Banca de QUALIFICAÇÃO: ADIR FERREIRA DE LIMA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ADIR FERREIRA DE LIMA
DATA: 06/08/2012
HORA: 08:30
LOCAL: auditorio de psicologia
TÍTULO:

ARTICULAÇÕES DA ANGÚSTIA NA RELAÇÃO DO SUJEITO COM O SABER


PALAVRAS-CHAVES:

sintoma; inibição; dificuldades escolares; pesquisa psicanalítica


PÁGINAS: 78
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Esse trabalho resulta de interrogações originadas na condução de um caso clínico, no qual o cliente procurou a análise por apresentar baixo desempenho escolar e isolamento em sala de aula. Aliado a isso, apresentava outros sintomas que se constituíam em verdadeiro obstáculo ao seu convívio social, sendo o excesso de angústia o mais premente deles. Havia ali conflitos inconscientes que angustiavam e que inibiam intelectualmente. Tomando como referência a teoria psicanalítica, observamos que embora se manifestando como dificuldades relacionadas ao conhecimento veiculado pela cultura, tais sintomas se constituíam em expressões de conflitos relacionados ao saber inconsciente. Diante disso nos perguntamos: quais as articulações da angústia na relação do sujeito com o saber Os trabalhos revisados acerca do tema apontaram que a relação do sujeito com o saber constituído incorpora aspectos objetivos, presentes nos processos educativos e sócio-culturais e supõe aspectos subjetivos marcados pela incidência do inconsciente. Tais aspectos movem ou paralisam o sujeito incidindo sobre sua produção intelectual (Diniz, 2006). Conforme Zimmermam (2009), as dificuldades surgem quando a situação de aprendizagem mobiliza conteúdos conflitantes, cujas forças o sistema defensivo falha em controlar, neste momento irrompem os sintomas, cuja função é encobrir uma verdade inconsciente impossível de ser falada. Desde o nascimento da clínica psicanalítica, a concepção de saber é marcada por sua relação com o inconsciente. Ao relacionar o saber ao inconsciente, Freud possibilitou deslocar o saber de uma perspectiva de conhecimento universal, proposto pela ciência, para o saber psicanalítico. Para Lacan (1969/1970) o que descobrimos na experiência de qualquer psicanálise é justamente da ordem do saber, e não do conhecimento. Deste modo, o saber próprio à psicanálise não tem relação com o acúmulo de informações. Esse saber é necessário, quando se trata do sofrimento e da angústia do sujeito. Ante a ameaça da angústia, o sujeito se inibe ou faz sintoma.  Santiago (2005) considera que tanto a teoria da inibição quanto as hipóteses sobre a pulsão de saber constituem o solo conceitual onde emerge a abordagem dos fenômenos clínicos próprios à inibição intelectual. Na perspectiva de avançar nessas reflexões, esse estudo tem como objetivo geral discutir as possíveis relações entre a angústia e o saber à luz da teoria psicanalítica. E como objetivos específicos investigar o conceito de angústia e saber na psicanálise e refletir acerca dos impasses do sujeito em relação aos chamados “problemas de aprendizagem”. O método de pesquisa é o teórico-clínico. A partir de recortes de aspectos fundamentais de um caso clínico analisaremos a articulação entre a angústia e o saber, tomando como referência as obras de Freud e Lacan. No primeiro capítulo, recuperamos a trajetória teórica de Freud acerca da angústia. Em uma clínica na qual a escuta sobrepujava o que se sabia até então, Freud se dá conta de que a angústia constituía a queixa principal de seus pacientes, independente do quadro clínico que apresentassem (1894/1976). Interrogado por esse achado o autor se pôs, a partir da relação analítica, a apreender o que na angústia se encontrava em jogo, tendo se ocupado desse tema durante toda a sua vida. Suas descobertas acerca da angústia se agrupam em duas teorias bem delimitadas. A primeira é baseada essencialmente no ponto de vista econômico. A ideia de transformação da excitação sexual, do excesso libidinal em angústia, deu origem à primeira teoria que tem como tese central a angústia decorrente do recalque. Essa primeira teoria é explicitada a partir do Rascunho B (Freud, 1893/1976) e mantida até o artigo Inibição, Sintoma e Angústia (Freud, 1926/1977). A segunda teoria, apresentada em 1926, traz como eixo central o novo entendimento da angústia à luz da segunda tópica. Aqui, a angústia passa a ser um dispositivo que avisa ao ego que ele tem que se defender diante de uma ameaça da ocorrência de uma situação de perigo: não é a angústia o que é evitado, mas o perigo ao qual ela remete. De acordo com Freud, os perigos internos tem como denominador comum a separação ou a perda do objeto amado. Tal situação leva a um acúmulo de desejos incestuosos conduzindo o sujeito ao desamparo. Para defender-se desta sobrecarga libidinal, o ego utiliza-se da angústia como sinal colocando o processo de recalque em marcha. Assim, a angústia não é o resultante, mas o signo disparador do recalque, cuja resultante é o sintoma. É também nesse artigo que Freud delineia uma articulação possível entre a inibição e o sintoma pelo viés da angústia. No segundo capítulo, abordamos a angústia sob a perspectiva lacaniana. Para isso, estamos utilizando, principalmente, O Seminário, livro 10: A angústia (Lacan, 2005). Em sua investigação Lacan considera a angústia como sendo o afeto de base, o afeto por excelência, o que não engana. Ele apresenta a inibição, o sintoma e a angústia como diferentes movimentos do sujeito em relação ao desejo. Para ele, ao contrário de Freud, a angústia não está relacionada à perda de objeto, mas sim à sua presença. Ela existe como sinal da presença do objeto e emerge quando a falta falta e o objeto causa do desejo, que deveria ficar oculto, torna-se visível. É do real, portanto, que a angústia é sinal. No capítulo três abordaremos a questão do saber na psicanálise, destacando como o saber, na sua dimensão inconsciente, se apresenta na obra de Freud, seguido pela leitura lacaniana a esse respeito. No capítulo quatro, discutiremos a angústia no que diz respeito à sua relação com o saber inconsciente, fazendo as inter-relações com fragmentos do caso clínico.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - MARIO SERGIO VASCONCELOS - UNESP
Externo à Instituição - NADIA MARIA RIBEIRO SALOMÃO - UFPB
Notícia cadastrada em: 02/08/2012 11:55
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