Banca de QUALIFICAÇÃO: NIETSNIE DE SOUZA DUARTE

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: NIETSNIE DE SOUZA DUARTE
DATA: 06/08/2012
HORA: 09:00
LOCAL: auditorio de psicologia
TÍTULO:

Perfil neuropsicológico de crianças portadoras de

 Diabetes mellitus Tipo 1 atendidas em um serviço de referência no rn


PALAVRAS-CHAVES:

Diabetes mellitus Tipo 1; neurodesenvolvimento; avaliação neuropsicológica;  desenvolvimento cognitivo


PÁGINAS: 58
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

O Diabetes mellitus Tipo 1 (DM Tipo 1) caracteriza-se como um distúrbio do metabolismo intermediário e tem como particularidade a deficiência ou ausência total de insulina, a qual é um importante hormônio para o controle da homeostase dos níveis séricos de glicose (Engel & Engel, 2010). A atuação desse hormônio é fundamental para o desenvolvimento e funcionamento cerebrais, uma vez que o cérebro precisa primordialmente de glicose para funcionar em um nível ótimo e promover ao longo do neurodesenvolvimento a maturação das áreas corticais envolvidas em diferentes atividades cognitivas (Kolb & Whishaw, 2002). Tendo em vista que o desenvolvimento cerebral se estende da vida intrauterina a, aproximadamente, doze/quatorze anos (Muszkat, 2006) e sendo a glicose o elemento nutriente do cérebro por excelência, sugere-se que crianças com padrões glicêmicos atípicos podem apresentar comprometimentos neuropsicológicos decorrentes de tais alterações, notadamente em períodos sensíveis do desenvolvimento do sistema nervoso, o que promove a necessidade de investigar-se como a manifestação da doença na infância pode interferir no neurodesenvolvimento. Estudos realizados com esta população clínica sugerem que o DM Tipo 1 é uma doença que pode promover impacto sobre o funcionamento neuropsicológico, em especial quando são consideradas três variáveis específicas, as quais podem apresentar-se combinadas entre si, a saber: a) idade da criança quando do diagnóstico; b) exposição à hipoglicemia em crianças com início precoce da doença e; c) controle glicêmico e exposição à hiperglicemia (Duarte, Carvalho, Lima & Hazin, no prelo). No entanto, a literatura é dissonante, não havendo unanimidade em termos da caracterização e extensão das alterações neuropsicológicas associadas às variáveis em questão. Tal constatação aponta a necessidade de realização de estudos neste domínio, notadamente em âmbito nacional. Assim, a presente pesquisa tem como objetivo geral avaliar o perfil neuropsicológico de crianças portadoras de DM Tipo 1 atendidas em um serviço de referência do Rio Grande do Norte. Ainda, possui como objetivo específico, avaliar a interferência sobre o funcionamento neuropsicológico das crianças portadoras de DM Tipo 1 – efeito isolado e de interação – das variáveis: idade quando do diagnóstico, padrão de controle glicêmico, número de relatos de surtos hipoglicêmicos severos, presença de hipoglicemia e/ou hiperglicemia no momento da avaliação neuropsicológica. Participarão do estudo dois grupos de crianças: o primeiro constituído por crianças com diagnóstico de DM Tipo 1 e o segundo (grupo controle) constituído por crianças sem diagnóstico de DM Tipo 1. O primeiro grupo será composto pela totalidade de crianças com DM Tipo 1, de 6 a 10 anos, atendidas pelo Hospital de Pediatria Professor Heriberto Bezerra (HOSPED/ UFRN), as quais possuem contato telefônico disponível – 18 crianças, até o momento – e aceitarem participar da pesquisa, com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelo responsável. O grupo controle, por sua vez, foi selecionado a partir do banco de dados normativos já existente na base de dados do LAPEN e será complementado para os instrumentos que ainda não possuem dados normativos para o RN – constituindo um grupo de igual número e características demográficas quanto ao sexo e à idade semelhantes ao grupo 1. Ressalta-se que os participantes do grupo controle são alunos da rede pública do RN, uma vez que a maior parte das crianças atendidas no HOSPED são oriundas das classes C e D. O estudo adotará o formato transversal e os dados serão coletados através de anamnese com responsáveis, aplicação de Bateria Neuropsicológica, aferição de glicemia após cada sessão de avaliação e revisão de prontuário médico para coleta de informações clínicas e dados sobre o controle da doença ao longo do tempo. Aponta-se que a bateria neuropsicológica é constituída pelos seguintes instrumentos: Escala Wechsler de Inteligência para Criança (WISC III), Teste de Atenção por Cancelamento de Capovilla, Montiel & Capovilla (2007), Blocos de Corsi, Span de Palavras simples e complexo (Neupsilin), Teste de Aprendizagem auditivo-verbal de Rey (RAVLT), Teste Figura Complexa de Rey, Teste de Memória Lógica (Miranda, 2004), Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (PROLEC), Provas de Aritmética Montiel & Capovilla, Tarefa do Paradigma Go – No Go, Teste de Trilhas Coloridas, Fluência Verbal Semântica e Child Behavior Checklist (CBCL). Outro aspecto a ser ressaltado é que o presente estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de acordo com o parecer 097/2012 seguindo, portanto, as diretrizes da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Uma vez obtida a aprovação do referido comitê, foi iniciada a pesquisa de campo com as crianças do grupo 1. A coleta de dados teve início em abril, tendo sido iniciado o processo de avaliação de 9 crianças, até esta data. A aplicação da bateria neuropsicológica foi dividida em três sessões de avaliação (em média), cada uma com duração de 120 minutos, aproximadamente. Quanto à análise dos dados coletados, informa-se que inicialmente será realizada a análise descritiva para obtenção de médias, desvios-padrão, valores mínimos e máximos de desempenho dos dois grupos (grupo 1 e grupo 2) nos testes que compõem a bateria neuropsicológica, bem como o padrão de normalidade da curva de distribuição de frequência dos escores mensurados para a amostra como um todo e para cada um dos dois grupos principais. Feito isto, propõe-se o uso da ANOVA – na hipótese de os dados apresentarem uma curva normal de distribuição. Nesse caso, a variável dependente será o desempenho na bateria neuropsicológica obtido pelas crianças nos testes; e as variáveis independentes (isoladas e interação) serão o diagnóstico de DM Tipo 1 e o sexo. Também objetiva-se realizar uma Análise de Cluster para todas as variáveis sócio-demográficas, clínicas e o de desempenho nos testes, sendo estas últimas devidamente categorizadas. Tendo em vista a segmentação, eventualmente obtida a partir da Análise de Cluster, serão feitas verificações em relação àquelas variáveis de maior força de contribuição para a partição obtida. Para tanto, serão utilizadas ferramentas estatísticas não-paramétricas, como o Qui-Quadrado e Teste U para duas instâncias de variação ou Kruskall-Wallis para mais de duas instâncias de variação.  Por fim, espera-se que os dados alcançados ampliem o conhecimento de como o funcionamento cognitivo opera na interface com a patologia, considerando diferentes variáveis clínicas e sócio-demográficas, para que novos caminhos sejam inaugurados como estratégia de intervenção, minimizando os possíveis danos ou mesmo superando alterações específicas peculiares deste grupo clínico. É necessário enfatizar a importância da identificação do perfil neuropsicológico para que intervenções mais eficazes possam ser implementadas precocemente no curso de desenvolvimento das crianças, aproveitando-se, assim, da plasticidade cerebral – característica por excelência desta fase do desenvolvimento.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARIO SERGIO VASCONCELOS - UNESP
Externo à Instituição - NADIA MARIA RIBEIRO SALOMÃO - UFPB
Notícia cadastrada em: 02/08/2012 18:06
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