Banca de QUALIFICAÇÃO: ADRIANA RAQUEL NEGRÃO DUARTE

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ADRIANA RAQUEL NEGRÃO DUARTE
DATA: 06/08/2012
HORA: 08:30
LOCAL: AUDIOTRIO DE PSICOLOGIA
TÍTULO:

REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO CLÍNICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL NA ERA DA TÉCNICA


PALAVRAS-CHAVES:

formação do psicólogo; fenomenologia; técnica; Heidegger; práticas clínicas.


PÁGINAS: 90
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

No presente estudo, a Fenomenologia é destacada pela dimensão de sua crítica aos limites da ciência positivista, ciência esta que rege a grande maioria das áreas do conhecimento, abrangendo, inclusive, a própria Psicologia. Reconhecida por alguns autores (Holanda, 2006; Ferreira, Calvoso & Gonzales, 2002) como uma revolução paradigmática na medida em que oferece outra epistemologia e outro método para as investigações científicas, a Fenomenologia, quando atrelada às práticas clínicas psicológicas, nos traz algumas informações interessantes. No que se refere ao processo de formação clínica no curso de Psicologia, estudos (Dutra, 2011; Sá, Junior, & Leite, 2010; Furigo, 2002) demonstram que existe uma dificuldade peculiar por parte dos estudantes-estagiários que adotam a fenomenologia como referencial clínico. Tal dificuldade se deve à incompatibilidade entre o aporte teórico advindo do curso de Psicologia, ciência esta pautada, tradicionalmente, em paradigmas cientificistas, e a proposta teórico-metodológica adotada pela abordagem supracitada. Desconstruir o modelo tradicional de psicólogo clínico como, quase exclusivamente, um detentor de técnicas interventivas, sustentado pelos pressupostos cientificistas que ainda prevalecem nos currículos acadêmicos, parece ser um dilema na etapa de formação desses estudantes. Como pano de fundo deste cenário, buscamos um aprofundamento no pensamento do filósofo Martin Heidegger, principalmente no que se refere à Era da Técnica, ou seja, a sociedade moderna e contemporânea. Tal período é marcado por condutas que objetivam e reduzem a natureza e o homem em prol de utilidades para fins de consumo, acúmulo e resoluções práticas, e estas se expressam, naturalmente, no âmbito das ciências. Desse modo, extraímos da prática clínica atual uma crítica com vista a refletir não sobre sua instrumentalidade enquanto testes psicológicos, escalas e avaliações, mas fundamentalmente no que diz respeito à atitude tecnicista: aquela conduta que calcula, pré-define e antecipa uma concepção perante o ser, tal como pensado pelo filósofo Heidegger ao se referir à questão da técnica (Heidegger, 2001). Diante disso, consideramos que esse panorama no qual a Psicologia Clínica repousa não favorece o desenvolvimento de uma atitude fenomenológica e de um olhar diferenciado para os sentidos da existência, como é pensado na clínica fenomenológica.  Surgem, portanto, algumas questões: Como estar imerso na Psicologia e, ao mesmo tempo, precisar desconstruir alguns pressupostos cientificistas já estabelecidos? Como desempenhar o exercício da prática clínica psicológica se não compartilhamos da idéia de que o homem é passível de explicações apriorísticas, considerando-se a sua dimensão existencial, indeterminada e processual do devir humano? Reconhecendo esses limites, temos como objetivo de pesquisa compreender a experiência de formação de psicólogos clínicos que desenvolvem estágio na perspectiva fenomenológico-existencial. Tal estudo se configura, portanto, como uma pesquisa fenomenológico-hermenêutica, baseada na ontologia heideggeriana, e utiliza como instrumento de acesso à experiência a entrevista semi-estruturada, a qual tem como pergunta disparadora: “O que você pode me dizer, a partir de sua experiência, sobre a formação do psicólogo clínico na perspectiva fenomenológico-existencial?”. A escolha de tal instrumento se justifica por permitir maior expressividade do participante a partir da ação de poder narrar sua própria experiência. A narrativa, portanto, possui lugar de destaque na fenomenologia, na medida em que é na linguagem que reside a expressão da experiência e a construção de sentidos. O pesquisador, por sua vez, aproxima-se dessa realidade e faz parte da experiência narrada, pois ouvir e contar uma história significa um estar-com-o-outro numa relação de intersubjetividades que assume configurações próprias no momento da entrevista (Dutra, 2002). Os participantes desta pesquisa são seis estagiários do curso de Psicologia da UFRN que estão desenvolvendo estágio supervisionado em psicologia clínica na abordagem fenomenológica. Estar em processo de formação clínica na perspectiva referenciada foi o critério de inclusão. Tais entrevistas são gravadas em áudio mediante consentimento do participante e a garantia de sigilo de sua identidade. As gravações são transcritas e, posteriormente, interpretadas a partir do diálogo traçado entre a revisão de literatura, os sentidos que se desvelam na fala do entrevistado e as impressões pessoais da pesquisadora que emergem conjuntamente do processo de desvelamento de sentidos junto ao participante no momento da entrevista. Tal processo de interpretação implica a tentativa de compreender o fenômeno de formação clínica a partir da experiência do estudante, o que elimina o ponto de vista explicativo, pois em termos de existência, podemos apenas compreender o seu fluir e deixar que o sentido se desvele por si mesmo. A etapa das entrevistas foi iniciada com a realização de duas entrevistas piloto as quais, no momento, passam por fases preliminares de análise. As narrativas dos participantes, inicialmente, ressaltam que as questões que norteiam nossa pesquisa fazem sentido na realidade dos participantes. A carência de disciplinas que destaquem as filosofias da existência nos currículos acadêmicos e a dificuldade de desconstrução do modelo biomédico ao qual o psicólogo clínico está atrelado são algumas das temáticas que permeiam as narrativas dos participantes. Assim, o intuito de compreender as dificuldades que fazem parte do processo de formação clínica na perspectiva fenomenológico-existencial visa contribuir para a consolidação de que, se tal situação é real e iminente, é necessário lançarmos mão da temática e refletir sobre ela, demonstrando que é possível conceber o homem, o mundo e a própria ciência de outras maneiras que não sejam as contempladas somente pela técnica.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARIO SERGIO VASCONCELOS - UNESP
Externo à Instituição - NADIA MARIA RIBEIRO SALOMÃO - UFPB
Notícia cadastrada em: 02/08/2012 11:58
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