Banca de DEFESA: TADEU MATTOS FARIAS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TADEU MATTOS FARIAS
DATA : 07/04/2017
HORA: 08:00
LOCAL: Miniauditório do PPGAU/UFRN
TÍTULO:

Afetividade e resistência: vínculo, transformações socioambientais e oposição capital-lugar na cidade de Galinhos-RN


PALAVRAS-CHAVES:

afetividade; pesca artesanal; turismo; energia eólica; etnografia


PÁGINAS: 366
RESUMO:

A cidade de Galinhos passou por transformações significativas nos últimos anos. A

transição de uma comunidade organizada em torno da pesca artesanal para uma que

se estrutura em função do turismo, catalisada pelo impacto da ampliação de uma

salina na década de 1980, e a implementação, em 2012, do parque eólico Rei dos

Ventos I, tiveram impactos locais importantes que implicaram movimentos de

resistência por parte da população: manifestação dos pescadores em função da

ampliação da salina; manifestação contrária à presença de um barco de passeio de uma

empresa de turismo em 2010, e; manifestações contrárias à implementação do parque

eólico sobre as Dunas do Capim, local importante para o turismo local. O objetivo deste

estudo foi investigar a relação entre laços afetivos dos(as) moradores(as) com Galinhos e

as disputas concernentes às transformações socioambientais locais. Como objetivos

específicos, busquei: (a)identificar as principais transformações socioambientais em

Galinhos e seu impacto sobre os modos de vida locais; (b) investigar os afetos dos(as)

residentes em relação a tais transformações e como esses afetos participam da

produção de sentidos sobre o lugar, e; (c) entender como esses sentidos são mobilizados

na formação de movimentos de resistência às transformações socioambientais. Para

tanto adotei uma abordagem etnográfica, vivendo por três meses no local e contando

com o suporte de dois informantes locais. Os registros das experiências foram feitos em

21 diários de campo. Além disso, entrevistei 23 moradores(as), tendo como foco as

histórias de vida. A análise do corpus da pesquisa teve como pressuposto

ontoepistemológico o realismo crítico, e utilizei uma análise multinível, considerando os

níveis extradiscursivo e discursivo articulados na compreensão dos conflitos. Os

registros nos diários permitiram uma caracterização da dinâmica local, destacando

aspectos de contexto importantes no dia a dia. Além disso, identifiquei discursos locais

que funcionam como significados compartilhados, e ajudam a organizar a vida local.

Utilizando a categoria da afetividade de Espinosa como elemento ético-político

extradiscursivo e imanente à transição entre modos de vida, foi possível compreender: a

vinculação ao lugar como constitutiva do modo de vida da pesca artesanal; a ampliação

da salina como desarticulação desse modo de vida; o turismo como articulador do novo

modo de vida com significados e práticas próprios, mas mantendo e recuperando

aspectos do modo de vida pesqueiro; a implementação do parque eólico como ameaça

de ruptura com os aspectos de tal modo de vida. No nível dos discursos, para

compreender a emergência dos conflitos, fiz uma análise crítica de discurso, tratando

discursos como ação, mas articulados ao nível extradiscursivo como sua condição de

possibilidade. Foi possível notar que a própria natureza histórico-social dos

empreendimentos levou a uma oposição entre capital e lugar, o que implicou a

identificação desses empreendimentos como invasores pelos moradores. O fato de o

turismo ser feito e controlado pelos moradores, alimentando o sentido de que é uma

atividade que os vincula ao lugar, junto aos saberes locais, ajudou a significar a

empresa turística e o parque eólico como ameaças à vida local. As resistências às ações

de tais empresas tiveram os diferentes conteúdos de vinculação dos modos de vida

como organizadores tanto de uma consciência local sobre tal oposição capital-lugar,

como das iniciativas de contestação. Compreendo, assim, que as relações fundamentais

dessas atividades, quando em contato com as especificidades das relações e saberes

locais, produziram uma oposição sustentada pelo sentido de que são empresas que lhes

alienam o lugar, entendido como parte de suas vidas.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - GUSTAVO MARTINELI MASSOLA - USP
Interno - 1205730 - ISABEL MARIA FARIAS FERNANDES DE OLIVEIRA
Presidente - 347107 - JOSE DE QUEIROZ PINHEIRO
Externo à Instituição - SYLVIA CAVALCANTE - UNIFOR
Externo ao Programa - 2374871 - ZORAIDE SOUZA PESSOA
Notícia cadastrada em: 23/03/2017 09:11
SIGAA | Superintendência de Informática - (84) 3215-3148 | Copyright © 2006-2017 - UFRN - sigaa06-producao.info.ufrn.br.sigaa06-producao