Banca de QUALIFICAÇÃO: JUVANEIDE REGIA AZEVEDO COSTA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JUVANEIDE REGIA AZEVEDO COSTA
DATA: 06/08/2012
HORA: 09:00
LOCAL: auditorio de psicologia
TÍTULO:

IDENTIFICAÇÃO E ESCOLHA PROFISSIONAL NA ADOLESCÊNCIA:

UM ESTUDO  PSICANALÍTICO


PALAVRAS-CHAVES:

processos identificatórios, psicanálise, laço social, subjetividade.


PÁGINAS: 68
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Este trabalho tem o propósito de articular a escolha profissional na adolescência a um dos vários processos psíquicos inconscientes envolvidos nessa escolha: a identificação. O tema em questão surgiu de indagações oriundas da escuta clínica de adolescentes e adultos com dificuldades nas suas escolhas profissionais. A partir da revisão de literatura foram construídos dois eixos teóricos – adolescência e escolha profissional. A adolescência é apontada, na literatura psicanalítica, como um tempo de intensas elaborações psíquicas, no qual um trabalho subjetivo importante coloca-se para o adolescente, visando à elaboração dos lutos do corpo infantil e o reconhecimento do seu novo corpo, o luto dos objetos amorosos da infância (os pais, principalmente) e a busca de novos objetos amorosos, a consolidação da sua identidade sexual, a construção de projetos de vida, inclusive os profissionais, etc. A elaboração desses processos psíquicos tanto pode gerar manifestações sintomáticas típicas de um momento de crise (dúvidas, ansiedade, medos, etc.) como outras de natureza mais patológica (toxicomanias, suicídio, bulimia, anorexia, etc.). Já a escolha profissional é apontada, na literatura, como um operador simbólico importante no momento de entrada do adolescente no mundo do trabalho. É também sinalizada a complexidade desse processo, na medida em que envolve determinações múltiplas e elementos de diversas ordens: construções psíquicas conscientes e inconscientes; a interferência dos modelos de adultos (familiares ou outros), através dos processos identificatórios; a situação profissional e mercadológica vigente; a realidade social, etc. (Torres, 2001). No que se refere às construções psíquicas inconscientes nele implicadas, observou-se que uma delas – as identificações – se destaca pela sua importância na constituição da subjetividade humana e na inserção do sujeito na cultura e no laço social. As identificações são mecanismos psíquicos primários que se iniciam a partir da relação da criança com as figuras parentais, pai e mãe, e estendem-se, posteriormente, às pessoas próximas, com as quais a criança convive ou conviverá, tais como: professores, amigos, parentes, entre outros, e também com figuras idealizadas, como heróis, artistas, etc., que servirão de modelos constitutivos da sua identidade, não só no que diz respeito à sua sexuação, como também à sua inserção social e ocupacional futura. Dada a importância dos processos de identificação em todas as escolhas humanas, sejam elas afetivas ou profissionais, perguntamo-nos: Como os processos identificatórios se implicam na construção da escolha profissional do adolescente? A partir dessa questão, definimos como objetivo geral articular, teoricamente, o conceito psicanalítico da identificação com o processo da escolha profissional do adolescente e por objetivos específicos: 1. Analisar o conceito psicanalítico de identificação. 2. Situar o conceito de adolescência na contemporaneidade, delimitando o seu lugar na teoria psicanalítica; e 3. Definir escolha profissional, abordando seus determinantes psíquicos. A pesquisa em questão será do tipo teórica. Segundo Bafi (n.d.), essa forma de pesquisa está “orientada no sentido de reconstruir teorias, quadros de referência, condições explicativas da realidade, polêmicas e discussões pertinentes” (para. 2), visando a criar condições para uma intervenção futura. Garcia-Roza (1993) aponta como uma das finalidades desse tipo de pesquisa "retraçar a gênese de um conceito ou de uma teoria e identificar os problemas a que ambas pretendem responder" (p. 14). Nessa perspectiva, o trabalho está organizado em quatro capítulos: o primeiro trata do conceito de adolescência à luz da teoria psicanalítica. Nele, traçamos, inicialmente, algumas considerações gerais sobre o conceito de adolescência, apontando a sua complexidade quando analisado sob a perspectiva da Psicanálise, uma vez que nesta o acento recai nas repercussões psíquicas geradas pela entrada do sujeito nessa etapa de sua vida e não nas mudanças biológicas e sociais que nela acontecem. Logo após, abordamos as contribuições de Freud e Lacan ao conceito de adolescência e, por fim, tratamos das contribuições de outros autores psicanalíticos acerca da adolescência na contemporaneidade. Tais autores sustentam que, no plano da subjetividade, a adolescência constitui um tempo de finalização da estrutura psíquica, em que o remanejamento do sexual em relação ao mito edípico afeta a economia libidinal, causando novas produções sintomáticas e possibilitando novos laços sociais. Nesse sentido, os caminhos tomados pelo adolescente na busca de um lugar para si próprio no social, seja através do esporte, da arte ou de uma atividade profissional, são vistos como "novos rearranjos do Édipo não mais dirigidos à família, mas para o laço social” (Dantas, 2002, p. 18). O segundo capítulo trata do conceito de identificação na Psicanálise. Em Freud, esse conceito fez sua aparição em diversas passagens de sua obra, entrelaçado a inúmeros processos subjetivos (os sonhos, a histeria, o narcisismo), mas foi, sobretudo, ao se articular a um dos eixos centrais da sua teoria, o complexo de Édipo e a escolha sexual deste decorrente, que ele se revelou um processo múltiplo com função primordial na fundação do aparato psíquico e na constituição do eu. A sistematização de suas teorias acerca do conceito de identificação, contudo, só aconteceu muito mais tarde, em “Psicologia de grupo e análise do eu” (1921/1996), quando Freud apresenta uma síntese de tudo o que já dissera antes sobre o mesmo, reformula a problemática indivíduo/coletivo, declara a relevância primordial da identificação e postula-o "como a mais primitiva expressão de um laço emocional com outra pessoa" (Freud, 1921/1996, p. 115). Tal afirmação deixa transparecer a importância da ligação com o outro e o valor que Freud dará aos modos de formação dos laços sociais.  Segundo ele, há três formas de identificação e cada uma delas irá expressar as maneiras pelas quais os seres humanos se vinculam aos outros que serão tomados como modelos. A primeira são as chamadas identificações primordiais ou primárias, ditas estruturantes, que servirão de referencial para os vínculos que posteriormente serão construídos. A segunda é a identificação regressiva (típica da histeria), que consiste em tomar para si um traço ou aspecto da pessoa amada. E a terceira diz respeito à identificação das massas com o seu líder, a qual ocorre por este ter sido instalado na posição de ideal do eu (uma das dimensões do superego, responsável pelo processo de idealização). Lacan, numa releitura de Freud, retomará a questão do traço único, presente nas identificações histéricas, e elaborará suas teorias, nomeando-o de traço unário e tratando-o como um significante primordial que irá constituir o sujeito em sua relação com o Outro (o inconsciente, tesouro dos significantes). O terceiro capítulo terá como foco a escolha profissional na adolescência. Nele, definiremos nossa concepção desse processo, abordaremos seus determinantes psíquicos e suas relações com a construção, na adolescência, de uma identidade profissional/ocupacional. O quarto e último capítulo tratará das articulações possíveis entre o conceito psicanalítico de identificação e a escolha profissional na adolescência. Espera-se, ao término desse estudo, lançar luz sobre um dos mais importantes mecanismos inconscientes implicados no processo de escolha profissional, a identificação, possibilitando, assim, um novo olhar sobre esse processo e para as formas de escuta das problemáticas aí envolvidas.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARIO SERGIO VASCONCELOS - UNESP
Externo à Instituição - NADIA MARIA RIBEIRO SALOMÃO - UFPB
Notícia cadastrada em: 02/08/2012 17:38
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