Marcadores de inflamação sistêmica e associações com estado nutricional antropométrico e perfil metabólico de pessoas idosas: Estudo Brazuca Natal Pós-Covid-19
Pessoas idosas. Inflamação. PCR. IL-6. TNF-alfa.
O envelhecimento está associado a alterações metabólicas e imunológicas que favorecem um estado inflamatório crônico de baixo grau, conhecido como inflammaging. Além de aumentar a suscetibilidade a doenças, esse processo pode contribuir para alterações na homeostase glicêmica, no metabolismo lipídico e na composição corporal. Nesse contexto, biomarcadores como a proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us), a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) são amplamente utilizados na avaliação da inflamação sistêmica e de suas repercussões metabólicas em pessoas idosas. O objetivo do estudo foi avaliar associações entre marcadores de inflamação sistêmica e parâmetros do estado nutricional antropométrico e do perfil metabólico de pessoas idosas. Trata-se de um estudo observacional, transversal desenvolvido com amostra composta por 70 pessoas idosas participantes do Estudo Brazuca Natal Pós- Covid-19(2023–2024), em Natal/RN. Os dados foram obtidos por entrevista estruturada, avaliação antropométrica, coleta de sangue para análises bioquímicas e investigação do histórico de COVID-19. Foram consideradas variáveis independentes as citocinas pró-inflamatórias (IL-6 e TNF-α) e a proteína de fase aguda PCR-us; e como dependentes, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC) e circunferência da panturrilha (CP) corrigida pelo IMC, glicemia de jejum, índice HOMA-IR, colesterol total, HDL-c, LDL-c e triglicerídeos. A análise estatística foi baseada nos testes Qui-quadrado, exato de Fisher e Mann-Whitney, correlação de Spearman e modelos de regressão ajustados. A amostra foi composta predominantemente por mulheres (61,4%), indivíduos de etnia preta ou parda (51,4%), sedentários (47,8%) e portadores de hipertensão arterial (54,7%). Observou-se elevada frequência de excesso de peso, adiposidade abdominal e alterações do perfil lipídico na população do estudo. Na análise comparativa, conforme distribuição por pontos de corte das variáveis independentes e categorização das dependentes, verificou-se associação entre PCR-us e HOMA-IR (p = 0,014), porém sem associações com as variáveis antropométricas. A análise de correlação demonstrou apenas associação positiva entre PCR-us e IMC (ρ = 0,289; p < 0,05). Quanto aos modelos de regressão linear e lineares generalizados testados, nenhuma associação foi constatada no conjunto das variáveis. Em conclusão, para esta população de pessoas idosas avaliadas, a PCR-us exibiu associações com o HOMA-IR e IMC. Os achados sugerem que alterações metabólicas e antropométricas nem sempre são acompanhadas por alterações detectáveis nos biomarcadores inflamatórios, o que pode ser discutido no cenário multifatorial e heterogêneo do envelhecimento.