PERFIL CLÍNICO, DIETÉTICO E METABOLÔMICO DE INDIVÍDUOS COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA COM FRAÇÃO DE EJEÇÃO PRESERVADA E REDUZIDA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO COMPARATIVO
Insuficiência Cardíaca. Metabolismo Cardíaco. Dieta. Metabolômica. Nutrimetabolômica. ¹H-NMR.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome heterogênea, classificada em fração de ejeção preservada (ICFEp) e reduzida (ICFEr), fenótipos com diferenças fisiopatológicas e terapêuticas. Embora a alimentação seja componente central no manejo da IC, os mecanismos metabólicos que conectam padrões dietéticos a essa síndrome clínica permanecem pouco esclarecidos. A nutrimetabolômica, ao integrar consumo alimentar e metabólitos circulantes e urinários, permite investigar essa interface e identificar biomarcadores sensíveis à exposição dietética. O objetivo
deste estudo transversal foi avaliar e comparar aspectos clínicos, dietéticos e metabolômicos de indivíduos com ICFEp e ICFEr atendidos ambulatorialmente. Foram coletados dados clínicos, antropométricos, bioquímicos e dietéticos de 68 indivíduos com IC (24 ICFEp e 44 ICFEr). O perfil metabolômico foi determinado pela técnica de espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN) de 1H em plasma (n = 44) e urina (n = 28), após pareamento por idade e sexo, com análise quimiométrica por Orthogonal Partial Least Squares Discriminant Analysis (oPLS-DA). A amostra foi predominantemente masculina, com sobrepeso e média de 55 anos. O grupo ICFEr apresentou menor pressão arterial sistólica, maior uso de diuréticos e concentrações mais elevadas de transferrina, além de maior ingestão de leguminosas e gorduras adicionadas. Os perfis metabolômicos foram globalmente semelhantes entre os fenótipos, porém com metabólitos potencialmente discriminantes. No plasma, destacaram-se creatina/fosfocreatina, glicose, colina/fosfocolina e glicerol; na urina, treonina, formato, 2-furoilglicina e ácido cis-aconítico, sugerindo maior sensibilidade dessa matriz para detectar variações metabólicas sutis. A integração entre dieta e metaboloma revelou associações consistentes entre grupos alimentares e vias do metabolismo energético, de aminoácidos e de ácidos graxos, indicando que o perfil metabolômico reflete exposições dietéticas e suas repercussões metabólicas. Embora ICFEp e ICFEr compartilhem perfis metabolômicos amplamente semelhantes, metabólitos específicos podem contribuir para diferenças fenotípicas sutis. Em conjunto, os achados reforçam o potencial da nutrimetabolômica para identificar assinaturas metabólicas associadas aos padrões alimentares e subsidiar estratégias nutricionais mais individualizadas na IC.