Banca de QUALIFICAÇÃO: LAIS BARRETO BARBOSA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LAIS BARRETO BARBOSA
DATA: 06/08/2012
HORA: 09:00
LOCAL: auditorio de psicologia
TÍTULO:

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA E ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL: UM ESTUDO NO MUNICÍPIO DE NATAL (RN)


PALAVRAS-CHAVES:

violência contra as mulheres; saúde mental; políticas públicas para mulheres; gênero, rede de atenção às mulheres.


PÁGINAS: 55
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Encontra-se no II Plano Nacional de Políticas para Mulheres, especificamente no eixo III intitulado "Saúde das Mulheres, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos", a temática da saúde mental como prioridade e com a meta de promover a implantação de um modelo de atenção à saúde mental das mulheres na perspectiva de gênero, considerando as especificidades étnico-raciais, através de experiências-piloto pelo país (Brasil, 2008). Proposto pela Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, o Centro de Referência é um dos serviços que compõe a rede de atenção às mulheres em situação de violência oferecendo atendimento, acompanhamento psicossocial, jurídico, orientação e informação às mulheres em situação de violência. Observa-se que mulheres que buscam este serviço necessitam geralmente de algum tipo de atenção em saúde mental. Estudos apontam que a violência de gênero contra as mulheres pode fomentar sentimentos detristeza, insegurança, pensamentos persecutórios, auto e heterodestrutividade, rebaixamento de autoestima, irritabilidade, labilidade, intolerância e agressividade passando a fazer parte do repertório emocional dos sujeitos envolvidos repercutindo assim no âmbito da saúde mental (Oliveira, 2007). As situações de violência de gênero representamum agravo à saúde existindo associação verificada (e de grande força estatística) entre sofrer violência e apresentar ideação ou tentativas de suicídio, além de outros sofrimentos e transtornos mentais.Tal vivência pode ser considerada como a negação do propriamente humano (ser sujeito) e do ponto de vista ético é considerada como uma situação anuladora da dignidade no sentido de impedir o sentimento de esperança (Schraiberet al, 2009).No entanto, frequentemente, asdemandas em saúde mental dessas mulheres nãosão acolhidas por esses serviços de referência, havendo o direcionamento de tais usuárias para instituições psiquiátricas e outros serviços da rede de saúde mental. Tais encaminhamentos geram desassistência no âmbito da garantia dos direitose cessam as possibilidades de enfrentamento das situações de violência, além de impedir toda possiblidade de cuidado na dimensão subjetiva das usuárias em questão. Desta maneira, a motivação básica para a realização desta pesquisa foi contribuir para o campo de estudos sobre a violência de gênero, mais especificamente a violência contra as mulheres e a sua interface com o campo da saúde mental. Tal motivação desdobrou-se no intuito de conhecer o acolhimento ofertado às mulheres com demandas em saúde mental em situação de violência atendidas pelo Centro de Referência “Mulher Cidadã” na cidade de Natal (CRMC/RN) com vistas a conhecer sua articulação com a rede de saúde mental local.O CRMC/RN é um dos serviços que compõe a rede de atenção às mulheres em situação de violência no município de Natal (RN) sendo parte integrante da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Este trabalho, portanto, objetivouconhecer a organização e funcionamento do CRMC/RN no tocante a atenção ofertada às mulheres com transtornos mentais e/ou compassagem pela rede de serviços em saúde mental.Como objetivos específicos definiram-se: a) mapear as práticas da equipe em relação ao acolhimento e continuidade de cuidados junto às usuárias do serviço; b) conhecer as concepções da equipe do CRM/RN acerca dos transtornos mentais e sua relação com a violência de gênero; c) verificar o conhecimento da equipe do CRMC acerca das políticas em saúde mental na perspectiva da Reforma Psiquiátrica Brasileira; d) identificar os itinerários percorridos pelas usuárias na rede de saúde mental ao saírem do CRMC/RN; e) conhecer as relações interinstitucionais entre os serviços de saúde mental (levantados a partir dos itinerários) e o CRMC.A pesquisa foi realizada em quatro etapas: na primeira etapa, por meio de uma pesquisa documental, foi realizada a caracterização do serviço com vistas a conhecer o funcionamento organizacional objetivando: a) histórico do serviço: b) diagnóstico institucional; c) composição técnica da equipe.A segunda etapa compreendeu a seleção das usuárias para participação no estudo por meio da análise das fichas de cadastro correspondentes aos anos de 2010 e 2011.Os critérios para inclusão das fichas de cadastro das usuárias no estudo seguiram as indicações de psicodiagnósticos realizados pela psicóloga nos atendimentos e os diagnósticos realizados por psiquiatras, estes presentes nos prontuários. No momento seguinteforam identificados o perfil e dados socioeconômicos das mulheres incluindo: faixa etária; nível de escolaridade; ocupação; raça/etnia; estado civil; número de filhos; tipos de violência; b) procedimentos realizados no CRMC identificando: encaminhamentos internos ao serviço (CRMC); encaminhamentos para Casa Abrigo Clara Camarão (CACC); encaminhamentos para rede de saúde mental; relação da violência com o transtorno mental; uso de medicação psicotrópica d) identificação dos itinerários na rede de saúde mental a partir dos encaminhamentos realizados pelo CRMC.Na terceira etapa a pesquisa pormenorizou os serviços/atenção oferecidos no CRMC utilizando entrevistas com roteiros semiestruturados direcionados à equipe multiprofissional composta por três assistentes sociais, duas estagiárias em psicologia dois advogados (as) e uma estagiária de direito assim como para a equipe gestora dos serviços CRMC e Casa Abrigo – de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres da Secretaria Municipal da Mulher –(SEMUL- Natal /RN).Em um quarto momento a pesquisa buscou conhecer os itinerários percorridos pelas usuárias a partir de encaminhamentos realizados pelo CRMC para rede de saúde mental. Foram identificados dois hospitais psiquiátricos, dois Centros de Atenção Psicossocial e uma Unidade Básica de Saúde. Ao percorrer estes itinerários utilizou-se a ferramenta de entrevistas abertas direcionadas para os profissionais de referência e gestora da coordenação de saúde mental do município visando conhecer: a) a articulação entre a rede de atendimento às mulheres e os serviços de saúde mental; b) a compreensão da relação entre violência e transtornos mentais; c) o conhecimento das políticas para mulheres nestas instituições. Até o presente momento foram realizadas as quatro etapas supracitadas e a análise dos dados encontra-se em processo de construção a partirda perspectiva da Análise Institucional. Procuraremos, assim, refletir e analisar as lógicas presentesnas dimensões instituídas nos serviços pesquisados que sustentam as cristalizações em termos daatenção e da articulação intersetorial no tocanteàs mulheres com este tipo de demanda tão complexa quanto singular.A expectativa é que partir destas problematizações possamos identificar as dificuldades vivenciadas pelas equipes nos âmbitos do cuidado e no sentido das articulações intersetoriais parainstituirmos futuramente mudanças nos modos de se produzir cuidados para estas mulheres.

Palavras – chave: violência contra as mulheres; saúde mental; políticas públicas para mulheres; gênero, rede de atenção às mulheres.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARIO SERGIO VASCONCELOS - UNESP
Externo à Instituição - NADIA MARIA RIBEIRO SALOMÃO - UFPB
Notícia cadastrada em: 02/08/2012 18:32
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