Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA GORETE SARMENTO DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA GORETE SARMENTO DA SILVA
DATA: 06/08/2012
HORA: 09:00
LOCAL: auditorio de psicologia
TÍTULO:

O CENTRO DE REFERÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL E A PSICANÁLISE: A SINGULARIDADE NO COLETIVO


PALAVRAS-CHAVES:

Subjetividade, CRAS,política social, sujeito, pesquisa psicanalítica


PÁGINAS: 58
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

O interesse em abordar a temática da singularidade nas práticas sociais surge a partir da experiência de 18 meses no Centro de Referência da Assistência Social - CRAS, no período de setembro de 2009 a março de 2011. Ao assumir o direcionamento do grupo sócio-educativo com crianças/adolescentes na faixa etária de 07 a 14 anos de idade, fui informada de que neste grupohavia dois irmãos, nomeados como “pestinhas”, por não seguirem as regras do CRAS. O trabalho realizado com as crianças/adolescentes foi, desde o inicio, não na direção de dar um “jeito” no comportamento, e sim de, ofertando a possibilidade de escuta voltada para o um a um no contexto do grupo, fazer surgir, no lugar do comportamento que aparecia como “desviado”, algo da subjetividade de cada um deles.Este trabalho, voltado para a singularidade dos sujeitos, em alguns momentos era interrogado e confundido,por parte de outros profissionais, com a psicoterapia, uma vez que a prática psicoterápica não é permitida no CRAS.Isto me levou ao seguinte questionamento: é possível causar efeitos no social partindo da preservação da singularidade na prática institucional? A revisão de literatura revelou, por um lado, uma série de trabalhos que visam uma discussão acerca do processo de inserção profissional dos psicólogos no campo do bem-estar social, propondo e/ou analisando práticas direcionadas para o atendimento psicossocial, voltadas para o grupo e para a asseguração de direitos, formando sujeitos cidadãos, bem como a tentativa de mapeamento da prática do psicólogo de modo que esta não seja confundida com a prática da assistência social (Afonso, 2008;Nóbrega, Andrade, Carvalho & Souza, 2009; Ramminger, 2001;Yamamoto & Oliveira, 2010). Por outro lado, sustentados na perspectiva psicanalítica, encontramos trabalhos cuja interrogação visa o sujeito na Assistência Social, percebido como sujeito de direitos, sujeito-cidadão, estando o CRAS na posição de torná-lo autônomo(Mariano, 2011; Scarparo & Polli, 2008). Neste sentido, a dissertação possui como objetivo geralinterrogar sobre a possibilidade da preservação da subjetividade no contexto do CRAS, partindo de uma investigação que contemple uma possível interface entre a Psicanálise e Assistência Social; e como objetivos específicos: 1) refletir sobre o lugar do sujeito na Assistência Social; 2) interrogar sobre a possibilidade de emergência do sujeito nas práticas do CRAS; 3) analisar conceitos e estigmas que possam contribuir para a incidência de posições segregativas do sujeito. Trata-se de uma pesquisa teórica, baseada na Psicanálise freudo-lacaniana, propondo uma interface entre os princípios da Assistência Social voltados para o usuário do CRAS e a Psicanálise. Para tanto, tomaremos como unidade de análise o conceito de sujeito na psicanálise freudo-lacaniana para examinar o lugar da oferta de uma escuta singularizada que, permitindo ao sujeito aproximar-se da sua verdade, possa produzirmudanças na posição que ocupa em relação ao seu sofrimento e uma possível retificação subjetiva.Nessa perspectiva, o trabalho está organizado em quatro capítulos. O primeiro trata do surgimento da política de assistência social e do CRAS no contexto brasileiro. No Brasil a Política Social tem seu início na década de 30, quando é dado o primeiro passo na tentativa de garantia de direitos. Até meados da década de 80, tal política segue com caráter assistencialista e superficial, não atingindo a raiz do problema, servindo apenas para manter a situação de pobreza já existente, a partir da oferta de serviços de péssima qualidade e “doação de esmolas” que geram dependências por parte de quem as recebe (Demo, 1988). É com a Constituição de 1988 que o Brasil passa a pensar na construção de um padrão público universal de proteção social, tendo em vista a universalização dos direitos baseados nas necessidades sociais. A assistência social passa a ser reconhecida como um direito (Rojas Couto, 2008), embora a sua concretização, como um conjunto de políticas públicas, só venha a começar pela Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS, Lei de nº. 8.742 de 07 de dezembro de 1993. Nesse contexto surge o CRAS como uma unidade pública estatal descentralizada da Política Nacional da Assistência Social, sendo implementado no ano de 2004, após a aprovação da política de assistência social. É a unidade responsável pela organização de todos os serviços da proteção social básica e pela oferta dos serviços do Sistema Único da Assistência Social- SUAS, atuando na prevenção de situações de riscos sociais e familiares, fortalecendo vínculos familiares e comunitários dos indivíduos que se encontram em vulnerabilidade social decorrente da pobreza e ou fragilização de vínculos afetivos, decorrente das relações individuais e/ou sociais (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS, 2005). O segundo capítulo versará sobre a subjetividade na proteção social básica. Parte-se da discursão das orientações técnicas das políticas públicas do SUAS, as quais preconizam a utilização dos recursos teóricos e técnicos paracompreender os processos subjetivos que podem gerar ou contribuir para a incidência de vulnerabilidade e risco social de famílias e indivíduos (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2009). Discutiremos também os direcionamentos e orientações do Conselho Federal de Psicologia – CFP para a prática do profissional Psi no CRAS.O terceiro capítulo abordará o conceito de sujeito na Psicanálise freudo-lacaniana e a contribuição de autores psicanalíticos contemporâneos que lançam um olhar sobre a Psicanálise voltada para o social. O quarto capítulo analisará, a partir da discussão teórica precedente, as possibilidades de preservação da subjetividade no contexto do CRAS.Será, portanto, a partir dos princípios da Política de Assistência Social para o CRAS, que partiremos para uma reflexão acerca de um trabalho institucional voltado para a singularidade dos sujeitos.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARIO SERGIO VASCONCELOS - UNESP
Externo à Instituição - NADIA MARIA RIBEIRO SALOMÃO - UFPB
Notícia cadastrada em: 02/08/2012 17:54
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