizar seus estudos reconhecendo os benefícios para a vida profissional, os alunos de biociências ressaltaram a distribuição de períodos para fazer atividades físicas, os da tecnológica referiram anotar as explicações do professor para voltar a lê-las posteriormente, os da sociais aplicadas reportaram a leitura complementar indicada pelo professor e os alunos de humanas indicaram o hábito de ler livros de sua área específica. Concluiu-se que identificar, caracterizar e verificar o reconhecimento dos acadêmicos quanto a importância das HHAs de estudo nas áreas do conhecimento, propicia as instituições de ensino superior (IES) repensarem suas metodologias de ensino, seus indicadores e avaliações de desempenho, buscando também incentivar a criação de programas de orientações de estudo que promovam a eficiência acadêmica e o sucesso profissional. 

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  • LAURA CAROLINA LEMOS ARAGÃO
  • DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO TDA/H: INVESTIGAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS POR DIFERENTES CATEGORIAS PROFISSIONAIS DA CIDADE DE NATAL-RN


  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 19/06/2015
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  • O TDA/H é um dos transtornos mentais mais comuns na infância e adolescência e contempla uma complexa combinação de déficits neurocognitivos, os quais culminam no desenvolvimento inapropriado de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. A indefinição etiológica, bem como a influência de fatores socioculturais sobre sua sintomatologia, refletem a complexidade subjacente a tal transtorno. Diante da variabilidade de ferramentas e etapas constituintes da avaliação diagnóstica, além das diversas proposições terapêuticas sugeridas pela literatura, buscou-se investigar como médicos, psicólogos e psicopedagogos da cidade de Natal-RN têm realizado ou contribuído para o diagnóstico e a intervenção junto a crianças e adolescentes com hipótese diagnóstica de TDA/H. Participaram desse estudo 34 profissionais, selecionados por conveniência, com os quais foi realizado procedimento de entrevista, orientado por roteiro semi-estruturado. Após a categorização das informações seguiu-se à análise descritiva multidimensional do tipo Clusters. Como resultados, evidenciou-se a partição do efetivo global em dois agrupamentos: Grupo 1, predominantemente composto por profissionais com formação médica e Grupo 2, constituídos por profissionais das áreas da psicologia e psicopedagogia. A variável “Número de sessões”, ou seja, tempo necessário para o diagnóstico, foi aquela de maior força estatística na segmentação entre os grupos, seguida das variáveis “Formação Profissional” e “Uso de instrumentos diagnósticos”. As variáveis “Comorbidade”, “Definição do TDA/H” e “Modalidades de Intervenção” demonstraram contribuição na partição dos clusters, apesar de refletirem menor força. A despeito da similaridade entre os grupos, constatou-se associações específicas entre a formação acadêmica do profissional e as modalidades diagnósticas/interventivas utilizadas junto ao TDA/H, o que sugere a presença de heterogeneidade na compreensão do transtorno em relação às diferentes categorias profissionais.

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  • JOATA SOARES COELHO ALVES
  • Trabalho emocional como preditor de burnout entre policiais militares

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 14/07/2015
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  • O objetivo desta pesquisa foi verificar o papel preditor do trabalho emocional na incidência de burnout em policiais militares. Participaram 525 profissionais militares do estado de Rio Grande do Norte, Brasil. Os instrumentos utilizados foram a Emotional Labour Scale, a Emotion Work Requirements Scale e a subescala de exaustão emocional do Maslach Burnout Inventory for Human Service Survey, previamente adaptados para o português. As duas primeiras escalas passaram por uma validação cruzada, e foi realizada uma regressão múltipla com os fatores delas derivados e variáveis sociodemográficas. Os resultados indicam que estes fatores do trabalho: emocional variedade e intensidade das emoções, frequência de interação com suspeitos e criminosos, atuação profunda e atuação superficial, e a necessidade de expressar emoções positivas como parte do trabalho policial foram preditores de exaustação emocional e incidência de burnout. As variáveis sociodemográficas: ensino médio completo, ser Cabo, e atuar no serviço externo também tiveram um poder preditivo sobre o burnout. O presente estudo, ao elucidar as características do manejo das emoções em resposta às necessidades organizacionais do trabalho na PM, e o impacto disso sobre um adoecimento prevalente nesta população, contribui não apenas com a literatura sobre a temática, que no Brasil é escassa, mas com informações que podem fomentar a criação de políticas de saúde mais efetivas e atentas aos aspectos emocionais do trabalho policial, que muitas vezes são negligenciados.

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  • YASMIN MAKHAMID MAKHAMED
  • Suporte organizacional e desenvolvimento de competências empreendedoras em empresas juniores no Brasil


  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 28/07/2015
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  • O empreendedorismo surge no contexto atual como um gerador de emprego e renda e uma alternativa ao desemprego. Discute-se ainda, a importância da formação empreendedora no ensino superior, de modo a possibilitar o desenvolvimento de competências para diferentes possibilidades de empregabilidade. O fomento ao empreendedorismo é um dos objetivos do Movimento Empresa Júnior, sendo o Brasil o país que concentra o maior número de empresas juniores no mundo. O objetivo do estudo foi investigar o desenvolvimento de competências empreendedoras de estudantes universitários participantes do Movimento Empresa Júnior no Brasil. Participaram da pesquisa 796 estudantes universitários das cinco regiões brasileiras que estivessem vinculados a uma empresa júnior no momento da pesquisa. Os instrumentos utilizados foram o Inventário de Competências Empreendedoras de Man adaptado e a Escala de Suporte à Aprendizagem Informal no Trabalho, o primeiro foi adaptado semanticamente para o português brasileiro e passou por uma validação cruzada e o segundo foi revalidado. Foi realizada uma regressão linear múltipla, a partir da qual foi possível identificar os fatores de suporte da empresa júnior e suporte dos colegas como variáveis preditoras dos cinco fatores de competências empreendedoras encontrados nesse estudo (competências de gestão estratégica, competências conceituais, competências de gestão de pessoas, competências de relacionamento e competências de oportunidade). Esses resultados podem contribuir para o reconhecimento das empresas juniores como um possível campo de formação empreendedora e para uma avaliação crítica do próprio movimento sobre o seu papel no desenvolvimento de competências dos estudantes universitários brasileiros. Além disso, pode contribuir metodologicamente com os estudos de competências empreendedoras no país.

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  • ANA ISAURA BENFICA TEIXEIRA
  • O SABER NA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA DE ORIENTAÇÃO FREUDO-LACANIANA: UM ESTUDO TEÓRICO

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 31/07/2015
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  • Este trabalho partiu de uma questão de investigação, a saber, o que autoriza uma criança a aprender, levantada a partir do atendimento a uma criança de 09 anos no serviço escola de uma universidade privada localizada em Natal, cuja queixa remetia a uma desordem de aprendizagem, mais especificamente, a não formalização da leitura e da escrita. Ao empreender um levantamento da bibliografia psicanalítica freudo-lacaniana sobre o aprender, encontramos o conceito de saber como fundamental para a análise desta questão o que nos levou a investigar a trajetória da sua construção em Freud e Lacan, na perspectiva de lançar luzes à sua relação com o aprender. Trata-se de uma pesquisa do tipo teórica com a proposta de revisitar o conceito de saber na obra de Freud e ensino de Lacan, na qual o caso serviu apenas como disparador da questão deste trabalho. Encontramos que em ambos os autores citados, o conceito de saber encontra-se associado de forma exclusiva ao inconsciente, podendo ser articulado ao aprender pela via do desejo de saber. Conclui-se que a aprendizagem é um processo que implica o saber inconsciente. Conseqüentemente, as desordens de aprendizagem podem articular-se ao impossível em jogo no desejo de saber, ao encontrarem-se alienadas a significantes daquilo que opera como proibido ao saber, quando não referidas apenas ou também de aspectos pedagógicos e/ou escolares. Isso nos demonstra que as queixas que chegam à clínica podem ilustrar impasses vividos pelo falante, relacionados a questões subjetivas. Os desvios à possibilidade do aprender podem indicar, nesses casos, uma manifestação daquilo que é singular e da própria impossibilidade de generalização quando se trata de sujeitos. Com isso, atestamos também que as relações do sujeito com o saber produzem efeitos nos processos de aprendizagem.

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  • ANA MARIA SOUZA MOREIRA
  • Efeitos de um programa de treino cognitivo e das técnicas de higiene do sono para as funções executivas e para a qualidade de sono em idosos saudáveis

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 31/07/2015
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  • O processo de envelhecimento provoca alterações no padrão de sono/vigília dos idosos, prejudicando assim suas capacidades cognitivas, em especial o funcionamento executivo, que já sofre perdas pelo avançar da idade. A literatura aponta que funções executivas e qualidade do sono preservadas são fundamentais para manutenção de boa qualidade de vida e autonomia dos idosos, sendo necessárias intervenções que visem minimizar os impactos das perdas ocorridas pelo processo de envelhecimento. Nesse sentido, objetivou-se com esse estudo avaliar o efeito de um programa de treino cognitivo e das técnicas de higiene do sono para as funções executivas e para a qualidade de sono em idosos saudáveis. Participaram da pesquisa 41 idosos saudáveis, de ambos os sexos, que foram divididos aleatoriamente em quatro grupos distintos (grupo controle [GC], grupo treino cognitivo [CTC], grupo higiene do sono [GHS] e grupo treino + higiene [GTH]). A pesquisa aconteceu em três etapas: 1ª- avaliação inicial da cognição e do sono; 2ª- intervenção específica destinada a cada grupo; e 3ª- reavaliação pós-intervenção. Os resultados mostraram que o GTC teve melhoras significativas em tarefas de flexibilidade cognitiva, planejamento, fluência verbal e alguns aspectos da memória episódica, além de ganhos na qualidade de sono e diminuição da sonolência excessiva diurna. O GHS também melhorou a qualidade do sono e a sonolência diurna e teve melhoras significativas em capacidade de insights, planejamento, atenção e em todos os aspetos avaliados da memória episódica. O GTH teve ganhos significativos na flexibilidade cognitiva, na resolução de problemas, na fluência verbal, na atenção e na memória episódica. O GC apresentou  piora significativa na sonolência excessiva diurna na capacidade de planejamento. Dessa forma, conclui-se que as intervenções de treino cognitivo e higiene do sono são estratégias úteis na melhora do desempenho cognitivo e da qualidade de sono de idosos saudáveis.

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  • ANA CRISTINA CAVALCANTI TINOCO
  • Representações sociais do trabalho e da qualidade de vida para servidores de bibliotecas universitárias

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 07/08/2015
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  • I

    As bibliotecas acadêmicas brasileiras se multiplicaram e modernizaram a partir das avaliações obrigatórias do Sistema Federal de Educação Superior. Na UFRN, o Sistema é composto por 22 bibliotecas. Fatores como gestão tradicional, crenças e valores divergentes, tarefas repetitivas, entediantes, ou desafiadoras, que demandam tecnologias atuais e o funcionamento extenso das bibliotecas são objetos de tensões e conflitos que parecem atingir o trabalho e outras dimensões da vida. As questões da pesquisa se voltaram para compreensões consensuais sobre trabalho e qualidade de vida (QV) dos servidores dessas bibliotecas, para identificar possíveis aproximações entre os fenômenos. O estudo tem base na Teoria das Representações Sociais (TRS) de Serge Moscovici, utiliza principalmente a Abordagem Dimensional, além da Abordagem Dinâmica de Denise Jodelet. O objetivo é caracterizar as representações sociais de trabalho, da QV e analisar possíveis associações entre os fenômenos. Apresenta abordagem mista concomitante, com predominância de aspectos qualitativos, delineamento exploratório, descritivo e transversal, do tipo compreensivo com levantamento de dados. Foram realizadas 30 entrevistas semiestruturadas individuais, com questões abertas monotemáticas sobre trabalho e QV, questões objetivas sobre comportamentos e atitudes relacionados aos fenômenos estudados; percepção subjetiva da qualidade de vida (WHOQOL-Bref), dados sociodemográficos e laborais para delinear o perfil dos participantes. As entrevistas analisadas com auxílio de um software de análise textual e os dados objetivos com estatística descritiva e inferencial. Os resultados revelaram RS do trabalho heterogêneas. O trabalho foi vinculado a prazer, equilíbrio, harmonia, oportunidade de crescimento, mas também a subsistência, obrigação, responsabilidade e dever. Nas RS de QV o conteúdo também se mostrou polissêmico. A QV foi vinculada especialmente ao desejo de equilíbrio (família x trabalho, saúde x dinheiro, emocional x físico), chamando atenção para a importância das relações sociais (família, amigos, colegas de trabalho) na obtenção de maior QV. Nas análises estatísticas há poucas variações nas idades, no entanto, quanto maior a idade menor o escore de QV no WHOQOL-Bref. Em média os participantes obtiveram bons escores na percepção de QV. Menores escores para o domínio ambiente mostraram insatisfação com aspectos ergonômicos do trabalho. Espera-se, com a divulgação, contribuir para novos olhares sobre o trabalho e a qualidade de vida; fomentar indicações e diretrizes para ações de gestão e fortalecer políticas institucionais.

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  • BEATRIZ FERREIRA BARBALHO
  • O (RE)ENCONTRO COM A ESPIRITUALIDADE FEMININA NA GESTAÇÃO E NO PARTO: SIGNIFICADOS E IMPLICAÇÕES PARA UM CUIDADO HUMANIZADO

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 25/08/2015
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  • A busca por caminhos mais respeitosos no gestar e parir, vivida desde os anos 50 e que tenta se consolidar na atualidade com o movimento de ‘Humanização do Parto’, parece contribuir em novas subjetivações da feminilidade e corporeidades, estando as vivências de cunho espiritual nesses momentos cada vez mais relatada pelas mulheres. Nesta direção, buscamos compreender a presença de dimensões da espiritualidade e do sagrado feminino na vivência da gestação e parto, e suas contribuições para um cuidado humanizado, por meio de uma pesquisa de natureza qualitativa utilizando como instrumento metodológico a entrevista em profundidade e oficina com utilização de técnicas expressivas e projetivas. Para análise interpretativa das narrativas recorremos à Hermenêutica-dialética. A partir do diálogo com as narrativas chegamos aos seguintes eixos temáticos: 1) Espiritualidades: compreendendo seus significados; 2) Caminhos para um cuidado humanizado na gestação e no parto: concepções e percursos; 3) A espiritualidade na gestação e no parto: um reencontro com o sagrado feminino? Nas narrativas das mulheres, Espiritualidade é uma dimensão interna do ser expressa como força invisível e imensurável, e como conexão com o Eu verdadeiro manifesto no sagrado em relação com o divino (interno) e com a vida (transcendente). Suas concepções sobre um parto humanizado o definem a partir de características como respeito, acolhimento e informação; sendo também adjetivado como um parto natural, relacionado à assistência hospitalar. Em suas vivências, algumas mulheres encontraram aproximação com suas concepções, pelo respeito e acolhimento presentes; e outras não. As Deusas do Parto esculpidas pelas mulheres nos revelou os arquétipos e significados espirituais vividos por elas em suas gestações e partos, a partir dos quais foi possível apreendermos alguns recados para a humanização desses momentos: A Deusa do Tempo mostra a necessidade do respeito ao ritmo interno de cada mulher; a Deusa da Purificação diz que é preciso acolher as sombras que vêm à tona na gestação e no parto; a Deusa do Crescimento fala do acolhimento ao arquétipo da Filha, que se tornar Mãe, durante os momentos duais inerente ao maternar; a Deusa Medusa diz da dor do parto que é aliada, sugerindo uma educação que estimule a consciência corporal; a Deusa Ísis mostra a possibilidade de unir feminino e masculino em busca da unidade e da manifestação da sabedoria interna de cada mulher; e a Deusa do Sussurar nos indica a necessidade de um Cuidado na gestação e parto que insira a dimensão espiritual do ser. A espiritualidade se mostra como uma porta para o re-encontro com um poder interno que habita o corpo feminino e que se manifesta como uma espiritualidade corporificada no útero gravídico e no corpo que pare, o que denominamos Espiritualidade Feminina, entendida aqui como sinônimo de Sagrado Feminino. Este estudo ao defender que a assunção da espiritualidade na gestação e no parto pode ser um caminho para a efetivação de um parto humanizado e integral, arrisca sugerir que a psicologia e as práticas do cuidado em saúde possam também (re)encontrar-se com essa dimensão, o que poderá contribuir para um saber-fazer que inclua o espiritual ao cuidar das dores e alegrias de outro ser.

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  • ISABEL LOPES DOS SANTOS KEPPLER
  • A Atuação dos Psicólogos nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 28/08/2015
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  • O campo da Saúde do Trabalhador não está presente, ou aparece de forma limitada na formação do Psicólogo. No entanto observa-se de um lado, como fruto da expansão dos cursos de Psicologia, a oferta cada vez maior de profissionais para atuar não só na área do Trabalho como em diversas outras. De outro, uma demanda (das empresas, do Estado e mesmo dos trabalhadores, nos sindicatos) para que as áreas psi respondam aos impactos do trabalho (e da ausência, no caso do desemprego) na saúde mental. O campo da Saúde do Trabalhador se consolida como política pública no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988, e em 2002, os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) torna-se a principal política, considerado “polo irradiador”. O psicólogo atua nessas unidades de referência desde a sua formação e compreende-se a importância de investigar a sua atuação. O presente trabalho é um estudo sobre a articulação entre a atuação dos psicólogos nos CERESTs e o campo teórico-político da Saúde do Trabalhador. Para tanto, foi realizado um questionário on line com psicólogos que atuam nos CERESTs, em que obteve-se 48 respostas. A análise é dividida em quatro tópicos: (1) dados e perfil do psicólogo, (2) atividades do psicólogo no CEREST, (3) cenário do serviço e da política e (4) estratégias de ação. O estudo apresentou limites presentes desde a formação à prática cotidiana, e permitiu compreender as dificuldades em efetivar as propostas em Saúde do Trabalhador diante das condições impostas por um modelo de Estado neoliberal, mais do que relacionadas ao compromisso ou não do profissional. Além de identificar tais limites, também aponta estratégias de ação para uma atuação mais alinhada com o campo, algumas propostas pelos profissionais.

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  • ANTONIMÁRIA BANDEIRA DE FREITAS OLIVEIRA
  • Produção De Sentidos Sobre A Militância Política De Mulheres Vinculadas Ao MST/ RN

  • Orientador : JADER FERREIRA LEITE
  • Data: 04/12/2015
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  • Estudos apontam que o tema das relações de gênero no interior do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) vem incorporando, no conjunto dos seus discursos e práticas cotidianas, algumas discussões de orientação feminista. Diante disso, o presente estudo objetivou investigar a produção de sentidos sobre a militância política de mulheres vinculadas ao MST no Rio Grande do Norte. Os objetivos específicos buscaram identificar as permanências e rupturas em relação ao papel feminino no âmbito familiar das mulheres militantes e investigar o posicionamento discursivo das militantes em torno do trabalho. O estudo configura-se como uma pesquisa qualitativa, onde nesta participaram seis mulheres militantes vinculadas ao MST no RN. Estas ocupam as funções de coordenação ou liderança no movimento. Utilizamos como instrumento de acesso ao fenômeno a entrevista semi estruturada, orientadas inicialmente por questões disparadoras que incluíam, dentre outras, as dimensões: militância política, família e trabalho. Os discursos foram analisados a partir de uma categorização inicial, tomando por base os eixos norteadores: militância, família e trabalho. Os sentidos da militância apontam para: contribuição, esperança, reconhecimento, transformação, conscientização e luta. Os resultados evidenciam que há sempre em jogo um discurso de positivação da vida, das conquistas por meio do processo de formação política e de um novo lugar enquanto mulher. Estes vêm justificados pelo investimento coletivo de luta, não só pelo acesso à terra, mas por conquistas de direitos sociais. Por fim, o MST se interpõe como um agenciamento discursivo que contribui para produzir nessas mulheres não apenas vias ao exercício da participação política, mas do exercício enquanto sujeitos coletivos.

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  • ÉLIDA MAYARA DA NÓBREGA CUNHA
  • “Oi, meu nome é Ana” – Um estudo fenomenológico-existencial da experiência de mulheres com anorexia nervosa.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 11/12/2015
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  • Esta pesquisa aborda a anorexia nervosa (AN) pelo olhar de pessoas que viveram essa experiência. Os Transtornos Alimentares (TAs) têm se apresentado como psicopatologias cada vez mais recorrentes na contemporaneidade, sendo sua incidência quase duplicada nos últimos 20 anos, atingindo, principalmente, adolescentes e trazendo conseqüências e implicações de diversas naturezas. A literatura aponta para a relevância do atual ideal de beleza, no qual a magreza é hipervalorizada. Diante deste cenário o objetivo do estudo foi compreender, a partir de uma perspectiva fenomenológico-existencial, a experiência de anorexia. Nesse sentido, ao se acessar a experiência, busca-se a compreensão dos possíveis sentidos que o não-comer tem para a pessoa que vivencia tal experiência. A pesquisa, de inspiração fenomenológico-existencial heideggeriana, utilizou entrevistas semi-abertas como meio de acesso à experiência. Foram entrevistadas duas pessoas do sexo feminino, com a idade de 17 e 30 anos, iniciadas com uma pergunta disparadora (“Como foi, ou como é, a sua vivência de anorexia?”), que permitiu à entrevistada falar sobre a sua experiência. Para a seleção das participantes da pesquisa houve divulgação entre os profissionais da área da saúde, assim como nas redes sociais e blogs, em que foram explicitados os objetivos da pesquisa e critérios de participação. O diário de campo também foi utilizado como recurso metodológico, buscando uma maior aproximação das experiências das entrevistadas e da pesquisadora. As entrevistas foram interpretadas à luz da hermenêutica heideggeriana Os sentidos desvelados nas narrativas revelaram questões para além da questão física e patológica, estando envolvidos família, desejos, amigos, experiências, projetos de vida. O corporar, tal como pensado por Martin Heidegger, se fez muito presente nas falas das entrevistadas, uma vez que faz parte da existência. Dentre as ideias heideggerianas, ressalta-se o cuidado, inospitalidade, habitar, tédio, abertura às possibilidades e facticidade, que puderam ser discutidos a partir das falas das entrevistadas, gerando reflexões acerca dos seus sentidos, em suas existências.

Teses
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  • RAQUEL FARIAS DINIZ
  • Experiências de vida e a formação do compromisso pró-ecológico.

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 06/02/2015
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  • O que leva uma pessoa a cuidar do meio ambiente? Diversas investigações no campo das relações pessoa-ambiente têm se dedicado a essa questão. Inserida nesse escopo, a presente investigação buscou contribuir para a construção do conhecimento sobre o compromisso pró-ecológico (CPE), definido como a relação cognitiva e afetiva que as pessoas estabelecem com o meio ambiente, de modo a atuar em favor do mesmo. O objetivo geral foi investigar a implicação de experiências de vida na formação do CPE. Sob um enfoque interpretativo, foi utilizada uma abordagem metodológica de base qualitativa, composta por dois estudos. No Estudo 1 foram analisados: a) relatos biográficos de pesquisadores pioneiros das relações pessoa-ambiente; e b) relatos biográficos de pessoas com ativismo socioambiental reconhecido em âmbito internacional. No Estudo 2 participaram 29 pessoas socialmente percebidas como compromissadas pró-ecologicamente (via indicação por pares), com idades entre 23 e 79 anos que, em entrevistas semiestruturadas, narraram as experiências de vida significativas para a formação do seu CPE. As entrevistas foram gravadas e transcritas, com autorização prévia. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo interpretativa, que visou a identificar, analisar e reportar temas significativos e recorrentes. Como principais resultados, foram identificadas distinções no processo de formação do CPE em função dos contextos histórico e socioambiental que circunscrevem as experiências de vida. Os relatos contemplaram experiências já investigadas, como o contato com a natureza, influência de familiares e amigos, contextos de educação (escola, universidade) e profissional. Contudo, emergiram novas experiências como morar no exterior, contato com culturas diferentes (e.g., povos tradicionais), práticas alternativas (e.g., meditação, ioga), espiritualidade (e.g., xamanismo, Santo Daime). Discute-se a relevância das interações com/nos ambientes, o aspecto emocional e o apreço pela diversidade. Esta investigação amplia a discussão sobre os determinantes do CPE, servindo tanto ao campo interventivo quanto ao direcionamento de futuras investigações.

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  • MELINA SEFORA SOUZA REBOUCAS
  • ABORTO: UM FENÔMENO SEM LUGAR. UMA EXPERIÊNCIA DE PLANTÃO PSICOLÓGICO A MULHERES EM SITUAÇÃO DE ABORTAMENTO.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 27/03/2015
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  • O presente estudo discorre sobre a experiência de um serviço de plantão psicológico na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) na cidade de Natal e apresenta como objetivo principal investigar os limites e possibilidades dessa prática ao oferecer atendimento para mulheres em situação de abortamento. O Ministério da Saúde considera o aborto um grave problema de saúde pública no Brasil e reconhece as repercussões que este provoca na vida pessoal e familiar das mulheres, principalmente as jovens, em plena idade produtiva e reprodutiva, que se não forem amparadas podem sofrer graves sequelas físicas e psicológicas. Esta pesquisa insere-se no campo das práticas psicológicas em instituição e visam oferecer, por meio de modalidades diversas, entre as quais o plantão psicológico, uma atenção psicológica nas instituições. A atenção refere-se ao acolhimento do sofrimento no momento da crise e nos mais diversos contextos onde se faça presente uma demanda. Os resultados foram analisados à luz da hermenêutica heideggeriana, que busca um determinado aspecto da realidade que se pretende conhecer/compreender, acompanhando o próprio movimento do homem em sua existência. Elegemos a cartografia e o diário de bordo escrito na forma de narrativa como recursos que possibilitam uma aproximação da experiência cotidiana. O plantão foi realizado no setor de curetagem da MEJC no período de março de 2013 a fevereiro de 2014, todas as terças e quintas, das 9h às 12h. A trama existencial destecida nessa experiência revelou algumas possibilidades e limites da prática do plantão no contexto estudado. Entre as possibilidades, o plantão favoreceu às mulheres em situação de abortamento a produção de novos sentidos, como: perceber a necessidade de retomar o cuidado de si; ver no encaminhamento para a psicoterapia uma possibilidade de lidar com a perda vivenciada ou com outras questões de suas vidas; ampliar suas possibilidades de escolha; repensar sua vida sexual e reprodutiva, e rever suas relações afetivas e seus projetos de vida. O plantão apresentou-se como um dispositivo de cuidado em saúde ao sensibilizar as mulheres a buscar as condições necessárias para cuidar de sua saúde e a questionar o que naquele ambiente era encarado como natural. O plantão revelou-se como uma prática condizente com as demandas da saúde pública ao criar/inventar modos de atender às necessidades das mulheres. O plantão promoveu uma abertura no horizonte técnico das mulheres, o que foi visto a partir do aparecimento de demandas para além da saúde física. Quanto aos limites, algumas demandas extrapolaram o serviço de plantão e exigiram encaminhamento para acompanhamento psicológico e outros serviços especializados. O plantão não conseguiu abarcar a totalidade das demandas existentes no setor. O plantão não sensibilizou a equipe de saúde quanto à sua procura e quanto a uma mudança de postura para além do saber técnico. O plantão embora não tenha realizado mudanças concretas nesse contexto, denunciou suas principais dificuldades, como o despreparo da equipe de saúde em lidar com o aborto para além dos procedimentos técnicos, e a precariedade da infraestrutura e dos serviços oferecidos. Por fim, o plantão representou uma morada para as mulheres em situação de abortamento permitindo que o seu sofrimento tivesse um lugar.

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  • RAFAEL DE ALBUQUERQUE FIGUEIRO
  • Cartografia do trabalho de agentes penitenciários: Reflexões sobre o “dispositivo prisão”

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 22/05/2015
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  • O sistema prisional brasileiro vem atravessando grave crise, não só pelo crescimento do número de presos e consequente superlotação de unidades prisionais, mas também pela violação de direitos humanos, institucionalização e dificuldade de reinserção social dos apenados. Além disso, os efeitos nocivos do sistema prisional afetam seus trabalhadores, geralmente não priorizados por pesquisadores, programas de saúde e políticas governamentais. A literatura vem apontando para algumas consequências do trabalho no cárcere, dentre elas, o adoecimento psíquico, stress, uso abusivo de álcool, etc., mas pouco se sabe sobre essa categoria profissional, seus problemas, as dificuldades de sua rotina de trabalho, assim como os processos de subjetivação envolvidos. Assim, quais os efeitos do trabalho no cárcere na vida dos agentes penitenciários (AP)? Que estratégias desenvolvem para enfrentar o trabalho na prisão? Essa pesquisa tem por objetivo analisar os efeitos do trabalho no cárcere na vida de agentes penitenciários do presídio estadual de Parnamirim, localizado na região metropolitana de Natal-RN. Dentro da perspectiva teórico-metodológica da análise institucional e da cartografia foram realizadas rodas de conversa, entrevistas, além da observação participante da rotina de trabalho dos AP. Os resultados apontam para uma rotina laboral marcada pela realização de procedimentos que envolvem risco ao trabalhador, gerando situações de tensão e stress. Além disso, a cultura da violência (que se desenvolve no dia a dia da prisão) e o processo de formação e aprendizado inicial da profissão, são responsáveis pelo processo de militarização das subjetividades dos AP, produzindo sujeitos duros, disciplinados, enrijecidos, propensos a práticas violentas e demais violações de direitos. Outros efeitos mapeados dizem respeito à aquisição de saberes sobre o homem (saberes “psi”) responsáveis por forjar a concepção do criminoso como “sujeito perigoso”, o que, por sua vez, age como vetor de subjetivação no dia a dia dos agentes penitenciários, configurando um modo de vida atravessado pelo medo e pela insegurança fora do ambiente de trabalho. Produz-se um controle a céu aberto sobre suas vidas e de seus familiares, limitando-os no que diz respeito ao convívio familiar e comunitário e à realização de atividades de lazer em espaços públicos. Nessa direção, constata-se que a prisão age produzindo “maus encontros” (a partir da perspectiva de Espinosa), ao produzir afetos tristes responsáveis por enfraquecer o conatus, limitando as possibilidades de ação desses sujeitos. Embora os agentes desenvolvam algumas estratégias para lidar com as dificuldades do trabalho no cárcere (dentre as quais destacam-se o desenvolvimento de outras atividades profissionais ou de lazer, a espiritualidade/religiosidade e a capacidade de separar os momentos laborais daqueles destinados a vida pessoal dos AP), advoga-se que tais estratégias não oferecem uma resistência significativa, já que não questionam a lógica jurídico-penal contemporânea. Assim, a tese apresentada defende as propostas do abolicionismo penal no sentido de propor outras concepções acerca do crime e da justiça, permitindo a invenção de outras estratégias prático-conceituais.

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  • MARCELO VIAL ROEHE
  • Concepção de ser humano subjacente à discussão sobre saúde na psicologia: um proposta de orientação heideggeriana

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 05/06/2015
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  • A crítica ao modelo biomédico é um tema recorrente em publicações de psicologia sobre saúde. O modelo é rejeitado devido à sua ênfase (1) na doença (2) como disfunção corporal. A posição presente nos trabalhos de psicologia que tratam do assunto é de que o modelo é reducionista, limitando a saúde a ser ausência de doença. As implicações da abordagem biomédica para o pensamento em saúde são o materialismo (corpóreo) de viés biológico e o mecanicismo fisiológico. Como contraponto à biomedicina e com o objetivo de apresentar uma visão ampliada do fenômeno, os trabalhos de psicologia revisados, conforme um método de leitura, destacam os aspectos contextuais e o papel do comportamento e do estilo de vida no processo saúde-doença. Nesta discussão, é possível vislumbrar a presença de uma concepção subjacente de homem, reforçada com a referência, em alguns trabalhos, ao pensamento de Descartes como sendo a origem das ideias inspiradoras do modelo biomédico. A argumentação das publicações de psicologia a respeito de saúde destaca características do fenômeno que implicam um modo de conceber o ser humano, a quem a saúde diz respeito. Esta tese desenvolve o entendimento de que a concepção de ser humano elaborada pelo filósofo alemão Martin Heidegger em sua Analítica do Dasein é compatível com as propostas dos trabalhos de psicologia acerca da saúde. Ou seja, o que as publicações de psicologia discutem a respeito da compreensão da saúde é relativo, de modo subjacente, a uma concepção de homem que possibilita o (novo) olhar sobre o fenômeno. O Dasein heideggeriano é uma visão de ser humano que se coaduna com a posição sobre saúde presente nos trabalhos de psicologia que estabelecem uma discussão a respeito do fenômeno, entendendo-se que a maneira como se concebe um fenômeno humano é coerente, ainda que de modo implícito, com um modo de compreender o homem. A consideração dos aspectos contextuais – como sociedade, ambiente e cultura – na abordagem da saúde remete à questão da relação entre homem e mundo, para a qual Heidegger desenvolveu a noção de ser-no-mundo. A atenção ao papel do comportamento na saúde aponta para a participação da própria pessoa em sua saúde, permitindo que se estabeleça um paralelo com o pensamento heideggeriano sobre a relação que o ser humano tem com seu próprio ser.

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  • SUELY ALENCAR ROCHA DE HOLANDA
  • ESCUTA EM GRUPO AOS PROFESSORES DO NEI/NAICAP-UFRN: UMA EXPERIÊNCIA ORIENTADA PELA PSICANÁLISE

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 08/06/2015
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  • Resumo: A tese se insere no campo da psicanálise, numa perspectiva freudo-lacaniana e trata da possibilidade de produção singular em contexto de grupo, a partir de experiência de escuta em grupo aos professores do NEICAp/UFRN, entre 2007 e 2009. A direção assumida na escuta distingue o desejo da demanda e sustenta um não saber no lugar do endereçamento das falas, promovendo a circulação da palavra e o esvaziamento das significações cristalizadas. A revisão de literatura sobre a prática analítica com grupos permite localizar que é em relação à orientação freudo-lacaniana que se justifica a questão tratada no trabalho. À luz da produção dos analistas lacanianos a especificidade da psicanálise articula-se ao tema da formação do analista, a partir do qual interrogam-se os limites de sua aplicação. Da orientação analítica assumida decorre a exigência ética de colocar em discussão a própria prática à luz dos fundamentos da psicanálise. A tese conta com quatro capítulos de aportes teóricos, três capítulos que trazem fragmentos da experiência, na forma de relatos clínicos e sua discussão à luz dos achados teóricos, e um capítulo de considerações finais. Os achados dessa experiência testemunham mudança de posição subjetiva das professoras, com consequências significativas para algumas crianças. Essas mudanças de posição subjetiva, verificadas nos relatos clínicos equivalem-se à retificação subjetiva. Conclui-se que esse dispositivo de escuta em grupo preserva a singularidade, promovendo efeitos analíticos e evidenciando a incidência da orientação analítica.

6
  • MAURA LIMA BEZERRA E SILVA
  • A atenção à crise e o apoio matricial: analisadores da Estratégia Atenção Psicossocial

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 12/06/2015
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  • A Política Nacional de Saúde Mental se caracteriza como uma política territorial-comunitária e tem a Estratégia Atenção Psicossocial (Eaps) como norteadora para a proposição e o desenvolvimento de suas ações. Em seu desenho, o CAPS é um equipamento estratégico dentro da Rede de Atenção Psicossocial/RAPS. O apoio matricial e a atenção à crise configuram frentes estratégicas de ação dos CAPS em sua missão substitutiva e, guiados pela bússola da desinstitucionalização, são essenciais para o êxito desses serviços. Defendemos que sustentar crises nos territórios existenciais de vida é uma condição para a efetivação da Atenção Psicossocial e, no limite, para a sustentabilidade da própria Reforma. Nesta direção, a ferramenta do apoio matricial se revela uma apoiadora territorial, intercessora e potente na construção de uma Atenção Psicossocial à crise. Reconhecidos como grandes desafios pelo Ministério da Saúde, avançar estas frentes se materializa para os trabalhadores em seus ofícios micropolíticos. A nossa pesquisa se coloca como um investimento na direção de potencializá-las e teve como objetivo conhecer a operacionalização da atenção à crise e do apoio matricial em um CAPS II, na perspectiva dos seus trabalhadores, bem como analisar tais práticas frente aos princípios e propósitos da Estratégia Atenção Psicossocial. Inspirados na pesquisa-intervenção e no ideário político-social da Análise Institucional, ofertamos um espaço de reflexão e troca, através de entrevistas de implicação, possibilitando que os trabalhadores se lançassem em análise das práticas na perspectiva da Eaps. Fizemos consulta documental ao Projeto Técnico do CAPS e uma etapa de restituição, organizada em formato de oficina e rodas de conversa. Lógicas institucionais competem no Serviço. Operando pela lógica do risco, dificuldades em sustentar situações de crises mais intensas foram identificadas, de modo que o hospital psiquiátrico termina sendo utilizado como um recurso de internação, principalmente diante de casos em que o elemento da agressividade se faz contundente, e quando os suportes do SAMU, dos CAPS III e dos Leitos de Atenção Integral não respondem a contento. Indicam-se fragilidades de ordem macro e micro interferindo no suporte da rede. As ações do matriciamento, mesmo identificadas como um potente recurso intercessor no cuidado à crise, apareceram enfraquecidas, apontando pouca porosidade na relação Serviço com o território. Marcadas pela lógica do atendimento domiciliar, sem operar prioritariamente como dispositivo de troca de saberes, vê-se pontos de captura na lógica da assistência, com produção de ambulatorização do CAPS, práticas assistencialistas e de “apaga-fogo”. Efeitos das ações de cuidado nos usuários são identificados pelos trabalhadores sem as repercussões desejadas no horizonte de expansão da vida e a Eaps, ainda que desponte como um norteador, não é vista como prática efetivada. Apesar de os resultados sinalizarem que a atenção à crise e as ações do matriciamento são desenvolvidas sem conexão tenaz com os propósitos da Eaps, casos exitosos são indicados tendo como principais fios condutores a tessitura micropolítica da intersetorialidade das ações, dos vínculos potentes e da participação do usuário em seu processo de cuidado, indicando forças insurgentes que tencionam por deslocamentos de lógicas tradicionais.

7
  • ANALUCIA DE LUCENA TORRES
  • O papel do ambiente residencial na qualidade de vida de idosos: um estudo exploratório em Cabedelo, Paraíba

  • Orientador : GLEICE VIRGINIA MEDEIROS DE AZAMBUJA ELALI
  • Data: 21/09/2015
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  • Na atualidade, o crescente envelhecimento populacional desafia a sociedade e as políticas públicas de saúde, pois o aumento da longevidade precisa estar associado à qualidade de vida. Para tanto, estar em ambiente físico e social adequado é um fator fundamental para o bem estar do idoso, sobretudo no ambiente habitacional - nessa tese entendido como o conjunto da casa (unidade de habitação) e do seu entorno (vizinhança próxima). Além disso, a legislação brasileira nesse setor indica a importância do idoso permanecer em casa e na família. Partindo desse quadro geral, o objetivo principal da pesquisa foi investigar foi investigar como o ambiente residencial (sócio-físico) influencia as atividades cotidianas e a qualidade de vida da pessoa idosa.  O estudo assumiu caráter exploratório e qualitativo, e recorreu a visitas domiciliares, sendo desenvolvido com base em estratégia multimétodos. O trabalho empírico foi realizado na cidade de Cabedelo-Paraíba, de novembro/2013 a fevereiro/2014. Participaram 36 idosos (31 mulheres e 5 homens), com idade entre 80 e 99 anos e baixa escolaridade, os quais moram na área a cerca de 39 anos (em média). Na primeira etapa da pesquisa foram aplicados questionários relativos aos dados sócio- demográficos e à habitabilidade da residência e do entorno. Na segunda etapa aconteceu entrevista com roteiro semiestruturado, utilizando gravação, e passeio acompanhado (com os que aceitaram fazê-lo). Ao longo de todo trabalho foi mantido um diário de campo pela pesquisadora e realizadas observações naturalísticas do comportamento dos idosos. Os dados quantitativos foram descritos por meio de estatística básica, e as informações provenientes das entrevistas foram analisadas através da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Dentre as ideias centrais que deles emergiram destacam-se: a representação da casa, o apoio da vizinhança e questões relacionadas à díade independência/autonomia. O estudo mostrou que os idosos desenvolvem forte apego ao lugar onde moram, entendem a importância dele para a sua saúde e desejam permanecer ali. Assim, embora no local onde moram eles vivenciem muitas barreiras (mais físicas do que sociais), eles se dizem satisfeitos. Como as casas são ambientalmente mais dóceis mudanças simples garantem um pouco de autonomia, independência e mobilidade aos idosos. Por sua vez, as barreiras do meio urbano aparentam ser mais difíceis de enfrentar, tornando este espaço inóspito à maioria dos participantes da pesquisa, condição que dificulta suas atividades físicas e sua participação social,  influenciando negativamente sua qualidade de vida.

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  • HELOISA KARMELINA CARVALHO DE SOUSA
  • Indicadores e fatores preditivos de uso abusivo de álcool em adultos jovens.


  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 13/11/2015
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  • O uso abusivo de álcool está intimamente relacionado à dependência e a prejuízos sociais ou do trabalho. Esta tese tem como objetivo geral elaborar um instrumento sobre o abuso do álcool, com a finalidade de diferenciar o grau de comprometimento do quadro sintomatológico, considerando seus fatores psicossociais de predição. Como objetivos específicos: I) caracterizar o estado da arte sobre avaliação relacionada ao abuso e dependência de álcool; II) investigar e sistematizar aspectos referentes aos fatores psicossociais preditivos para a dependência de álcool; III) construir um instrumento para avaliação de abuso de álcool e fatores de proteção e risco para desenvolvimento de dependência alcoólica; e IV) verificar evidências de validade do instrumento construído para a população brasileira. No Estudo I, observou-se que a prevalência de artigos referentes ao uso de álcool de forma problemática, sem classificação de dependência, é menor que a de artigos que investigam a doença já manifestada, além de escassos estudos sistemáticos sobre o tema de abuso de álcool no meio científico. No Estudo II, foram realizados grupos focais (GFs), as análises acerca dos discursos dos GFs foram feitas através do Software ALCESTE e pôde-se observar um padrão de respostas existente entre os participantes em diferentes grupos, com a geração de cinco classes. No Estudo III, foi desenvolvido um instrumento contemplando aspectos da Síndrome de Dependência de Álcool do Millon Clinical Multiaxial Inventory-III, além das características definidas no Estudo I e no Estudo II. A versão final do instrumento contou com 59 itens avaliados através de escala likert de cinco pontos. No estudo IV, a administração do mesmo foi realizada no formato on line em estudantes universitários entre 18 e 24 anos, residentes em cidades metropolitanas brasileiras. Os resultados evidenciaram que a consistência interna do instrumento é considerada como satisfatória e no que se referem as classes, os dados mais significativos foram os com relação a Perda Financeira e Critérios para diagnóstico de uso abusivo de álcool. É importante considerar o potencial avaliador de fatores protetivos e de risco para o desenvolvimento de dependência de álcool do instrumento como um todo. Uma vez que os indicadores de abuso e o perfil dos abusadores tenha sido identificado, o paciente pode a ter seu tratamento/intervenção voltado para o transtorno e/ou síndrome específica, tendo assim uma melhora rápida e aparente.

9
  • MARIA APARECIDA DE FRANCA GOMES
  • Serviços-Escola de Psicologia do Rio Grande do Norte: Formação Profissional e Política Pública de Saúde em debate

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 11/12/2015
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  • O Serviço-Escola de Psicologia constitui-se normativamente com um equipamento indispensável para o reconhecimento dos cursos de formação de psicólogos pelo Ministério da Educação brasileiro. A Política Pública de Saúde (Sistema Único de Saúde/SUS) vem se constituindo como campo de inserção da categoria profissional, mas apresenta enormes desafios à formação. O objetivo deste trabalho é analisar o funcionamento dos Serviços-Escola de Psicologia (SEP) das Instituições de Ensino Superior de Natal compreendidos enquanto dispositivos importantes da formação para atender às atuais demandas do trabalho do psicólogo no SUS. Para tanto buscou: a) caracterizar as práticas psicológicas desenvolvidas nos SEP; b) relacionar as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Psicologia com as habilidades e competências desenvolvidas nos SEP para atuação na política pública de saúde; c) mapear formas de inclusão dos SEP na rede delineada pela política de saúde. Foram realizadas entrevistas com 12 supervisores acadêmicos; 09 supervisores de campo e técnicos de nível superior (TNS) e 09 gestores, sendo 04 de Serviço-Escola e 05 dos cursos de graduação. Foram também aplicados questionários com 57 estagiários e 24 egressos. Além disso, realizou-se duas rodas de conversa com corpo técnico e acadêmico de duas das Instituições de Ensino participantes da pesquisa e uma oficina de trabalho com psicólogos e estudantes promovida pelo CRP 13. Observamos que a maioria dos gestores e docentes conhecem as DCN e compreendem que a formação está em processo de mudança no que se refere à ampliação da formação para atuação do psicólogo em variados contextos. Entretanto, a maioria dos TNS as desconhece. Ademais, os resultados apontam para a predominância do modelo de atenção baseado na psicologia clínica tradicional, embora a articulação com as redes das políticas públicas de saúde e assistência social já possa ser timidamente visualizada. Diferentes modalidades de práticas nesses Serviços-Escola foram detectadas como as rodas de conversa, oficinas temáticas, consultoria em organizações, reunião em equipe diária de estagiários e TNS, matriciamento em saúde mental, acompanhamento terapêutico, dentre outras. Contudo, os SEP do RN ainda se encontram isolados, seja dos demais cursos que compõem o rol de categorias profissionais que atuam na saúde, seja dos serviços que compõem as redes da política de saúde e demais políticas públicas.

2014
Dissertações
1
  • MARIANA CELA
  • O FAZER DO PSICÓLOGO NO NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 27/01/2014
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  • O Ministério da Saúde regulamente em 2008 o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) como um dispositivo de suporte e complementaridade da Estratégia Saúde da Família. O NASF, por meio do apoio matricial, potencializa as equipes Saúde da Família frente à grande variedade de demandas e atividades que se encontram sob seu encargo. Estruturam-se em equipes com profissionais de diversas especialidades da saúde, dentre as quais se encontra a saúde mental. Em estudos preliminares, observou-se que os psicólogos têm sido os principais representantes da saúde mental nos NASF instalados no Rio Grande do Norte. Diante deste quadro, este estudo se propõe a problematizar a prática profissional dos psicólogos que atuam em equipes NASF no RN, no que se refere aos modelos de atuação empregados, discutindo-as sob a ótica proposta pela saúde coletiva e pelos direcionamentos do SUS para a atenção básica. Objetiva-se ainda, de maneira mais específica: identificar as formas de inserção profissional do psicólogo neste campo; caracterizar o trabalho exercido pelo psicólogo no NASF (atividades desenvolvidas); e produzir uma análise das características e limites dessa ação, a partir das referências teórico-metodológicas fundadas na ontologia marxiana. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com psicólogos que atuam nas equipes NASF mais antigas do RN. Realizou-se a análise do material seguindo os blocos de informação: determinantes da entrada no psicólogo nos serviços; formação para a prática atual; funcionamento do NASF; atividades realizadas pela equipe NASF e pelo psicólogo; articulação de ações; e limites da atuação do psicólogo no NASF. Destaca-se nos resultados obtidos a pouca articulação do trabalho do psicólogo com outros profissionais e equipes, indicando ainda a prevalência do modelo clínico tradicional (individual e ambulatorial) como orientação da sua atuação em detrimento da lógica matricial que é fundamento da proposta de ação do NASF. Ressalta-se ainda o potencial da ação dos psicólogos no NASF, em contribuir para a realização do cuidado integral.

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  • ADRIANA COURA FEITOSA LOPES
  • Tomada de Decisão de Psicólogos em Avaliação Psicológica

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 21/02/2014
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  • A avaliação psicológica é um p
    rocedimento que está inserido em todas as áreas de atuação
    profissional do psicólogo. Ao se iniciar qualquer intervenção psicológica, faz
    -
    se uma
    análise do funcionamento do(s) indivíduo(s) visando identificar e definir suas demandas
    para atender adequadame
    nte. Importa estudar essa prática, pois a decisão de instrumentos,
    procedimentos e técnicas a empregar
    influencia a
    eficiência e eficácia dos trabalhos bem
    como a
    imagem da profissão na sociedade em geral, repercutindo também na comunidade
    científica. Obje
    tivou
    -
    se identificar nos respondentes, o percentual de profissionais em
    Psicologia que fazem uso da Avaliação Psicológica na Região Nordeste do país; analisar o
    perfil desses profissionais em termos de gênero, quanto tempo tem de graduado, formação
    adicion
    al em AP, estado onde atua; verificar como, os psicólogos realizam seu
    planejamento ao atuarem num processo de AP e identificar quais diferenças podem ser
    verificadas em termos de tempo de atividade, formação complementar no planejamento do
    processo avalia
    tivo em distintos âmbitos. O instrumento utilizado foi um questionário
    online
    e a amostra foi por adesão a proposta. Participaram 159 profissionais sendo a
    maioria do sexo feminino, com título de especialista. Identificou
    -
    se que a maioria dos
    profissionais
    realiza o planejamento da AP, estabelecendo um método e escolhendo as
    estratégias mais adequadas a serem utilizadas. Também identificou
    -
    se que, a maioria
    cumpre as etapas desse processo, e,
    ao planejar as técnicas de coleta de informações,
    integrar os dad
    os provenientes de diferentes fontes, relatar resultados e executar a
    devolução de informações, o profissional demonstra seu objetivo em compreender sua
    demanda e realiza a tomada de decisão e/ou proposta de intervenção
    em relação às pessoas
    avaliadas.
    Ver
    ificou
    -
    se que a graduação possa não ter um efeito mais pronunciado na
    qualificação profissional e consequentemente na qualidade das ações na AP, mas, a
    necessidade de uma qualificação e formação continuada

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  • MARIA DA GRAÇA SILVEIRA GOMES DA COSTA
  • Gênero, trabalho e saúde mental entre trabalhadoras rurais assentadas na região do Mato Grande Potiguar.

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 14/03/2014
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  • A carência de estudos voltados à saúde mental da população rural, o impacto socioeconômico, familiar e afetivo que os transtornos mentais produzem e o lugar de vulnerabilidade que as mulheres ocupam nas áreas rurais, impõem a necessidade de investigar a realidade de mulheres assentadas e trabalhadoras rurais, visando subsidiar a elaboração de programas e políticas públicas de saúde mais eficazes e culturalmente sensíveis que levem em conta as especificidades dessa população. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo investigar a prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) e os possíveis fatores associados à emergência de tais transtornos entre mulheres residentes de um assentamento rural do RN. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa que parte de uma abordagem quantitativa e qualitativa de inspiração etnográfica.  Inicialmente aplicamos uma versão adaptada do questionário sócio-demográfico-ambiental elaborado pelo Laboratório de Análises Estratégicas da UFRN/Departamento de Geologia para avaliar a qualidade de vida das famílias do assentamento e o instrumento de rastreamento em saúde mental Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) para identificar a prevalência de TMC nas mulheres adultas da comunidade. Complementando o rol de ferramentas, nos valemos da observação participante do cotidiano do assentamento e entrevistas semiestruturadas com as mulheres que apresentaram hipótese positiva de TMC buscando apreender os atravessamentos que constrõem a experiência subjetiva de ser mulher nesse contexto. Os resultados apontam a alta prevalência de TMC (43,6%) e sugerem a articulação entre pobreza, falta de redes de apoio social e comunitária, relações desiguais de gênero e a ocorrência de TMC. Constatamos ainda que as assentadas não acessam a rede de saúde para tratar de questões relativas à saúde mental e que o único recurso de cuidado ofertado pela atenção primária é prescrição de medicação ansiolítica, destacando-se a religiosidade e o trabalho como os mais importantes fatores de suporte à saúde mental entre as mulheres no contexto do assentamento rural.

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  • DÉLIO HENRIQUE DELFINO DE OLIVEIRA
  • Escuta clínica e atitude fenomenológica no atendimento à pessoa surda: reflexões sobre um processo psicoterápico.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 20/03/2014
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  • A psicologia faz uso da escuta como um dos recursos do seu trabalho. Em se tratando da psicoterapia, a escuta estabelece a comunicação e facilita o diálogo entre psicólogo-cliente. A presente pesquisa, de caráter qualitativo, tem por objetivo discutir a escuta clínica na atitude fenomenológica na psicoterapia fenomenológico-existencial com pessoas surdas. Essa perspectiva está embasada no pensamento do filósofo alemão Martin Heidegger, que considera o humano um ser-com e ser-no-mundo, sempre desvelando sentidos. Com relação às pessoas surdas, atualmente a Libras é a língua natural das pessoas surdas brasileiras. Nessa nova configuração de língua a comunicação ocorre na modalidade espaço-visual. Assim, escuta e fala ganham novas dimensões que demandam diferentes formas de compreensão no campo da psicoterapia. Para o desenvolvimento desta pesquisa, apresentamos recortes das narrativas de sessões psicoterapêuticas com um cliente surdo, interpretadas à luz da hermenêutica heideggeriana. Consideramos ser possível para o psicoterapeuta escutar pessoas surdas em atitude fenomenológica, com postura que não naturaliza e não limita o humano, auxiliando para que o cliente se responsabilize por seu existir e que possa dialogar hermeneuticamente em sua língua, cabendo, nesse contexto, ao psicólogo estar habilitado em Libras para realizar o atendimento. Esperamos que esta pesquisa possa, de alguma forma, preencher a lacuna existente no que se refere à produção científica sobre tal temática, no campo da psicologia, e, principalmente, fomentar a discussão no contexto dos cursos de psicologia acerca da importância e necessidade de capacitar o psicólogo para o manejo da prática clínica com pessoas surdas.

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  • CLAUDIO ROSSANO DIAS DE LIMA
  • OS SENTIDOS DE SER PROFISSIONAL DE UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ANTE O CONTEXTO DE REFORMA PSIQUIÁTRICA: REFLEXÕES FENOMENOLÓGICAS.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 28/03/2014
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  • Desde meados do século XX o campo de trabalho da saúde mental vem tecendo novas estratégias de tratamento para pessoas com transtorno mental. Tomando como ambiente central o contexto de reforma psiquiátrica brasileira, a presente pesquisa partiu da seguinte questão: Como é para o profissional atuar em uma instituição psiquiátrica tradicional diante do atual contexto de reforma psiquiátrica? Com base na fenomenologia hermenêutica de Heidegger, temos por objetivo compreender, a partir da narrativa das experiências de profissionais, os sentidos e significados de atuar em um hospital psiquiátrico ante as transformações decorrentes do processo de reforma psiquiátrica. Foram entrevistados cinco profissionais do maior hospital psiquiátrico do estado do RN. Os resultados, interpretados segundo a fenomenologia hermenêutica heideggeriana, sugerem que ser profissional de um hospital psiquiátrico tem sido um desafio, principalmente pela falta de interlocução da própria rede de assistência, uma vez que os profissionais que atuam nos demais serviços não incluem o hospital como participante do processo de reforma. Diante disso, os profissionais ressaltam o sofrimento sentido devido o preconceito que recebem por trabalharem em uma instituição vista como segregadora e incapaz de tratar adequadamente o paciente. O cuidado, como modo de ser do Dasein, surge como tema de debate das narrativas. Considera-se, por fim, que o sentimento vivido pelos profissionais repercutiu numa nova posição para suas práticas, e que existe a necessidade de se discutir, de forma global, o processo de reforma psiquiátrica no estado.

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  • BRUNO CARVALHO PEREIRA
  • A Redução de Danos no atendimento especializado em álcool e outras drogas.

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 31/03/2014
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  • A Redução de Danos/RD é a diretriz oficial do Ministério da Saúde para lidar com os problemas decorrentes do consumo de álcool e outras drogas/AD. A RD refere-se às políticas e programas de intervenção cujo objetivo é reduzir os riscos associados ao uso de AD, sem necessariamente diminuir o consumo individual. Nessa pesquisa buscou-se analisar as concepções e práticas de RD em duas instituições de atendimento especializado a usuários de AD: 1) Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPSad III), 2) Comunidade Terapêutica Fazenda da Esperança (FE) Dom Bosco. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou as seguintes ferramentas metodológicas: entrevista semiestruturada com 21 profissionais; ficha sócio demográfica e roda de conversa com 63 usuários participantes; observação participante e diário de campo. A partir das entrevistas com profissionais tem-se compreensão da RD como um tratamento menos complexo e barato. Na FE a proposta da RD não faz parte das suas ações, por ser considerada “contra dignidade do ser humano”. No CAPSad III é compreendida como uma diretriz “inevitável” ao serviço, pois os usuários não permanecem abstinentes. Os usuários compreendem a RD como a melhora nas condições de saúde, relações sociais e trabalho que ocorre com a diminuição do consumo de AD. Utilizam a RD ao evitar situações que facilitem o consumo de AD, compartilhar estratégias de prevenção à recaída e, exclusivamente no CAPSad III, diminuir o consumo de psicotrópicos. Destaca-se como analisador a compreensão da RD como um tratamento menos eficaz que se contrapõe ao objetivo de ambas as instituições, a abstinência. A RD não é operacionalizada no cotidiano por profissionais e usuários como estratégia de promoção à saúde, contudo, os usuários são mais permeáveis à RD e produzem estratégias para enfrentar as dificuldades decorrentes do consumo de AD.

    A Redução de Danos/RD é a diretriz oficial do Ministério da Saúde para lidar com os problemas decorrentes do consumo de álcool e outras drogas/AD. A RD refere-se às políticas e programas de intervenção cujo objetivo é reduzir os riscos associados ao uso de AD, sem necessariamente diminuir o consumo individual. Nessa pesquisa buscou-se analisar as concepções e práticas de RD em duas instituições de atendimento especializado a usuários de AD: 1) Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPSad III), 2) Comunidade Terapêutica Fazenda da Esperança (FE) Dom Bosco. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou as seguintes ferramentas metodológicas: entrevista semiestruturada com 21 profissionais; ficha sócio demográfica e roda de conversa com 63 usuários participantes; observação participante e diário de campo. A partir das entrevistas com profissionais tem-se compreensão da RD como um tratamento menos complexo e barato. Na FE a proposta da RD não faz parte das suas ações, por ser considerada “contra dignidade do ser humano”. No CAPSad III é compreendida como uma diretriz “inevitável” ao serviço, pois os usuários não permanecem abstinentes. Os usuários compreendem a RD como a melhora nas condições de saúde, relações sociais e trabalho que ocorre com a diminuição do consumo de AD. Utilizam a RD ao evitar situações que facilitem o consumo de AD, compartilhar estratégias de prevenção à recaída e, exclusivamente no CAPSad III, diminuir o consumo de psicotrópicos. Destaca-se como analisador a compreensão da RD como um tratamento menos eficaz que se contrapõe ao objetivo de ambas as instituições, a abstinência. A RD não é operacionalizada no cotidiano por profissionais e usuários como estratégia de promoção à saúde, contudo, os usuários são mais permeáveis à RD e produzem estratégias para enfrentar as dificuldades decorrentes do consumo de AD.

     

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  • KAYNELLY SOUZA DE MELO
  • Violência Sob o Olhar do Adolescente Autor de Ato Infracional: Reflexões Fenomenológicas

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 04/04/2014
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  • O envolvimento de jovens com a violência nos últimos anos, no Brasil, tem aumentado significativamente, bem como o número de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas com restrição de liberdade. Entretanto, a literatura mostra a produção incipiente de estudos que abordam o jovem infrator a partir da sua própria experiência. Com base nessas evidências, esta pesquisa teve como objetivo compreender como adolescentes autores de atos infracionais experienciam a violência, sejam como agentes, espectadores ou vítimas, sob a ótica da Analítica Existencial, de Martin Heidegger. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de inspiração fenomenológico-hermenêutica, tendo sido utilizada a narrativa como recurso metodológico. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, com dois adolescentes de 16 e 17 anos, egressos de medida socioeducativa de restrição de liberdade. A interpretação das narrativas foi feita a partir dos sentidos que emergiram na experiência relatada e do diálogo entre algumas noções heideggerianas como ser-no-mundo, cuidado e impessoalidade. Os relatos mostraram que a violência está presente desde a infância desses adolescentes, tendo sido presenciada na própria família. Para eles, o comportamento violento representa uma forma de impor respeito e admiração. As experiências podem ser interpretadas como uma expressão das relações entre o ser adolescente e o mundo que caracteriza o seu contexto de vida. Assim, as noções de cuidado, no modo de ocupação, e impessoalidade, são vistas como presentes nas experiências narradas. Com isso concluímos, por hora, que a compreensão dessas experiências únicas de ser adolescentes num contexto de violência, mostrou peculiaridades de duas crianças que não queriam ser um problema social, mas lançados num mundo inóspito e cruel, no qual se mostraram jovens absorvidos e, ao mesmo tempo modificadores, das tramas mais sutis de ser, misturando significações e sentidos num espectro fluido que é o viver. Por fim, esperamos que esta pesquisa possa acrescentar não só aos estudos sobre a violência de jovens, mas também ressaltar a importância de se compreender a violência pelo olhar daqueles que a vivenciam.

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  • ANA IZABEL OLIVEIRA LIMA
  • Suporte ao consumo de álcool e drogas na Atenção Primária: um estudo com equipes de Natal/RN

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 11/04/2014
  • Mostrar Resumo
  • Pesquisas nacionais indicam que 6,8% da população brasileira é dependente de álcool e 1% dependente de drogas ilícitas, representando uma parcela significativa da população atingida por esta problemática. A Atenção Primária torna-se fundamental na ampliação da cobertura dessa demanda e na diminuição dos encaminhamentos desnecessários para a atenção especializada. Este estudo objetivou investigar a capacidade de resposta e suporte institucional de equipes de Atenção Primária em relação às demandas de usuários de álcool e drogas. A pesquisa foi desenvolvida em uma Unidade de Saúde da Família no Distrito Sanitário Oeste de Natal. De natureza quantitativa e qualitativa, nosso estudo foi composto de duas etapas. Na primeira, foi realizado um mapeamento do uso abusivo de álcool e outras drogas em uma amostra da população adscrita das equipes de SF, utilizando questionário sociodemográfico e o ASSIST (Alcohol, Smoking and Substance Involvement ScreeningTest). Foram aplicados 406 questionários. Desses, 27,8% são homens e 72,2% mulheres, das quais 56% têm entre 20 e 39 anos, são donas de casa, têm relacionamento estável e consumidoras de tabaco (37,6%), maconha (13%) e principalmente álcool (57%). Na segunda etapa foram formadas duas Rodas de Conversa com as equipes de Saúde Família e NASF de referência para a discussão dos dados do mapeamento realizado na fase anterior. As rodas, que contaram com a participação de 20 dos 37 profissionais das equipes de SF e 2 do NASF, evidenciaram a falta de capacitação dos profissionais na temática; incapacidade da rede em acolher o usuário; crença dos profissionais de que nada pode ser feito quando o assunto é álcool e drogas e o encaminhamento como única ação de cuidado realizada pelas equipes. Diante disso, indicamos a necessidade de fundamentar de forma consistente uma abordagem nas questões de uso de álcool e drogas que leve em consideração as questões de gênero, investindo na política de Redução de Danos como uma possibilidade de atuação nesse âmbito por reconhecer cada usuário em sua singularidade e traçar com estratégias de promoção a saúde de forma ampla e contextualizada.

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  • PRISCILA MAGALHAES BARROS
  • PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS EM CRIANÇAS DE 05 A 08 ANOS

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 25/04/2014
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  • Este estudo objetivou estabelecer o perfil desenvolvimental de componentes executivos no desenvolvimento típico infantil. Trata-se de estudo correlacional, transversal, de natureza predominantemente quantitativa. Os instrumentos de coleta de dados são os subtestes do domínio “Atenção/ Funções Executivas” do NEPSY-II. Foram avaliadas 80 crianças entre 5 e 8 anos de idade, de ambos os sexo, estudantes de escolas públicas e particulares da cidade de Natal – RN. A amostra foi segmentada em intervalos de seis meses para posterior análise das estratégias e tipos de erros. Foram realizadas análises de variância (multivariada e univariada), testes post hoc de Tukey e Games-Howell para verificar o efeito da idade sobre o desempenho nos testes. Correlações posteriores indicaram a força e a direção do relacionamento entre as variáveis. Identificaram-se dois picos de desenvolvimento no intervalo de seis meses adotado para as habilidades de atenção seletiva e controle inibitório. Os resultados indicam que não há influencia significativa do sexo e tipo de escola sobre o desempenho da amostra. O desempenho dos pré-escolares (5 e 6 anos) foi inferior aos demais subgrupos na maioria dos testes. Destaca-se o papel do discurso de autoregulação entre os pré-escolares durante as atividades de maior demanda executiva e o recurso da abstração como estratégia de resolução entre os mais velhos. Identificaram-se trajetórias de desenvolvimento semelhantes entre as habilidades de atenção seletiva e controle inibitório. De maneira geral, há decréscimo no número de erros e aumento de acertos com a progressão da idade. Pesquisas longitudinais futuras podem ampliar a faixa etária abarcada neste estudo, investigando o curso desenvolvimental das habilidades executivas. 

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  • SAMANTHA SANTOS DE ALBUQUERQUE MARANHÃO
  • CARACTERIZAÇÃO DE ASPECTOS DA COGNIÇÃO SOCIAL, HABILIDADES SOCIAIS E FUNÇÕES EXECUTIVAS DE CRIANÇAS DIAGNOSTICADAS COM TRANSTORNO AUTISTA E TRANSTORNO DE ASPERGER

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 25/04/2014
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  • O  ano  de  2013  marca  o  70º  aniversário  da  descrição  clássica  de  Leo  Kanner  sobre  o  Autismo.   Em   1994,   na   quarta   edição   do   Manual   Diagnostico   e   Estatístico   de Transtornos  Mentais  (DSM),  o  autismo  foi  incluído  em  uma  nova  classe  diagnóstica denominada  Transtornos  Globais  do  Desenvolvimento  (TGD),  os  quais  incluem:  o Transtorno   Autista,   Transtorno   de   Rett, transtorno   Desintegrativo   da   Infância, Transtorno  Global  do  Desenvolvimento  sem  outra especificação  e  o  Transtorno  de Asperger.   Embora   desejável   a   investigação   detalhada   dos   substratos   cognitivos passíveis de caracterizar o perfil neuropsicológico do Transtorno Autista e Transtorno de Asperger, o presente estudo optou por apresentar a avaliação da inteligência fluida, funções  executivas,  aspectos  da  cognição  social  e  habilidades  sociais  dos  grupos clínicos  circunscritos.  Essa  opção  se  justifica  pela  inserção  em  proposta  de  mestrado, cujo  prazo  de  execução  corresponde  a  24  meses.  A  proposição  da  caracterização  do perfil neuropsicológico dos grupos clínicos citados será apresentada em futuro projeto de  doutorado.  A  pesquisa  constituiu-se  como  modelo  de  estudo  multicasos  de  caráter transversal. Para operacionalização dos objetivos propostos, propôs-se amostra de seis participantes.  O  processo  avaliativo  é  composto  por  anamnese  e  protocolo  avaliativo composto  por  tarefas  qualitativas  e  instrumentos  psicométricos.  No  tocante  aos resultados,  a  dissertação  de  mestrado  em  questão  envolveu  a  consideração  de  um continuum entre informações quantitativas e qualitativas, obtidas através da observação e  análise  do  processo  avaliativo,  dos  tipos  de  erros  produzidos  e  da  antecipação  de estratégias  dos  participantes  da  pesquisa  durante  o  processo  avaliativo.  Desse  modo, acredita-se que o desenho metodológico possibilitou compreender nuances clínicos, sem limitar-se  à  mera  descrição  e  inferência.  Propôs-se  avançar  para  análises  explicativas, que tentaram abarcar a complexidade do fenômeno investigado, a partir de um sistema nervoso   conceitual,   cuja   perspectiva   processual   e   dialógica   norteou   possíveis integrações  do  desenvolvimento  neuropsicológico  individual  com  particularidades  do contexto sócio-histórico-cultural. De forma geral, em consonância com o diagrama do processo  avaliativo  proposta  por  Luria,  a  análise  qualitativa  do  sintoma  (Etapa  1) indicou  a  presença  de  dificuldades  nos  relacionamentos  sociais  e  no  cotidiano  escolar das crianças avaliadas. Por sua vez, a análise quantitativa do sintoma (Etapa 2) indicou que, de modo interdependente, falhas na teoria da mente, nas funções executivas e na linguagem  versam  como  principais  fragilidades  neuropsicológicas  dos  grupos  clínicos vigentes,  notadamente  do  grupo  que  compõe  o  Transtorno  Autista.  Os  resultados encontrados  demonstram  que  a  cognição  social  e  a  habilidade  social  estão  altamente relacionadas. Espera-se que os  resultados  aqui  destacados  podem  ser  considerados enquanto subsídios para        intervenções futuras.  Sugere-se    a    necessidade  do desenvolvimento  de  projetos  que  levem  em  consideração os diferentes  aspectos constituintes do sujeito humano, envolvendo  não  apenas  o  indivíduo com alterações desenvolvimentais, como também suas famílias, professores, escolas e a sociedade em geral. 

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  • TABITA AIJA SILVA MOREIRA
  • O psicólogo e os Serviços de Acolhimento Institucional para crianças e adolescentes.

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 02/05/2014
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  • Os Serviços de Acolhimento são responsáveis por cuidar das crianças e adolescentes cujas famílias ou responsáveis estão temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção. As atividades a serem desenvolvidas pelos psicólogos nesses serviços são sobremaneira importantes para a elaboração e desenvolvimento do projeto político-pedagógico das mesmas, bem como para a fundamentação das decisões judiciais concernentes ao presente e futuro das crianças e adolescentes acolhidos. Ao psicólogo, coloca-se o desafio de contribuir para um melhor atendimento à infância, cooperando também com a implementação dos novos parâmetros de atendimento dos serviços de acolhimento.  O objetivo desse estudo foi investigar a atuação do profissional psicólogo no âmbito da assistência a crianças e adolescentes nos 13 Serviços de Acolhimento da Região Metropolitana de Natal/RN. Para tanto, propôs-se a realização de visitas às instituições, para conhecer como está organizado o campo de trabalho do psicólogo, sua rotina de trabalho e atividades desenvolvidas. Foram encontrados nove psicólogos, entrevistados de acordo com um roteiro semiestruturado. A análise do material coletado está apoiada nos aspectos teóricos do materialismo-histórico dialético e foi utilizada a análise de conteúdo temática. Os resultados foram apresentados a partir de três eixos de análise: os psicólogos e a estrutura institucional; atividades, métodos e recursos de trabalho; os psicólogos e os referenciais legais do Acolhimento Institucional.  O estudo aponta a recente entrada do psicólogo nos Serviços de Acolhimento, aliada a considerável rotatividade desses profissionais. Seu trabalho tem se organizado através do Plano Individualizado de Atendimento, com prioridade para o retorno à família de origem. Além disso, em geral, realizam articulações com a rede de atendimento, elaboração de relatórios, atendimentos individuais e acompanhamentos de processos de adoção. Os profissionais, porém, sentem falta de formações específicas e continuadas sobre a proteção especial, inclusive devido à distância entre o proposto na teoria e a prática.  Foi observado, assim, um movimento dos psicólogos em distanciar-se de práticas assistencialistas ou repressivas, entretanto, as dificuldades estruturais dos serviços e a ausência de formação continuada parecem limitar o desenvolvimento de uma atuação voltada para a transformação da realidade das crianças e adolescentes atendidos e suas famílias.

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  • CAMILA AUGUSTA DE RUBIM COSTA GURGEL
  • Investigando o cuidado em equipe de enfermagem em uma UBS da cidade do Natal-RN

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 12/05/2014
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  • No âmbito da saúde, o cuidado é tido como um conceito importante para os profissionais e recentemente há uma tendência, do ponto de vista epistemológico, a pensar o cuidado enquanto categoria que permite discutir e re(pensar) práticas de humanização em saúde. O objetivo deste estudo é investigar a compreensão do cuidado em equipe de enfermagem em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na cidade do Natal. Os sujeitos da pesquisa foram duas enfermeiras e duas técnicas de enfermagem que trabalham na UBS do bairro Guarapes, localizado na zona oeste de Natal- RN. Como suporte teórico para a interpretação dos dados obtidos em campo, utilizamos o conceito de cuidado tendo como referências as teorias de Heidegger, através das ideias de Ayres. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e como metodologia foi utilizada a abordagem autobiográfica e como estratégia metodológica: grupo focal e entrevistas individuais. Os dados obtidos foram discutidos através de três eixos de análise: o saber (conceitos, teorias que fundamentam os modelos de prática), a técnica (o modo de fazer no cotidian), e a ética (os valores que fundamentam as práticas) pela hermenêutica-dialética de Gadamer. Os resultados apontaram para a necessidade de ampliação da discussão sobre o cuidado, pois na prática a compreensão sobre cuidado parece ficar mais restrito ás preocupações com o êxito técnico, por parte dos profissionais. O cuidado, como um encontro entre seres, o atendimento humanizado tão almejado, parece ser compreendido em partes na teoria, mas distancia-se ainda da realidade na prática profissional.

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  • NIVIA LUCIA DE ANDRADE OLIVEIRA
  • O processo de inserção dos psicólogos na assistência social em Natal/RN

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 16/05/2014
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  • A partir da regulamentação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em 2004/2005, o psicólogo figura como profissional essencial nas equipes dos serviços ofertados neste campo. No entanto, existem indícios de psicólogos que trabalharam na assistência anteriormente a esse período. Essa inserção não foi sistematizada na literatura, não permitindo o estabelecimento de registros lineares desta trajetória. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o ingresso e atuação do psicólogo nos serviços de assistência social em Natal/RN, bem como as atividades desenvolvidas por eles no período de 1972-2003. Esta delimitação temporal justifica-se porque Natal passou a ter psicólogo a partir de 1972, e 2003 foi o ano imediatamente anterior aos marcos de 2004/2005. A investigação se dividiu em duas etapas: documental e história oral. A primeira se deu por meio da consulta de 86 monografias do Setor de Documentação do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, buscou-se identificar quais eram os serviços que caracterizavam o campo assistencial e indícios da presença dos psicólogos nesses espaços. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas com 13 psicólogos que trabalharam atrelados à assistência social a fim de investigar sua atuação, atividades desenvolvidas, processo de inserção na área, entre outros aspectos. A análise do material foi feita com base em categorias temáticas, a partir de uma perspectiva histórica. Os resultados apontam para três grandes âmbitos de inserção dos psicólogos: no campo da excepcionalidade infantil, em que os psicólogos eram vinculados à Legião Brasileira de Assistência Social (LBA); o campo do menor por meio da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM); e, a ocupação de cargos de gestão e de coordenação em alguns programas assistenciais. Os dois primeiros espaços de inserção reforçam o caráter tradicional de modelos de intervenção, baseados no psicodiagnóstico e no tratamento do desviante. O último aponta para um certo protagonismo dos profissionais ao exercerem a função de gestão de alguns serviços assistenciais, constituindo uma atuação mais distante do escopo tradicional. 

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  • OLIVIA DAYSE LEITE FERREIRA
  • A relação entre insônia primária e funções executivas em adultos

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 16/05/2014
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  • A insônia é definida como uma dificuldade em iniciar ou manter o sono ou acordar antes do esperado e não conseguir retornar ao sono, seguido por uma sensação de sono não reparador e de má qualidade, presente por pelo menos três meses, com consequência no funcionamento diurno. Quando ela se apresentar de forma independente sem nenhum fator causal evidente é chamada de insônia primária. Estudos têm mostrado que a insônia primária afetar o funcionamento cognitivo, em especial as funções executivas. Entretanto, as pesquisas que buscaram investigar a relação entre a insônia primária e o funcionamento executivo são bastante inconsistentes do ponto de vista metodológico, principalmente no que se refere à variabilidade de aspectos metodológicos utilizados. Neste sentido, a presente pesquisa teve por objetivo investigar a relação entre a insônia primária e as funções executivas em adultos. Participaram da pesquisa 29 pessoas de ambos os sexos, com idade variando de 20 a 55 anos. Os participantes foram subdivididos em três grupos, sendo um composto por 10 pessoas com insônia primária que utilizavam medicamentos para dormir (GIM), nove pessoas com insônia primária que não utilizava medicamentos (GInM) e 10 pessoas saudáveis que compunha o grupo controle (GC). A pesquisa foi realizada em duas etapas: A primeira envolvia uma avaliação diagnóstica para insônia primária, através de uma entrevista clínica e da aplicação dos seguintes protocolos: Escala de insônia de Atenas, Índice de Gravidade da Insônia, Diário do sono (por 14 dias), Índice da Qualidade do Sono de Pittsburgh (IQSP), do Teste de sonolência de Stanford, Inventários de depressão e ansiedade de Beck e o Inventário de sintomas de stress para adultos de Lipp. Após esta etapa, foi realizada a avaliação das funções executivas, através da aplicação de uma bateria de testes neuropsicológicos, composta pelos testes: Wisconsin, Teste de Stoop, Teste de trilhas Coloridas, Teste da Torre de Londres, Iowa Gambling Task (IGT) e Subteste do WAIS III span dígitos, que mediram a atenção seletiva, o controle inibitório a flexibilidade cognitiva, o planejamento, a resolução de problemas, a tomada de decisões e a memória operacional, respectivamente. Os resultados mostraram que os insones (GIM e GInM) foram diagnosticados com insônia primária do tipo psicofisiológica, apresentando maior latência do sono, menor duração do sono e menor eficiência do sono, quando comparados ao GC. No que se refere ao desempenho nas funções executivas, não se observou diferença estatisticamente significativa entre os grupos nas modalidades avaliadas. No entanto, os dados mostram indícios de que, comparado ao GInM e GC, o desempenho do GIM se mostrava inferior em tarefas que exigiam respostas rápidas e mudança de foco atencional. Já o GInM, quando comparado ao GIM e GC, exibiu melhor desempenho em tarefas que envolvia a flexibilidade cognitiva. Além disso, as medidas do sono prejudicadas foram correlacionadas com o pior desempenho dos insones em todos os componentes avaliados. Conclui-se que a insônia primária é marcada por uma hiperexcitação que proporciona um desempenho semelhante ao das pessoas saudáveis nos componentes das funções executivas, sendo que a medicação atuaria reduzindo essa excitação, deixando os insones mais cautelosos diante das tarefas. Assim, pode-se inferir que existe relação entre a insônia primária e as funções executivas nos adultos. 

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  • VALESCA PINHEIRO DE SOUZA
  • Violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes: o estado da arte em periódicos em psicologia

     

  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 26/05/2014
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  • A violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes constitui uma temática extremamente complexa e grave do ponto de vista dos danos causados a esta população. Contudo, apesar da relevância da discussão, apenas na segunda metade do século XX a questão passa a ser abordada com a inclusão, nas produções teóricas, do tema na perspectiva dos danos causados às vítimas. Diante deste contexto de abertura de discussões sobre a violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes que tem se intensificado nas últimas décadas, sobretudo com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei federal 8069/90), que passa a reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, vários campos do saber dedicaram-se ao estudo desta temática. Dentre estas áreas destaca-se a Psicologia que tem subsidiado discussões teóricas e práticas interventivas, tendo como foco esta modalidade de violência. Diante das muitas possibilidades de produção do conhecimento no contexto da ciência psicológica, em virtude da diversidade teórico metodológica que a constitui, o presente trabalho tem como objetivo mapear e debater os trabalhos construídos no esteio da ciência psicológica e que tiveram como proposta discutir a violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes no Brasil. Para tanto, constituiu material desta pesquisa os artigos publicados em periódicos de Psicologia. Para ir ao encontro deste objetivo, foi realizada busca no Scielo Brasil, a partir de descritores sobre a temática, escolhidos a partir de uma lista divulgada por Faleiros (2000). O recorte temporal da pesquisa foi entre 1990 a 2013; considerou, portanto, a data de promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente. A Análise de Conteúdo Temática foi o método escolhido para a análise dos dados, que se deu através da construção de dois eixos temáticos. O primeiro eixo contemplou uma análise do conceito de violência sexual intrafamiliar a partir de seus elementos constitutivos. O segundo eixo de análise abordou as estratégias teórico-metodológicas dos autores, buscando identificar e discutir as abordagens teóricas às quais os autores se afiliam, as estratégias metodológicas escolhidas para o alcance dos objetivos propostos e as justificativas que os autores apresentam para suas pesquisas. As análises dos eixos temáticos apoiaram-se na discussão teórica realizada sobre a violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes.  Por meio destas análises observou-se que ainda há dificuldades na conceituação da violência sexual intrafamiliar de maneira ampla que contemple todos os seus elementos e que a diferencie da exploração sexual. No concernente às estratégias teórico-metodológicas as pesquisas mostraram grande diversidade tanto na abordagem teórica quanto nas estratégias metodológicas, dado que contribui para a compreensão do fenômeno. Espera-se, com este estudo, contribuir com a reflexão sobre a violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes, impulsionando novas pesquisas e/ou práticas interventivas.

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  • RODRIGO DA SILVA MAIA
  • Adaptação Transcultural para o Português/Brasil do instrumento Vulnerability to Abuse Screening Scale (VASS)

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 30/05/2014
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  • A literatura aponta a insuficiência de instrumentos disponibilizados em português para detecção da violência contra idosos. Assim, parece oportuno disponibilizar versões lusófonas de ferramentas advindas de outras culturas. A Vulnerability to Abuse Screening Scale (VASS) contêm 12 itens que constatam o risco à violência doméstica contra idosos. Esse trabalho objetivou promover a adaptação transcultural para o Brasil da VASS. Os passos para adaptação transcultural seguirão a proposta de operacionalização alicerçado na apreciação de diferentes tipos de equivalência: a conceitual e de itens, a semântica e a de mensuração. Para alcançar as duas primeiras etapas utilizou-se as técnicas de tradução e retrotradução associada ao procedimento intitulado Painel de Especialistas. Para o pré-teste e verificação de equivalência de mensuração, aplicou-se o questionário com uma população de 30 e 66 idosos, respectivamente. Para as análises dos resultados foi utilizada a estatística descritiva e inferencial, em especial o KR-20, teste T de student, correlação de Pearson e ANOVA univariada, bem como o método kappa de Fleiss para verificação do índice de confiabilidade. Verificou-se que o conceito utilizado para construção do instrumento, bem como seus itens se mostram adequados à investigação do fenômeno. Evidenciou-se boa equivalência semântica entre os itens das retrotraduções e do instrumento original, especialmente quanto aos resultados de T1 – R1. Os juízes optaram pelo uso de 11 itens de T1 à versão-síntese. A equivalência operacional mostrou-se satisfatória. Em geral, os resultados apresentados mostraram-se aceitáveis. Quanto à etapa da equivalência de mensuração, verificou-se que a idade dos participantes variou entre 60 a 84 anos, prevalecendo respondentes idosas (n = 38), representando 57,6% da população estudada. O valor do KR-20 para o escore geral do instrumento foi de 0,688 (IC95%: 0,670). Os valores encontrados para as quatro dimensões propostas pelos autores do estudo inicial do instrumento foram 0,528, 0,289, 0,552 e 0,303, respectivamente. Apenas os valores de consistência interna das subescalas Vulnerabilidade e Coerção mostraram-se aproximados aos encontrados no estudo original, a saber, 0,550 e 0,390, respectivamente. Verificou-se que com a retirada dos itens nº 04, nº 06 e nº 10, houve aumento do índice de consistência interna da escala total. Já quanto aos valores da consistência interna das subescalas, percebeu-se que apenas com a retirada dos itens nº 09, referente à escala que dimensiona o Desânimo, e nº 12, item da subescala Coerção, é que houve acréscimo nesses valores. Destaca-se que esses são resultados preliminares, uma vez que após a verificação da adequabilidade e de padrões psicométricos iniciais acerca do uso do instrumento para a população idosa, ainda há de se dar continuidade a etapa concernente à verificação de propriedades psicométricas robustas do instrumento, que indiquem, por exemplo, evidências de fidedignidade em situação de teste-reteste, validade de constructo e de critério, se possível e aplicável. A principal limitação do estudo é a falta de um instrumento padrão-ouro para testar a fidedignidade, sensibilidade e especificidade do instrumento em questão. Apesar desta limitação, a adaptação transcultural e a verificação de propriedades psicométricas preliminares do instrumento de uma medida de autorrelato que afere indicativo de violência doméstica contra o idoso tem sua relevância e foi satisfatória. 

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  • DEBORA SUNALY LEITE DA SILVA
  • Avaliação das habilidades neurocognitivas em crianças e adolescentes sobreviventes da Leucemia Linfóide Aguda- LLA

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 11/07/2014
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  • O presente estudo investigou o impacto das modalidades de tratamento da Leucemia Linfóide Aguda sobre as habilidades neurocognitivas de crianças e adolescentes sobreviventes, com faixa etária entre 6 e 16 anos de idade, acompanhados nos setores de oncologia pediátrica de serviços públicos de saúde das cidades de Campina Grande- PB e Natal-RN. Participaram deste estudo 52 crianças, sendo destas 13 crianças e adolescentes diagnosticados com leucemia e 39 crianças saudáveis pareadas em relação ao grupo de estudo considerando-se o sexo, idade, tipo de escola e nível de escolaridade materna. Posteriormente o grupo de crianças com leucemia foi subdividido em dois subgrupos em função da modalidade de tratamento as quais foram submetidos: Grupo 1A (exclusivamente tratamento quimioterápico) e 1B (tratamento quimioterápico e radioterápico). Todos os participantes foram submetidos à bateria de testes neuropsicológicos que investigou as seguintes habilidades neurocognitivas: capacidade intelectiva, sistema mnemônico, atenção, visoespacialidade e visoconstrução, velocidade de processamento e funções executivas. Os dados foram analisados através de medidas descritivas e inferenciais com o auxílio do Teste U de Mann-Whitney e do Teste t, considerando-se a influência das variáveis: sexo, idade ao diagnóstico, tempo decorrido desde o término do tratamento e nível de escolarização das mães, sobre o desempenho das crianças. De forma geral, conclui-se que o adoecimento e o tratamento da leucemia linfoide aguda favorece significativamente o surgimento de déficits cognitivos, em especial em termos de habilidades visoespaciais, visoconstrutivas e habilidades executivas. Por sua vez, a modalidade de tratamento da radioterapia está associada à presença de déficits mais severos, com destaque para o impacto significativo sobre a velocidade no processamento da informação. Espera-se que os resultados ora apresentados venham a contribuir para uma melhor compreensão acerca da natureza e da extensão dos efeitos neurocognitivos advindos do tratamento da LLA.

     

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  • IVETE BRAGA DE LIMA
  • REFLEXÕES FENOMENOLÓGICAS SOBRE O SOFRIMENTO EM RELAÇÃO AO TRABALHO

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 25/07/2014
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  • A revisão de literatura revela que o campo da psicologia organizacional e do trabalho, bem como o da saúde mental no trabalho, têm desenvolvido relevantes pesquisas sobre o sofrimento e o mundo do trabalho. Esta pesquisa teve como propósito abordar o sofrimento vivido em relação ao trabalho a partir do olhar clínico, englobando todas as suas expressões, tendo como referência a perspectiva fenomenológico-hermenêutica heideggeriana. Inspiradas no pensamento do filósofo Martin Heidegger buscou-se compreender o sofrimento nas suas dimensões ônticas e existenciais, no seu aspecto limitador, como aquele que restringe as possibilidades de relação que o homem mantém com o mundo, colocando em perigo as redes de significâncias tecidas por ele para lidar com as coisas e conviver com os outros. O mundo do trabalho foi vislumbrado como o espaço de possibilidades de concretização da existência. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi compreender como é o sofrimento vivido em relação ao trabalho, a partir da experiência de profissionais inseridos em um órgão judiciário. A pesquisa, com enfoque qualitativo, utilizou entrevistas individuais semi-estruturadas, cujas narrativas foram analisadas sob a ótica hermenêutica heideggeriana. Três funcionários colaboraram com a pesquisa. As narrativas mostraram que o sofrimento está relacionado à falta de reconhecimento pelo trabalho executado, e igualmente com os modos como se dá a convivência entre os servidores. No aspecto geral, o sofrimento se revelou como desamparo e falta de sentido para a existência. Esperamos que este estudo possibilite a abertura em direção a novos horizontes de compreensão referente às significações e sentidos do trabalho e suas redes de relacionamentos e que possa contribuir para o campo da psicologia em geral.

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  • BRUNA BALABAN GARCIA
  • TUMORES CEREBELARES NA INFÂNCIA E FUNCIONAMENTO COGNITIVO

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 30/07/2014
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  • O presente trabalho investigou o funcionamento cognitivo de crianças diagnosticadas com Tumores de Fossa Posterior Cerebral acompanhadas por instituições oncológicas no município de Recife/PE. Participaram deste estudo 20 crianças diagnosticadas com tumores de Fossa Posterior Cerebral (FP), especificamente as modalidades histológicas Astrocitoma Pilocíticos e Meduloblastoma, de ambos os sexos, com idades entre 6 e 16 anos que se encontravam fora de tratamento e que foram submetidas ao protocolo terapêutico Parker, para casos de neoplasias malignas, ou cirurgia isolada, para tratamento dos tumores benignos. O protocolo de avaliação neuropsicológica utilizado investigou as seguintes habilidades cognitivas: sistemas atencionais, memória, funções visocontrutivas, visoespaciais e funções executivas. Os dados foram analisados através de medidas descritivas e inferenciais com o auxílio do teste U de Mann-Whitney, considerando-se a influência das variáveis, gênero, idade ao diagnóstico; diagnóstico histológico; presença de hidrocefalia; origem; localização tumoral e grau de escolarização dos pais. Observou-se que os tumores de fossa posterior acarretam impactos significativos sobre o desenvolvimento cognitivo, notadamente no grupo diagnosticado com meduloblastoma. Foram verificadas diferenças significativas entre os desempenhos das crianças com Astrocitoma Pilocítico e Meduloblastoma nas funções: atenção seletiva (p= 0,003) e alternada (p=0,04); memória tardia (p=0,026) e visoespacialidade (p=0,009). Em relação à variável sexo, as meninas apresentaram desempenho superior aos meninos em itens que avaliaram a memória imediata verbal (p=0,026). Em relação a localização tumoral, observaram-se diferenças estatisticamente significativas no âmbito da memória verbal (p=0,042) entre as instâncias Hemisférios cerebelares e Vérmis, em favor das crianças com tumores localizados nos hemisférios cerebelares. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas em função das variáveis tempo decorrido desde o diagnóstico; idade da criança no momento do diagnóstico, hidrocefalia, origem, escolaridade dos pais. Estes resultados indicam o impacto cognitivo negativo decorrente da administração de terapias anti-neoplásicas adjuvantes, com destaque para a radioterapia.  A busca de tratamentos menos tóxicos e a investigação neuropsicológica deve ser rotina nos centros de tratamento de crianças com tumores cerebrais, de modo a proporcionar maior conhecimento acerca do fenômeno, bem como subsídios para desenvolvimento de estratégias que minimizem os déficits cognitivos comumente encontrados e promovam uma melhor qualidade de vida após tratamento para o câncer.

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  • INGRYD CINTYA AUGUSTO MACHADO SCIPIÃO
  • Ações de cuidado nas relações intrageracionais em crianças em acolhimento institucional


  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 04/08/2014
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  • De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) as crianças e adolescentes são concebidos como sujeitos de direitos, com prioridade absoluta e em condição peculiar de desenvolvimento.  Assim, uma vez violados ou ameaçados esses direitos, serão aplicadas medidas de proteção. No âmbito dessas medidas é proposta, no referido Estatuto, a medida de acolhimento institucional, de caráter transitório e excepcional. Ao ser afastada do convívio familiar e comunitário e acolhida em uma instituição, a criança é inserida em um novo contexto de desenvolvimento, portanto, com novas pessoas, novos espaços, novas relações.  Segundo a Psicologia Sócio-Histórica, suporte teórico deste estudo, cada contexto de socialização apresenta demandas específicas que influenciam no desenvolvimento da criança e a subjetividade é constituída a partir das relações que o sujeito estabelece em cada um deles. Esses contextos trazem para ela desafios e propostas às quais ela tem que responder. Considerando, então, que é na relação com o outro que o sujeito se constitui, as interações estabelecidas no período de acolhimento serão de suma importância para a criança. Dentre essas interações, podemos citar as situações que envolvem aspectos do desenvolvimento moral, mais especificamente, aquelas em que comparece (ou não) o exercício das virtudes. Da intercessão entre essas ações podem surgir, então, ações de cuidado para além daquelas que envolvem o suprimento de uma necessidade emergente. O objetivo deste trabalho é investigar a presença de relações cotidianas permeadas por ações de cuidado entre as crianças em acolhimento institucional. Para o seu alcance participaram três crianças, com três anos de idade, em medida de acolhimento institucional. A pesquisa tem caráter qualitativo e o procedimento para construção do corpus foi, principalmente, a observação participante. Procedimentos com vídeo e livros de história também foram utilizados como complementares. A análise do corpus deu-se através da Análise de Conteúdo Temática; os episódios foram agrupados em categorias de análise pré e pós-estabelecidas. As pré-estabelecidas foram ações de cuidado, ações de cuidado relacionadas com o cuidado para com o corpo, ações de cuidado relacionadas a aspectos sócio afetivos e ações de cuidado relacionadas ao cuidado do corpo e aspectos sócio afetivos, simultaneamente.  As duas categorias pós-estabelecidas foram desmembramentos das anteriores, denominadas ações de cuidado desenvolvidas na interação criança-criança, sem intervenção de um adulto, e ações de cuidado desenvolvidas na interação criança-criança, com intervenção direta da educadora. As análises indicaram que na interação cotidiana entre as crianças acolhidas, elas identificam as necessidades físicas e sócio afetivas umas das outras, e se dispõem a supri-las da maneira que lhe for possível, acentuando a importância da brincadeira e os momentos lúdicos como mediadores nessas interações. As ações de cuidado observadas são pautadas em conceitos e interpretações formulados pelas próprias crianças a partir de suas experiências e em grande parte, remetem ao cuidado materno. A condição de estarem afastadas do convívio familiar pode ser um elemento que possibilita essas ações. Por fim, reafirma-se a importância de conceber a instituição de acolhimento enquanto espaço de socialização e de cuidado. Decorre a importância de se valorizar e fortalecer os aspectos positivos que se apresentam nas relações estabelecidas pelas crianças nesse contexto, incluindo as ações de cuidado, objeto desta pesquisa, que são constituintes da subjetividade dessas crianças.

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  • MARIA FERNANDA DE OLIVEIRA CARVALHO
  • Evidências de validade do Millon Behavioral Medicine Diagnostic na avaliação de aderência terapêutica em pacientes com insuficiência cardíaca crônica.

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 12/08/2014
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  • A insuficiência cardíaca crônica (ICC) é a via final comum da maioria das doenças que acometem o coração, sendo responsável por elevados índices de mortalidade e de internação hospitalar, bem como redução expressiva da qualidade de vida das pessoas afetadas. Intervenções com vistas à otimização da adesão do paciente ao seu regime médico, e melhora do comportamento de autocuidado, têm se mostrado eficazes na prevenção de internações não planejadas e melhora do resultado em pacientes, entretanto, estudos têm mostrado a problemática da não aderência, e alguns instrumentos psicológicos vem sendo utilizados para mostrar que traços indicam dificuldades com a adesão ao tratamento. Tendo isso em vista, o objetivo deste trabalho constitui avaliar as evidências de validade do Millon Behavioral Medicine Diagnóstic (MBMD) em população de pacientes com ICC. Participaram do estudo indivíduos com ICC, dos sexos masculino e feminino, com faixa etária entre 18 e 85 anos, atendidos em hospital de referência da cidade de Natal-RN. Um total de 120 pacientes responderam, além do MBMD, outro questionário estruturado com itens referentes a aspectos sociodemográficos e clínicos. Os resultados indicaram que o parâmetro de fidedignidade do MBMD mostrou-se satisfatório, demonstrando a constância dos resultados para avaliações realizadas com o instrumento em questão. Em se tratando da população pesquisada, pôde-se verificar que a doença foi mais prevalente no sexo masculino, mas as mulheres apresentaram as maiores médias nos indicadores referentes a hábitos negativos de saúde e humor deprimido. Os mais jovens e aqueles que não tinham companheiro apresentaram as maiores médias em grupos de itens que tratavam de sentimentos de tristeza e desânimo. Não foram verificadas diferenças relacionadas a hábitos negativos de saúde e aderência problemática entre pacientes em classes funcionais diferentes. Mais estudos nessa linda de pesquisa, com populações maiores e de outras regiões do país, são necessários no intuito de ampliação dos dados aqui apresentados.

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  • BRENDA LUANNA FERNANDES CORTÊS DANTAS
  • Evidências de validade do Millon Behavioral Medicine Diagnostic: Avaliação de indicadores de adesão ao tratamento em pacientes com hipertensão

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 13/08/2014
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  • A Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS- é definida como síndrome cuja característica principal é a presença de níveis tensionais elevados, associada a alterações de níveis funcionais ou estruturais nos órgãos aos quais atinge. Suas causas específicas não são bem delimitadas  e possui caráter assintomático. Devido à sua cronicidade exige aderência ao plano de tratamento de forma permanente e sistemática, implicando em mudanças no estilo de vida, combinadas ou não com uso de medicamentos. Os inventários de personalidade têm sido largamente utilizados no delineamento de traços indicativos de dificuldades com adesão ao tratamento. Nesse sentido, desenvolvido por Theodore Millon, o Millon Behavioral Medicine Diagnostic - MBMD é um instrumento elaborado a partir do consenso entre profissionais de saúde, visando identificar fatores psicológicos que venham a comprometer tratamentos médicos para que sejam conduzidos de modo a viabilizar uma melhor adesão. Objetivos: avaliação de evidencias de validade do Millon Behavioral Medicine Diagnostic – MBMD para público de pacientes com hipertensão, com vistas à investigação de indicadores implicados na adesão ou não ao tratamento anti-hipertensivo. Método: contou-se com amostra de 200 participantes, dos sexos masculino e feminino, com faixa etária entre 20 e 70 anos, recrutados presencialmente em um Hospital Universitário da cidade de Natal/RN. Foi administrado um protocolo de entrevista para obter informações sobre dados sócio demográficos, história clínica, hábitos de cuidado e forma de conduzir o tratamento, e posteriormente segui-se a administração do próprio MBMD. Resultados: Por meio de Análise Fatorial Confirmatória verificou-se que a organização proposta pelos fatores é favorável e se ajusta à teoria, permitindo a visualização de outros constructos subjecentes às escalas, com índices de ajustes adequados e indicadores satisfatórios de Alpha de Cronbach. Além disso, o MBMD revelou-se sensível às diferenças intragrupais quanto as variáveis sexo, idade, escolaridade, estado civil, profissão, renda, histórico de HAS, tempo de diagnóstico, uso de medicação, presença de comorbidades, acompanhamento médico, uso de álcool e tabaco, dieta hipossódica, suporte social e critérios de adesão. A utilização de tal instrumento na avaliação de adesão ao tratamento anti-hipertensivo apresenta, portanto, indicadores de validade.

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  • SAYONARA OLIVEIRA FREITAS
  • HISTÓRIAS DE ADOÇÃO TARDIA: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DA ANALÍTICA EXISTENCIAL HEIDEGGERIANA.

  • Orientador : SYMONE FERNANDES DE MELO
  • Data: 15/08/2014
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  • A adoção estabelece o estado de filiação, decorrente de ato jurídico, atribuindo à criança e aos pais os direitos e obrigações inerentes a tal condição, sendo juridicamente irrevogável. Entretanto, na prática, há adoções que não se concretizam, sendo a criança devolvida à justiça no decorrer ou mesmo após o encerramento do processo judicial. Denomina-se adoção tardia, a adoção de crianças com mais de dois anos, sendo esta ainda permeada por estigmas e mitos, sendo a devolução da criança à justiça mais frequente nestes casos.  A adoção tardia envolve um processo de construção de uma relação singular, com uma criança cuja história pregressa é comumente marcada pelo rompimento da relação com a família de origem, por violação de direitos e, em alguns casos, pela experiência do acolhimento institucional. Diante de tal cenário, esta pesquisa, fundamentado na Analítica Existencial proposta por Martin Heidegger, busca compreender a experiência de mães e filhos no processo de adoção tardia, de modo a obter subsídios à atenção psicológica neste contexto. Trata-se de um estudo qualitativo, fenomenológico, com enfoque compreensivo. Os participantes da pesquisa foram duas mães e duas crianças que concretizaram uma adoção tardia há mais de dois anos. Os procedimentos de construção dos dados contemplaram entrevistas narrativas com as mães e encontros individuais com as crianças, nos quais foram utilizados recursos lúdicos como mediadores de expressão (desenhos livres, história infantil inconclusa e “Desenhos-Estórias com Tema” sobre adoção tardia). Os procedimentos foram audiogravados e transcritos. A análise dos dados foi feita a partir da hermenêutica heideggeriana. O processo de adoção tardia, perpassado por determinantes históricos, sociais e culturais e pela trama de significados que compõe a histórica singular de cada um dos envolvidos revelou-se, a partir das narrativas, complexo. A construção dos sentidos de parentalidade e de filiação vem se desenvolvendo, nas famílias do estudo, a partir da experiência do ser-com o outro, do cuidado e do habitar, em seus peculiares modos de expressão. A família de origem e a família adotiva se confundem e se diferenciam na experiência das crianças, principalmente pela existência de irmãos biológicos. Os dados apontam para a importância da atenção psicológica ao núcleo familiar em processos de adoção tardia.

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  • ROCELLY DAYANE TEOTONIO DA CUNHA
  • O atendimento às adolescentes autoras de atos infracionais no Rio Grande do Norte.


  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 18/08/2014
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  • O objetivo deste estudo foi investigar o atendimento destinado às adolescentes autoras de atos infracionais no estado do Rio Grande do Norte. Através do método da História Oral Temática e da análise documental, buscou-se desvelar aspectos históricos do atendimento realizado nas unidades femininas da Fundação dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUNDAC), a partir das experiências de profissionais que atuaram nestas unidades, desde o início das suas atividades. Para tanto, realizamos visitas à FUNDAC e ao Centro Educacional Padre João Maria (CEDUC), a fim de identificar profissionais que pudessem colaborar com o estudo, bem como documentos institucionais sobre a rotina do atendimento. Foram encontrados oito profissionais de três unidades identificadas: Granja Santana, Instituto Padre João Maria e Centro Educacional Padre João Maria (CEDUC), que foram entrevistados de acordo com um roteiro semiestruturado. A análise do material coletado está apoiada na teoria marxiana e na perspectiva feminista da divisão sexual do trabalho. Os resultados estão organizados em cinco eixos de análise: (1) a criação das unidades de atendimento; (2) a conduta “desviante”: motivos para institucionalização das adolescentes; (3) propostas educacionais: uma versão feminina; (4) estratégias de atendimento e; (5) as normas e a punição: a adolescente domesticada. O estudo aponta que o cometimento do ato infracional pelas adolescentes no RN tem sido associada à conduta de suas famílias, principalmente de suas mães. Além disso, em geral, as estratégias de atendimento, as propostas educacionais e as medidas disciplinares foram e têm sido desenvolvidas com base na naturalização do que é o feminino. Assim, o atendimento às adolescentes no RN, nesses trinta e cinco anos, deixou intacta a hierarquização existente na relação social entre os sexos. Ao contrário, reproduziu a subordinação das adolescentes no sistema de justiça juvenil.

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  • CARMEM PLÁCIDA SOUSA CAVALCANTE
  • FUNDAMENTOS DOS CUIDADOS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: UM OLHAR SOBRE O RIO GRANDE DO NORTE ENTRE 1964 E 1988

  • Orientador : HERCULANO RICARDO CAMPOS
  • Data: 11/09/2014
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  • Os cuidados na atenção a infância e adolescência no Brasil sempre foram motivo de discussão teórica e metodológica. Em nível nacional, o modo de lidar com este público sempre esteve em pauta, ora pela manutenção de um tratamento assistencialista, ora pela expressão coercitiva e repressiva com a qual estes sujeitos em tratados. Diante do exposto, esta pesquisa apresenta um estudo aprofundado das políticas sociais voltadas para infância e adolescência no Brasil, com a finalidade geral de investigar como se deu este o processo de implantação das políticas públicas para as crianças e adolescentes pobres no estado do RN. Em levantamentos prévios, foi identificado que não há registros oficiais, no estado do RN, do processo de implementação das políticas para esta população. Foi realizado um retrospecto da atenção voltada para a criança e para o adolescente no Brasil desde o século XXVIII, passando pelo período de assistência até chegar ao período histórico no qual a criança passou a ser pensada a partir de uma política. Com isso, foi realizado também um recorte temporal, de modo que, através do método histórico de pesquisa, este estudo se concentrou em levantar dados acerca da atenção voltada para infância e adolescência no RN, entre os anos de 1964 e 1988. Os dados foram coletados em arquivos jornalísticos que circularam neste período. Este recorte indica o período que corresponde a regência da Política Nacional do Bem Estar do Menor. No RN, a implantação da FUNBERN e, em seguida, da FEBEM, não fugiu no padrão nacional, posto que foram executados muitos projetos e programas de atenção à criança e ao adolescente pobres, neste período. A ação desta instituição revelou a preocupação do estado em resolver a problemática do “menor” diante das situações de abandono ou “delinquência” na qual eles se encontravam. Entretanto, a modo de amparo por parte do estado, em relação a este seguimento populacional, foi efetivado através da ideologia que sustentava o sistema político desta época, que foi a ditadura militar. Deste modo, a principal forma de dispensar cuidados a este público foi através da institucionalização destes sujeitos, desde as crianças, em creches, até os adolescentes, nos institutos de “reeducação” para “menores”.

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  • LUCIANI SOARES SILVA MACEDO
  • Adiamento da aposentadoria e o significado do trabalho para servidores de uma universidade federal

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 15/09/2014
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  • Diante de transformações no mundo do trabalho e mudanças sociais mais amplas, como o envelhecimento populacional e o aumento da longevidade, políticas de incentivo à continuidade do trabalho estão sendo implantadas em diversos países. Consequentemente, constata-se o prolongamento da vida laboral como uma nova direção e expectativa frente à aposentadoria. Este estudo investigou a intenção de continuar trabalhando além do tempo obrigatório de contribuição, explorando a relação dessa intenção com fatores relacionados ao significado do trabalho e aposentadoria. Especificamente, examinou que fatores relacionados ao trabalho e não-trabalho são preditores da intenção de continuar trabalhando, explorando ainda, se significados da aposentadoria se vinculam à essa decisão. A pesquisa, de corte transversal e com desenho de métodos mistos incorporado, abrangeu 283 servidores de uma universidade federal do nordeste que se encontravam próximos à aposentadoria. Envolveu a aplicação de um questionário on line, composto por questões abertas e pela escala Older Worker´s Intention to Continue Working (OWICW) de Shacklock e Brunetto (2011), que inicialmente foi submetida à adaptação transcultural. Os dados quantitativos foram submetidos a análises descritivas e multivariadas, sendo especificamente calculadas diferenças entre médias e coeficientes de regressão logística múltipla. Os dados textuais foram analisados utilizando a técnica lexicográfica de Classificação Hierárquica Descendente. Os resultados revelaram que a maioria dos participantes querem continuar no trabalho remunerado, sendo preditores dessa intenção a percepção de autonomia pessoal no trabalho, a interação interpessoal no trabalho, interesses fora do trabalho, e condições flexíveis de trabalho. Quanto à decisão de adiar a aposentadoria e permanecer na organização, são fatores preditivos a autonomia pessoal, condições flexíveis de trabalho, e o incentivo financeiro (abono de permanência). A análise textual revelou a existência de cinco padrões de significados de aposentadoria: direito do trabalhador, descanso, ficar em casa ocioso, nova etapa de vida, tempo de usufruir a vida. A decisão de adiamento está vinculada à aposentadoria como ociosidade e ausência de atividades substitutivas ao trabalho, e a decisão de parar o trabalho vinculada à aposentadoria como uma vida com mais qualidade. O estudo propicia informações que podem subsidiar políticas de gestão diante do processo de decisão trabalho-aposentadoria.

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  • RAFAELE DE ARAUJO PINHEIRO
  • SIGNIFICADO DO TRABALHO PARA TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO CIVIL

  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 24/09/2014
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  • A presente dissertação tem por objetivo descrever e discutir os significados do trabalho para trabalhadores da construção civil. Trata-se de um estudo empírico cuja investigação se ampara no Modelo dos Atributos do Significado do Trabalho e seu respectivo instrumento de mensuração o Inventário de Significado do Trabalho (IST). A pesquisa de campo envolveu 402 trabalhadores do setor da construção civil de Natal e Recife, com média de idade de 35,8 anos (DP= 11,4). Para a coleta dos dados, além do IST, foram utilizados o Questionário de Condições do Trabalho e ficha sociodemográfica. Os dados foram organizados e analisados com auxílio do programa SPSS. Utilizaram-se como técnicas de análise de dados a Smallest Space Analisys (SSA), estatísticas descritivas, correlações e análises de variância. Verificou-se as evidências de validade do IST, que estruturou-se em cinco tipos de atributos valorativos (o que o trabalho deve ser) e sete tipos de atributos descritivos (aquilo que o trabalho é). Os resultados mostraram que o trabalho apresenta alta centralidade para os participantes e perfila, após a família, o aspecto mais importante na vida dos trabalhadores. Os aspectos de crescimento pessoal e econômico foram os mais enfatizados para o que o trabalho deve ser e o trabalho definido como responsabilidade e esforço as características que melhor descreveram a realidade de trabalho.

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  • ANTONIA NATHALIA DUARTE DE MORAES
  • Travestis na Atenção Primária: O Cuidado em Saúde na Cidade de Natal

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 29/10/2014
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  • As travestis são uma parcela da população estigmatizada, que sofre preconceitos. Por isso, muitas vezes, deixam de procurar os postos de atendimento à saúde por não se sentirem à vontade nesses locais. Tendo como base as diretrizes do SUS e a Política Nacional de Humanização, cujos princípios de universalidade, integralidade e equidade buscam ser efetivados, bem como a inclusão e protagonismo dos usuários, buscamos investigar como está ocorrendo, na prática, a inclusão dessa parcela da população dentro da atenção primária em saúde, considerada a porta de entrada do sistema. Portanto, temos como objetivo compreender a vivência das travestis na busca por cuidados em saúde no âmbito da atenção primária na cidade de Natal-RN, a partir da voz dessas protagonistas. Para tal realizamos uma pesquisa qualitativa. As colaboradoras foram 7 travestis que moram na cidade de Natal. Como estratégias metodológicas utilizamos a entrevista em profundidade, com roteiro e oficina com utilização de “cenas”. Para análise e interpretação das narrativas recorremos à Hermenêutica-Dialética. Diante das análises, foi possível identificar no relato das travestis, algumas dificuldades no tocante ao acesso e uso dos serviços de saúde: o desrespeito ao uso do nome social; a associação das travestis ao vírus HIV; a percepção preconceituosa vinda dos profissionais. Foi possível identificar, também, algumas demandas e necessidades na busca por saúde: a necessidade de ter os seus direitos respeitados; a necessidade de um acompanhamento endocrinológico para os seus tratamentos hormonais; a demanda por visibilidade positiva e a demanda por locais específicos de atendimento. O significado de cuidado foi identificado a partir dos seguintes sentidos: cuidado como humanização, diálogo, respeito, igualdade e transmissão de informações. E quanto às mudanças em saúde, foram encontradas: capacitação dos profissionais, diálogo com o movimento social, aproximação com o sujeito travesti, e campanhas de divulgação. Por fim, espera-se que a pesquisa possa contribuir com o campo do conhecimento acerca do saber-fazer na assistência à saúde das travestis, trazendo pistas capazes de promover um cuidado humanizado.

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  • JULIANA CAVALCANTE MARINHO PAIVA
  • TRABALHO E SEUS SENTIDOS: ESTUDO COM SERVIDORES COM DEFICIÊNCIAS NUMA IES


  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 07/11/2014
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  • O objetivo deste estudo foi compreender a relação das pessoas com deficiências e seu trabalho. Especificamente, buscou-se identificar, os sentidos e significados atribuídos ao trabalho; e, descrever os impedimentos da atividade concreta, e as estratégias desenvolvidas para sua superação. Este objetivo é inspirado na perspectiva teórica sócio histórico cultural e nas teorias da atividade. A pesquisa foi realizada com 16 servidores de uma IES, tratando-se de um estudo multi-métodos sequencial, transversal de orientação qualitativa com utilização de entrevista narrativa e criação fotográfica. Os resultados demonstraram que o trabalho tendo sido caracterizado como uma necessidade, fonte de prazer, reconhecimento, socialização e, tendo o papel dos pares enfatizado na realização do bom trabalho. Os sentidos foram próprios de cada participante, e se demonstraram nos conteúdos e modo de falar de cada participante. Os impedimentos estiveram mais no âmbito das condições ambientais da atividade, do que propriamente na condição da deficiência. Conclui-se que o trabalho é um meio de socialização e o acesso a ele possibilita uma importante ferramenta de inclusão social de pessoas com deficiência, e, nesse sentido, as leis de reserva de vaga cumprem seu papel. As pessoas com deficiência não atribuem significados muito distintos de outros grupos populacionais, ressalta-se apenas, que a deficiência traz luz para designar a importância do papel do trabalho na inserção social dessas pessoas.

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  • DEBORA GUERRA PEREIRA XAVIER
  • Mobilização de competências na atividade informal do vendedor ambulante em praia de Natal (RN)


  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 11/11/2014
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  • A presente pesquisa teve como objetivo investigar a atividade de trabalho do vendedor ambulante de praia, buscando identificar as principais competências mobilizadas diante das demandas e obstáculos desse contexto. Adotou-se como campo a praia de Ponta Negra (Natal-RN) e como participantes um grupo de vendedores ambulantes. Trata-se de uma pesquisa multimétodos sequencial, combinando-se métodos quantitativos e qualitativos de produção e análise dos dados, divididos em três etapas. Na etapa quantitativa aplicou-se um questionário socioprofissional para uma amostra de 60 sujeitos, com uma análise quantitativa de natureza descritiva uni e multidimensional, complementada por análise estatística inferencial. Os resultados dessa fase indicam uma predominância de vendedores homens, com faixa salarial entre um e dois salários mínimos, de idade e escolaridade bastante heterogêneas, extensa jornada de trabalho e permanência unicamente nessa atividade e nessa praia por todo o ano. Concomitantemente a essa etapa, foram realizadas observações assistemáticas da atividade dos vendedores e, em seguida, conduzida a técnica de Instrução ao Sósia com quatro participantes, escolhidos em função de dados do questionário. Esta fase teve uma análise clínico-interpretativa, ancorada na perspectiva psicológica histórico-cultural vigotskiana e na abordagem francesa das competências e habilidades. Os principais resultados apontam para diversas estratégias de superação de obstáculos, uso de saberes práticos cotidianos e técnicos ancorados em experiências laborais, construção de regras de conduta por coletivos e mobilização de diversas competências profissionais semelhantes às encontradas em contextos formais de trabalho, como gestão de negócios, gerenciamento do tempo, uso de ferramentas comunicativas, flexibilidade na resolução de problemas, criatividade e trabalho em equipe. Conclui-se que a informalidade não pode ser vista exclusivamente como sinônimo de precariedade, abarcando também competências e conhecimentos complexos numa cultura própria que a situa de forma complementar em relação ao trabalho formal, contribuindo-se para a ultrapassagem da noção de antinomia entre os dois e para uma abordagem do trabalho informal como um caminho de alcance de satisfação, e mesmo do trabalho bem feito, gerador de identidade e lugar social.

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  • ANTONIELLI JATOBA BEZERRA TINOCO
  • Crianças e Investigação: aspectos Teórico-Metodológicos e Cuidados Éticos nas Produções dos Grupos de Pesquisa da UFRN

  • Orientador : ROSANGELA FRANCISCHINI
  • Data: 19/12/2014
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  • Os conceitos de infância fazem parte de uma construção cultural, variando conforme a história em sua diversidade política, econômica e social. Os nomes “infância”, bem como “criança”, não existiam como unidade de sentido em períodos anteriores à modernidade, reforçando o caráter histórico dos mesmos, conceitos esses que foram construídos socialmente tal como defende a Psicologia Sócio Histórica, perspectiva teórica que dará suporte a esta pesquisa. Diante desse contexto é necessário fazer a distinção conceitual entre infância e criança já que muitos autores os utilizam como sinônimos. Sobre isso, Siqueira (2011) diferencia os termos ao dizer que criança e infância são interdependentes, não sendo possível deixar de apreender na criança a infância, nem mesmo reconhecer na infância uma expressão da criança, contudo as duas categorias não são as mesmas, se constituindo como categorias históricas e sociais; a criança revela o indivíduo e a infância revela o tempo em que esse indivíduo se constitui e constrói sua história. A Sociologia da Infância faz a distinção dos termos e traz mudança na abordagem do pesquisador adulto junto às crianças, objetivando dar voz à criança. Quando se trata de definir o papel das crianças nas pesquisas, o pesquisador deve levar em consideração vários critérios relevantes, como a idade, o gênero, o tempo, a escuta dos adultos próximos às crianças, o nível de linguagem e escolaridade e quais as crianças que serão ouvidas em um grupo. Diante de tantas especificidades, surgem alguns questionamentos: como as crianças estão sendo ouvidas nas pesquisas? Quais condições essas crianças assumem nessa investigação científica? E os cuidados éticos, estão sendo específicos para esse público-alvo? É a partir desta discussão, considerando-se a importância da participação das crianças em pesquisas que se estabelece o objetivo desta, qual seja, analisar os aspectos teórico-metodológicos e os cuidados éticos considerados no processo de pesquisa com crianças, por pesquisadores da UFRN, apresentando como objetivos específicos: analisar e discutir, a partir dos relatórios de pesquisa, os procedimentos éticos adotados e os métodos utilizados em pesquisas com crianças. Definido o objetivo, iniciou-se uma busca dos Grupos de Pesquisa da UFRN no SIGAA com intuito de selecionarmos aqueles que investigam crianças para serem participantes de nossa pesquisa. Dentre os Centros da UFRN, selecionamos o Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA, o Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes - CCHLA, o Centro de Biociências – CB e o Centro de Ciências da Saúde – CCS, totalizando 64 relatórios finalizados a serem analisados. Assim, neste estudo, optamos pela análise documental dos relatórios finalizados dos projetos de pesquisa dos professores/pesquisadores da UFRN como procedimento para a construção do corpus da pesquisa. A análise dos dados foi realizada a partir da Análise de Conteúdo Temática em que foram estabelecidas as seguintes categorias: conceito de infância, conceito de criança, faixa etária dos sujeitos pesquisados, contexto da pesquisa, cuidados teórico-metodológicos adotados e cuidados éticos. Espera-se que este estudo contribua com reflexões acerca dos cuidados éticos e teórico-metodológicos em investigações com crianças.

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  • MILIANA GALVÃO PRESTES
  • A atividade profissional dos técnicos de enfermagem de Natal-RN e o manejo do risco psicossocial

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 30/12/2014
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  • O objetivo central desta pesquisa foi investigar como técnicos de enfermagem em situação presumida de risco psicossocial fazem a gestão dos aspectos internos, concernentes a sua subjetividade, bem como dos recursos externos disponíveis no exercício de sua atividade de trabalho. Os trabalhadores vêm sendo cada vez mais confrontados com situações em que o nível de exigências em relação à atividade de trabalho aumenta, enquanto os recursos individuais e coletivos disponíveis para enfrentá-las diminuem. Em sua definição clássica, os riscos psicossociais constituem um conjunto de aspectos que atingem os trabalhadores e que usualmente estão relacionados à ocorrência de estresse, assédio moral ou sexual e outras formas de violência, conducentes a manifestações diversas de sofrimento subjetivo como adoecimento, depressão e até suicídio. Esse trabalho, por sua vez, se alinha a uma perspectiva contra-hegemônica de risco psicossocial entendendo que o mesmo não pode se restringir apenas à consideração de fatores estressores externos, mas deve necessariamente levar em conta a gestão de tais estressores pelo próprio indivíduo envolvido. A proposta é investigar qual a margem que os trabalhadores em situação coletiva de risco psicossocial possuem para efetivamente realizarem um trabalho que eles próprios avaliem como bem feito, além de desenvolverem tal prática.  A pesquisa aqui descrita combinou abordagens metodológicas quantitativas e qualitativas, de forma não-sequencial, abrangendo dois estudos em interlocução: 1. Um primeiro estudo de levantamento epidemiológico do tipo survey a partir do questionário JCQ (Job Content Questionnaire)-KARASEK-BRASIL e de uma Ficha Sócio-Demográfica e Funcional, com uma amostra representativa da população de referência. 2. Um segundo estudo que consistiu na abordagem clínica à atividade de trabalho de dois técnicos de enfermagem, através da instrução ao sósia. A integração das análises dos dois estudos permitiu constatar que a ocupação profissional em questão pode efetivamente ser caracterizada como submetida, coletivamente, a contexto de risco piscossocial, o que mobiliza formas de maior ou menor efetividade para a gestão individual dessas situações. Conclusões acerca do caráter do risco psicossocial, seu enquadre teórico e suas conseqüências em termos de gestão de pessoas na área profissional em foco são destacados.

Teses
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  • PABLO DE SOUSA SEIXAS
  • A formação graduada em psicologia no Brasil: reflexão sobre os principais dilemas em um contexto pós-DCN

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 31/01/2014
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  • As críticas feitas ao processo formativo graduado do psicólogo no Brasil fizeram surgir debates conhecidos por “dilemas da formação”.  Nos últimos anos o modelo formativo clássico, baseado no Currículo Mínimo passou por uma série de transformações após as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), modificando o contexto dos cursos. Assim, esse trabalho objetiva investigar, em um contexto pós-DCN, como os cursos de graduação em Psicologia no Brasil tem lidado com os dilemas da formação. Para tanto, optou-se por analisar os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) de Psicologia no país. Foram coletados 40 PPCs, selecionados por região, organização acadêmica e natureza jurídica. As informações coletadas foram agrupadas em três blocos de discussões: fundamentos teóricos, filosóficos e pedagógicos; ênfases curriculares e disciplinas e; práticas profissionais. Os resultados foram agrupados em quatro conjuntos de dilemas: a) éticos e políticos; b) teórico-epistemológico; c) prática profissional do psicólogo e d) acadêmico-científicos. Os cursos reivindicam uma formação compromissada socialmente, generalista, pluralista, foco em pesquisa, defesa da indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão, formação interdisciplinar e defesa de uma visão de homem e de Psicologia crítica e reflexiva e não-individualizante. Os currículos mantém o ensino quase que exclusivo das áreas clássicas, dos campos tradicionais da Psicologia aplicada. A formação é conteudista. A clínica é hegemônica, tanto na teoria como nos campos de aplicação. O debate histórico é escasso e são ausentes os temas ligados à realidade brasileira, apesar das políticas sociais estarem presentes nos currículos. Atualmente, as DCNs têm um impacto muito maior nos cursos devido à influência das agências de controle, frutos da política educacional atual, e o resultado disso é sentido na homogeneização dos discursos dos currículos.

     

2
  • YLDRY SOUZA RAMOS QUEIROZ PESSOA
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    MÃOS QUE ALIMENTAM A NAÇÃO: UMA PERSPECTIVA DA QUALIDADE DE VIDA DO AGRICULTOR FAMILIAR ORGÂNICO

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 13/03/2014
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  • O conhecimento de qualidade de vida é um tema muito complexo e rico em dimensões subjetivas e culturais, entendidas em uma percepção vasta e multivariada. Considerando o meio rural a partir da agricultura, observa-se que o padrão produtivo define modificações expressivas no contexto ambiental e na qualidade de vida dos trabalhadores rurais. Para explanar a relação entre qualidade de vida e Agricultura Familiar Orgânica, buscou-se analisar a qualidade de vida do agricultor familiar orgânico, após mudança no manejo agrícola. A investigação, baseada em um procedimento de estudo exploratório, apoiou a articulação construída teoricamente, mostrou sua pertinência e permitiu delimitar, com maior segurança, a questão central do trabalho. O WHOQOL-100 tratou-se do instrumento de pesquisa sobre qualidade de vida que direcionou o estudo de campo com os agricultores familiares orgânicos da cidade de Lagoa Seca/PB. Os agricultores e membros da família são oriundos das regiões rurais Almeida, Alvinho, Lagoa de Barro, Lagoa Gravatá, Oiti e Pau Ferro. O tempo médio de agricultura é de 39 anos e na agricultura familiar orgânica é de 16 anos. Na análise do trabalho se verificou que o processo de produção de verduras e frutas se divide em 08 etapas e em relação às cargas de trabalho as observações mostraram a presença de: cargas físicas, cargas mecânicas, carga psicológica e cargas ergonômicas. Os sintomas mais referidos pelos agricultores foram câimbras e fadiga nas pernas. No que concerne a qualidade de vida percebeu-se que o Domínio Psicológico contribuiu positivamente para a Qualidade de Vida com média e desvio (17,83±12,78) e o Domínio Ambiente contribuindo negativamente para a Qualidade de Vida deste grupo (9,00±6,82). Conclui-se que a prática da Agricultura Familiar Orgânica deve ser vista como uma estratégia eficaz na promoção da qualidade de vida e de valores sociais nesse meio, uma vez que apresenta sustentabilidade socioambiental que respeita à vida e à diversidade sociocultural das populações.


3
  • ANA ANDREA BARBOSA MAUX
  • Masculinidade à prova: um estudo de inspiração fenomenológico-hermenêutico sobre a infertilidade masculina.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 20/03/2014
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  • Culturalmente procriar é compreendido como uma situação que o sujeito irá vivenciar em algum momento de sua vida. Descobrir-se incapaz de cumprir com tal destino naturalizado parece ser desencadeador de sofrimento, frustração e sentimentos de incapacidade e impotência. Especificamente para o homem, a infertilidade está estreitamente relacionada com perda de masculinidade, de virilidade. Ele fracassa em seu papel de macho. O presente estudo buscou compreender os impactos que a infertilidade produz na existência do homem que recebe tal diagnóstico, tanto nos modos de perceber a si mesmo quanto no papel conjugal, sexual e profissional. Configura-se como uma pesquisa de inspiração fenomenológico-hermenêutico, baseada em ideias do filósofo Martin Heidegger. Participaram do estudo sete homens heterossexuais, com quem realizamos duas entrevistas individuais. O passo de análise do material, que ocorreu no próprio processo de construção da pesquisa, compreendeu tanto o material das narrativas como as afetações da pesquisadora por ocasião do contato com os colaboradores e suas narrativas, por meio da interpretação fenomenológico-hermenêutica. Os resultados corroboram a literatura que afirma a dificuldade apresentada pelos homens, imersos em um contexto que os define como viril, potente e invulnerável, de se preocupar com as questões relacionadas à saúde e doença. Assim, a possibilidade de haver alguma condição que dificulte a sua capacidade reprodutiva ultrapassa os limites aceitáveis no horizonte cotidiano de sentido que compõem as vidas desses homens, não sendo reconhecida como uma condição presente no modelo de masculinidade no qual eles se reconhecem. Isto leva a um questionamento a respeito de sua masculinidade, de seu papel dentro da relação conjugal e da própria existência. Reconhecer-se na condição de homem infértil vai além de um diagnóstico médico e está relacionado à construção de um sentido a partir da aproximação com tal condição, o que auxilia no redirecionamento de suas escolhas, resgatando o projeto de ser si-mesmo e possibilitando continuar se reconhecendo como homem. Outro resultado observado diz respeito à condição ontológica de solicitude que caracteriza o ser humano. As várias formas como socialmente os homens são tratados demonstram um tipo de cuidado no qual, ao mesmo tempo em que valoriza o desenvolvimento de características como força, virilidade e determinação, não permite que eles se aproximem de sofrimento, poupando-os de situações emocionalmente difíceis, como é o caso do diagnóstico de infertilidade. E eles reproduzem essa forma de cuidado protetivo nas relação com as esposas, fazendo o que estiver ao seu alcance para garantir, de alguma forma, que elas se sintam satisfeitas e, através dessas ações, eles permanecem exercendo o papel de provedor da família, demonstrando serem capazes de ampará-la e protegê-la e tendo na reprodução assistida ou da adoção de uma criança alternativas viáveis para concretizar o desejo de deixar um legado e de prover à esposa um filho. Ao final, o estudo enseja reflexões sobre a necessidade de proporcionar espaços de acolhimento e escuta aos homens e às suas expressões de sofrimento, bem como o reconhecimento em sua capacidade de superação das situações dolorosas e difíceis, sem que isso lhes retire a masculinidade.

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  • REMERSON RUSSEL MARTINS
  • Avaliação da adesão terapêutica no tratamento da síndrome metabólica

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 11/08/2014
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  • O presente trabalho tem por objetivo principal desenvolver estratégias avaliativas para identificação de comportamentos aderentes aos tratamentos da síndrome metabólica, de maneira a fomentar ações que minimizem o abandono dos procedimentos terapêuticos demandados aos pacientes. Emprega-se como referencial teórico a Teoria da Ação Planejada (TAP) como marco para a compreensão e avaliação do fenômeno da adesão terapêutica. Metodologicamente esta tese está organizada entre três estudos distintos e encadeados. O primeiro estudo trata-se de uma pesquisa exploratória, buscando operacionalizar o conceito da adesão terapêutica para uso na TAP, além da construção de um instrumento – questionário – de avaliação da adesão terapêutica entre pacientes portadores de síndrome metabólica. O segundo estudo busca desenvolver o processo de validação do instrumento, levantando evidências que possam avaliar isso. O terceiro estudo procura desenvolver e avaliar estratégias interventivas para melhoria da adesão terapêutica, tendo como base a TAP. Todos os estudos são realizados com pacientes portadores de síndrome metabólica, tendo como locais de coleta de dados nas cidades de Natal/RN, Mossoró/RN, Caraúbas, RN e Cuité/PB. Utilizou-se como instrumentos ao longo dos três estudos questionários desenvolvidos na própria pesquisa, mais o Millon Behavioral Medicine Diagnostic (MBMD). A análise dos dados levantados identificaram as principais crenças salientes associadas à adesão terapêutica entre os pacientes portadores de síndrome metabólica. A caracterização destas crenças formam a base para o processo de construção do instrumento para avaliação da adesão terapêutica e o desenvolvimento de intervenções para melhoria dessa adesão. O instrumento desenvolvido para avaliar a adesão possui uma estrutura fatorial compatível com os constructos da TAP, observando-se índices de confiabilidade entre os níveis adequados. Entretanto a correlação desse instrumento com o MBMD foi baixa, limitando o alcance para sua validade convergente. A TAP mostrou-se útil no desenvolvimento e avaliação de intervenções para melhoria da adesão terapêutica entre os pacientes pesquisados. O instrumento desenvolvido permitiu discriminar entre os sujeitos que apresentaram evolução em sua adesão, destacando quais aspectos cognitivos apresentaram maior peso sobre essa modificação.

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  • EDUARDO ALEXANDRE RIBEIRO DA SILVA
  • Interação Social e Envelhecimento Ativo: um estudo em duas praças de Natal/RN

  • Orientador : GLEICE VIRGINIA MEDEIROS DE AZAMBUJA ELALI
  • Data: 08/09/2014
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  • Face ao evidente aumento do contingente populacional das pessoas com mais de 60 anos, o processo do envelhecimento tem levantado importantes debates em áreas como planejamento social, político e econômico, que recomendam que o incremento da longevidade deve estar acompanhado de autonomia e qualidade de vida. Diante dessas demandas, a literatura relata que estar ativo tem sido uma das principais estratégias para a promoção de melhores condições de vida aos idosos. A prática de atividades (física, social, cognitiva e afetiva) vem se consolidando enquanto indicativo de saúde e bem-estar, estimulando-os a exercitar suas múltiplas habilidades. Estudos da relação pessoa-ambiente têm envidado esforços para compreender o papel do ambiente sociofísico para a estimulação da atividade em idosos nos mais diversos ambientes. Dentre estes, os espaços abertos urbanos públicos tem sido relatados em diversas pesquisas como alternativa promissora na adoção de um estilo de vida menos sedentário. Com base nessas considerações, este estudo se propôs a investigar a relação entre elementos do suporte socioambiental e a interação social de idosos em praças públicas da cidade de Natal-RN, utilizando uma abordagem exploratória, predominantemente qualitativa e multimetodológica. A partir de um painel de especialistas e da análise de características ambientais de 252 praças da cidade, foram selecionados dois estudos de caso para realização de vistoria das condições de suporte socioambiental para permanência e uso, seguido de entrevistas coletivas e individuais, finalizando com a representação espacial dos comportamentos de interação social dos usuários idosos. A associação entre a realização de atividades físicas com as formas de socialização por eles praticadas foi identificada como o principal agente motivador da presença de idosos nesses locais. Os resultados indicam que as características do suporte socioambiental favorecem o estabelecimento de comportamentos socioespaciais que contribuem para expressões de interações sociais relevantes para estimular a continuidade da participação em atividades, que, segundo os pressupostos do Programa do Envelhecimento Ativo, permitem a manutenção de um estilo de vida ativo, com importantes implicações para a saúde, bem estar e qualidade de vida na velhice.

6
  • ANA VLÁDIA HOLANDA CRUZ
  • As raízes históricas da política criminal na legislação e nas práticas de atendimento ao adolescente em conflito com a lei.

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 17/12/2014
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  • A presente tese investiga a influência histórica da política criminal na conjuntura que forja a primeira lei específica para crianças e adolescentes no Brasil, o Código de Menores de 1927, norma que inaugura a cisão conceitual entre crianças e “menores” e seu diferente tratamento pelo Estado. O estudo aborda a demanda por Ordem no contexto das modificações no mundo do trabalho na transição do sistema escravocrata para o modo de produção capitalista e os correspondentes mecanismos de controle disciplinar e punitivo direcionado para o segmento da infância e da adolescência. O percurso teórico propõe uma problematização da construção política do direito e da justiça, assim como da conformação das técnicas punitivas e a construção do estereótipo do “delinquente”, alvo preferencial da política criminal, focando o processo de criminalização do segmento em pauta através da confrontação da perspectiva Crítica com as abordagens das Escolas Clássica e Positiva. A pesquisa mostra a imposição de uma moral burguesa que obscurece a conflitualidade social atribuindo-a à indivíduos isolados pela criminalização de suas condutas; e destaca que as formas históricas de controle social seletivo contaram com uma contribuição impar da psiquiatria e da psicologia, seja na elaboração da figura do “delinquente” seja no desempenho esperado das instituições privativas de liberdade. Por fim, são problematizados os desdobramentos e as permanências das raízes históricas da política criminal, relacionando-as com as dificuldades atualmente encontradas na consolidação do paradigma garantista proposto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

     


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  • ANA LUDMILA FREIRE COSTA
  • A pós-graduação stricto sensu de Psicologia e o debate sobre política social

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 19/12/2014
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  • A pós-graduação stricto sensu de Psicologia tem passado por intenso processo de crescimento e consolidação, atestado pelos atuais índices de produção científica. Questiona-se, contudo, que retorno a ciência psicológica tem dado a uma sociedade que lhe tem feito grandes investimentos. Considerando a inserção cada vez maior da Psicologia no campo do bem-estar social, uma forma de contribuição possível e necessária é pela ampliação do debate sobre política social. Diante disso, objetivou-se discutir as possibilidades de contribuição dos programas de pós-graduação stricto sensu de Psicologia para o debate sobre política social. Foram analisadas teses acadêmicas defendidas no triênio 2007/2009 que versassem sobre um de cinco critérios utilizados para definição temática, o que resultou em 105 teses, das 824 defendidas no período. Os principais resultados referem-se à existência do tema nos programas de Psicologia, predominantemente de forma pulverizada, ainda que, para um conjunto restrito de pesquisadores e programas, “política social” figure como objeto de estudo prioritário, indicando incipiente sistematização desses estudos. Ademais, constatou-se que, enquanto a maioria das teses pode ser caracterizada pela fragilidade dos marcos teóricos em relação ao objeto, com pesquisas em uma perspectiva essencialmente técnica, parcela dos estudos revela preocupação com a contextualização do debate sobre política social em relação ao cenário social mais amplo, conferindo as condições mínimas para a construção de uma crítica teórica fundamentada e robusta. Conclui-se que, para que a ciência psicológica possa contribuir efetivamente para o desenvolvimento da sociedade, são urgentes a articulação entre os pesquisadores da área em torno do tema, o aprofundamento do debate teórico e a transformação dos saberes construídos em prática política organizada.

2013
Dissertações
1
  • FELLIPE COELHO LIMA
  • A Psicologia do Trabalho e das Organizações na formação do psicólogo no Brasil.

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 04/02/2013
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  • A pesquisa objetivou analisar a presença da Psicologia do Trabalho e das Organizações (PT&O) na formação graduada do psicólogo após as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2004. Investigou-se em 43 cursos de Psicologia do Brasil como os seus Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) contemplavam a PT&O, a partir da leitura exaustiva do PPC e das ementas das disciplinas relacionadas à PT&O, além da análise da matriz curricular e do uso de categorias criadas em estudos semelhantes a este. O campo foi citado por 41 cursos, principalmente, na definição do perfil do egresso, nas competências esperadas e no processo de formação de psicólogos; 28 cursos possuíam ênfase curricular em PT&O e em 12 casos havia presença de práticas profissionais em PT&O. Todos os cursos apresentaram ao menos uma disciplina no campo e em 29 casos havia entre duas e seis disciplinas, ocupando uma média de 10% da carga horária total do curso. Constatou-se que a PT&O é vinculada às discussões de qualidade de vida e saúde do trabalhador, agregadas às prescrições de trabalho nos setores de Gestão de Pessoas, e em outros locais, como sindicatos. Ainda, 37% (147) das disciplinas de PT&O versam sobre temas da Psicologia do Trabalho, 21% (81) tratam da Psicologia Organizacional, 18% (71) de assuntos da Psicologia Industrial e 14% (55) tratam de debates genéricos sobre o campo. Os temas mais frequentes foram: recrutamento e seleção (25 cursos), treinamento, desenvolvimento, aprendizagem e educação (24) e trabalho e saúde mental (24).  Esses conteúdos assumiram três funções: fornecer princípios para atuação no campo, capacitar psicólogos a analisarem seus contextos de trabalho e oferecer uma compreensão do ser humano mediada pelo trabalho. Concluiu-se que a PT&O está consolidada na formação do psicólogo, pelo ganho gradual de espaço e pela contemplação de temas tradicionais e emergentes.

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  • ADRIANA RAQUEL NEGRAO DUARTE
  • Reflexões sobre a formação clínica fenomenológico-existencial na Era da Técnica.


  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 13/03/2013
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  • No presente estudo, a Fenomenologia é destacada pela dimensão de sua crítica aos limites da ciência positivista, ciência esta que rege a grande maioria das áreas do conhecimento, abrangendo, inclusive, a própria Psicologia. No que se refere ao processo de formação clínica no curso de Psicologia, existe uma dificuldade peculiar por parte dos estudantes-estagiários que adotam a fenomenologia como referencial clínico. Tal dificuldade se deve à incompatibilidade entre o aporte teórico advindo do curso de Psicologia, ciência esta pautada, tradicionalmente, em paradigmas cientificistas, e a proposta teórico-metodológica adotada pela abordagem supracitada. Como pano de fundo deste cenário, buscamos um aprofundamento no pensamento do filósofo Martin Heidegger, principalmente no que se refere à Era da Técnica. Esta sociedade tecnicista e contemporânea foi abordada para que pudéssemos entender o cenário sócio-cultural em que esta formação está inserida. Diante disso, questionamos se esse panorama no qual a Psicologia Clínica repousa favorece o desenvolvimento de uma atitude fenomenológica e de um olhar diferenciado para os sentidos da existência, tal como é pensado na clínica fenomenológica. Reconhecendo esses limites, tivemos como objetivo de pesquisa compreender a experiência de formação de psicólogos clínicos que desenvolvem estágio na perspectiva fenomenológico-existencial. Tal estudo se configurou, portanto, como uma pesquisa fenomenológico-hermenêutica, baseada na ontologia heideggeriana, e utilizou como instrumento de acesso à experiência a entrevista semi-estruturada. Os participantes desta pesquisa foram seis estagiários do curso de Psicologia da UFRN que estavam desenvolvendo estágio supervisionado em psicologia clínica na abordagem referenciada. A pesquisa revelou que a etapa de formação fenomenológico-existencial abre uma possibilidade de descobertas por parte do estudante estagiário que transcendem a dimensão do outro, pois refletem um auto desvelamento enquanto pessoa lançada no mundo. Embora com os desconfortos iniciais pelo próprio formato do currículo do curso e pela liberdade de atuação clínica, característica da fenomenologia, as narrativas demonstraram que tais dificuldades são capazes de instaurar um processo de busca por novos sentidos, sentidos estes que refletem uma busca por uma afinação de suas práticas e um trilhar de caminhos no compasso com a existência do outro.


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  • BIANCA GALVÁN TOKUO FERNANDES
  • O contato em um click: ser-com em um mundo supervirtualizado.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 15/03/2013
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  • O presente estudo tem como objetivo compreender os sentidos da experiência de jovens e adultos com a interação social virtual, partindo de suas narrativas. Inspiradas nas ideias de Martin Heidegger, especialmente em seu seminário “A Questão da Técnica”, refletiremos sobre os modos de ser-com, em tempos de tecnologia, internet, consumo e hipermodernidade, contexto deste estudo, onde as coisas são vivenciadas em seu extremo (hiperconsumo, hipercorpo, hipermercado, hipercartões). Neste cenário, a Internet e as Tecnologias de Informação e Comunicação estão mediando, cada vez mais, o contato do homem com o mundo, reconfigurando a vida em sociedade. Diante disso, apresentamos “A Era do Click”, em que são possibilitados novos meios de estar com os outros, afetando os modos de ser-com, o que justifica a busca de melhor compreender os impactos da virtualização do contato para o ser-aí. Trata-se de um estudo qualitativo, baseado na fenomenologia de Heidegger, por entendermos ser este um caminho favorecedor da compreensão dos sentidos da experiência em relação à questão problematizada. Como estratégia de pesquisa foram utilizadas entrevistas individuais, inspiradas nas narrativas de Walter Benjamin. Cinco colaboradores relataram suas experiências de ser-com no mundo virtual, refletindo sobre como vivenciam as relações neste espaço, tematizando, dentre outros aspectos, espacialidade, temporalidade, propriedade e impropriedade, poder e liberdade, solidão e angústia. Tais questões, em um diálogo com os escritos de Martin Heidegger, indicaram o espaço virtual como facilitador de diferentes modos de ser-com, aproximando ou distanciando, dependendo do sentido que aquela experiência traz para a singularidade de cada usuário. Certos da amplitude deste tema e de sua importância para a Psicologia, questionamos as implicações da virtualização, a longo prazo, estimulando a realização de novos estudos, sob a luz da fenomenologia heideggeriana.

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  • PATRICIA KARLA DE SOUZA E SILVA
  • Experiências maternas de perda de um filho com câncer infantil: uma compreensão fenomenológico-existencial

  • Orientador : SYMONE FERNANDES DE MELO
  • Data: 05/04/2013
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  • A morte em decorrência de câncer infantil reflete um desfecho precoce da vida, evento este que pode provocar forte repercussão na existência da mãe, figura a qual, comumente, é atribuída a maior parte das responsabilidades durante o adoecimento do filho. Esse estudo tem por objetivo compreender a experiência de mães que perderam um filho em decorrência de câncer infantil, aproximando-se dos sentidos pessoais desta vivência. Seguindo os moldes de um delineamento qualitativo, com enfoque exploratório e compreensivo, utilizou-se como procedimento de construção dos dados o método da “narrativa”, obtida a partir de entrevista semiestruturada. A pesquisa contou com a participação de três mães adultas que perderam seus filhos por câncer infantil, após um período mínimo de seis meses de tratamento oncológico. A proposta de análise segue os parâmetros do método fenomenológico e a compreensão dos dados é fundamentada na analítica existencial de Martin Heidegger. Os resultados foram estruturados em três eixos temáticos: História prévia, adoecimento infantil e suas repercussões; A rede de apoio e o cuidado; A perda e o depois: enfrentamento e significação. Foi possível compreender que o surgimento do câncer na infância promove, desde o diagnóstico, uma ruptura dos significados cotidianos, evidenciando a frágil condição da vida humana. Nesta circunstância específica de adoecimento infantil, todas as participantes restringiram suas possibilidades de ser-no-mundo, dedicando-se exclusivamente ao exercício da maternidade. Na relação com os filhos em situação de tratamento, as narrativas desvelaram, de maneira convergente, a existência de um cuidado no modo substitutivo. No âmbito da rede de suporte, constituída primordialmente pela família, equipe de saúde e instituições de apoio, as relações foram marcadas por movimentos de proximidade e distanciamento. Com a morte do filho, as mães passam a vivenciar uma forma de “ser-com o filho ausente”, garantindo a continuidade da relação com o filho morto. Tomando-se os resultados expostos acima, pode-se compreender o luto materno como uma experiência singular em constante ressignificação, na qual o tempo subjetivo sobrepõe-se ao tempo cronológico. O incremento da angústia, decorrente do confronto da mãe com a questão da finitude, mobiliza um processo de mudança em seu modo de ser-no-mundo, promovendo a abertura de novas possibilidades em sua vida. Uma atenção singular à mãe, durante o processo de adoecimento e perda do filho, revela-se, portanto, primordial.

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  • LAIS BARRETO BARBOSA
  • Mulheres em situação de violência e atenção em saúde mental: um estudo no município de Natal/RN

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 12/04/2013
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  • O presente estudo tem como finalidade conhecer o acolhimento e atenção dispensados às mulheres com demandas em saúde mental nos serviços especializados para o enfrentamento da violência, bem como pela rede de atenção psicossocial no município de Natal/RN. Trata-se de uma pesquisa qualitativa caracterizada como pesquisa-intervenção realizada no ano de 2011. O estudo se iniciou no Centro de Referência no qual foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais direcionadas à equipe técnica e gestora, objetivando-se conhecer os cuidados ofertados em relação à clientela supracitada. A partir do Centro de Referência foram identificados, por meio da análise de fichas de cadastro, os itinerários percorridos pelas usuárias através da rede de atenção psicossocial e rede hospitalar. Após a identificação dos mesmos foram visitados dois Centros de Atenção Psicossocial, dois Hospitais Psiquiátricos, uma Unidade Básica de Saúde e a Casa Abrigo local. Nestas instituições investigou-se o acolhimento e procedimentos oferecidos às usuárias em situação de violência, o conhecimento das políticas para mulheres e a articulação com a rede de atenção às mulheres, por meio de entrevistas com roteiros semi-estruturados individuais direcionadas aos profissionais de referência. As entrevistas foram analisadas tendo como ponto de partida o referencial teórico da Análise Institucional francesa, o qual prevê a assunção de acontecimentos analisadores para a leitura crítica das dimensões instituídas nas práticas de cuidados das equipes que fizeram parte do estudo. Os resultados da pesquisa revelaram dificuldades por parte das mesmas no acolhimento das usuárias com este perfil, tanto nos serviços de enfrentamento à violência quanto nos serviços de saúde mental. Tal fato ocasionava a desassistência no âmbito da garantia dos seus direitos, cessando as possibilidades de enfrentamento das situações de violência, bem como de cuidados no âmbito da saúde mental.

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  • MARIANA MEIRA PIRES SIMONETTI
  • O ser criança no cenário da infância pós-moderna hiper-realizada.


  • Orientador : SYMONE FERNANDES DE MELO
  • Data: 19/04/2013
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  • O século XX, marcado pela consolidação do progresso técnico e científico, lança o homem em um novo cenário, com consequentes repercussões em seus modos de ser. As crianças, seres históricos e ativos, desenvolvem-se nesta conjuntura. Uma parcela desta população insere-se em um contexto que pode ser denominado de infância hiper-realizada, marcado pela realidade virtual, ritmo de vida acelerado, apelo ao consumo, excesso de informações e altas expectativas de desempenho e sucesso. A despeito do lapso temporal, o filósofo Martin Heidegger traz contribuições para uma reflexão sobre a experiência destas crianças a partir da discussão sobre a “Questão da Técnica”. O objetivo deste trabalho é, portanto, compreender, em uma perspectiva heideggeriana, a experiência de algumas crianças que vivem no contexto pós-moderno da infância hiper-realizada. O estudo apresenta um delineamento fenomenológico com enfoque exploratório e compreensivo. A pesquisa contou com oito participantes, com idades entre sete e nove anos, estudantes de escola privada do município do Natal-RN. Para a construção dos dados foram utilizadas estratégias lúdicas, visando uma aproximação do vivido. A partir de uma compreensão fenomenológica, apreende-se que o sentido de ser criança é associado primordialmente ao brincar e estudar. As relações com os pais refletem as mudanças advindas da pós-modernidade, evidenciando-se, em especial, a confusão ante a falta de parâmetros seguros que sirvam de norte no processo educativo e a solidão frente, principalmente, à ausência paterna no cotidiano dos filhos. O salto para o ciberespaço e o advento da cultura do consumo perpassam as vivências da infância, subvertendo as experiências de tempo e espaço. Nas respostas das crianças ao avanço tecnológico evidencia-se, por vezes, o domínio da impropriedade. Em alguns momentos, entretanto, elas parecem questionar a técnica; na descoberta do mundo em que vivem, experimentam as oportunidades que se apresentam, e conseguem relacionar-se com a técnica como possibilidade, e não como necessidade. Assim sendo, ressalta-se a necessidade de abertura para compreender os sentidos de ser criança para aqueles que já nasceram na Era da Técnica, pois, somente assim, será possível encontrar caminhos para uma profícua intervenção no âmbito desta relação. 

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  • MARCELO MENEZES DA COSTA
  • Gestão em Saúde Mental: um estudo em CAPS com gerência pública e privada do Rio Grande do Norte

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 02/05/2013
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  • Atualmente, diversos modelos de gerência dos serviços a partir da gestão pública estão em operação no Brasil seguindo uma tendência mundial. Além da tradicional gerência pública operada na rede SUS, há experiências em curso de gerência privada de serviços públicos de saúde. Nesse sentido, desenvolvemos uma investigação em dois Centros de Atenção Psicossocial que operam entre essas duas formas de gerência os seus recursos financeiros: o primeiro deles é o CAPS II – PAR situado no município de Parnamirim cuja forma é a privada e o segundo é o CAPS II - Oeste de Natal que é da administração pública municipal. Buscamos conhecer o modo de funcionamento dos serviços, as formas de planejamento e critérios para utilização dos recursos financeiros, identificar diferenças entre os serviços quanto às formas de gerência e verificar como técnicos e usuários participam no processo de planejamento e manejo desses recursos. Foi realizada Pesquisa Documental junto à gestão municipal de Natal e à administração financeira do serviço CAPS em Parnamirim. Foram realizadas uma entrevista com gestor (coordenadora de saúde mental do município de Natal) e outra entrevista com funcionária de planejamento da secretaria municipal de saúde de Natal, uma entrevista com coordenadora e administradora financeira do CAPS - PAR e duas rodas de conversa gravadas com roteiro de entrevista semiestruturado com seis técnicos no CAPS – PAR e seis profissionais lotados no CAPS – Oeste. Foram constatadas diferenças na gerência dos recursos financiados a partir de quatro blocos de discussão e análise dos resultados, em que no serviço com gerência privada há o manejo direto e sem burocracia, sendo discutidos e planejados os gastos em equipe, bem como através de assembleias com usuários, a utilização do recurso financeiro disponível em caixa; já no serviço com gestão pública municipal há uma hierarquização, este respondendo à coordenação de saúde mental, sendo a secretaria municipal de saúde que centraliza os recursos e define os seus gastos. Há assembleias com usuários e familiares, mas as demandas são limitadas quanto ao que pode ser demandado devido à autorização do gestor. Tal diferenciação estaria relacionada com as diferenças na articulação da gestão pública com os diferentes tipos de gerência possíveis nos serviços públicos, onde a partir da implantação da nova administração pública na reforma gerencial do Estado brasileiro iniciada na segunda metade da década de 1990, são beneficiados os serviços com gerência em regime privado, com autonomia e repasse direto dos recursos.

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  • MARIANNA CARLA MAIA DANTAS DE LUCENA
  • Evidências de validade do Millon Behavioral Medicine Diagnostic (MBMD) na avaliação psicológica de candidatos à cirurgia bariátrica.


  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 10/05/2013
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  • O Millon Behavioral Medicine Diagnostic é um instrumento elaborado a partir do consenso entre profissionais de saúde, visando identificar fatores psicológicos que venham a comprometer tratamentos médicos para que sejam conduzidos de modo a viabilizar uma melhor adesão. Como tem sido um dos instrumentos mais utilizados para avaliação em cirurgia bariátrica em outros países, o objetivo desta pesquisa é verificar evidências de validade do Millon Behavioral Medicine Diagnostic (MBMD) para avaliação psicológica de candidatos a cirurgias bariátricas. Método: voluntários dos sexos masculino e feminino, com idades entre 18 a 70, agrupados em 150 pacientes internados para procedimentos cirúrgicos ou portadores de doenças crônicas (grupo controle) e 426 pacientes candidato à cirurgia bariátrica, contatados presencialmente ou por intermédio de uma página na internet. Para os estudos foram administrados no grupo presencial de bariátrica o Millon Index of Personality Styles (MIPS), o Millon Clinical Multiaxial Inventory-III (MCMI-III) e o Questionário de Saúde Geral de Goldberg, apenas nos pacientes de cirurgia bariátrica. Resultados: há indicadores apontam adaptação semântica do instrumento, com 27 fatores nos cinco domínios do instrumento, todos com índices satisfatórios de validade. Os indicadores de precisão se mostraram satisfatórios em 18 das 32 escalas que compõem o MBMD, ao passo que as relações com os outros três instrumentos apresentaram variações importantes se comparados aos indicadores originais. O MBMD se mostrou sensível às diferenças entre grupos quando ao sexo, faixa etária, escolaridade, estado civil, Índice de Massa Corporal, presença de comorbidades e em portadores de doenças crônicas com e sem obesidade. O uso deste instrumento nas avaliações de candidatos à cirurgia bariátrica apresenta indicadores de validade tendo em vista as limitações quanto à precisão de determinadas escalas.

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  • LUANA ISABELLE CABRAL DOS SANTOS
  • A relação juventude-trabalho no Projovem Integrado do Município de Natal/RN


  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 17/05/2013
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  • Com base em um diagnóstico nacional sobre a situação juvenil – organizado por um grupo interministerial, em 2004 – algumas problemáticas da juventude passaram a repercutir de forma mais preocupante, exigindo ações mais efetivas do governo. Em 2005, é criado o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), que é o principal programa da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) para operacionalização da política pública voltada para esse segmento. Tendo em vista que o ProJovem surge como principal programa da SNJ, com o objetivo de romper com o ciclo de reprodução da desigualdade, por meio da melhoria na formação básica, da reflexão acerca da comunidade na qual o jovem se insere e da qualificação profissional, o  objetivo deste trabalho é discutir como a relação juventude-trabalho se insere e é operacionalizada no Projovem Integrado do município de Natal/RN. Em 2008, o ProJovem passa a ser executado a partir de quatro modalidades: Adolescente – serviço socioeducativo, Urbano, Trabalhador e Campo – saberes da terra, dentro da perspectiva de atender uma população de 15 a 29 anos que até então era pouco contemplada pelas políticas específicas. Para a realização do trabalho, foram realizadas três entrevistas semiestruturadas com os gestores das modalidades; observações nos núcleos e análise dos documentos oficiais. Em Natal, as modalidades em funcionamento são: o Projovem Urbano, que conta com três núcleos divididos por dois distritos da cidade; O ProJovem adolescente, que possui dez núcleos, nas diferentes regiões administrativas e; o ProJovem Trabalhador que, até o início da coleta, ainda estava estruturado seus cursos. Os dados foram analisados qualitativamente à luz da Teoria Marxiana, com o auxílio do Método Comparativo Constante que, baseado na Teoria Fundamentada, possibilita compreender o significado dos fenômenos sob a perspectiva dos participantes. Os resultados foram agrupados da seguinte forma: No primeiro momento fizemos uma caracterização dos bairros, nos quais os núcleos das modalidades visitadas estão inseridos e uma breve caracterização do público atendido; em seguida, dividimos a apresentação dos resultados em três blocos: a) estrutura da modalidade, que compreende a implementação, funcionamento e operacionalização das atividades; b) Gestão da modalidade – principais dificuldades, expectativas e funções; e, c) a relação juventude-trabalho nas modalidades. Refletimos que há muitas dificuldades na execução das modalidades, provenientes de um momento em que, estado e município, passam por um desmantelamento das políticas públicas, refletindo na atenção que é dada ao público jovem. Além dessa questão macropolítica, há ainda, a questão da operacionalização das modalidades, que carecem de estratégias para atrair os jovens e fazê-los permanecerem. Em parte, essas dificuldades podem ser resultado da situação “caótica” das políticas e, em parte, da falta de adequação das modalidades à realidade da juventude. Sobre os objetivos e metas de qualificação e inserção, respectivamente, há incongruências na oferta dos arcos ocupacionais. Vimos que as ocupações oferecidas são, historicamente, subalternizadas e precárias, de modo que não promovem grandes mudanças e alterações nas trajetórias dos jovens, inserido-os, muitas vezes, em trabalhos sem carteira assinada, caracterizados como informais ou subempregos. Além de que a qualificação profissional é muito incipiente e, portanto, não atende os requisitos necessários para que o jovem seja considerado “apto” para “ingressar” no mercado de trabalho. Consideramos que outras pesquisas são necessárias para que possamos compreender melhor os demais aspectos da relação juventude-trabalho.

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  • GEORGIA DE OLIVEIRA MOURA
  • Indicadores de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em Bombeiros Militares

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 29/05/2013
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  • O presente estudo objetiva verificar a presença de indicadores de Transtorno de Estresse Pós-Traumático – TEPT em Bombeiros Militares de dois estados do nordeste, visto que essa população lida com eventos traumáticos em seu cotidiano. Por ser um trabalho complexo que lhes demanda técnica e habilidades específicas para a situação, faz-se necessário e relevante, para a área de segurança pública, investigações num contexto da avaliação psicológica. Assim, foram avaliados 216 sujeitos com idades de 18 a 70 anos, do sexo masculino, de diferentes graduações, residentes e domiciliados nos Estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, vinculados à corporação do Corpo de Bombeiros Militares. Os instrumentos utilizados foram: formulário sociodemográfico, para caracterização da amostra, Inventário Clinico Multiaxial de Millon– III (MCMI-III),  Questionário de Saúde Geral de Golberg (QSG) e Mini Entrevista Neuropsiquiátrica Internacional (MINI). Os resultados demonstraram que o grupo com traços do TEPT apresentou diferenças significativas entre as médias com relação ao grupo sem os traços do transtorno. Os participantes apresentaram valores elevados para risco de transtorno ou mesmo a presença dele, no que se refere à saúde geral. Desenvolveram-se estudos quanto à obtenção de validade convergente da escala R – Transtorno de Estresse Pós-Traumático do MCMI-III, cujos resultados apontaram o instrumento tem apropriada sensibilidade em distinguir pessoas que apresentam ou não o transtorno.  Contudo, ainda são necessários estudos posteriores para verificação da avaliação e acompanhamento psicológico continuado desses profissionais. 

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  • LUCILA MOURA RAMOS VASCONCELOS
  • A TRAJETÓRIA DE CARREIRA DO PROFISSIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA GRANDE NATAL


  • Orientador : PEDRO FERNANDO BENDASSOLLI
  • Data: 07/06/2013
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  • A idéia de que a carreira consiste em uma trajetória linear estruturada pela empresa ao longo da vida profissional do individuo vem se alterando para uma nova realidade em que a carreira passa a ser vista como uma jornada, aberta a possibilidades e incertezas. Vários modelos surgiram na tentativa de compreensão e análise desta jornada. Dentre estes, o modelo da carreira narrativa, o qual parte do pressuposto de que, ao narrar, os indivíduos dão sentido à própria trajetória, ao mesmo tempo em que consideram os fatores pessoais e do ambiente que agem sobre sua biografia profissional. O presente estudo se propôs a explorar e articular aspectos relacionados ao ambiente e às trajetórias da carreira de profissionais de recursos humanos atuando na Grande Natal.  Para tanto, utilizou o modelo de carreira narrativa. Do ponto de vista metodológico, o projeto dividiu-se em duas etapas. A primeira caracterizou-se pela realização de um survey com o propósito de mapear características sócio-ocupacionais dos profissionais, por meio da aplicação de um questionário semi-estruturado. Os dados foram analisados segundo técnicas estatísticas descritivas e análise de clusters. As análises estatísticas descritivas contemplaram 117 participantes. Os resultados indicaram que os profissionais de RH da Grande Natal ocupam cargos diversos, desenvolvem atividades concentradas em diferentes subsistemas, apresentam trajetória ascendente de carreira e concentram a formação profissional nos cursos de Administração e Psicologia. A segunda etapa do estudo caracterizou-se pela realização de 17 entrevistas narrativas, cujos participantes, em processo de amostragem não probabilística, foram identificados com base em seu pertencimento aos três clusters: o Grupo 1, RH e gestão pública; o Grupo 2,  RH especialista e o Grupo 3, RH iniciantes.  Na análise dos resultados da fase qualitativa verificou-se que a identificação com a atividade é um fator decisivo para a escolha e permanência na área de RH. A falta de reconhecimento aparece como principal dificuldade enfrentada pelos profissionais, assim como a falta de espaço para atuação no mercado da Grande Natal. A análise dos resultados leva a uma série de discussões sobre a trajetória de carreira na área de RH e reflexões para a categoria, entidades representativas e instituições formadoras.

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  • CIBELE SIEBRA SOARES
  • Sono e percepção visuoespacial em trabalhadores de uma empresa petroquímica submetidos a esquemas de trabalho em turnos alternantes


  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 10/06/2013
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  • O trabalho em turnos consiste em um arranjo de horas de trabalho não usuais, como a noite e nos finais de semana, e com carga horária cada vez maior, com o intuito de atender a produção ininterrupta, que acarreta alterações na qualidade, duração e regularidade do sono. Pesquisas indicam que alterações do sono fazem com que os processos cognitivos tornem-se mais lentos, instáveis e propensos a erros, levando a prejuízos no desempenho cognitivo de funções como a percepção visuoespacial. Neste sentido, esta pesquisa teve como objetivo avaliar a qualidade do sono e sua relação com a percepção visuoespacial em trabalhadores em turnos alternantes. Participaram da pesquisa 21 operadores paineleiros de uma empresa petroquímica, do sexo masculino, na faixa etária de 19 a 53 anos. Todos os participantes estavam submetidos a esquemas de turnos alternantes (diurno e noturno) de 12 horas ininterruptas e os dados foram coletados em 10 trabalhadores que estavam alocados no turno diurno e 11 trabalhadores alocados no turno noturno. Para a avaliação do sono foram utilizados o Diário de Sono, o Questionário de Hábitos de Sono, o Questionário de Identificação de Cronotipo e o Índice da Qualidade do Sono de Pittsburgh (IQSP). A visuoespacialidade foi avaliada por meio do Teste de Figuras Complexas de Rey e a atenção foi avaliada através de uma versão portátil do Teste de Vigilância Psicomotora (PVT). Os resultados demonstraram que a amostra geral dos trabalhadores obteve qualidade do sono ruim nos dias de trabalho e qualidade do sono boa na folga. Houve duração do sono encurtada na semana de trabalho e duração adequada no período da folga. Não foram encontrados prejuízos nas habilidades visuoespaciais dos trabalhadores, mas a qualidade do sono boa no período da folga foi correlacionada ao desempenho visuoespacial adequado, para os trabalhadores do turno diurno. O desempenho da atenção sofreu oscilação no decorrer das horas trabalhadas, principalmente no turno noturno. Conclui-se que o esquema de trabalho em turnos alternantes pode ser prejudicial para tarefas de natureza predominantemente visuoespaciais e que uma boa qualidade de sono pode contribuir para um melhor desempenho visuoespacial.

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  • VICTOR HUGO FARIAS DA SILVA
  • Estratégias de cuidados por familiares de portadores de transtornos mentais severos residentes na zona rural do alto sertão paraibano

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 19/06/2013
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  • Na atual configuração da Reforma Psiquiátrica brasileira a família tem papel fundamental no cuidado em saúde mental: co-responsabilização e participação ativa no processo de ressocialização de pessoas portadoras de transtornos mentais severos. Considera-se que o familiar que cuida pode ajudar os usuários tanto nos seus afazeres diários, quanto articulando trajetórias, redes e caminhos que potencializam as conexões sociais. Tal pesquisa foi motivada pelo interesse na temática e pela falta de estudos sobre essa realidade nas zonas rurais. O presente estudo objetivou conhecer os modos de atenção em saúde mental por familiares de portadores de transtornos mentais severos residentes nas zonas rurais do alto sertão paraibano. Metodologicamente trabalhou-se com pesquisa qualitativa estruturada em dois momentos. No primeiro, realizou-se Pesquisa Documental no CAPS II visando identificar: a) usuários que residiam na zona rural e que tinham histórico de pelo menos uma internação psiquiátrica; b) usuários que deixaram de fazer uso do serviço de referência (CAPS II) há pelo menos um ano. O segundo momento foi constituído por visitas domiciliares e entrevistas semi-estruturadas com onze famílias das zonas rurais. Os resultados apontaram um perfil composto por 56 usuários: 30 mulheres e 26 homens com idade entre 50 a 64 anos, solteiros, sem estudos, agricultores e donas de casa, residentes a dez quilômetros do CAPS II e portadores de transtornos mentais severos.  As estratégias e recursos utilizados pelos familiares no cuidado em saúde mental foram: a religião, o trabalho, a medicação e a ajuda dos parentes, vizinhos e comunidade. Os fatores relacionados a não utilização dos serviços substitutivos foram: a falta de internamento no CAPS II, a falta de dinheiro e de transporte. A internação, a prisão domiciliar, a ajuda policial e a religião foram estratégias usadas por familiares como suporte às crises psiquiátricas. Os resultados apontaram para a não resolutividade de cuidado oferecido pela rede de atenção psicossocial e a importância de redirecionamento de práticas alinhadas ao modelo asilar em favor de estratégias psicossociais que visem a ressocialização e a participação comunitária no cuidado em saúde mental.

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  • ADIR FERREIRA DE LIMA
  • ANGÚSTIA E INIBIÇÃO: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE UM CASO CLÍNICO

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 27/06/2013
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  • Este trabalho tem como objetivo discutir, a partir de um caso clínico, a articulação entre a Angústia e a Inibição, à luz da psicanálise. Partindo do trauma como fator fundante do psiquismo e desencadeador do estado de desamparo, destacamos a castração, como marca de um perigo a ser recalcado, até chegar à angústia primitiva, afeto que prepara o caminho para a emergência do sujeito. No primeiro momento, abordamos a evolução do conceito de angústia em Freud, ressaltando o modo como ele a articulou à inibição e ao sintoma, marcando, ainda, a diferença entre a angústia, como conseqüência direta do momento traumático, e como sinal de uma reprodução do trauma originário. Em seguida, investigamos o conceito de angústia em Lacan, enfatizando os avanços conceituais promovidos para o mesmo, notadamente no Seminário X; destacando-se a introdução do conceito de objeto a e os desdobramentos dessa invenção teórica. No segundo momento, focamos no conceito de inibição em Freud, seguido pela leitura lacaniana a esse respeito. Finalmente, refletimos acerca da delimitação que o conceito de objeto a dá às possíveis relações entre sujeito e objeto, buscando extrair algumas conseqüências clínicas das respostas que o sujeito constrói frente ao enigma do desejo do Outro, entre as quais a inibição e a angústia, articulando, desse modo, o caso clínico às discussões levantadas.

    Palavras-chave: psicanálise; pesquisa teórico-clínica; objeto a; desejo do Outro; grafo do desejo.

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  • JULIANA TEIXEIRA DA CAMARA REIS
  • Prospecção e Formação no domínio das competências e habilidades em Tecnologia da Informação: o caso do Projeto Metrópole Digital em Natal/RN


  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 28/06/2013
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  • Esse estudo volta-se para as competências e habilidades cognitivas para a formação em Tecnologias da Informação (TI), estas remetem à resolução de problemas, tomadas de decisões e se caracterizam por uma inteligência prática, que se configura na capacidade de mobilizar instrumentalmente conhecimentos escolares e extraescolares para a resolução de problemas. Teve como objetivo geral contribuir para o aperfeiçoamento do instrumento de seleção, composto por cinco matrizes de competências, e desenvolvimento da compreensão das mesmas envolvidas na formação em TI, por meio da análise do instrumento de seleção proposto e usado para o primeiro processo seletivo do projeto Metrópole Digital (MD) e sua relação com o curso formação em TI (com formação básica e ênfases em programação Web e Eletrônica). Acredita-se que uma vez identificada essas habilidades e competências no instrumento de seleção, é possível que o aluno seja capaz de desenvolver as competências necessárias em TI no contexto de formação. Foram realizadas análises quantitativas dos desempenhos dos alunos na seleção e durante o curso de formação. Ao considerar desempenho final (média aritmética) do curso como um todo com as cinco matrizes e com QTot (escore global no instrumento de seleção), o instrumento apresentou–se como um preditor significativamente moderado de bom desempenho no curso em ambas as ênfases. Com o intuito de aprofundar a compreensão desses resultados foram realizadas análises de Cluster e de Regressão. A primeira análise permitiu encontrar dois grupos, os desempenhos dos alunos concentraram-se em médio e inferior, a análise de regressão evidenciou associação entre as variáveis de critério (Média do desempenho no módulo básico, avançado em Web e avançado em Eletrônica) e explicativas (Qtot e as 5 matrizes). No módulo básico, os coeficientes de regressão padronizados indicam que a Matriz 1 e a Matriz 3 são mais fortes. Todavia todas são positivas e significativamente relacionadas. Nas ênfases em Web e Eletrônica, evidenciou que a única matriz que não se mostrou forte em termos de influência preditiva sobre as disciplinas e médias do curso foi a matriz 2.Foi verificado associação entre o escore QTot e aquele do curso, seja em termos globais, seja por média aritmética por disciplinas.Essas análises, levantaram discussões das competências e habilidades para lidar com as TIs, além de fomentar a discussão acerca da formação com ênfase em competências e habilidades, conhecimentos declarativos e de formação técnica.

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  • ROSÁLIA CARMEN DE LIMA FREIRE
  • Fenótipo Neuropsicológico de Adolescentes com Síndrome de Down


  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 03/07/2013
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  • A presente pesquisa teve como objetivo contribuir para a caracterização de um fenótipo neuropsicológico de adolescentes com Síndrome de Down (SD). Foi realizado um estudo multicasos de seis adolescentes diagnosticados com SD, sendo três do sexo masculino e três do sexo feminino, na faixa etária de 13 e 14 anos, atendidos em duas instituições da cidade de Natal. Os participantes foram avaliados a partir da metodologia desenvolvida por Luria, sendo esta constituída de quatro etapas complementares. A primeira teve como objetivo a investigação qualitativa do impacto da SD no cotidiano escolar e social dos adolescentes. Foram investigadas as dimensões do comportamento e dos aspectos sócio-afetivos dos integrantes do estudo. Na segunda etapa, os participantes realizaram uma bateria de testes neuropsicológicos com o intuito de identificação de pontos fortes e fragilidades em seu funcionamento cognitivo. A terceira etapa foi incorporada à segunda e teve como objetivo central analisar a qualidade da atividade dos participantes ao longo da avaliação quantitativa, destacando estratégias utilizadas, erros produzidos dentre outros indicadores. Por fim, a quarta etapa refere-se à intervenção junto aos participantes. Apesar desta não ser um objetivo específico do estudo, defende-se que o resultado final desta pesquisa subsidiará a prática significativa de diferentes profissionais que atuam junto a este grupo clínico. Os resultados da primeira etapa ressaltam a presença de dificuldades nos relacionamentos sociais e no cotidiano escolar deste subgrupo. Por sua vez, as etapas dois e três apontam para a presença de dificuldades em tarefas que envolvem o pensamento lógico e abstrato, bem como prejuízos significativos na linguagem expressiva. Em relação à memória visual, observou-se um desempenho melhor em atividades de menor complexidade, ou seja, com menos interferência do funcionamento executivo, notadamente em termos das funções de planejamento e iniciativa. Por fim, destaca-se a presença de lentificação motora e mental, repercutindo significativamente no desempenho de diferentes áreas cognitivas. Nesse sentido, os resultados aqui destacados podem ser considerados enquanto subsídios para intervenções futuras, sugerindo a necessidade do desenvolvimento de projetos que levem em consideração os diferentes aspectos constituintes do sujeito humano, envolvendo não apenas o indivíduo com alterações desenvolvimentais, como também suas famílias, professores, escolas e a sociedade em geral.

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  • MARIA GORETE SARMENTO DA SILVA
  • O CENTRO DE REFERÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL E A PSICANÁLISE: EFEITOS DE UMA ESCUTA SINGULARIZADA

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 19/08/2013
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  • Esse trabalho surgiu a partir de uma experiência de 18 meses no CRAS, a qual suscitou uma interrogação acerca da escuta da singularidade na atuação do profissional Psi no contexto da Assistência Social. A revisão de literatura revelou, por um lado, uma série de trabalhos que visam uma discussão acerca do processo de inserção profissional dos psicólogos no campo do bem-estar social, propondo e/ou analisando práticas direcionadas para o atendimento psicossocial voltadas para o grupo e para a asseguração de direitos, formando sujeitos cidadãos. Por outro lado, sustentados por uma perspectiva psicanalítica, encontramos trabalhos que apontam para a importância da escuta singular, levando em conta a subjetividade e os recursos simbólicos daqueles que buscam ajuda na Assistência Social Básica. Nessa perspectiva, visamos analisar, no a posteriori, os efeitos da oferta de uma escuta singularizada no contexto do CRAS e discutir suas implicações para a prática do profissional Psi na instituição social. Trata-se de uma pesquisa teórico-clínica, baseada na Psicanálise freudo-lacaniana, na qual dois casos clínicos, colocados como impulsionadores da investigação, são analisados à luz do conceito de sujeito. Conclui-se que uma escuta singularizada permitiu um deslizamento significante e o conseqüente reposicionamento do sujeito, em cada caso, frente ao seu sofrimento. Os efeitos colhidos permitiram afirmar a importância de uma escuta singular no tratamento dado às demandas que surgem no âmbito institucional.

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  • ANDRESSA MAIA DE OLIVEIRA
  • Contribuições do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) para a formação do aluno de psicologia

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 23/08/2013
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  • A graduação em Psicologia tem sido, historicamente, apontada como deficitária em aspectos relacionados à formação crítica e integração entre teoria e prática. Nesse sentido, a formação científica é apontada como uma possibilidade para suprir essas lacunas.  Dessa forma, este trabalho investigou como acontece a formação dos alunos de Psicologia bolsistas do PIBIC/CNPq, iniciativa estratégica para a formação inicial em pesquisa na graduação. Foram enviados questionários eletrônicos para todos os bolsistas em Psicologia do Brasil (622, 104 responderam), com questões sobre atividades desenvolvidas, orientação, avaliação sobre o programa, entre outras. Investigou-se também a produção acadêmico-científica, por meio de consulta aos currículos Lattes dos respondentes. A maioria dos participantes (70%) afirmou que a principal motivação para entrar no programa foi o interesse na pesquisa ou na carreira acadêmica. 60% dos bolsistas exerceram atividade como voluntários antes de serem contemplados com a bolsa. Dos respondentes, 65,4% são de fato acompanhados diretamente pelo orientador e 80% têm orientações uma ou mais vezes a cada 15 dias. Identificou-se que os bolsistas de Psicologia não participam de todas as atividades da pesquisa e que a proximidade com o orientador está relacionada à realização de tarefas que favorecem a formação crítico-reflexivo do aluno. Por fim, menos de 25% dos alunos publicaram artigos ou capítulos de livros, demonstrando possível exclusão do aluno dessa fase. No geral, os bolsistas avaliam positivamente o programa, acreditando que esse contribui para sua formação acadêmica e profissional. Diante disso, assinala-se o potencial do PIBIC para a formação de psicólogos mais críticos e capazes de propor inovações e práticas contextualizadas. Contudo, resultados obtidos em programas como esse denunciam a desqualificação da formação que a maior parte dos alunos, não bolsistas, recebem. Assim, ressalta-se que deve haver maior investimento para melhoria do ensino de graduação e não apenas para programas que atingem poucos alunos. 

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  • JOYCE PEREIRA DA COSTA
  • A presença da produção científica em Psicologia na formação de psicólogos do Rio Grande do Norte

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 23/08/2013
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  • A presente pesquisa objetivou analisar a presença da produção científica nacional em Psicologia na formação graduada de psicólogos no Rio Grande do Norte. Para tanto, focalizou-se as referências bibliográficas contidas em planos de ensino de disciplinas ligadas ao núcleo comum dos cursos, ministradas em 2011 em três cursos de Psicologia do estado. A análise do material deteve-se em aspectos bibliográficos da produção, tais como vinculação dos autores a PPGs, ano, nacionalidade, tipo de material, eixo estruturante da disciplina em que foi citado, dentre outros. Os resultados revelaram que a produção nacional é predominante em todos os cursos, sendo, em sua maioria, oriunda de PPGs de Psicologia. Dentre estas, prevalecem publicações provenientes de programas localizados no Sudeste, com destaque para a PUC-SP; são recentes (maioria da década de 2000) e compostas, predominantemente, por livros (organizações e textos integrais). Quanto à distribuição da produção dos PPGs de Psicologia pelos eixos estruturantes, verifica-se que a mesma supera a produção estrangeira somente nos eixos C (procedimentos de investigação científica e prática profissional) e eixo F (práticas profissionais). Diante disso, conclui-se que a produção de Psicologia encontra-se, sim, na graduação, mas de modo moderado, na medida em que divide espaço com publicações estrangeiras e de outras áreas do saber. Por um lado, isso se mostra positivo, tendo em vista a importância de diversas obras estrangeiras e de outros campos para a construção do conhecimento em Psicologia; por outro, revela que a produção da área entra na graduação de modo menos expressivo que o seu crescimento, indicando que há lacunas no desenvolvimento de alguns domínios investigativos da Psicologia nacional.

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  • JUVANEIDE REGIA AZEVEDO COSTA
  • IDENTIFICAÇÕES E ESCOLHA PROFISSIONAL NA ADOLESCÊNCIA:

    UM ESTUDO PSICANALÍTICO

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 23/08/2013
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  • Este trabalho busca compreender as dificuldades e impasses que permeiam a escolha profissional de adolescentes e jovens. Para isso, tomamos como via investigativa as determinações psíquicas inconscientes que, constatadas como presentes na prática clínica, também se confirmaram como importantes na literatura revisada. Nesta última, os achados mais relevantes sinalizaram para uma importante relação entre os processos identificatórios e as diversas escolhas que fazemos no decorrer da vida. Tais achados levaram-nos a questionamentos sobre como a Psicanálise compreende tais processos e o modo como eles se implicam na construção da escolha profissional de adolescentes. A partir do referencial freudiano e lacaniano, fizemos um estudo dos conceitos de adolescência e identificação que, articulados ao processo de escolha profissional e a fragmentos de casos clínicos, nos permitiu chegarmos às seguintes conclusões: 1. Nas escolhas humanas estão implicados processos identificatórios diversos iniciados na infância e atualizados na adolescência, que determinam as escolhas do adolescente, inclusive a profissional; 2. Há a possibilidade de fixação do adolescente nesses processos e nas relações a eles subjacentes; 3. É necessária a elaboração simbólica da separação dos pais da infância e dos lutos relativos às perdas e renúncias relacionadas às mudanças corporais e aos objetos infantis para que o adolescente possa aceder ao seu desejo e sustentar suas possibilidades de escolha; 4. A elaboração de um projeto profissional, na adolescência, passa pela construção das instâncias ideais, principalmente o ideal do eu, e não pode prescindir da existência dos modelos de identificação buscados no Outro parental e/ou social e 5. A profissão escolhida é uma confluência dos traços introjetados pelo adolescente nas suas relações com esse Outro e diz da forma singular como elaborou sua castração e suas identificações e de como conseguiu lidar com as dimensões ambivalentes do seu desejo. Tais conclusões apontaram para o profundo envolvimento da dimensão do desejo e do inconsciente nas questões relativas às escolhas profissionais e para a possibilidade de construção de uma escuta, das dificuldades aí surgidas, mais atenta às determinações psíquicas e às respostas singulares que cada um apresenta frente a essas determinações.

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  • LUCIANA RODRIGUES BEZERRA
  • Música e Mídia para Consumo: a Construção da Identidade Juvenil Emocore


  • Orientador : HERCULANO RICARDO CAMPOS
  • Data: 30/08/2013
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  • Associado à subcultura punk e ao estilo musical punk hardcore, surge na década de 1980 o movimento Emocore (termo que significa Emotional Hardcore), que pretendia reformular a imagem de violência e descompromisso outrora reproduzida pelo punk, abordando temáticas que diziam respeito aos sentimentos e conflitos pessoais e resgatando a estética punk rock. O Emocore ganha espaço na sociedade como uma subcultura e é tomada pela indústria midiática como uma possibilidade de mercado de consumo, reproduzindo entre os jovens uma identidade marcada por fashionismos, estilos e gostos próprios ao grupo que fazem referência ao legado do punk e do rock (preferência pela cor preta, tênis All Star e acessórios com rebites) e às tendências ditadas pela moda (franjas compridas, cabelos coloridos, maquiagem também entre os rapazes), em consonância ao que propõe o mass media. Além disso, os jovens emos apresentam uma exacerbação das demonstrações afetivas entre os pares, da melancolia e da tristeza. Por esta estética e comportamento frente ao que é dado socialmente, acabam muitas vezes sendo alvo do estigma social, manifestado também por atos de violência, seja física ou moral. Nesta perspectiva, o que se percebeu foi a diminuição do grupo emo em ambientes de convívio social, tais como shopping center e praças locais. Em entrevistas realizadas com jovens ex-emos, o que se pôde constatar foi a fluidez da identidade entre adolescentes que se diversificam frente ao que é apresentado como possibilidade de consumo e de estilo de vida pela indústria fonográfica. Foram citados pontos de construção subjetiva Emocore, como o fortalecimento dos laços fraternais, o sentimentalismo como elemento de identificação grupal, o sofrimento, a violência, o estigma, a sexualidade, a “emodinha” e a estética diferente. Envolvido a tudo isso, há o elemento musical, constantemente resgatado no discurso dos jovens em conversa como o modelo para suas identificações. Concluindo, o Emotional Hardcore dos anos 2000 foi um fenômeno modista, uma identidade juvenil baseada no jogo de influência do mass media.

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  • CAROLINE CRISTINA DE ARRUDA CAMPOS
  • Políticas públicas para a juventude: uma análise do Projovem Adolescente sob a perspectiva dos participantes

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 12/09/2013
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  • A partir dos diagnósticos das vulnerabilidades da condição juvenil contemporânea, as Políticas Públicas de Juventude tem ganhado maior força e um lugar mais definido nas pautas das demandas e conquistas sociais. Faz-se necessário, então, direcionar atenção para estas Políticas Públicas, a fim de promover uma reflexão sobre como ocorre a execução destas junto ao seu público alvo. Esta dissertação centraliza sua análise no Projovem Adolescente (PJA), uma das modalidades Programa Nacional de Inclusão de Jovens – PROJOVEM – que se destina ao atendimento de jovens com específica faixa etária entre 15 a 17 anos, com caráter assistencial e socioeducativo. Desta forma, o objetivo geral deste estudo foi discutir as ações do Projovem Adolescente no que diz respeito ao processo socioeducativo, a partir da perspectiva dos adolescentes participantes da cidade de Natal/RN. E, especificamente, objetivou-se: investigar de que maneira os adolescentes avaliam as atividades das quais participam, considerando se suas expectativas coincidem com as propostas do serviço; averiguar a participação dos adolescentes na elaboração, execução e avaliação das ações socioeducativas do serviço; bem como compreender as motivações que contribuem para a inserção e permanência ou evasão dos adolescentes no PJA. Para tanto foram realizados três grupos focais com adolescentes participantes do Projovem Adolescente, em diferentes núcleos do serviço, no município de Natal/RN. Cada grupo focal contou com dois encontros, em que primeiramente foram debatidos aspectos da participação nas ações socioeducativas e, num segundo encontro foram realizadas oficinas de produção de fanzines. A análise qualitativa dos dados foi realizada a partir da perspectiva teórica do materialismo histórico-dialético, utilizando-se como método de análise o Método Comparativo Constante, baseado na Teoria Fundamentada, que busca compreender o significado do fenômeno sob a perspectiva dos participantes. Os resultados foram apresentados divididos em eixos de análise os quais versaram sobre: as concepções dos jovens sobre adolescência e juventude; e a participação nas ações socioeducativas do PJA, destacando-se as características positivas e negativas apontadas pelos participantes, a relação dos jovens com o trabalho e as possibilidades e contribuições do PJA em seus contextos de vida. Em vista da análise empreendida, é possível constatar que a concepção dos participantes sobre a própria vivência da adolescência e juventude se encontra marcada pela absorção de determinadas imagens socialmente atribuídas aos jovens, como a que considera a juventude enquanto etapa de preparação para o mundo adulto. A participação nas ações socioeducativas, por sua vez, foi, de uma maneira geral, avaliada positivamente pelos participantes, não obstante esta avaliação, os jovens apresentaram uma visão muito crítica sobre a execução do serviço no município de Natal, relatando conhecer bem as dificuldades de ordem da gestão, bem como as contradições e limitações nas ações do serviço. Compreende-se a perspectiva da “inclusão social” no contexto neoliberal em que são implementadas as políticas sociais, contudo acredita-se que dar voz aos jovens participantes contribuiu para proporcionar uma reflexão sobre o modo como as políticas sociais, através do Projovem Adolescente tem atingido seu público, considerando as questões e perspectivas apresentadas pelos jovens como ferramentas a serviço das juventudes na construção de políticas democráticas e efetivas.

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  • CLARISSA NESI VENZON
  • CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS DO PACIENTE OBESO GRAVE E SUAS IMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS NA CIRURGIA BARIÁTRICA

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 19/09/2013
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  • A Obesidade é uma doença crônica de etiologia multifatorial, caracteriza-se por excesso de gordura corpórea, seu Grau varia de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC=m2/kg). A obesidade grave é caracterizada por IMC>40, está frequentemente associada a alterações clínicas endócrino-metabólicas ou mecânicas e transtornos psicológicos, o quadro de Compulsão Alimentar Periódica (CPA) tem alta incidência nesta população. A cirurgia Bariátrica vem sendo o tratamento de escolha para a obesidade grave, por apresentar rápido emagrecimento e melhora nas condições clínicas. Apesar disso, têm-se verificado aumento de peso após dois anos de cirurgia em 20% a 30% dos casos. O objetivo geral desta pesquisa é avaliar características psicológicas e comportamentais entre obesos graves submetidos à Cirurgia Bariátrica do tipo Bypass Gástrico há pelo menos 24 meses. Foram investigados aspectos específicos como, (1) Características do funcionamento personalidade e presença de transtornos clínicos e de personalidade; (2) a incidência de CAP e sua relação com perda de peso; (3) a diferença entre os grupos em relação aos acompanhamentos pós-cirúrgicos feitos dos tipos: atividade física, acompanhamento psicológico e nutricional. Método: Participaram da pesquisa 40 adultos (homens e mulheres), com idades entre 23 a 60 anos, submetidos à cirurgia bariátrica há pelo menos 24 meses, na cidade de Natal-RN, divididos em dois grupos com n= 20, Grupo I, com perda < 50% do peso excedente inicial, e o Grupo II, com perda >50%. O protocolo de pesquisa foi composto por questionário biossociodemográfico e 3 instrumentos psicológicos: O método de Rorschach – Sistema Compreensivo; Inventário de Personalidade de Millon (MCMI-III); e Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP). Através do método de Rorschach foram evidenciadas diferenças significativas entre os dois grupos relacionadas aos tipos vivenciais (EB), maior presença de EB Extratensivo no Grupo I (p <0,05) e Intratensivo no Grupo II (p < 0,01); e ao descontrole na expressão dos afetos, com elevação de respostas de Cor Pura no Grupo I (p<0,05). Em relação à população normativa a amostra como um todo apresenta maior tendência a experienciar sofrimento psíquico, autopercepção denegrida, autocrítica excessiva, distorções perceptivas, vulnerabilidade a desenvolver transtornos afetivos e elevação da pontuação na Constelação de Suicídio. Resultados do MCMI-III indicaram maior incidência de transtornos clínicos e de personalidade no Grupo I: Transtorno Depressivo (p<0,05) e Esquizotípico (p<0,01), Ansiedade (p< 0,05), Distimia (p< 0,05), Depressão Maior ( p<0,05);Transtorno do Pensamento (p<0,05), Bipolar- Maníaco (p<0,01) e Transtornos de Estresse Pós-Traumático (p <0,01).   Em relação à ECAP, os resultados indicaram diferença significativa (p<0,01), com elevação de CAP no Grupo I. Foram encontradas diferenças significativas entre a gravidade de CAP e presença de transtornos clínicos e de personalidade. Em relação aos acompanhamentos foi encontrada diferença significativa no quesito atividade física com mediana elevada no Grupo II ( p<0,01). Os grupos ainda se diferenciaram em relação ao peso inicial (p< 0,01) e tempo pós-cirúrgico (p<0.05), indicando que quanto maior o peso inicial e tempo percorrido maior o aumento de peso pós-cirúrgico. Por fim, os resultados ainda revelam que os participantes com mais de 3 anos de tempo cirurgia, apresentam elevação na presença de Transtornos Clínicos de  Transtorno Depressivo Maior (p <0,01); Transtorno Somatoforme (p <0,05); Distimia (p < 0,05). Tais resultados corroboram conclusões de estudos anteriores sobre a relação entre CAP pós-cirúrgico e novo ganho de peso, como também acerca de maior incidência de transtornos clínicos na população obesa grave. Neste sentido, os resultados reforçam a concepção de que o processo cirúrgico é apenas uma faceta do tratamento da obesidade grave, e que o acompanhamento pós-cirúrgico deve receber maior atenção e ocorrer em longo prazo para a manutenção não só dos resultados cirúrgicos, como da melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

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  • NIETSNIE DE SOUZA DUARTE
  • Perfil neuropsicológico de crianças portadoras de Diabetes mellitus Tipo 1 atendidas em um serviço de Referência no RN

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 06/12/2013
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  • O Diabetes mellitus Tipo 1 (DM Tipo 1) caracteriza-se como um distúrbio do metabolismo intermediário e tem como particularidade a deficiência ou ausência total de insulina, a qual é um importante hormônio para o controle da homeostase dos níveis séricos de glicose. A atuação desse hormônio é fundamental para o desenvolvimento e funcionamento cerebrais, uma vez que o este órgão precisa primordialmente de glicose para funcionar em nível ótimo e promover ao longo do neurodesenvolvimento a maturação das áreas corticais envolvidas em diferentes atividades cognitivas. A presente pesquisa teve como objetivo contribuir para o estabelecimento de perfil neuropsicológico de crianças portadoras de DM Tipo 1 atendidas em um serviço de referência no RN, avaliando a interferência do diagnóstico de DM Tipo 1, sobre o funcionamento neuropsicológico de crianças portadoras da doença, bem das seguintes variáveis clínicas: Início da Doença, Tempo de Exposição à Doença, Controle Glicêmico e Número de Episódios Hipoglicêmicos Severos. Participaram do estudo 80 crianças com idades entre seis e nove anos, divididas em dois grupos,: o primeiro constituído por crianças com diagnóstico de DM Tipo 1 (n=20) e o segundo constituído por crianças sem diagnóstico de DM Tipo 1 (n=60). A coleta de dados do grupo com DM Tipo 1 se deu através de entrevista de anamnese com responsáveis, aplicação de bateria neuropsicológica e revisão de prontuário clínico, enquanto a do grupo sem DM Tipo 1 se deu através de aplicação de bateria neuropsicológica. A análise de dados foi dividida em duas etapas. Na Análise I foi realizada a análise descritiva dos dados obtidos pelas crianças com DM Tipo 1 na bateria neuropsicológica, contrastando-as com dados normativos brasileiros ou com dados brutos obtidos pelas crianças do grupo sem DM Tipo 1. Na Análise II, foram realizadas análises inferenciais em funções das variáveis clínicas citadas, utilizando-se os testes não-paramétricos U de Mann-Whitney e Kruskall-Wallis. Os resultados da Análise I indicaram que as crianças com DM Tipo 1 apresentam como pontos preservados do funcionamento cognitivo a velocidade de processamento, a compreensão verbal e  as funções executivas. Em contraposição, os domínios cognitivos mais afetados foram a resistência à distração e a organização perceptual. A Análise II sugeriu que a variável clínica que atua com maior impacto para explicar as alterações encontradas é variável Início da Doença, sendo as crianças com Início Precoce do DM Tipo 1 as mais afetadas. Tais achados apontam que a Presença de DM Tipo 1 parece acarretar alterações no funcionamento cognitivo, notadamente em crianças com Início Precoce da doença, ou seja, antes dos 6 anos, reforçando a hipótese de que padrões atípicos de suprimento de glicose durante períodos importantes de maturação neuronal podem acarretar consequências negativas significativas para o funcionamento cognitivo.

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  • SHENIA MARIA FELICIO FELIX
  • As Ações de Saúde Mental nos Núcleos de Apoio a Saúde da Família

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 20/12/2013
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  • A Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), regulamentada pela portaria Nº 2488 de outubro de 2011 reafirma a Estratégia de Saúde da Família (ESF) como estratégia prioritária de expansão, consolidação e qualificação da atenção básica à saúde no Brasil; para isso, os municípios, com cooperação dos demais entes federativos, devem reorientar seu processo de trabalho aprofundando os princípios, diretrizes e fundamentos da Atenção Básica (AB). Além da ESF, a nova PNAB dispõe sobre os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), reafirmando seu papel de ampliar o escopo das ações da atenção básica, e de sua resolutividade, ratificando seu caráter de compartilhar saberes e de ser apoio junto aos profissionais da AB. Frente a isso, o objetivo deste trabalho é investigar como o Núcleo de Apoio a Saúde da Família - NASF está estruturado em João Pessoa e quais as ações por ele desenvolvidas no âmbito da Saúde Mental, e tem como objetivos específicos: analisar as práticas desenvolvidas pelos profissionais de Saúde Mental que compõem as equipes NASF e se elas se diferenciam das realizadas pelos demais membros das equipes; discutir a articulação do NASF na operacionalização das ações em saúde mental, no que se refere a sua organização interna e na rede de saúde municipal; e identificar as estratégias utilizadas para organização das ações em saúde mental na Atenção Básica. Para o alcance dos objetivos, foram realizadas entrevistas individuais com duas gestoras municipais e quatro trabalhadoras do NASF que participavam do colegiado de saúde mental como representantes dos seus distritos sanitários, além disso, foi realizado um grupo focal com diferentes apoiadores NASF, contemplando a diversidade de categorias profissionais que trabalham nas equipes e nos diferentes distritos sanitários. Foi possível identificar no NASF em João Pessoa, uma organização pautada pelo apoio matricial na qual as demandas da gestão e do cuidado assistencial refletem um conjunto de práticas desenvolvidas junto às ESF. Dentre as ações realizadas pelo NASF, e no âmbito da saúde mental, destaca-se o matriciamento, as visitas domiciliares e o Projeto Terapêutico Singular; essas atividades foram descritas e dialogadas no grupo focal e faz parte do cotidiano de trabalho de todos dos apoiadores do NASF, independente de sua categoria profissional. Com vistas ao fortalecimento da AB frente à ampliação das ações das equipes de saúde da família, o NASF se apresenta como uma potente estratégia de qualificação e apoio no SUS. 

Teses
1
  • ANA KARINA SILVA AZEVEDO
  • NÃO HÁ VOCÊ SEM MIM: HISTÓRIAS DE MULHERES SOBREVIVENTES DE UMA TENTATIVA DE HOMICÍDIO.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 22/03/2013
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  • O homicídio seguido de suicídio (H/S) tem sido definido como um impactante crime em que uma pessoa tira a vida de outra e depois se mata em até 24 horas. Configura-se como uma violência de gênero, pois os homens são, em maioria, os assassinos e as mulheres, vítimas. Este trabalho tem como objetivo compreender os sentidos da experiência de um H/S, a partir de mulheres que sobreviveram a este ato. Tal estudo configura-se como uma pesquisa fenomenológica-hermenêutica, baseada na ontologia heideggeriana. Foram entrevistadas três sobreviventes de H/S, cujas narrativas permitiram nos aproximarmos dos sentidos presentes nas suas existências. Os depoimentos foram transcritos e interpretados de acordo com o círculo hermenêutico, tal como proposto por Martin Heidegger. A partir das entrevistas das participantes da pesquisa percebemos que tais mulheres construíram sentidos em suas existências, representados no alicerce familiar e pela presença de um marido e de filhos. Projeto este que movia as suas vidas em direção à construção de modos-de-ser. Percebemos a presença da historicidade construindo sentidos para a existência dessas mulheres. Constatamos relatos de uma vivência de relações amorosas caracterizadas por forte ciúme, com a presença de fantasias de traição, e marcadas por um cuidado na relação afetiva que as colocava na posição de objeto de posse dos seus companheiros. Refletimos que tal modo de cuidar restringia a sua existência a ser-para-o-marido. Assim, os sentidos que moviam as suas existências, os quais destinavam os seus caminhos existenciais, era a constituição de uma família, de uma referência para suas vidas, de viverem um amor, e cuidado para com os filhos. Portanto, muito além dos aspectos já conhecidos em estudos sobre a violência contra a mulher, o que fazia essas mulheres continuarem a escolher essa relação era o sentido que elas tinham para a sua existência. Espera-se que este estudo contribua para a construção de um novo olhar acerca da violência contra mulher, tendo como fundamento a fenomenologia hermenêutica heideggeriana. 

2
  • CYNTHIA DE FREITAS MELO
  • AVALIAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA CAPITAL POTIGUAR

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 12/04/2013
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  • A Estratégia Saúde da Família (ESF) configura-se como a principal porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser constantemente avaliada. Tendo como suporte a Teoria das Crenças e a Teoria Cognitivo-comportamental, esta pesquisa multimétodos, dividida em três subestudos, objetivou avaliar a ESF em Natal-RN, através de seus gestores, profissionais e usuários. No primeiro estudo, nove gestores responderam um questionário de caracterização e uma entrevista semiestruturada, para verificar o conhecimento e as crenças sobre o SUS, sendo os dados analisados com o auxílio de softwares. No segundo estudo, temos uma pesquisa descritiva correlacional na qual as variáveis antecedentes referem-se às condições de trabalho nas unidades de saúde da família (USFs) e ao perfil dos profissionais; as variáveis correspondentes referem-se às avaliações da ESF por meio de uma amostra probabilística estratificada com 475 profissionais, que responderam duas escalas, ambas compostas por três fatores: Infraestrutura física, Recursos materiais e Eficiência no atendimento. O terceiro estudo é uma pesquisa descritiva correlacional na qual as variáveis antecedentes referem-se às condições de atendimento nas USFs e ao perfil dos usuários, e as variáveis correspondentes referem-se às avaliações da ESF, com uma amostra não probabilística estratificada com 390 usuários, que contribuíram para a construção de uma nova escala com um fator, eficiência no atendimento, analisado por meio de software. Os resultados mostraram problemas que começam com a gestão, sob a forma de admissão por indicação política e falta de conhecimento sobre o SUS e a ESF; passam pela baixa permanência dos profissionais e quantidade insuficiente para a demanda dos usuários; e eles acabam disseminando-se por todos os itens analisados: infraestrutura das USFs, recursos materiais, capacitação dos profissionais, acessibilidade, sistema de referência e quantidade de profissionais. Conclui-se que, apesar de seguir um modelo ideal, a ESF necessita de mudanças em relação aos entraves de sua realidade operacional.

3
  • CANDIDA MARIA BEZERRA DANTAS
  • A ação do psicólogo na assistência social: “interiorização da profissão” e combate à pobreza

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 27/09/2013
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  • A pobreza, como uma das manifestações da “questão social”, é elemento constitutivo do padrão de desenvolvimento capitalista, extremamente desigual, em que convivem acumulação e miséria. Nas últimas décadas, sob a égide do ideário neoliberal, verifica-se um incremento em políticas de combate à pobreza no Brasil, de caráter focalizado e compensatório, tanto por meio de ações diretas de transferência de renda, quanto pelo fortalecimento de serviços e programas voltados às populações pobres, com a estruturação do Sistema Único de Assistência Social, hierarquizado em Proteção Social Básica e Especial. A participação do psicólogo nas equipes profissionais do CRAS constitui um importante elemento para a discussão da inserção desse profissional no campo das políticas sociais no Brasil, considerando os limites estruturais postos pelo caráter compensatório dessas políticas, e a construção de estratégias que possam resultar em uma mudança efetiva nas condições de vida das camadas mais pobres da sociedade. Aliado a isso, por meio do ingresso na política de assistência social, um número significativo de profissionais psicólogos passa a atuar em cidades pequenas e médias, fora dos tradicionais centros urbanos, constituindo um movimento de “interiorização da profissão”. O objetivo do presente trabalho é analisar a ação profissional do psicólogo na assistência social no contexto nas políticas de combate à pobreza em municípios do interior do Rio Grande do Norte. Realizou-se entrevistas semiestruturadas com psicólogos atuantes nos CRAS de 17 municípios de pequeno e médio porte do estado. As informações foram sistematizadas com auxílio do software QDA Miner v. 3.2. A perspectiva defendida neste trabalho refere-se à funcionalidade das práticas psicológicas no contexto das políticas de combate à pobreza brasileiras na atualidade, ao reforçar os ideais neoliberais de naturalização da “questão social” e responsabilização dos indivíduos pela sua condição social, além de, em grande parte, desconsiderar as particularidades e singularidades que marcam os territórios de ação. Todavia, é possível depreender alguns modos de ação profissional que estão na contramão dos mais frequentemente encontrados nesse campo. Esses modos se revelam no cotidiano do CRAS como formas diferentes de compreensão do saber fazer profissional, resultados de um posicionamento político e de uma formação profissional que buscam romper com o tradicionalismo e conservadorismo da Psicologia e do campo da assistência social.

2012
Dissertações
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  • DIOGO RODRIGO BRITO A DE SOUSA
  • A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO(A) NOS NÚCLEOS DE APOIO A SAÚDE DA FAMÍLIA: BUSCANDO CAMINHOS.

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 03/02/2012
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  • A diversidade dos estudos em saúde relacionados ao papel, a formação e o lugar da Psicologia na Saúde Pública ressaltam que esse é um campo fértil de discussões. A contribuição crítica de alguns desses estudos versa sobre o espaço ocupado pelo psicólogo após a implantação do Programa de Saúde da Família (PSF), que pelas determinações oficiais situou a atuação do psicólogo num grupo auxiliar, de apoio ao programa, e não mais na chamada equipe mínima de saúde da família. Passados mais de 15 anos do início desse processo, o PSF se transforma em Estratégia de Saúde da Família (ESF), assumindo posição central no SUS. Outras instâncias institucionais são criadas e/ou transformadas para dar continuidade à implantação da rede de atenção que tem nas unidades de saúde da família, a porta de entrada dos usuários que mais necessitam de atendimento. Nesse sentido, em 2008, o Ministério da Saúde, por meio de portaria ministerial, regulamenta a implantação dos NASF – Núcleos de Apoio a Saúde da Família, dispositivo de suporte às equipes de saúde da família. É previsto neste, a estruturação de Equipes de Apoio a Saúde da Família (ENASF), de caráter multiprofissional e que trabalhem por uma lógica interdisciplinar e intersetorial, organizando suas ações de apoio tanto no que diz respeito à atenção em saúde, quanto à gestão dos serviços. Nesse arranjo organizativo, o psicólogo se insere como um profissional das equipes mínimas, com a particularidade de ser um dos profissionais priorizados para formação destas. Assim, se houve dissenso no que se referia à participação e contribuição da Psicologia em níveis menos complexos de assistência, como à época do PSF, com os NASF tal profissional passa a figurar nas redes de referência ambulatorial e de apoio psicossocial do SUS. Embora esse espaço pareça promissor, não parecem claras as diretrizes do MS acerca do perfil profissional desejado para atuar nesse nível, haja vista que, no caso da Psicologia, tanto psicólogos clínicos como sociais podem ocupar cargos nos NASF. Considerando a novidade do campo de estudo associada à discussão acerca da contextualização do trabalho do psicólogo no campo das políticas sociais, o presente estudo teve como objetivo geral: a) identificar os elementos que caracterizam os processos de implantação e funcionamento desses Núcleos, tendo como tópicos norteadores desses processos os profissionais envolvidos, as ações e pactuações planejadas e as parcerias desenvolvidas para construção de rede de apoio; e b) investigando como atua o profissional de psicologia inserido na equipes multiprofissional do NASF, compreendendo dentro desta atuação os atravessamentos específicos do referencial político-teórico-metodológico que fundamenta esta e a realização da prática efetiva investigar a atuação dos psicólogos nesses núcleos, baseando-se no processo de implantação dos serviços e na prática efetiva dos profissionais. A metodologia utilizada para tanto consistiu em: a) análise dos documentos oficiais que balizam o funcionamento do serviço; b) observação da dinâmica institucional dos núcleos por breve período de tempo; e c) entrevistas guiadas por roteiros semi-estruturados distintos para os atores em questão do campo de pesquisa: os psicólogos e os gestores/coordenadores dos núcleos. Como amostra, dois municípios do Estado do Rio Grande do Norte (RN) foram escolhidos, por apresentarem maior tempo de instalação e rede de serviços melhor estruturada. Estabeleceu-se a partir dos dados coletados um comparativo dos municípios, relacionando-se as categorias do estudo com a literatura da área, a partir do qual se podem fazer algumas inferências: a) a atuação dos psicólogos entrevistados corrobora com estudos que apontam a prevalência de enfoques tradicionais de atuação da psicologia na saúde pública, não só conflitantes com o contexto em que se inserem, mas opostos as diretrizes do NASF; e b) os processos de trabalho reproduzem as ações de responsabilidade da ESF de forma paralela e isolada, sem configurarem-se as ações de apoio a atenção e a gestão. Dentre outros fatores, aponta-se para a influência do processo de implantação para essa lógica, na medida em que foram direcionadas ações exclusivas de atendimento ambulatorial no início da atuação das ENASF, criando assim uma demanda difícil de ser suprimida, reverberando nas dificuldades atuais das equipes de desenvolverem as ações previstas nos documentos oficiais. Espera-se que o presente estudo contribua para as discussões do campo e para o desenvolvimento de práticas mais coerentes com a realidade sócio-cultural brasileira.

2
  • SYNARA LAYANA ROCHA BARBOSA
  • A EXPERIÊNCIA DE DEPRESSÃO NA CONTEMPORANEIDADE: UMA COMPREENSÃO FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL.

  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 23/03/2012
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  • A depressão é um dos modos de adoecimento mais comuns na atualidade. Devido ao aumento na incidência de casos de depressão registrados em todo o mundo, este tema tem sido objeto de importantes estudos, especialmente, no tocante à descrição sintomatológica e etiologia biológica da doença. Esta pesquisa teve como objetivo compreender a experiência singular de depressão vivida por pessoas que se reconhecem em depressão, sob o enfoque da fenomenologia-existencial de Martin Heidegger. Para atingir o objetivo proposto, foram realizadas entrevistas-narrativas individuais com quatro participantes, partindo da questão disparadora: “a partir de sua experiência, como é, para você, estar em depressão?”. A pesquisa revelou que a depressão afeta a pessoa em sua totalidade e se relaciona a contextos de vida estressantes. A depressão foi narrada como uma experiência de despotencialização e de falta de autoestima e de valor pessoal. Os colaboradores da pesquisa se referiram à depressão a partir do humor triste, irritado, entediado e pessimista. O tempo é vivido como restrição da abertura projetiva em direção às possibilidades de ser, em que o futuro é visto como catastrófico e o passado vivido como débito e culpa. A corporeidade, na depressão, é experienciada por meio do peso, do cansaço e de dores sem motivo. O espaço é vivido a partir da noção de queda e de afundamento. Também percebemos o desejo pelo isolamento e a evitação de contato social. O suicídio é desejado e representa o fim do sofrimento em vida. A depressão se mostrou, ainda, muito estigmatizada, pois é desacreditada e incompreendida. O estigma também se dirigiu à vivência de hospitalização e pela não adequação aos padrões de beleza instituídos socialmente, o que gera bastante sofrimento à pessoa em depressão. A medicação foi descrita a partir de seus efeitos positivos, como um equilíbrio e atenuador do sofrimento, mas também como gerador de dependência. Também foram identificados, na fala dos colaboradores, traços de auto-exigência, ordenalidade e ser-por-outrem, característicos do typus melancolicus. Este estudo contribui para uma compreensão da depressão que transcende a perspectiva unicamente biológica e sintomatológica da patologia. A investigação da experiência depressiva, sob a lente da fenomenologia heideggeriana, nos relevou o fenômeno da depressão em sua singularidade, complexidade e múltiplos sentidos, mostrando a íntima relação entre a constituição da depressão e o contexto de vida pessoal e social dos participantes.

3
  • CLARISSA DE ANDRADE E SILVA
  •  

    As políticas sociais na formação graduada do psicólogo no Piauí.

     

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 13/04/2012
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  • O crescimento do número de psicólogos que se inserem nas políticas sociais estimula o debate sobre a atuação e formação voltada para esse campo. As dificuldades já constatadas em pesquisas sobre a atuação nesse contexto e as queixas dos profissionais a respeito das deficiências da formação colocam em evidência a necessidade de discutir o lugar das políticas sociais na formação do psicólogo. Assim, a presente pesquisa teve como objetivo investigar a presença das políticas sociais na formação graduada do psicólogo no Piauí. Para atingir o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa documental através dos Projetos Pedagógicos do Curso (PPC) em cinco cursos de graduação de Psicologia no Piauí. Também foram realizadas entrevistas com um coordenador e um docente que ministra disciplinas relacionadas às políticas sociais em cada curso. Entre os dados encontrados, tem-se que os cursos de Psicologia do Piauí se caracterizam pela sua recenticidade, sendo criados entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, com a justificativa de necessidade e demanda de profissional nessa área. Evidenciou-se a presença das políticas sociais nos PPC desde o perfil do egresso, nas ênfases, disciplinas e estágios, embora de maneira ainda periférica. Além disso, constatou-se a desarticulação entre a proposta do perfil e a operacionalização da matriz curricular, a fragmentação e insuficiência dos conteúdos direcionados às políticas sociais e, ainda, o marcante predomínio da clínica nessas formações. Vale ressaltar que as políticas de saúde são as que mais se destacam no PPC, havendo pouca menção à política de assistência social, ou às demais políticas sociais. Portanto, a presença das políticas sociais necessita ser revista na formação do psicólogo do Piauí, de modo a contemplar além das políticas de saúde, as demais políticas e proporcionar uma maior articulação dos conteúdos voltados as mesmas, assumindo uma posição mais central, crítica e política nessas formações.

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  • SAMILA MARQUES LEÃO
  • O psicólogo no campo do bem-estar social: atuação junto as famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social no CRAS.

  • Orientador : ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
  • Data: 13/04/2012
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  • A inserção significativa do psicólogo na política pública de assistência social no Brasil é um movimento recente, tendo ganhado mais expressividade nos últimos anos. Isso impôs inúmeros desafios para os profissionais, tanto pelo cenário atual do país, de ajuste neoliberal, como pela necessidade dos profissionais (re) inventarem práticas que atendam a demanda tão diversificada e complexa destes espaços. Tal desafio deve-se à tradição de conformação da Psicologia como uma ciência e profissão cujo saber e aplicabilidade estiveram voltados para a clínica tradicional, qual seja, aquela que concebe o indivíduo como um ser a-histórico, universal e único responsável por seu desenvolvimento. Assim, o trabalho nos setores do Bem-Estar social coloca os psicólogos frente a processos gerados num cotidiano histórico e multideterminado, cujo problema particular é apenas um, dentre vários aspectos. Portanto, tais fenômenos devem ser apreendidos a partir de uma perspectiva que compreenda essas múltiplas determinações do homem, concebendo-o como produto e produtor do seu contexto social e sujeito capaz de promover a transformação da sua realidade local. O presente estudo teve como objetivo estudar a atuação do psicólogo no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), a fim de identificar as práticas desenvolvidas por estes profissionais, caracterizando tais práticas no tocante às ferramentas teórico-metodológicas utilizadas e investigar se essas práticas estão de acordo com as determinações e diretrizes da Política Nacional de Assistência Social. O foco desse estudo centrou-se em quatro das dezessete unidades de CRAS localizadas na cidade de Teresina-PI, mais especificamente o trabalho dos psicólogos que lá atuam. Na presente pesquisa foram investigados os primeiros CRAS´s implantados em cada uma das quatro regiões da capital. As estratégias de investigações utilizadas para a coleta dos dados foram uma entrevista semi-estruturada em profundidade realizada com os psicólogos. Dentre os principais resultados verificou-se um campo de trabalho complexo e permeado de contradições, que oscila entre a garantia de direitos e a manutenção de velhas práticas e dificuldades presentes historicamente na Política de Assistência Social, sendo o psicólogo afetado diretamente por essa ambiguidade e incerteza, somadas às lacunas da sua formação profissional no trato a questões sociais e à demanda diversificada desta política, exigindo, principalmente, atuações multiprofissionais e intersetoriais na busca da garantia dos direitos sociais.

     

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  • DANILO DE FREITAS ARAUJO
  • Avaliação da relação entre qualidade de sono e uma intervenção com jogos para o desempenho cognitivo de crianças e adolescentes.

  • Orientador : KATIE MORAES DE ALMONDES
  • Data: 20/04/2012
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  • O sono é um processo cerebral ativo que contribui para a realização eficiente das tarefas cotidianas. Mudanças em seu padrão podem influenciar o desempenho de diversos processos cognitivos. Vários estudos recentes têm demonstrado a possibilidade de melhora do desempenho cognitivo, a partir do treinamento cognitivo com o uso de jogos de computador. A questão é se tais intervenções podem ser influenciadas também pela qualidade do sono. Assim, avaliamos o efeito da qualidade do sono sobre a eficácia de uma intervenção com jogos de computador baseada no treinamento da memória operacional e da atenção para o desempenho cognitivo de alunos do ensino fundamental. A amostra foi constituída por 42 alunos com idade média de 10,43 (DP=1,23) anos, sendo 22 indivíduos do sexo masculino e 20 do feminino. Utilizamos para a avaliação do sono junto aos pais uma ficha sobre sono, um diário do sono e o Questionário sobre Comportamento do Sono. Para a intervenção, os indivíduos foram alocados nos grupos experimental e controle, ambos com 21 indivíduos. No primeiro grupo ocorreu a intervenção, que consistiu no treinamento da memória operacional e da atenção com duas tarefas cognitivas (Safari e N-Back) por 30 minutos diários, por um período de 6 semanas. Por igual período, os indivíduos do grupo controle deveriam reproduzir uma obra de arte utilizando software de desenho. Para avaliação do desempenho cognitivo aplicamos antes e depois do período de intervenção a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III). Os resultados mostraram que em ambos os grupos o desempenho da inteligência, memória operacional, atenção e visuoespacialidade foi abaixo da média esperada. Os processos cognitivos avaliados após a intervenção no grupo experimental tiveram um desempenho significativamente maior no índice Organização Perceptual (t = -6,24; p < 0,01) e nas escalas de QI Total (t = -5,09; p < 0,01) e de QI de Execução (t = -6,52; p < 0,01), sugerindo melhora na performance da visuoespacialidade, atenção e velocidade de processamento. No grupo controle, o desempenho foi maior no subteste Código (t = -5,38; p < 0,01) e no índice Organização Perceptual (t = -3,66; p = 0,01), sugerindo melhora na performance da visuoespacialidade e atenção. A média obtida com o Questionário de Comportamento do Sono foi de 53,76 (DP=14,96) para o grupo experimental e 61,19 (DP=12,82) para o grupo controle, indicando tendência para qualidade do sono ruim nesse último. Tanto nos primeiros como nos últimos quinze dias da intervenção constatamos nos grupos horários de dormir, duração e regularidade adequados, nos dias escolares e nos fins de semana. Não verificamos diferenças significativas entre os dois grupos em nenhuma das variáveis de sono. Verificamos melhora significativa no desempenho do grupo experimental com a intervenção nos dois jogos. Não verificamos correlações significativas entre os índices de desempenho dos jogos e as variáveis de sono no grupo experimental. Verificamos correlações significativas entre o desempenho no N-Back e o subteste Cubos, o índice Organização Perceptual e a Escala de QI de Execução, sugerindo que a melhora significativa da visuoespacialidade e da atenção estava correlacionada ao desempenho no N-Back. Apesar da ausência de correlações com o desempenho no Safari, é possível que ele também tenha auxiliado na melhora da performance cognitiva. Os achados apóiam a hipótese de que os jogos de computador podem ser uma ferramenta satisfatória para a melhora do desempenho em visuoespacialidade e atenção. Isso pode ser resultado da inserção de estímulos visuoespaciais na tarefa, como por exemplo, elementos gráficos com temáticas infantis que aumentam o interesse. O QI abaixo da média dos indivíduos pode ter interferido para que processos cognitivos como a memória operacional não tenham melhorado com a intervenção. Além disso, não foi verificada relação entre a qualidade do sono e a eficácia da intervenção, o que pode ter sido influenciado pelo n da amostra. Estudos futuros deverão focar na otimização dos efeitos das intervenções com jogos.

6
  • MARIA AURELINA MACHADO DE OLIVEIRA
  • GRAVIDEZ TARDIA: BEM-ESTAR SUBJETIVO E PERCEPÇÃO DA GESTAÇÃO.

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 27/04/2012
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  • O Bem-estar Subjetivo (BES) é formado por julgamentos globais de satisfação com a vida, ou com domínios peculiares - as experiências emocionais positivas e negativas. A percepção, por sua vez, é o processo interpretativo dos dados sensoriais dotado de sentido cognitivo ou informativo, assimilado em função de um contexto. Sob essa perspectiva, a pesquisa objetivou avaliar o BES e a percepção da gravidez em gestantes tardias. Participaram da pesquisa 80 grávidas com 35 anos ou mais de idade (grupo A ou tardias) e 80 grávidas com idade entre 20 e 34 anos (grupo B ou adultas jovens). Os instrumentos usados foram: a escala de BES e um questionário; este contemplou informações sociodemográficas, itens sobre a gravidez e uma afirmativa baseada na Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) para abordar a percepção da gestação. Os dados oriundos do questionário e da escala, objetivando comparar os dados de intergrupos, sofreram análises estatísticas descritivas e inferenciais. As análises realizadas com o teste qui-quadrado apresentaram valores estatisticamente significativos com as variáveis sociodemográficas tipo de anticoncepcional e problemas de saúde. Os indicadores do BES apresentaram médias próximas nos grupos. Além disso, por meio do teste de Wilcoxon, percebeu-se que não houve diferenças dos aspectos supracitados intergrupos. Ao relacionar os indicadores do BES com as variáveis idade, escolaridade e renda, algumas associações foram significativas. Em adição, as palavras oriundas da afirmativa (TALP) foram analisadas com o auxílio do software Programmes Permettant l’analyse des Evocations (EVOC2000), e categorizadas segundo a análise de conteúdo de Bardin que resultaram em 3 categorias temáticas (afetos – positivos e negativos, percepção da gestação e implicações da gravidez), discutidas de forma agrupada, pois a maioria das palavras foram comuns. Frisa-se o quão semelhantes foram os dados apresentados pelas gestantes pesquisadas. Supõe-se, acerca dessa consideração, que a similitude esteja relacionada ao contexto social. A relevância desse estudo para a rede assistencial de saúde reside em auxiliar em propostas que visem a melhorias específicas para o público e para o setor, além de demonstrar que gestantes tardias e adultas jovens, no contexto pesquisado, não apresentaram diferenças em boa parte das características estudadas.

7
  • MAIHANA MAÍRA CRUZ DANTAS FONSECA
  • Mães de neonatos pré-termo hospitalizados: avaliação do apoio social e da sintomatologia ansiogênica.

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 30/04/2012
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  • O apoio social é um aspecto relevante durante toda a vida, em especial nos períodos de crise.  Como momento de crise, destaca-se o parto prematuro, seguido da hospitalização do neonato.  Este tipo de nascimento está associado a índices elevados de sintomas de ansiedade, representando riscos à saúde psíquica materna e à relação mãe-bebê. Mediante o exposto, esta pesquisa tem como objetivo investigar se existe relação entre o apoio social percebido e a expressão de sintomas de ansiedade em mães de recém-nascidos prematuros hospitalizados. Trata-se de um estudo correlacional de corte transversal, realizado durante o período de abril a outubro de 2011, sendo adotado o tipo amostra por conveniência. Esta foi constituída por setenta mães acompanhantes de recém-nascidos pré-termo hospitalizados e setenta mães de bebês a-termo. Os instrumentos utilizados foram o Inventário de Ansiedade Traço-Estado e a Escala de Apoio Social. Os resultados demonstraram haver relação negativa de intensidade fraca entre a Ansiedade-Estado e o apoio emocional, bem como relação negativa de intensidade fraca a moderada entre a Ansiedade-Traço, o apoio social e suas dimensões: (apoio material, emocional, de informação, interação social positiva e afetivo). Estes sugerem que quanto melhor a percepção de apoio, menos intensa é a sintomatologia ansiogênica, sendo o inverso também verdadeiro. Destaca-se, portanto, a relevância do apoio social no referido contexto, bem como a importância dos profissionais de saúde não enfatizarem apenas a saúde física do neonato, mas também os aspectos psicossociais que perpassam o nascimento prematuro seguido de hospitalização.

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  • LILIANE PEREIRA BRAGA
  • LÓCUS DE CONTROLE E O CONCEITO DE MATERNIDADE E PATERNIDADE DE ADOLESCENTES

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 01/06/2012
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  • Lócus de Controle é um constructo que pretende explicar a percepção das pessoas a respeito da fonte de controle dos eventos, se próprias do sujeito – interno – ou pertencente a algum elemento fora de si próprio – externo. A localização do lócus de controle do indivíduo sofrerá também influência do período do desenvolvimento em que se encontra. Durante a adolescência, os indivíduos se voltam para a construção da sua identidade, sendo que a estruturação da identidade sexual é parte relevante desse processo, já que os papéis de gênero masculino e feminino são os mais importantes do ponto de vista sociocultural.  Um dos papéis sociais que o adolescente pode assumir é o de mãe ou de pai. Optou-se por abordar os adolescentes que ainda não são mães e pais, e questioná-los sobre seus conceitos de maternidade e paternidade. Hipotetizava-se que adolescentes com lócus de controle interno provavelmente desenvolveriam conceitos de maternidade e paternidade em que atribuem a eles mesmos a responsabilidade pela criança. Objetivou-se relacionar a dimensão predominante do lócus de controle na adolescência e maneira como estes jovens conceituam maternidade e paternidade. Trata-se de um estudo exploratório analítico de corte transversal, realizado com 400 adolescentes das turmas do 6o ao 9o ano do Ensino Médio de escolas públicas de Natal/RN. Os sujeitos foram distribuídos proporcionalmente entre as oito escolas selecionadas, em cada distrito de Natal. Foram utilizados como protocolos: questionário estruturado, envolvendo questões sociodemográficas e questões sobre o conceito de maternidade e paternidade, e a Escala Multifatorial de Lócus de Controle. Os dados foram analisados utilizando-se a estatística descritiva e inferencial, com auxílio do pacote estatístico SPSS 18.0. Os resultados referentes às questões sobre o conceito de maternidade e paternidade foram analisados com auxílio do programa de análise de freqüência, ALCESTE 4.7. Os resultados revelaram que para meninos e meninas, a maternidade e paternidade são caracterizadas pela aquisição e assunção de responsabilidades da vida adulta. Tal conceituação encontra respaldo também na classificação dos sujeitos quanto ao lócus de controle, já que a maioria dos sujeitos dessa pesquisa foi caracterizada como indivíduos que tendem a assumir a responsabilidade pelos eventos da sua vida. Para jovens de classes populares, o projeto de autonomia e ascensão social se concretiza pela constituição da própria família e pela capacidade de cuidar e sustentá-la.

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  • ALDA KAROLINE LIMA DA SILVA
  • ATIVIDADE DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: INTERAÇÃO COM O GÊNERO PROFISSIONAL DOCENTE.

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 18/06/2012
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  • Estudos apontaram que uma das discussões centrais na Educação a distância (EAD) refere-se ao papel que o professor é convocado a desempenhar. A pesquisa, pautada pelos pressupostos teórico-metodológicos da Clínica da Atividade, teve o objetivo de analisar a dinâmica que se estabelece entre a atividade do professor na EAD e o gênero profissional docente ao qual ele reporta-se em sua atividade profissional. As etapas do estudo dividiram-se em: 1) realizar de um mapeamento sobre o perfil sócio-profissional dos professores que atuam na EAD em duas universidades da cidade do Natal (RN); 2) analisar a atividade de trabalho dos professores na EAD, em abordagem clínica norteada pelos contextos de desenvolvimento da atividade: pessoal, interpessoal, transpessoal e impessoal; e 3) enfatizar o contexto transpessoal de modo a compreender a influência da prática pedagógica na EAD sobre o gênero profissional docente. Para consecução dos objetivos, os instrumentos e procedimentos propostos foram: pesquisa documental, registros audiográficos (representados pela técnica da instrução ao sósia), e um questionário socioprofissional. As análises estatísticas descritivas e inferenciais do mapeamento contemplou uma amostra de 70 participantes, sendo 28 homens e 41 mulheres. 65,7% vinculavam-se a Instituição pública e 30% a Instituição privada e 4,3% de Instituição pública e privada. 31,4% era mestre, seguido de 28,6% de doutores e 26,3% especialistas. 54,3% exerciam a função de tutor à distância, e 44,3% eram professores regentes. Após clusterização, foi apontada a existência de dois grupos(tutor a distância e professor regente), e as variáveis mais importantes de distinção foram: função, titulação, renda, atividades desenvolvidas e forma de ingresso na EAD. Da etapa clínica participaram dois professores representantes de cada grupo. A análise da atividade de trabalho apontou a existência de modelos de EAD distintos, que produziam formatos de trabalhos cuja conformidade com o gênero profissional docente era reflexo das diferentes formas de vivenciar os espaços de docência. Quanto ao alargamento das atividades destaca-se a necessidade do desenvolvimento tanto de competências técnicas para utilizar as tecnologias de informação, quanto das pedagógicas para pensar as concepções e os modos de concretização do processo de ensino-aprendizagem na EAD. Aponta-se que as mudanças que a EAD produziu na atividade dos professores os convocaram a um acesso mais profundo das orientações genéricas da profissão, de modo a contribuir para (re) vitalizações do gênero profissional docente, não necessariamente atrelado ao uso do modelo presencial como um guia, pois replicar o modelo presencial para a distância não seria garantia do sucesso da atividade do professor na EAD. Destaca-se também que o insucesso da atividade também permite o aceso e a transmissão do gênero profissional. Por fim, lança-se o alerta de que certos formatos de trabalho, como nos casos da EAD, preveem a intensificação e individualização da atividade de trabalho, e até mesmo a precarização das relações, em detrimento de trocas e compartilhamentos entre os coletivos de trabalho. Nesse sentido a revitalização do gênero fica comprometida, e amputação da história do coletivo pode materializar-se, de modo a contribuir para atrofiar o raio de ação do sujeito-trabalhador em seu cenário laboral.

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  • CANDIDA DE SOUZA
  • NA FRONTEIRA DA EXCLUSÃO: AÇÕES DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA NA JUVENTUDE.

  • Orientador : ILANA LEMOS DE PAIVA
  • Data: 28/06/2012
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  • Na sociedade atual, a violência, principalmente nos centros urbanos, tem se apresentado como uma das principais sequelas da “questão social”, tendo grande impacto na vida de várias pessoas, especialmente, do público jovem. Diante disso, o Estado tem sido chamado a atuar na prevenção e combate dessa forma de violação de direitos. A situação em Natal/RN corrobora os índices nacionais com relação à incidência da violência na juventude, e aponta dados alarmantes, especificamente nos seus bairros periféricos. Optou-se por delimitar o campo da pesquisa no bairro de Felipe Camarão, dada a histórica alta incidência de homicídios contra a sua população jovem. O objetivo geral deste estudo foi identificar e analisar as iniciativas voltadas para a prevenção e combate à violência na juventude que estão sendo desenvolvidas em Felipe Camarão, em que estas se baseiam e como se traduzem em ações e, mais especificamente, visou-se realizar um levantamento e caracterização das instituições que possuem ações voltadas para a população jovem em Felipe Camarão, bem como analisar de que ponto partem os profissionais para a execução e articulação das ações no processo de redução da violência, identificando o que fazem e como fazem. Foram identificadas dez instituições que possuem suas ações total ou parcialmente voltadas para o público jovem. Foram realizados grupos focais com os profissionais de todas as instituições. Os dados foram analisados a partir da perspectiva do método histórico e dialético, com base no Método Comparativo Constante. Os resultados foram apresentados a partir de três eixos de análise: as concepções dos profissionais sobre a violência; as iniciativas voltadas para a prevenção à violência em Felipe Camarão e; os desafios e perspectivas encontrados no processo de redução da violência. Apontamos que o fenômeno da violência apresenta-se de forma banalizada na vida das pessoas, o que contribui para o reforço de uma cultura do medo, bem como de uma estigmatização do bairro, seja na mídia ou no imaginário social. As ações voltadas para os jovens carecem de uma melhor estruturação, articulação e perspectiva crítica acerca do processo de prevenção da violência, além de uma maior abrangência territorial. Defendemos que a realização de ações de cunho emancipatório, especialmente junto aos jovens, que lhes possibilitem a construção de novos projetos de vida, aliado a um fortalecimento da atuação do Estado no âmbito preventivo, inclusive por meio de políticas de acesso à educação de qualidade e oportunidades de trabalho digno, além da consolidação de um efetivo capital social, são importantes fatores no processo de redução da violência em Felipe Camarão.

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  • MARIANA CARVALHO DA COSTA
  • As depressões e o feminino: uma articulação psicanalítica.

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 02/07/2012
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  • Uma grande ocorrência do diagnóstico de depressão entre mulheres pode ser constatada. Na psiquiatria, o diagnóstico de depressão se refere à descrição de sintomas, tratados por medicamentos. Em contrapartida, a psicanálise transporta-se para uma clínica que prioriza o sujeito, questionando a sua implicação com a sua queixa, que pode ter como desdobramento uma mudança de posição frente ao seu sofrimento. Esta perspectiva nos leva a tomar como referência a teoria psicanalítica na investigação da questão: quais as articulações entre as depressões e o feminino? Objetivamos analisar as relações entre as depressões e o feminino, sob uma perspectiva psicanalítica. Mais especificamente, discutir as depressões nos diálogos com a melancolia e delimitar o feminino na psicanálise. Trata-se de uma pesquisa do tipo teórico. A partir de uma contextualização das depressões, abordando sua dificuldade conceitual, o histórico do termo, as articulações com o mal estar na cultura e o lugar da psiquiatria, foram analisadas as obras de Freud e Lacan no que diz respeito às depressões e à melancolia, bem como à discussão do feminino, situado a partir da constituição dos sujeitos e das peculiaridades de sua inscrição. Para Freud, a depressão é uma neurose de angústia decorrente de inibições sexuais; Lacan nomeia a posição do sujeito deprimido de demissão subjetiva, que corresponde a desistir de si porque cede de seu desejo. A pesquisa mostrou que é possível articular o feminino e as depressões: pela via freudiana, especialmente a partir da castração; sob a ótica lacaniana, a articulação foi viabilizada pela especificidade do gozo feminino e da inscrição feminina na dialética fálica. Embora nossas conclusões estejam vinculadas ao universal da linguagem, situamos a singularidade sempre no horizonte.

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  • ISRAEL LIMA DE LUNA FREIRE
  • Doadores de Sangue: Qualidade de Vida e Atendimento em Hemocentro de Natal/RN

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 06/08/2012
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  • O campo de doação de sangue no Brasil enfrenta problemas desde o início de sua atuação na década de 1940, se a principio o maior entrave era conseguir sangue seguro e de qualidade, depois de estabelecidos critérios para doações, o obstáculo está no baixo número de candidatos aptos à doação. A aptidão está relacionada à boa saúde daqueles que buscam os serviços de hemocentros e o retorno do doador, muitas vezes, condicionado à forma como o atendimento é prestado e percebido pelo usuário. A qualidade de vida, percepção que o indivíduo tem de sua posição no contexto no qual se insere, pode influenciar a saúde e emerge como forma de enfocar a subjetividade em um contexto de exames e práticas objetivas; audição de impressões sobre o atendimento recebido amplia o foco sobre o usuário e permite um feedback a instituição para que esta oriente e planeje sua atuação. O presente estudo objetivou verificar a qualidade de vida em doadores de sangue e sua percepção do atendimento em um hemocentro de Natal/RN. Trata-se de um estudo analítico e descritivo de corte transversal, realizado com doadores de sangue usuários dos serviços do Hemocentro Dalton Barbosa Cunha (HEMONORTE). Foram utilizados como protocolos: um questionário estruturado, com questões sociodemográficas e sobre o atendimento, e o instrumento de Qualidade de Vida SF-36. Os dados sociodemográficos e do SF-36 foram analisados utilizando-se estatística descritiva e inferencial, com auxilio do pacote estatístico PASW 18.0; aqueles referentes ao atendimento foram submetidos à análise de conteúdo temática. Os resultados revelaram uma amostra essencialmente composta por homens, pessoas casadas, que estudaram até o segundo grau e já tinham feito doações anteriores, com os dois primeiros grupos retornando mais frequentemente para doações. Os escores obtidos no SF-36 confirmam o ‘atestado de boa saúde’ das triagens, sendo elevados em todos os domínios e caracterizando uma população saudável; denotaram-se diferenças estatísticas significativas entre os sexos, níveis de escolaridade e estados civis. Os discursos sobre o atendimento foram em sua maioria positivos e tiveram como focos principais o acesso, agilidade, aspectos técnicos e sensações subjetivas. Dados referentes ao perfil do doador potiguar confirmam características algumas do doador brasileiro, aqueles do SF-36 assemelham-se aos encontrados em estudos com grupos de indivíduos saudáveis e as impressões sobre o atendimento recebido têm similaridades com estudos nacionais e estrangeiros sobre o atendimento em bancos de sangue.

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  • JULY YUKIE ABE DE LIMA
  • De vilarejo a cidade: identidade de lugar de moradores nativos de Tibau do Sul-RN.

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 30/08/2012
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  • Este estudo teve como objetivo analisar alguns indicadores do processo de reestruturação da identidade de lugar de nativos residentes na sede municipal de Tibau do Sul-RN, frente às mudanças ocorridas nessa localidade. A identidade de lugar – estrutura psicológica complexa em constante processo de reestruturação frente a mudanças – destaca o enfoque dado à análise dos aspectos referentes às relações das pessoas com seu ambiente físico e social, ao longo do processo de transição do antigo vilarejo de pescadores e agricultores que começa a ganhar contornos de cidade. A primeira etapa do estudo consistiu em entrevistas com conhecedores da história da localidade, como fase preparatória para a segunda etapa. Esta se referiu a entrevistas com 29 moradores da sede municipal nativos do local, de perfis pessoais e profissionais variados, e enfocou suas cognições acerca de suas relações com esse contexto no presente e passado, além de suas expectativas de futuro. A análise focalizou os elementos de distintividade, continuidade, autoestima e autoeficácia, bem como o caráter valorativo (positivo ou negativo) atribuído a eles. A avaliação dos nativos acerca da localidade e da distinção de si próprios em relação a outros (pessoas e lugares) foi, de modo geral, muito positiva. muitos elementos de continuidade do grupo e do lugar e a possibilidade de satisfação de suas necessidades foram destacados positivamente, especialmente comparando-se ao passado. O desenvolvimento turístico da cidade e de outras atividades econômicas anteriores pareceu contribuir para um processo de reestruturação da identidade, de modo a atingir estados desejáveis para sua estrutura. A ampliação dessa análise em termos de um contexto temporal e espacial, no entanto, mostra que essa avaliação positiva pode dificultar algumas estratégias de enfrentamento pelos moradores frente a atividades econômicas insustentáveis, muitas vezes articuladas de modo a favorecer uma minoria da população.

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  • ANDRESSA MOREIRA HAZBOUN
  • CRITÉRIOS UTILIZADOS POR PSICÓLOGOS BRASILEIROS EM PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 31/08/2012
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  • A Avaliação Psicológica (AP) é de suma importância para o desenvolvimento e imagem social da profissão. A despeito do contexto em que esteja inserida, baseia-se em critérios amparados na habilidade teórica, técnica e tácita do profissional. Essa pesquisa objetiva caracterizar aspectos do perfil e da atuação desses profissionais em diferentes contextos e regiões do país; identificar e caracterizar os critérios empregados pelos psicólogos brasileiros na escolha/uso de instrumentos; e verificar se há similitude metodológica entre os profissionais. Para tanto, realizou-se um survey online com 932 psicólogos. Os principais resultados indicaram um perfil consoante com levantamentos sobre a categoria profissional que revelam: elevado número de mulheres, jovens, egressos de faculdades particulares, com pouco tempo de experiência, atuando poucas horas semanais e em mais de um contexto. Evidenciam-se tendências recentes de diminuição da predominância do Sudeste e da área clínica. Preocupam a pequena variedade de critérios elencados no uso de instrumentos e as evidências de confusão conceitual entre AP e testagem psicológica. E, identificam-se necessidades de: investimento em processos de AP e instrumentos voltados a necessidades sociais e a contextos além do clínico; qualificação da formação graduada e continuada do profissional; e estabelecimento de diretrizes/guias que promovam as melhores práticas em AP.

     

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  • ISIS SIMÕES LEÃO
  • ESTUDO DAS PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS DA ESCALA WHOQOL-OLD EM IDOSOS DA REGIÃO NORDESTE.

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 06/09/2012
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  • O envelhecimento populacional aumenta o número de idosos em todo mundo. No Brasil, país de tamanho continental, esse processo começou na década de 40 e acontece com características específicas em suas diferentes realidades. Dentro dessa perspectiva, a presente dissertação teve o objetivo de avaliar as propriedades psicométricas da escala de avaliação da qualidade de vida (QV) de idosos, WHOQOL-old, em uma população de nordestinos. Buscou-se investigar a congruência entre os conteúdos abordados pela escala e aqueles considerados relevantes pelos participantes; e estudar as evidências de validade de estrutura interna do instrumento. Para atingir os objetivos da pesquisa foi adotado o desenho de métodos múltiplos. A pesquisa foi organizada em dois estudos. Como instrumento de coleta de dados comum a ambos, foi utilizado questionário sociodemográfico para traçar o perfil dos participantes e o Mini Exame do Estado Mental (MEEM), que serviu como critério de exclusão. O Estudo I, de abordagem qualitativa, contou com a participação de 18 idosos moradores das cidades de Natal-RN e Campina Grande-PB, média de idade de 73,3 anos (DP = 5,9), divididos em três grupos focais (GF) que discutiram o conceito de QV, o que ajuda e o que atrapalha a QV. Para o estudo II, de abordagem quantitativa, 335 idosos de Campina Grande, entre 65 e 99 anos (M = 74,17; DP = 6,5) responderam a escala WHOQOL-old. Os dados dos GF foram submetidos à análise categorial temática de conteúdo; e para análise dos dados da escala WHOQOL-old foram utilizados análise fatorial exploratória e cálculo dos critérios de informação de Akaike e Bayesiana. Os resultados dos dois estudos foram triangulados. De acordo com as discussões nos GF, saúde e participação social têm papéis centrais na qualidade de vida. A última estabelece relação com todos os demais temas suscitados. Os participantes indicam a relevância da religiosidade e ficam divididos sobre a importância da atividade sexual. Analise fatorial exploratória (EFA) extraiu um modelo de seis fatores. Dois itens (OLD_3 e OLD_9), não carregaram em nenhum fator e foram excluídos. Os demais itens apresentaram carga fatorial >0,3. As categorias de resposta foram reduzidas de cinco para três. Após as mudanças na escala, o modelo empírico apresentou melhor ajuste (-2loglikelihood = 8993,90; AIC = 9183,90 e BIC = 9546,24) que o modelo teórico (-2loglikelihood = 18390,88; AIC = 18678,88 e BIC = 19228,11). Apesar dos melhores valores de critério de informação, o RMESA permaneceu acima do ideal (0,06). Conclui-se que o WHOQOL-old apresenta parâmetros psicométricos abaixo do ideal na população nordestina, mas as melhorias o tornaram sua utilização aceitável. O instrumento WHOQOL-old utiliza variáveis observáveis que condizem com a percepção dos participantes sobre qualidade de vida. No entanto, novas estratégias merecem ser testadas para refinamento da escala.

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  • PRISCILLA CRISTHINA BEZERRA DE ARAUJO ALVES
  • PERCEPÇÃO DE ESTIGMA E QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS COM NEOPLASIA.

  • Orientador : EULALIA MARIA CHAVES MAIA
  • Data: 10/09/2012
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  • O aumento do tempo de sobrevida e cura exige cuidados mais amplos em relação à qualidade de vida dos pacientes com câncer, que tem inicio logo após o diagnóstico. Deste modo, parece acertado a ênfase dada ao desenvolvimento de estudos que abranjam as variáveis psicossociais, como o estigma, no tratamento do câncer infantil visando assim à atenção das necessidades globais da criança. Destarte, esta pesquisa se propôs a investigar, a percepção de estigma e a qualidade de vida em crianças com neoplasia. Trata-se de uma pesquisa de corte transversal do tipo descritiva e compreensiva, sendo adotado o tipo amostra por conveniência. Esta foi constituída por trinta crianças com câncer e trinta crianças sem doença crônica. Os instrumentos utilizados foram o Questionário de Qualidade de Vida, a Escala de Percepção de Estigma e a técnica de Desenho Estória com Tema. Os resultados apontam que a condição crônica, na interferiu de modo significativo na satisfação com a qualidade de vida nas crianças com neoplasia e identificou-se que a qualidade de vida não está relacionada com o estigma. Quanto à comparação com crianças sem doença crônica com os infantes com neoplasia, não foram observadas diferenças significativas. Contudo a média do grupo contraste apresentou-se menor, sugerindo um maior prejuízo na qualidade de vida das crianças com câncer em relação às sem doença crônica. Ressalta-se ainda que as repercussões psicossociais e as limitações impostas pela doença e pelo tratamento se apresentam como fatores importantes no modo de estruturação das manifestações subjetivas das crianças com câncer. Assim sendo, espera-se que o conhecimento elucidado por este estudo venha a colaborar, sobremaneira, para a promoção da melhora emocional, biológica e social e do próprio desenvolvimento e envolvimento das crianças com câncer no seu tratamento.

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  • RODOLPHO LUIZ ARAÚJO CORTEZ
  • DADOS NORMATIVOS DO TESTE DE ATENÇÃO POR CANCELAMENTO EM ESTUDANTES DE NATAL/RN

     

     

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 19/10/2012
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  • A atenção pode ser definida como uma função neuropsicológica que permite ao sujeito o processamento de quantidade limitada de estímulos provenientes do ambiente externo ou mesmo originárias do interior do corpo.  A avaliação da função atencional, por sua vez, é considerada primordial em virtude da dependência das demais funções cognitivas em relação ao seu bom funcionamento; fato que se torna ainda mais crítico quando aplicado ao contexto da infância e adolescência por ser indispensável a consideração de aspectos neurodesenvolvimentais. Dadas essas condições e a escassez de parâmetros relacionados ao desenvolvimento dos mecanismos atencionais para crianças e adolescentes, este estudo buscou a obtenção de dados normativos e exploratórios do desempenho no Teste de Atenção por Cancelamento (TAC) de crianças e adolescentes de seis a 16 anos estudantes das redes de escolas públicas e privadas da cidade de Natal/RN. Participaram da pesquisa 608 estudantes da cidade de Natal, sendo 336 estudantes do sexo feminino (55,3%) e 272 do sexo masculino (44,7%). Deste total, 283 pertenciam à rede pública de ensino (46,5%) e 325 à rede privada (53,5%). As análises estatísticas inferenciais (ANOVA) e a análise post-hoc (Teste LSD) permitiram verificar que as variáveis: nível de escolaridade e tipo de escola mostraram-se estatisticamente significativas (p < 0,05), enquanto a variável sexo não apresentou relevância para diferenciação de desempenho dos estudantes. Em termos de acurácia e velocidade em tarefas que avaliam a seletividade e sustenção, constatou-se aumento significativo no desempenho dos estudantes até o 6º ano de escolaridade. Entretanto, a partir do 7º ano do ensino fundamental II observa-se o estabelecimento de um platô no desenvolvimento atencional para este contexto. Contudo, em tarefas que exigem seletividade e alternância, constatou-se que há incremento no desempenho dos estudantes até por volta do 8º ano, apresentando uma estabilização de resultados somente na transição do ensino fundamental II para o ensino médio; o que demonstra continuidade no desenvolvimento de características desenvolvimentais ao longo da adolescência. Dessa maneira o TAC apresentou sensibilidade para a detecção de aspectos neurodesenvolvimentais e características sócio-culturais do funcionamento cognitivo humano.


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  • ANNA VALESKA PROCOPIO DE MOURA MENDONCA
  • Cuidados paliativos e ser-para-a-morte: reflexões sobre um atendimento psicológico.


  • Orientador : ELZA MARIA DO SOCORRO DUTRA
  • Data: 03/12/2012
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  • A morte é um tema que fascina, mas que ao mesmo tempo assusta e inquieta o ser humano, embora a finitude esteja sempre presente no nosso dia-a-dia. Em cada tempo histórico, a morte foi representada de modo peculiar, desde a morte familiar, na Idade Média, à morte interditada, na contemporaneidade. Nesse percurso, são reconhecidas as diversas atitudes e estágios diante da morte e o processo de morrer como possibilidades de enfrentamento e compreensão destas ocorrências. Por outro lado, a proposta de cuidados paliativos surgiu como uma atenção humanizada diante da finitude humana, reconhecendo a morte como parte do ciclo vital. A realidade brasileira, nesse contexto, ainda vivencia muitos entraves políticos, econômicos e sociais que dificultam a consolidação dos cuidados paliativos perante o processo de morrer na política da Saúde Brasileira. Atualmente, segundo a Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, o Brasil apresenta, em média, 40 serviços com essa proposta. Tais dados retratam a nossa condição inexpressiva, em relação a esses cuidados, se levarmos em consideração a extensão territorial e a população do nosso país. Diante desse cenário é pertinente refletir acerca da morte e o processo de morrer na contemporaneidade, num contexto de saúde em que os cuidados paliativos, ao tentarem humanizar o processo de morrer, trazem à tona a questão da finitude humana e o ser-para-morte, tal como pensado pelo filósofo Martin Heidegger. Segundo este, o ser humano, Dasein, se constitui como um ser-para-morte, uma vez que a morte é o seu poder-ser mais próprio e a sua última possibilidade a ser vivida. Em face das idéias apresentadas, o estudo proposto configura-se como uma pesquisa qualitativa de inspiração fenomenológico-existencial e tem como objetivo compreender a vivência de ser-para-a-morte a partir do atendimento psicológico a uma pessoa fora de possibilidades de cura vivenciando os cuidados paliativos. O atendimento psicológico foi desenvolvido em domicílio a um paciente que se encontrava nessas condições, compreendendo o processo clínico de ser-com-o-outro a partir dos relatos escritos da psicóloga/pesquisadora, por meio das sessões de acompanhamento, configurando-se como relato de experiência. Estes focalizam a experiência vivida pelo paciente, tal como apreendida pela psicóloga na relação de intersubjetividades e a sua própria experiência como Dasein e, portanto, ser-para-a-morte. Os relatos foram interpretados hermeneuticamente, a partir dos sentidos que emergiram nesse processo, considerando a noção de ser-para-a-morte proposta por Heidegger. Além disso, foi importante dialogar com os outros autores que abordam a temática estudada. Pode-se perceber, através de breves e significativas reflexões acerca dos atendimentos clínicos iniciados, que a vivência da doença sem possibilidades de cura proporciona ao Dasein reverem sentimentos e vivências marcados na temporalidade e historicidade da existência. É um estágio da vida em que a dimensão cultural e do senso comum da finitude, muitas vezes, ganha espaço na condição humana, tomada no seu sentido vulgar, diferentemente da forma como tem sido pensada numa perspectiva ontológica e existencial da morte. Portanto, há percursos singulares e reveladores no cenário da assistência em cuidados paliativos como caminhos possíveis para a autenticidade de ser-para-a-morte.

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  • ALENUSKA NADJA REGO DE QUEIROZ SOARES
  • PSICOSE E TOXICOMANIAS: UM ESTUDO PSICANALÍTICO.


  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 14/12/2012
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  • O presente trabalho tem o objetivo de discutir, a partir de um caso clínico e à luz da psicanálise, quais os diferentes modos de operação do uso de drogas sobre a estrutura psicótica e quais seriam os efeitos e as particularidades dessa articulação. O interesse pelo tema nasceu a partir de uma experiência de estágio na área de Saúde Mental, na qual havia um paciente psicótico que fazia uso de drogas, assim como existia uma dificuldade do serviço em como e onde tratar esse usuário. Para atingirmos nosso objetivo, construímos quatro capítulos teóricos nos quais o caso clínico é retomado algumas vezes em articulação com as discussões levantadas, a fim de aproximarmos a pesquisa teórica com a prática clínica, o que caracteriza o método deste trabalho como teórico-clínico. A revisão de literatura revelou que Freud e Lacan não se dedicaram ao estudo dessa temática, mas deram contribuições importantes que se desdobram atualmente no campo teórico e na prática clínica. Autores psicanalíticos contemporâneos apontam que o uso feito por psicóticos é diferente do uso feito por neuróticos, pois o psicótico possui particularidades que são de estrutura. Constatou-se que o uso de drogas na psicose pode operar de três modos distintos: o primeiro refere-se ao uso de droga enquanto suplência à ausência do significante que insere o psicótico no laço social; O segundo tem a função de intensificação dos fenômenos psicóticos e o terceiro opera como tentativa de apaziguamento desses mesmos fenômenos. Conclui-se que, enquanto o uso de drogas na neurose pode oferecer um modo de satisfação individualista que prescinde do social, na psicose esse uso pode operar de maneira diversa, podendo ter uma função de desencadeamento, de estabilização, de inserção social, dentre outras. Tal discussão permite avançarmos na direção do tratamento da psicose, quando o caso inclui o uso de drogas, bem como na direção do tratamento das toxicomanias.

Teses
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  • ANTONIO ALVES FILHO
  • MOTIVAÇÃO PARA O TRABALHO: UM ESTUDO COM OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE NATAL-RN.

  • Orientador : LIVIA DE OLIVEIRA BORGES
  • Data: 10/02/2012
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  • A presente tese estudou a motivação para o trabalho dos profissionais de saúde vinculados às Unidades Básicas (UBS) da rede de saúde do município de Natal (RN). Compreendeu-se a motivação para o trabalho como um processo e, para tanto, aplicou-se a teoria das expectativas cujos componentes (resultados do trabalho, expectativa, valência, instrumentalidade e força motivacional) serviram para assim analisá-la. Entendendo-se também a motivação como um fenômeno multifacetado, adotou-se a perspectiva psicossociológica. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas: uma com a aplicação do Inventário da Motivação e Significado do Trabalho (IMST) e outra com entrevistas. As análises dos resultados obtidos com o IMST revelaram que os fatores que mais contribuem para aumentar a força motivacional dos profissionais de saúde das UBS’s são, em valência, Autoexpressão e Realização Pessoal (FV2), Sobrevivência Pessoal e Familiar (FV3); em expectativa, os fatores Autoexpressão e Justiça no Trabalho (FE1), Segurança e Dignidade (FE2) e Responsabilidade (FE4); em instrumentalidade, os fatores Envolvimento (FI1) e Reconhecimento e Independência Econômica (FI4). Em contrapartida, os fatores que mais contribuem para baixar a força motivacional são os fatores Desgaste e Desumanização em valência (FV4), em expectativa (FE3) e em instrumentalidade (FI4), além do fator Justiça no Trabalho (FI2). Com base nas análises de conteúdo das entrevistas, foi possível, por equivalência, relacionar os sentidos apresentados pelos profissionais de saúde aos fatores encontrados com o IMST, indicando que os resultados da segunda etapa corroboraram e complementam os da primeira favorecendo uma compreensão mais ampla dos fenômenos estudado. Na primeira etapa, a instrução dos participantes também prediz os resultados em motivação e, nas entrevistas, pode ser visto que a instrução está relacionada com as oportunidades que têm fora do sistema. Como a motivação para o trabalho é processual, o impacto de características pessoais e ocupacionais tende a interagir com aspectos contextuais. Na fala dos entrevistados, obtidas na segunda etapa, é visível a presença de conteúdos que mostram que percebem o SUS e as UBS’s em degradação. Conclui-se que a maioria dos profissionais de saúde apresenta força motivacional moderada, porém em queda, em função de vivenciarem e perceberem um contexto deteriorado com condições de trabalho cada vez mais desfavoráveis.

2
  • THYANA FARIAS GALVAO DE BARROS
  • (CON)VIVENDO EM FORTALEZAS: O OUTRO LADO DO MORAR BEM

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 20/04/2012
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  • A intensificação do medo da cidade e dos espaços geridos a partir deste sentimento vem contribuindo para uma desigualdade socioespacial cada vez maior, além do rápido crescimento do mercado de proteção. Os condomínios residenciais surgem como uma possível solução ao problema. Trata-se de uma tipologia habitacional em expansão em todo mundo e são vistos, especialmente pela classe média urbana, como espaços propiciadores de qualidade de vida e segurança. No Brasil, especialmente nas grandes cidades, a busca por qualidade de vida apresenta conexão direta com o desejo por segurança traduzido através do controle do espaço (uso de muros altos, portões, portaria, câmeras de vigilância) e das pessoas que o utilizam. Investigar como as diversas categorias de moradores de uma área predominantemente ocupada por condomínios residenciais verticais percebem a dimensão socioespacial e o espaço urbano determinados por esse tipo de empreendimento, principalmente no tocante a questão da (in)segurança urbana é o objetivo dessa tese que fundamenta-se na hipótese de que, embora divulgados e vendidos pelo marketing como “lugares seguros”, “sinônimos de bem-estar” e “incentivadores da vida em comunidade”, a moradia nestes condomínios não promove, e até inibe, as relações sociais, contribuindo para o isolamento socioespacial e consequente enfraquecimento social. Trata-se de uma pesquisa que procura atender às premissas da psicologia ambiental voltada para a compreensão dos estudos pessoa-ambiente, valorizando o uso de diferentes métodos (pesquisa documental, observações e entrevistas em grupo - técnica de grupo focal com utilização de recursos fotográficos), o foco em problemas atuais da cena urbana e o conhecimento obtido em psicologia social.

3
  • MARIA TERESA PIRES COSTA
  • SAÚDE PSÍQUICA E CONDIÇÕES DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NOS HOSPITAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE.

  • Orientador : LIVIA DE OLIVEIRA BORGES
  • Data: 18/12/2012
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  • A tese se propôs a avaliar a relação entre saúde psíquica e condições de trabalho em dois hospitais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a saber: Hospital Universitário Onofre Lopes e Hospital Universitário Ana Bezerra. Adotou como ponto de partida epistemológico a abordagem psicossociológica, considerando que a compreensão sócio-histórica do contexto é indispensável para entender os fenômenos em análise. Os fenômenos condições de trabalho e saúde psíquica foram abordados interdisciplinarmente, fundamentando a construção de um modelo compreensivo de saúde psíquica que orientou a investigação.  O caminho metodológico utilizado foi a pesquisa-ação. Essa foi aplicada, utilizando de técnicas como a pesquisa documental, a observação participante, as entrevistas não estruturadas, uma sessão de grupo focal e a aplicação de um protocolo de pesquisa composto pelo questionário de condições de trabalho, pelo Questionário de Saúde Geral (QSG-60) e pela Escala de Bem-Estar Afetivo no Trabalho (JAWS-12). A análise mostrou que os escores sintomáticos de saúde psíquica variam por hospitais e que a saúde psíquica sofre influência das condições de trabalho, sobretudo em aspectos referentes a três dimensões: condições físicas e materiais; processos e características do trabalho e o ambiente sociogerencial. Em referência a primeira dessas dimensões, destacaram-se a exposição aos riscos psicobiológicos e de acidentes, bem como as exigências de esforço físico. Na segunda dimensão, a complexidade das atividades e a responsabilidade implicada nas mesmas. E, na última, os fatores de organização da atividade, violência e ambiente conflitivo. Como a relação do indivíduo com seu contexto é dialética comprovou-se que quanto mais as condições de trabalho são desfavoráveis, maior afetação da saúde psíquica e dos afetos com relação ao trabalho ocorreram, repercutindo novamente no ambiente de trabalho. Portanto, ações de melhoria das condições de trabalho precisam ser estabelecidas para resultar, no efeito inverso, proporcionando o aumento dos afetos positivos e a redução dos sintomas psíquicos.

2011
Dissertações
1
  • FLAVIO FERNANDES FONTES
  • A QUESTÃO DO ESTILO NA PSICANÁLISE LACANIANA

  • Orientador : CYNTHIA PEREIRA DE MEDEIROS
  • Data: 25/03/2011
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  • A psicanálise de inspiração lacaniana ganhou um espaço considerável na universidade brasileira: uma busca por “Lacan” no campo de assunto do Banco de Teses da CAPES nos revela 1.032 resultados! No entanto, a diferença no estilo de produção do conhecimento e utilização da linguagem é considerável entre a psicologia acadêmica e a teoria de Lacan. A dificuldade de se ler e compreender Lacan é algo apontado tanto por aqueles que o defendem como por aqueles que o atacam. Além disso, seus discípulos muitas vezes escolhem imitar seu estilo barroco, complexo e cheio de neologismos, causando perplexidade e estranhamento em platéias desavisadas. Qual a origem de tal estilo enigmático e polêmico de expressão? Como veio a se difundir sob a marca da repetição? E quais as conseqüências desse estilo para a comunicação, transmissão e ensino da psicanálise lacaniana? Através destas perguntas objetivamos contribuir para o diálogo entre a academia e a psicanálise lacaniana, fornecer um maior conhecimento a respeito das causas de seu estilo e analisar as conseqüências deste na transmissão da psicanálise. Escolhemos realizar um estudo teórico, levando em conta tanto os autores que abordaram o tema do estilo de Lacan ou a história da psicanálise de uma perspectiva crítica, como Beividas (2000), Roustang (1987, 1988) e Gellner (1988), como aqueles que o justificam e defendem sua legitimidade, a exemplo de Glynos e Stavrakakis (2001), Fink (1997) e Souza (1985), utilizando também algumas obras de Freud e Lacan. O estudo desses textos nos levou a três temas principais: 1) a dificuldade do texto lacaniano; 2) Lacan, príncipe herdeiro; 3) conseqüências do estilo lacaniano. No primeiro enumeramos um conjunto de diferentes explicações e interpretações dadas pelos comentadores a respeito da dificuldade e particularidade do discurso lacaniano; no segundo mostramos como Lacan veio a ocupar o lugar de grande idealização antes destinado a Freud, fazendo com que seu estilo fosse tomado como modelo a ser imitado pelos discípulos; no terceiro abordamos o modo como os conceitos são tratados dentro da psicanálise lacaniana, argumentando que seus múltiplos significados evidenciam que o objetivo não é montar uma teoria clara e coerente, mas sim se dirigir diretamente ao sujeito, para fisgá-lo.


2
  • RACHEL MEDEIROS DE GOES
  • Imagem sócio-ambiental de Cidade Nova, Natal-RN, por seus moradore.

  • Orientador : GLEICE VIRGINIA MEDEIROS DE AZAMBUJA ELALI
  • Data: 28/03/2011
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  • Esta dissertação investiga como o bairro Cidade Nova, situado na zona Oeste de Natal-RN, é percebido por seus moradores, a fim de entender sua imagem sócio-ambiental, pretendendo contribuir tanto para a definição de estratégias de intervenção urbana e de educação ambiental na área, quanto para a consolidação de uma estratégia metodológica que aborde esse tipo de problemática. A realização da pesquisa de campo recorreu a uma estratégia multimétodos para estudo da Imagem Sócio-Ambiental de áreas urbanas. Consiste em: (a) levantamento da história local a partir de estudo bibliográfico, dados registrados pela Prefeitura, notícias veiculadas em jornais da cidade e entrevistas com moradores antigos; (b) aplicação de questionários a moradores, incluindo afetos, percepção visual, memória e atividades sociais no local; (c) elaboração de um desenho do bairro; (d) realização de grupos focais com moradores, usando como ponto de partida os resultados obtidos nas atividades anteriores. Na etapa “b” e “c”, participaram 32 moradores do bairro, sendo 16 Agentes Comunitários de Saúde e 16 pessoas indicadas por eles. Na etapa “d” participaram 10 pessoas, divididas em dois grupos. O resultado da pesquisa mostrou uma imagem pelos moradores coincidente com a imagem veiculada pela mídia, em relação aos aspectos: violência, lixo, políticas públicas/apoio social e valorização das belezas ambientais (dunas e Parque da Cidade). Embora Cidade Nova tenha sido considerada como um lugar sujo, barulhento e inseguro, em sua maioria, os participantes afirmam gostar de morar no bairro. De forma geral, os resultados obtidos corroboram e ganham explicações teóricas, à medida que se inter-relacionam. A Imagem Sócio-Ambiental, é expressa, por exemplo, nos elementos dunas, lixão, linha férrea e Avenida Central, que ganham conotação simbólica influenciada pelo tempo e pelo contexto sócio-econômico. A insegurança e outras características negativas atribuídas pelo morador e pela mídia são paralelas ao apego ao lugar, uma vez que a legibilidade ambiental, o/a tempo/familiaridade e a territorialidade oferecem ao morador a preferência pelo local de moradia, configurando a sua identidade social.

3
  • CHRISTINE DE MEDEIROS FRANCILAIDE CAMPOS
  • O ONCOLOGISTA CLÍNICO DIANTE DA MORTE: IMPLICAÇÕES PARA A PRODUÇÃO DO
    CUIDADO.

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 31/03/2011
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  • É inegável que todo o extraordinário avanço tecnológico na contemporaneidade permitiu aumentar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes de muitos agravos, especialmente pacientes oncológicos. Por outro lado, também é facilmente constatável por inúmeras pesquisas que não foi possível avançar na mesma proporção quanto aos cuidados com a experiência humana da morte. Muito se fala sobre as angústias do homem frente à morte, dos pacientes com câncer em estado terminal, sobre suas famílias e, muito pouco sobre os sentimentos, angústias e formas de enfrentamento do profissional da medicina que lida com essa situação, especificamente o oncologista clínico. Pouco se sabe sobre a vivência do médico, deste que aprendeu a ter a morte como inimiga a ser derrotada, e cada vez mais é impelido a conviver prolongadamente com seu anúncio. No entanto começamos a assistir nos últimos anos um crescente interesse de pesquisadores nessa questão. O presente estudo busca somar-se a tal interesse com o objetivo de compreender a vivência de oncologistas clínicos que acompanham pacientes terminais, os significados que atribuem a morte, as maneiras de enfrentamento e as implicações para a produção do cuidado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual utilizamos como instrumento de coleta de dados a entrevista em profundidade com roteiro no qual estão descritas as cenas projetivas, que foram realizadas, cujo objetivo era buscar uma maior penetração nos elementos subjetivos dos entrevistados e gerar segurança na análise interpretativa. Para análise e interpretação das narrativas recorremos à Hermenêutica Gadameriana. Os sujeitos desta pesquisa foram 10 oncologistas clínicos que trabalham em duas instituições de referência em tratamentos oncológicos no estado do Rio Grande do Norte, escolhidos a partir de uma variação quanto ao tempo de atuação na especialidade (mínimo de um ano, até os mais antigos).  O estudo encontra-se na fase de análise das narrativas. Somente após o término da análise e as contribuições do segundo seminário de qualificação consolidaremos as categorias temáticas que estarão compondo o corpo dos capítulos de discussão dos resultados. No entanto, é possível trazermos alguns resultados iniciais para o diálogo. Foi possível constatar que a morte ainda é um tema que traz muitas dificuldades no cotidiano desses profissionais; a escolha pela oncologia implica em lidar com a morte sem preparação no ensino médico; estar próximo ao paciente no momento final, apoiar os familiares, lidar com a própria dor da perda e com a impossibilidade de curar são alguns dos elementos centrais das narrativas. Por outro lado, os participantes reconhecem no discurso, e alguns na prática, a potência presente no cuidar daqueles que estão próximo a morte, imprimindo uma re-significação no seu saber-fazer. Temos também o investimento na formação médica e na educação permanente configurando uma demanda que permeia o discurso dos participantes. O fato de poder escutar o mundo subjetivo desses oncologistas clínicos poderá subsidiar o trabalho não só deles como de outros profissionais que lidam com o paciente com câncer avançado, fornecendo elementos que permitam compreender em que medida os significados atribuídos ao seu saber-fazer diante de pacientes na iminência da morte interferem na produção do cuidado destes, bem como possibilitará identificar estratégias de enfrentamento no cotidiano desses profissionais que dificultam ou facilitam o lidar com a morte, promovem ou impossibilitam o cuidado com o outro e com eles próprios. Espera-se que a pesquisa possa contribuir com o campo do conhecimento acerca do saber-fazer em oncologia clínica e da relação oncologistas-pacientes terminais-cuidado-morte, trazendo pistas capazes de promover uma melhor qualidade na produção do cuidado de todos os envolvidos nesse processo: profissionais, pacientes e familiares.

     


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  • CLÁUDIA MILLENA COUTINHO DA CÂMARA
  •  O AGENTE FUNERÁRIO E A MORTE: O CUIDADO PRESENTE DIANTE DA VIDA AUSENTE

  • Orientador : GEORGIA SIBELE NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 31/03/2011
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  • A atualidade é marcada pela arte de fugir da morte, morre-se bem equipado, porém mal informado e solitário. A morte passou a ser sinônimo de fracasso e derrota e a dor da perda de um ente querido precisa ser escondida para não incomodar aos que não foram visitados pela morte. E o que dizer das profissões que tem como trabalho uma demanda tão negada e temida pela sociedade? Assim como médicos, enfermeiros e demais profissionais da área de saúde, os agentes funerários também lidam com a morte. Os primeiros tentam evitar a chegada da morte, já no ofício dos agentes funerários é a partir da morte que começa sua rotina de trabalho. Em uma sociedade, cuja cultura não suporta a dor da perda e tem na morte sua maior inimiga, é comum a desvalorização e até a repulsa em relação aos trabalhadores que lidam com ela. Os agentes funerários são profissionais que lidam com a morte, com o corpo morto, com a dor dos familiares e muitas vezes são os primeiros a terem contato com a cena da morte e com as primeiras reações dos que são afetados pela perda. A morte e seu em torno fazem parte do seu ofício. O presente estudo tem como objetivo compreender os sentidos, significados e implicações para o agente funerário ao lidar com a morte em seu cotidiano de trabalho a fim de contribuir com pistas capazes de orientar uma atenção voltada para o cuidado a esses profissionais. Esta sendo realizada uma pesquisa qualitativa ancorada no referencial teórico da Hermenêutica Gadameriana para produção e interpretação das narrativas. Optamos por usar três estratégias metodológicas para coleta de dados: entrevista em profundidade com roteiro, oficina com utilização de “cenas” projetivas e observação do tipo etnográfico. Até o momento presente foram realizadas todas as entrevistas e oficinas e iniciado o processo de observação. Os participantes da pesquisa foram nove agentes funerários de duas agências funerárias da cidade de Natal. A análise das narrativas está em andamento, no entanto, foi possível constatar inicialmente a presença do imaginário social de interdição sobre o tema da morte convivendo com os sentimentos oriundos de sua presença na vida pessoal e a tentativa de naturalização do lidar com a morte, já que esta faz parte do ofício dos participantes. Por sua vez, ser agente funerário não é uma motivação profissional; o lidar com o corpo morto exige enfrentamento para desmistificar a morte e um aprendizado com os fluidos, permeados por sentimentos e associações negativas que giram em torno do tabu do corpo e, nesse caso, também da morte; lidar com a dor dos familiares e com os desejos de contribuir para amenizar tal dor cuidando bem do defunto, embelezando-o, e lidar com o olhar social que desvaloriza esse ofício fazem parte dos desafios cotidianos desses profissionais. Tais dados nos possibilitaram insinuar um desenho de eixos temáticos que para se desdobrarem nas categorias que vão compor os capítulos de diálogo com os resultados desta pesquisa, necessitarão do término da análise e das contribuições advindas do segundo seminário de qualificação. São eles: 1- concepções sobre a morte; 2- concepções sobre a morte enquanto oficio; 3- morte na vida pessoal e profissional: sutilezas e conseqüências desse encontro. 4- “ser agente funerário”: 4.1 a profissão que não se escolhe, 4.2 - olhar do outro; 5- O cotidiano com o defunto: 5.1 o corpo morto, 5.2 os familiares; 6- Ser agente funerário: re-significados de um ofício com a morte. Por fim, o presente trabalho ao dar voz aos agentes funerários, poderá nos possibilitar compreender melhor esse ofício, as possíveis dores que o envolve e as necessidades de cuidado desses trabalhadores.

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  • DANIELLE FERREIRA GARCIA MAFRA CAMPELO
  • INVESTIGAÇÃO DA CAPACIDADE INTELECTIVA DE PACIENTES PEDIÁTRICOS DIAGNOSTICADOS COM TUMORES DE FOSSA POSTERIOR

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 01/04/2011
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  • Este estudo investigou as relações entre tumores de fossa posterior (astrocitoma e meduloblastoma), seus respectivos tratamentos e a capacidade intelectiva de crianças. Os tumores do SNC são as neoplasias sólidas mais frequentes na infância. 60% desses tumores ocorrem na fossa posterior. O tratamento básico consiste de ressecção cirúrgica e, no caso dos tumores malignos (meduloblastoma), são utilizadas estratégias terapêuticas complementares – quimioterapia e radioterapia. Na atualidade, o aumento significativo da sobrevida destas crianças evidenciou a presença de alterações neurocognitivas que acarretam dificuldades na vida acadêmico-social, comprometendo consequentemente a qualidade de vida deste subgrupo. Participaram do estudo 21 crianças, com idades entre 6 e 16 anos, atendidas no CEHOPE – Recife/PE, sendo 13 diagnosticadas com astrocitoma pilocítico (G1) - submetidas à cirurgia de ressecção e; oito com meduloblastoma (G2) – submetidas à cirurgia, quimioterapia e radioterapia de crânio e neuroeixo. Os participantes foram avaliados pelas Escalas Wechsler de Inteligência para Crianças – WISC-III. Análises estatísticas inferenciais identificaram contrastes estatisticamente significativos (p≤0,05), entre o QI de Execução (QIE) e Índice Fatorial Velocidade de Processamento (IVP) em função da modalidade de tratamento; QI Total, QIE e IVP em função da escolaridade dos pais e; QIE, QIT, IVP e Índice Fatorial Resistência à Distração (IRD) em função do tempo entre o diagnóstico e a avaliação para as crianças com meduloblastoma. Verificou-se o impacto tardio e progressivo das intervenções terapêuticas complementares sobre a substância branca e, consequentemente, o rebaixamento da velocidade de processamento; crianças cujos pais possuem maior nível de escolarização apresentam melhor capacidade intelectiva, evidenciando a influência de variáveis sócio-culturais sobre o desenvolvimento cognitivo. O impacto do câncer e seu tratamento sobre o desenvolvimento e a aprendizagem não deve ser subestimado. Tais resultados reforçam a necessidade de aprofundar a compreensão sobre tais efeitos, visando propor estratégias terapêuticas que garantam, além da reabilitação clínica, o pleno desenvolvimento dessas crianças.

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  • EDIANA ROSSELLY DE OLIVEIRA GOMES
  • INVESTIGAÇÃO DO FUNCIONAMENTO COGNITIVO DE PACIENTES PEDIÁTRICOS DIAGNOSTICADOS COM LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA – LLA.

  • Orientador : IZABEL AUGUSTA HAZIN PIRES
  • Data: 01/04/2011
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  • O presente trabalho investigou o funcionamento cognitivo de crianças diagnosticadas com Leucemia Linfóide Aguda (LLA) acompanhadas em instituições oncológicas pediátricas no município de Natal/RN. Participaram deste estudo 20 crianças diagnosticadas com LLA, de ambos os sexos, com idades entre seis e doze anos, que estavam em tratamento (n=10) e fora de tratamento há pelo menos 1 ano (n=10) e foram submetidas exclusivamente à quimioterapia como profilaxia do SNC. O protocolo de avaliação neuropsicológica utilizado contemplou as seguintes habilidades cognitivas: capacidade intelectiva, sistemas atencionais e de memória e funções executivas.  Os dados foram analisados através de medidas descritivas e inferenciais com o auxílio do Teste U de Mann-Whitney e Teste t, considerando-se a influência das variáveis sexo, idade ao diagnóstico e tempo decorrido desde o início do tratamento sobre o desempenho das crianças. A avaliação da capacidade intelectiva revelou baixas pontuações para os grupos fora de tratamento, sexo feminino (com p<0,05 para QIV e QIE) e crianças menores de cinco anos ao diagnóstico (com p<0,05 para QIT e IOP). Quanto aos sistemas atencionais os grupos apresentaram desempenho dentro do esperado. De forma relevante, na avaliação das funções executivas foram encontradas pontuações reduzidas em todos os grupos, com destaque para o grupo em tratamento. A avaliação da memória indicou desempenho rebaixado em itens concernentes à evolução da aprendizagem e evocação espontânea após interferência para os diversos grupos. Conclui-se que estas informações apresentam consonâncias e dissonâncias com a literatura da área, aludindo à ocorrência de impactos transitórios e permanentes associados à intrusão de componentes quimioterápicos no curso maturacional do SNC. Espera-se que a presente investigação e o desenvolvimento de estudos semelhantes possibilitem maior compreensão acerca da modalidade, extensão e repercussão de tais prejuízos, subsidiando o desenvolvimento de estratégias que possam minimizá-los e proporcionar maior qualidade de vida para este subgrupo clínico.

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  • SHYRLEY BISPO GUIMARÃES
  • A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NO CONTEXTO DAS REFERÊNCIAS AMBULATORIAIS EM SAÚDE MENTAL DE ARACAJU-SE.

  • Orientador : OSWALDO HAJIME YAMAMOTO
  • Data: 08/04/2011
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  • A inserção do psicólogo nos ambulatórios de saúde mental ocorreu na década de 1980, no contexto das reivindicações propagadas pela reforma sanitária e psiquiátrica, da formação de equipes mínimas de saúde mental e da retração da clínica privada. Historicamente, essa migração foi acompanhada da importação de práticas tradicionalmente aplicadas no consultório. Ademais, a falta de diretrizes claras por parte do Ministério da Saúde ocasionou a abertura de ambulatórios com estruturas diversificadas em cada município. O objetivo desta dissertação foi estudar a atuação do psicólogo nas referências ambulatoriais em saúde mental de Aracaju-SE. Foram entrevistados psicólogos desses serviços e gestores da secretaria municipal de saúde a partir de roteiro semiestruturado, além da análise de relatórios de gestão.  Observou-se que as referências em saúde mental sofreram transformações substanciais quanto à sua estrutura e funcionamento, levando a um quadro atual de expansão e de readequação. Percebeu-se um esforço por parte dos psicólogos em manter os atendimentos individuais e de grupo, a partir de ajustes na frequência nas sessões e no foco das atividades. Os grupos de Teatro do Oprimido e de artesanato são alguns indicativos de promoção de autonomia do usuário. Não obstante tais progressos, a relação com o psiquiatra ainda se processa basicamente pelo prontuário, impedindo de avançar na discussão conjunta dos casos. São notáveis alguns avanços em direção à clínica ampliada, como a superação do uso do diagnóstico psiquiátrico de forma isolada e da substituição do critério “fila” pelo de urgência. O acolhimento tornou-se uma estratégia interessante de ordenação do fluxo, porém o descompasso entre oferta e demanda parece ser uma questão que extrapola o âmbito dos psicólogos das referências. Por essa razão, o estreitamento da relação com as unidades de saúde da família parece ser o maior desafio a ser enfrentado pelos psicólogos das referências ambulatoriais em saúde mental.

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  • HELLEN CHRYSTIANNE LUCIO BARROS
  • Mudanças climáticas globais e o compromisso pró-ecológico de adolescentes natalenses.

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 18/04/2011
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  • Nos últimos anos, muito tem se falado a respeito das mudanças climáticas globais (MCGs), popularmente conhecidas como aquecimento global. As evidências científicas ressaltam a influência das ações humanas para sua drástica intensificação. Diante disto, estudos de aspectos psicológicos relacionados à temática ganham relevância. Esta pesquisa teve como objetivo investigar o posicionamento de adolescentes diante das MCGs, e as possíveis relações deste com o seu compromisso pró-ecológico. Tal compromisso tem como indicadores, nesta investigação: o cuidado ambiental auto-relatado, ambientalismos ecocêntrico e antropocêntrico, a consideração de conseqüências futuras, e as visões ecológicas de mundo. Participaram do estudo 348 adolescentes, que responderam a um questionário, contendo questões sobre dados sócio-demográficos, questões abertas sobre a prática de cuidado ambiental, e sobre MCGs, e as escalas de Ambientalismo Ecocêntrico e Antropocêntrico, de Consideração de Conseqüências Futuras e de avaliação das Visões Ecológicas de Mundo. A partir das inter-relações entre variáveis, feitas por meio de procedimentos estatísticos descritivos e correlacionais, observou-se que 55% dos adolescentes afirmaram não praticar ações de cuidado ambiental, o que se associou à apatia-antropocêntrica, ao imediatismo, e ao individualismo. Já a consideração de futuro se associou às práticas de cuidado ambiental, corroborando evidências da literatura. Evidenciou-se que o posicionamento diante das MCGs é superficial; os adolescentes a percebem como um problema ambiental genérico, e as confundem com outros problemas, como a poluição. Este estudo não encontrou associação entre o posicionamento diante das MCGs e indicadores de compromisso pró-ecológico, talvez devido à confusão conceitual a respeito do tema. Todavia, a ausência de prática de cuidado e os demais indicadores de não-compromisso (apatia-antropocêntrica, individualismo e imediatismo) se associaram às respostas mais conceitualmente pobres, ou incompletas (sem indicação de causa, conseqüência ou de responsável pelo problema), evidenciando, além do conhecimento embaçado, a não consideração destas questões.

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  • CINTIA CAMILA LIBERALINO VIEGAS
  •  PRAÇA: LUGAR DE LAZER. RELAÇÕES ENTRE CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS E COMPORTAMENTAIS NA PRAÇA KALINA MAIA – NATAL RN

  • Orientador : GLEICE VIRGINIA MEDEIROS DE AZAMBUJA ELALI
  • Data: 19/04/2011
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  • Atualmente, o caos urbano traz aos moradores das cidades problemas como fadiga mental, irritabilidade e falta de atenção, acentuando a necessidade de espaços urbanos abertos, capazes de contribuir para a restauração do equilíbrio físico e mental das pessoas. Pela variedade das alternativas de uso oferecidas, muitas das quais relacionadas ao estímulo de atividades de entretenimento, as praças têm sido apontadas como ambientes restauradores, principalmente pelo seu potencial enquanto lugar de lazer. Nesse contexto, o objetivo geral desta dissertação é a compreensão do uso da praça como ambiente de lazer, tomando como referência o estudo de uma praça de Natal RN, estabelecendo a relação entre suas características ambientais e comportamentais. Mais especificamente, busco identificar as principais atividades que ali acontecem, as pessoas que as desempenham e as configurações espaciais e temporais dessa ocupação. Dentre 290 praças existentes na cidade, foi selecionada a Praça Kalina Maia, localizada no bairro de Lagoa Nova. A escolha do estudo de caso recorreu a critérios relativos à escala, forma, localização na malha urbana, variabilidade de usos e estado de conservação. No estudo utilizei mapeamento comportamental centrado no lugar e centrado nas pessoas, análise de vestígios de comportamento e 14 entrevistas. Os resultados revelam que a praça é utilizada por pessoas de varias idades e classes sociais, que podem ser subdivididas em grupos com dias e horários específicos para frequentar o local. Estes usuários geralmente se envolvem em atividades ligadas a vários tipos de lazer, com predominância do esportivo. A relação entre configuração espacial e comportamento mostra haver uma setorização dos usos, sendo possível identificar as características ambientais que mais favorecem algumas das atividades observadas, sobretudo relacionadas ao sombreamento e à presença de mobiliário e equipamentos. Além disso, ao longo do dia verifica-se que as affordances inerentes aos diversos objetos fixos presentes no local são decodificadas diferentemente pelas várias categorias de usuários, proporcionando a eles entendimentos que favorecem o desenvolvimento das atividades de lazer que caracterizam cada grupo.

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  • TADEU MATTOS FARIAS
  • O AFETO ALÉM DOS MUROS E PORTÕES: O APEGO A VIZINHANÇAS NA CIDADE DO NATAL

  • Orientador : JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
  • Data: 19/04/2011
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  • O apego aos lugares é um laço afetivo positivo entre pessoas e ambientes cuja principal característica é a necessidade de permanência em contato com o lugar de apego. As vizinhanças, por sua vez, são espaços próximos à residência, que variam em função de características ambientais, sociais e culturais. Diante do quadro contemporâneo de enfraquecimento das relações de vizinhança e de sua importância para o entendimento do contexto sócio-ambiental das cidades, o presente trabalho teve como objetivo a investigação do apego a vizinhanças na cidade do Natal-RN. Este estudo dividiu-se em duas etapas. A primeira etapa consistiu em investigar, por meio de um painel de especialistas, quais as principais características de vizinhanças apegadas, quais fatores contribuem para o desenvolvimento de tais vizinhanças, quais dificultam, bem como buscar indicações de vizinhanças na cidade do Natal que possam ser identificadas por esses elementos. Na etapa seguinte entrevistei 11 moradores de duas vizinhanças indicadas no bairro do Alecrim para compreender melhor quais as principais características desse apego e quais elementos de contexto favorecem seu desenvolvimento. O conteúdo das entrevistas, categorizado e avaliado por juízes, indicou que, para os 10 especialistas participantes, as principais características de vizinhanças apegadas contemplam elementos de socialização, cooperação, utilização do espaço físico, intimidade e identidade. Para eles, são características favorecidas por fatores temporais, de enraizamento, pelo contato espacial, pela familiaridade entre vizinhos, além da herança cultural. As entrevistas com moradores mostraram que o apego às vizinhanças estudadas está especialmente calcado na rede de suporte e cooperação entre moradores, na satisfação com a proximidade de serviços, e no vínculo a aspectos simbólicos e tradições locais. Além de facilitadas pela organização espacial, pelo pouco deslocamento dos moradores e pela história do próprio bairro, as relações nessas vizinhanças são fomentadas por uma intenção em estabelecer esse tipo de laço, advinda de valores culturais.

     


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  • MUNIQUE THERENSE COSTA DE MORAIS PONTES
  • OS SIGNIFICADOS DE LUDOTERAPIA PARA AS PROTAGONISTAS DO PROCESSO: CRIANÇAS EM ATENDIMENTO

  • Orientador : SYMONE FERNANDES DE MELO
  • Data: 29/04/2011
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  • A Ludoterapia, numa perspectiva Fenomenológico-Existencial, é concebida como um processo psicoterapêutico em que a escuta e a fala, mediadas pelo brincar, possibilitam à criança lidar com o seu sofrimento. Este estudo surge diante da necessidade de ampliar a compreensão acerca desta modalidade de intervenção clínica, enfatizando, para tal, o discurso das protagonistas do processo: crianças em terapia. Objetiva-se compreender a Ludoterapia a partir da perspectiva infantil, conhecendo os significados atribuídos ao processo terapêutico, ao psicólogo e à participação das crianças nos atendimentos clínicos. As principais ideias que fundamentam a pesquisa são apresentadas em três capítulos teóricos que abordam, respectivamente, o sofrimento infantil e a demanda por psicoterapia, a psicologia clínica Fenomenológico-Existencial e a psicoterapia para crianças, no Brasil, no âmbito desta abordagem teórico-metodológica. O estudo é qualitativo, de base fenomenológica, e as participantes, seis crianças na faixa etária entre seis e dez anos, em atendimento ludoterápico há no mínimo seis meses, indicadas pelos próprios terapeutas. Na construção do corpus da pesquisa foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais com mediação de suportes expressivos (caixa lúdica e mala de figuras), utilizada uma história incompleta sobre a ida de uma criança à terapia e solicitada a elaboração de um recado a ser transmitido a uma criança que irá ao psicólogo. A análise dos dados foi pautada na variante do método fenomenológico proposta por Amedeo Giorgi. Os resultados revelam um desconhecimento prévio da atividade do psicólogo por parte de crianças encaminhadas à Ludoterapia, as quais, frente à falta de informações, desenvolvem fantasias acerca desta modalidade de intervenção. Tais conteúdos mostram-se condizentes com os significados historicamente atribuídos à psicologia clínica,  envolvendo ideias de normalidade e culpabilidade.  Os significados associados aos motivos para um encaminhamento ao psicólogo evidenciam o conflito “ser um problema versus ter um problema”, e uma concepção de psicologia clínica elitizada. As características do processo terapêutico, como as especificidades da relação cliente-terapeuta e a noção de liberdade, são compreendidas pelas crianças. Elas demonstram, ainda, notável prazer no processo terapêutico. Por fim, conclui-se que os significados que as crianças conferem à Ludoterapia mostram-se coerentes com o proposto na literatura sobre o processo psicoterapêutico infantil na perspectiva Fenomenológico-Existencial. Outrossim, ao dar voz às protagonistas do processo ludoterápico, evidencia-se a relevância tanto da experiência vivida pelas crianças no setting terapêutico, quanto dos significados atribuídos por estas ao processo que, transpostos da vivência como clientes para o campo reflexivo, propiciam avanços no tocante à compreensão da psicoterapia infantil e apontam a necessidade de novos estudos com crianças sobre tal temática.

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  • HELOISA KARMELINA CARVALHO DE SOUSA
  • Estudos de validade da escala de dependência alcoólica do Millon Clinical Multiaxial Inventory III para o Brasil

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 20/05/2011
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  • Esse estudo tem como principais objetivos verificar as condições de tradução e adaptação da escala Dependência de Álcool do MCMI-III para a língua portuguesa, bem como investigar e analisar as modificações envolvidas na escala original em relação aos resultados obtidos na validade e no processo de adaptação para o Brasil. O inventário foi traduzido e posteriormente administrado em pessoas com níveis de leitura variados para que se certificasse que os itens pudessem ser compreendidos pelo público em geral, de diversos locais do país, divididos em grupo clínico e grupo não clínico. Foram avaliados 2855 sujeitos com idades de 18 a 85 anos, dos sexos feminino e masculino, residentes e domiciliados em cidades brasileiras. As formas de administração foram modo presencial e modo informatizado. Os resultados demonstraram que o grupo clínico apresentou diferenças significativas entre as médias com relação ao grupo não clínico. Por meio da administração do Questionário Geral de Saúde desenvolveram-se estudos quanto à obtenção de validade concordante cujos resultados apontaram a relação entre os escores do instrumento e o MCMI-III. A análise da escala de Dependência do Álcool apontou que pessoas que relataram ter feito uso abusivo de álcool pontuaram mais alto, indicando a adequação do instrumento em identificar manifestações de transtornos e síndromes. Contudo, ainda são necessários estudos posteriores para estabelecimento de padrões normativos para a amostra brasileira.

     


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  • HANNIA ROBERTA RODRIGUES PAIVA DA ROCHA
  • Tradução, adaptação e estudos de validade da escala de dependência de drogas do Millon Clinical Multiaxial Inventory III para o Brasil

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 23/05/2011
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  • Millon descreve a personalidade normal em termos de estilos de adaptação que são eficazes em meios normais e transtornos de personalidade como os estilos de funcionamento desadaptados. Para operacionalizar seu modelo teórico, Millon construiu diversos instrumentos, entre eles o Millon Clinical Multiaxial Inventory III (MCMI-III), que consiste num inventário de auto-relato de 175 itens com resposta falso ou verdadeiro, que avalia 14 padrões de personalidade e 10 síndromes clínicas, além de conter 4 escalas de verificação. Entre as escalas de Síndromes Clínicas encontra-se a escala de Dependência de Substância (T). A presente pesquisa justifica-se pela inexistência de instrumentos no país que avaliem os aspectos psicopatológicos da personalidade, e tem como objetivos traduzir e adaptar semanticamente o MCMI-III para o Brasil, verificando elementos de validade da escala de Dependência de Substâncias, e elaborar um aplicativo informatizado que assessore a avaliação dos resultados desse instrumento. Para tal, foram coletados dados junto a 2.588 pessoas, dos sexos masculino e feminino, com idades entre 18 e 85 anos, caracterizados como pertencentes a um grupo clínico ou não-clínico, que participaram da pesquisa presencialmente ou via internet. Os participantes responderam ao MCMI-III, a um questionário sócio-demográfico e um subgrupo também respondeu ao Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG). Além das estatísticas descritivas, foram efetuadas análises por meio do teste t de Student, análises de componentes principais e de consistência interna. Apesar de dificuldades relacionadas à tradução de termos muito específicos da língua inglesa, a avaliação por juízes conhecedores da teoria de Millon e o procedimento de back translation atestaram a adequação da versão brasileira. A análise fatorial indicou o agrupamento dos itens traduzidos em 24 fatores explicando 64,62% da variância, com organização das escalas em três principais dimensões. Os itens da escala T, por sua vez, foram agrupados em 3 fatores (comprometimento das atividades sociais, ausência de controle dos impulsos e condutas opositivas), com a apresentação de um item isolado em um quarto fator (aparentemente relacionado à busca de estímulos prazerosos). O alfa de Cronbach para este grupo[de itens foi de 0,82, indicando aceitável confiabilidade da escala. A análise dos dados obtidos resultou em diferenciação nas pontuações de grupos clínico e não clínico e entre homens e mulheres; relação entre pontuações altas na escala T com as demais escalas do instrumento; diferenciação nas pontuações dos usuários de drogas de acordo com a substância declarada como utilizada; e relação entre as altas pontuações em T e a verificação de distúrbio ou risco no fator Saúde Mental do QSG, indicando adequada sensibilidade do instrumento na identif   icação de quadros psicopatológicos e na relação entre os diferentes transtornos ou padrões psicopatológicos de personalidade. O aplicativo de correção informatizado se mostrou adequado, embora ainda sejam necessários estudos para o desenvolvimento dos fatores de transformação dos escores.

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  • ARIANE CRISTINY DA SILVA FERNANDES
  • Contando histórias de cuidado à infância em unidade de terapia intensiva pediátrica

  • Orientador : SYMONE FERNANDES DE MELO
  • Data: 27/05/2011
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  • Os contos de Literatura Infantil, em seus enredos, assinalam dilemas existenciais do ser humano, como a morte, as situações de separação, perda, abandono, medo, desafios, conquistas, e outros elementos, que os tornam material apropriado para auxiliar as crianças em seu processo de desenvolvimento. Tais elementos presentes nas histórias infantis se aproximam, de modo especial, das experiências vividas por crianças em contexto de hospitalização. Isto posto, pretendeu-se compreender, pautando-se na noção heideggeriana de Cuidado e adotando a Fenomenologia como método, as possibilidades terapêuticas dos contos de Literatura Infantil no cuidado a crianças hospitalizadas em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIPED). Para tanto, elegeu-se como cenário a UTIPED de um hospital público estadual, localizado no município de Natal/RN, e como assistentes de pesquisa quatro crianças internadas em tal setor, com idade entre seis e nove anos, todas do sexo masculino, com quadros clínicos variados, e selecionadas a partir de critérios de faixa-etária e condições clínicas. O procedimento de construção do corpus abrangeu oito sessões individuais de contação de história, acompanhadas por recursos lúdicos de expressão. A proposta de compreensão fenomenológica acerca das possibilidades terapêuticas dos contos estruturou-se sob três eixos principais: (1) o eixo lúdico; (2) o eixo reflexivo; e (3) o eixo afetivo. Evidencia-se a adequabilidade da proposta terapêutica ao contexto da UTIPED e o potencial do conto como fator de proteção ao ser criança. A contação de histórias emoldurou um cenário de cuidado, incomum em contexto de tratamento intensivo, demarcando ali um espaço simbólico de expressão infantil. Indica-se, com esse estudo, uma proposta terapêutica para o cuidado à criança em UTIPED que considera sua etapa evolutiva, o quadro clínico que lhe acomete e, sobretudo, suas necessidades emocionais diante da imersão em ambiente diverso do seu e repleto de elementos potencialmente prejudiciais ao seu pleno desenvolvimento.

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  • SAMID DANIELLE COSTA DE OLIVEIRA
  • ABORDAGEM CLÍNICA DA ATIVIDADE DE TRABALHO DO COZINHEIRO: INTERAÇÃO DE SABERES, CONFORMIDADE AO GÊNERO PROFISSIONAL E INOVAÇÃO CRIATIVA.

  • Orientador : JORGE TARCISIO DA ROCHA FALCAO
  • Data: 12/08/2011
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  • A problemática geral desta dissertação é a exploração de atividades de trabalho desenvolvidas no contexto de ocupações profissionais caracterizadas por nível de escolaridade variável dentre aqueles que as exercem, e, ao mesmo tempo, grau de complexidade elevado no que diz respeito às tarefas típicas implicadas em tais práticas profissionais. Assim, esta dissertação se propôs a investigar a atividade de trabalho do cozinheiro, a partir dos dados de determinado gênero profissional em Natal (RN), buscando estabelecer aspectos relacionados não somente à atividade realizada (atividade que se manifesta empiricamente em comportamentos registráveis), mas também relacionados ao real da atividade de trabalho, que abarca igualmente as opções não-realizadas de encaminhamento da atividade profissional, seja por simples escolha, seja por impedimento da atividade. Nesse contexto, buscou-se, como objetivo geral, avaliar como a atividade de trabalho observada relaciona-se com as práticas de referência do gênero profissional, seja em termos de conformidade, seja em termos de inovação (estilização) em relação a este gênero, buscando verificar a contribuição dos saberes escolar e extraescolar para a prática profissional observada. Tal plano de trabalho comportou uma etapa preliminar de descrição do perfil socioprofissional de cozinheiro na cidade de Natal (RN), seguido da etapa de abordagem clínica do trabalho, cuja ferramenta metodológica utilizada foi o procedimento de autoconfrontação cruzada - norteada pelo referencial teórico francófono da Clínica da Atividade. A etapa de descrição do perfil do cozinheiro de Natal (RN), da qual participaram 138 cozinheiros, evidenciou três agrupamentos de profissionais, todos predominantemente masculinos em sua composição e diferenciados entre si fundamentalmente pelo tempo de inserção profissional, tipo e tempo de escolarização, local de trabalho e faixa salarial. A etapa de abordagem clínica, composta por uma dupla de cozinheiros, permitiu verificar elementos de conformidade dos cozinheiros ao gênero profissional, mas simultaneamente evidências de inovação individual (estilização) por parte desses cozinheiros, bem como a predominância de utilização de saberes extraescolares quando comparados ao saberes escolares. Buscou-se nessa etapa demonstrar o quanto a dinâmica da inclusão e submissão ao gênero, concatenada com as iniciativas de estilização, puderam contribuir para a manutenção e ampliação do poder de agir dos cozinheiros em sua prática profissional.
    Palavras-chave: gênero profissional; inovação individual; poder de agir; entrevista de autoconfrontação; saberes escolar e extraescolar.


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  • MICHELLE BARROCAS SOARES ESMERALDO
  •  Adolescência e ato infracional: A família em conflito.

  • Orientador : HERCULANO RICARDO CAMPOS
  • Data: 31/08/2011
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  • Inúmeras pesquisas tratam o tema do adolescente em conflito com a lei a partir do próprio adolescente que cometeu ato infracional ou de suas percepções. Levando em conta a importância que tem a família na vida de todo sujeito em desenvolvimento, este estudo buscou o olhar dos familiares sobre o ato infracional de seus adolescentes sob medidas socioeducativas. Para tal, foram feitas entrevistas semi-abertas com 20 familiares, dez dos meninos e igual número das meninas. As instituições de cumprimento de medidas do município de Natal/RN deram espaço para que a maioria dos familiares fossem entrevistados. Os dados obtidos foram dispostos em tabelas e analisados qualitativamente seguindo a perspectiva sócio-histórica. A pesquisa revelou que os significados atribuídos ao momento de conflito com a lei dos adolescentes diferem entre os familiares dos meninos e os das meninas. A maioria dos familiares dos meninos veem o ato infracional como consequencia da influência de más companhias, como pouco provocador de mudanças nas relações em família, restando justificado em um contexto marcado pela violência. Já para boa parte das famílias das meninas, a infração é vista como responsabilidade delas, como geradora de transformações intrafamiliares – tanto emocionais quanto econômicas –, e que inaugura um movimento de busca por resoluções de conflitos. Através dos depoimentos desses familiares, evidenciou-se uma realidade familiar estruturada por um contexto social, econômico e comunitário também conflituoso. Logo, antes de haver um ato infracional que demarca o conflito na adolescência, há a família em conflito.

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  • TALITA CARLOS MAIA AMORIM
  • Violência doméstica contra adolescentes:o olhar dos Educadores Sociais

  • Orientador : HERCULANO RICARDO CAMPOS
  • Data: 16/09/2011
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  • A Violência Doméstica, como uma expressão particular da violência contra adolescentes, constitui fenômeno historicamente construído a partir das relações de poder que perpassam o gênero, a etnia e a classe social, demandando atenção diferenciada. A classificação em uma vala comum do que se entendia por criança e por adolescente sob as doutrinas do direito do menor e da situação irregular resultou, em geral, na elaboração, para o público adolescente, de políticas e de ações fragilizadas e ineficientes no tocante à violência doméstica. Não obstante o Estatuto da Criança e do Adolescente definir com clareza o que se entende por criança e por adolescente, romper com as doutrinas menoristas e adotar a doutrina da proteção integral, ainda se constata pouca orientação para as ações e políticas públicas voltadas ao tema. Tal deficiência contribui para caracterizar a atual prática dos educadores sociais com a violência doméstica, marcada pela ausência de formação específica; por inadequadas condições de trabalho; pela falta de preparo da rede de atendimento. Assim, com o objetivo de iniciar a discussão a respeito de elementos que compõem a prática voltada para essa problemática, o presente estudo se propõe a problematizar a concepção detida pelos educadores sociais que atuam na rede pública de Assistência Social da cidade do Natal/RN, a respeito da temática da violência doméstica contra adolescentes, atentando para itens como sua inserção profissional, sua formação e suas condições de trabalho. Adota-se como referências norteadoras a reflexão calcada na Pedagogia Problematizadora, de Paulo Freire, e na perspectiva sócio-histórica. O procedimento metodológico, de natureza quali-quantitativa, constituiu-se de levantamento censitário e caracterização psicossocial dos educadores junto às Secretarias Municipal e Estadual de Assistência; da aplicação de questionário aos educadores, composto por questões abertas e fechadas; e da observação e registro em diário de campo das atividades de trabalho deles. Dos 111 profissionais da rede, 64 responderam ao questionário, o que representa mais de 50% do total. A caracterização psicossocial apresenta dados como a predominância de uma baixa renda familiar e de profissionais do sexo feminino; a observação permitiu identificar que o fazer profissional não tem um parâmetro técnico, sendo as atividades realizadas de acordo com as representações de cada profissional a respeito do trabalho, da problemática e dos adolescentes envolvidos, revelando uma perspectiva individual de ação.  E uma análise preliminar das respostas ao questionário apontou que tais profissionais são submetidos a precárias condições de trabalho, bem como se percebe um relativo desconhecimento acerca da rede de atendimento aos adolescentes em situação de risco e do ECA, tudo isso resultando em concepções marginalizantes, restritas e deturpadas a respeito da violência doméstica contra adolescentes.

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  • MANUELA RAMOS CALDAS LINS
  • ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM UTILIZADAS POR ESTUDANTES CEGOS

  • Orientador : JOAO CARLOS ALCHIERI
  • Data: 12/12/2011
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  • Estratégias de aprendizagem podem ser entendidas como sequências planejadas de procedimentos ou atividades, selecionadas com o objetivo de facilitar a aquisição, o armazenamento e a utilização da informação. Apesar de importantes para o processo de aprendizagem, ainda é insuficiente o conhecimento que se tem acerca dessas estratégias, principalmente no que concerne a alunos com deficiência visual. Assim sendo, o presente trabalho objetivou caracterizar as estratégias de aprendizagem utilizadas por estudantes cegos e videntes, matriculados no Ensino Fundamental, em escolas regulares e em instituições especializadas. Participaram 23 professores, dos sexos masculino e feminino, com idades entre 26 e 51 anos, bem como 102 estudantes, dos quais 25 eram cegos e 77 videntes, de ambos os sexos, matriculados do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental, com idades entre 7 e 16 anos. Os instrumentos utilizados foram: diário de campo (estudantes e professores); questionário estruturado (professores); questionário sociodemográfico, entrevista e Escala de Avaliação das Estratégias de Aprendizagem para o Ensino Fundamental (estudantes). Inicialmente foram realizadas observações em sala de aula e entregues aos professores questionários, com as instruções de preenchimento. Em seguida foram iniciadas as entrevistas com os estudantes cegos e administrada a escala com esses e com os videntes. Todos os instrumentos foram aplicados individualmente. Realizou-se análise de conteúdo junto aos questionários dos professores e as entrevistas com os estudantes cegos. Já o questionário sociodemográfico e a escala de estratégias foram analisados com o auxilio da estatística descritiva e inferencial. Percebeu-se que os estudantes cegos utilizam poucas estratégias de aprendizagem em sala de aula, independentemente da cidade, série, sexo ou idade. Verificou-se que os professores não receberam nenhum treinamento para lidar com os estudantes cegos, nem durante a formação, nem após tê-la concluído, de modo tal que poucos souberam informar quais estratégias de aprendizagem eles utilizam, bem como demonstraram pouca habilidade para lidar com a ineficácia dessas. Constatou-se também que tanto os cegos como os videntes utilizam estratégias cognitivas e metacognitivas durante a aprendizagem, contudo as utilizadas pelos cegos parecem ser mais elementares, de baixa complexidade, tendo em vista que os videntes alcançaram escores mais elevados em todas as subescalas. Conclui-se que o repertório de estratégias de aprendizagem dos estudantes cegos mostra-se pouco flexível, necessitando de incrementos para que assim possam alcançar resultados significativos. É importante que os professores recebam capacitação para entender as estratégias de aprendizagem e como estas influenciam positivamente a aprendizagem.

Teses
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  • ALEX REINECKE DE ALVERGA
  • ARRANJOS URBANOS E SUBJETIVOS CONTEMPORÂNEOS NA INVENÇÃO DE TERRITÓRIOS TURÍSTICOS.

  • Orientador : MAGDA DINIZ BEZERRA DIMENSTEIN
  • Data: 01/04/2011
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  • Buscamos consistência empírica e rigor analítico para o conceito de turistificação, através dos arranjos urbanos e subjetivos contemporâneos postos por uma paisagem social de (des)encontros entre os moradores e os estrangeiros que convivem na capital do Rio Grande do Norte, Natal. Nas últimas três décadas a cidade transformou-se em um dos principais destinos do país para o turismo nacional e internacional, fazendo do turismo um importante analisador da coreografia em busca de sincronia entre cidades e subjetividades, orquestrada pelas crises cíclicas e sistêmicas da incessante batalha por sobrevivência e expansão capitalística. Procedemos com uma pesquisa etnográfica e de inspiração cartográfica no bairro de Ponta Negra, cuja reurbanização da orla no ano de 2000 conduzida pelo poder público, influenciou a implantação de diversos estabelecimentos, serviços e práticas vinculadas à construção do maior pólo da indústria do turismo e do entretenimento em Natal. Propusemos uma arque-genealogia da turistificação inspirada na analítica de Michel Foucault, acrescida por autores em confluência ou de distintas orientações teórico-metodológicas, entre os quais ganham destaque Karl Marx, Gilles Deleuze e Félix Guattari, Michael Hardt e Antonio Negri, nas reflexões que se voltaram inicialmente para o avanço da esfera do consumismo enquanto instância capaz de articular a trajetória de desenvolvimento do sistema capitalista e a prática do turismo, promovendo alguns efeitos (in)desejáveis na dinâmica conflitiva das condições de existência do bairro de Ponta Negra, território que cada vez mais se (re)produz para atender aos desígnios do consumo por parcela abastada da população e estrangeira, encontrando na exclusão social e na inclusão diferenciada uma tendência crescente. Avançamos com uma análise dos “desejos de liberação”, aspectos fenomênicos do processo de produção de subjetividades, fornecendo um detalhamento da recente crise mundial inicialmente financeira, mas que se revelou social e política, através de um enredo derivado do funcionamento da especulação imobiliária, ao qual Natal se encontra implicado principalmente através da turistificação, evidenciando os contornos de uma crise generalizada no estabelecimento de uma nova ordenação balizada pela emergência de um contexto “biopolítico”, visto ser uma das principais vias que o capital recorre para sobreviver e se expandir, ao mesmo tempo orientador do processo de “embelezamento estratégico” ocorrido em Ponta Negra, por nós problematizados. Finalizamos avaliando a pertinência de se propor em análises posteriores a constituição de uma “nova ontologia social” face às interferências da turistificação em curso e a composição de uma “nova ordem” (g)local, que longe de caracterizar uma superação do sistema capitalista, trate de por em evidência a atual etapa de radicalização de uma utopia capitalística.