Banca de QUALIFICAÇÃO: JULIANA FELIX DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JULIANA FELIX DA SILVA
DATA: 13/06/2013
HORA: 09:00
LOCAL: Sala do PPgCSA - 2º andar do CCS
TÍTULO:

ATIVIDADE ANTIOFÍDICA DAS FOLHAS DE Jatropha gossypiifolia L.
FRENTE A VENENOS BOTRÓPICOS


PALAVRAS-CHAVES:

Jatropha gossypiifolia, “pinhão-roxo”, Bothrops erythromelas, Bothrops
jararaca, serpentes, atividade antiofídica, venenos ofídicos.


PÁGINAS: 136
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Farmácia
RESUMO:

Os acidentes ofídicos são um grave problema de saúde pública em todo o mundo. No Brasil,
cerca de 90 % dos casos são atribuídos às serpentes do gênero Bothrops. Atualmente, a única
forma de tratamento disponível é a soroterapia antiveneno, que apresenta algumas
desvantagens tais como ineficiência quanto a efeitos locais, riscos de reações imunológicas,
custo elevado e difícil acesso em algumas regiões. A busca por novas alternativas para o
tratamento de picadas de serpentes se faz relevante e, nesse contexto, plantas medicinais são
forte candidatas. Jatropha gossypiifolia L., uma espécie vegetal amplamente conhecida no
Brasil como “pinhão-roxo” e mundialmente como “bellyache bush”, é bastante utilizada na
medicina popular como antídoto para picada de serpentes. O objetivo do presente estudo é
avaliar a atividade antiofídica das folhas desta espécie frente às atividades tóxicas dos
venenos de serpentes botrópicas. O extrato aquoso das folhas de J. gossypiifolia foi preparado
pelo método de decocção (1:10, p/v, material vegetal: água) e em seguida liofilizado para o
uso nos testes de inibição. Os venenos das serpentes Bothrops erythromelas e Bothrops
jararaca foram testados quanto suas atividades fosfolipásica, azocaseinolítica,
fibrinogenolítica, coagulante (sobre o fibrinogênio e sobre o plasma) e defibrinogenante.
Além disso, a atividade anticoagulante do extrato através dos testes de tempo de protrombina
(TP) e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa), bem como estudos de interação entre
o extrato e o veneno ou proteínas, foram conduzidos. Os estudos de inibição foram realizados
pré-incubando quantidade fixa de veneno com diferentes quantidades do extrato de J.
gossypiifolia por 60 min a 37ºC. A atividade fosfolipásica foi inibida apenas parcialmente. A
atividade proteolítica (frente à azocaseína e ao fibrinogênio) foi eficientemente inibida. Por
meio de zimografia por eletroforese em gel de poliacrilamida com dodecilsulfato de sódio
(SDS-PAGE), utilizando fibrinogênio como substrato, foi observado que o extrato inibe
preferencialmente proteases de aproximadamente 26 kDa. As atividades coagulante sobre o
fibrinogênio e sobre o plasma foram significativamente inibidas pelo extrato, sugerindo uma
ação inibitória sobre enzimas semelhantes à trombina (SVTLEs). O extrato prolongou o
TTPa, sugerindo que o extrato inibe tanto SVTLEs quanto a trombina endógena. A atividade
defibrinogenante in vivo foi inibida eficientemente pelo extrato, confirmando os resultados
anteriores. O perfil eletroforético do veneno de B. erythromelas, após pré-incubação com o
extrato, sugeriu degradação proteolítica como um possível mecanismo de ação. Já no veneno
de B. jararaca, observou-se um gradual desaparecimento das bandas proteicas do veneno com
o aumento da concentração do extrato, sugerindo uma ação precipitante sobre as proteínas do
veneno. A análise fitoquímica por cromatografia em camada delgada (CCD) do extrato bruto
e suas frações, obtidas por partição líquido-líquido em solventes de polaridade crescente,
revelou a presença de alcaloides, flavonoides, taninos e terpenoides, sendo os flavonoides
possivelmente os compostos majoritários, a julgar pela intensidade das manchas. Por meio de
co-CCD, os flavonoides luteolina, orientina, isoorientina, vitexina e isovitexina puderam ser
identificados. Em conclusão, os resultados obtidos demonstram que o decocto das folhas de J.
gossypiifolia apresenta potencial atividade inibitória frente a toxinas de venenos botrópicos,
principalmente sobre proteases envolvidas em processos hemostáticos, sugerindo que o
extrato pode ser uma nova fonte de moléculas antiofídicas


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1663052 - IVANISE MARINA MORETTI REBECCHI
Interno - 2378605 - CRISTIANE FERNANDES DE ASSIS
Interno - 1871916 - RAQUEL BRANDT GIORDANI
Notícia cadastrada em: 11/06/2013 16:53
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