Parâmetros Bioelétricos Em Indivíduos Com Síndrome Da Quilomicronemia Familiar: Análise Vetorial E Ângulo De Fase.
Hipertrigliceridemia. Avaliação Nutricional. Bioimpedância Elétrica.
A Síndrome da Quilomicronemia Familiar (SQF) é uma doença genética rara, de herança autossômica recessiva, caracterizada por hipertrigliceridemia grave (>1000g/dL) decorrente da deficiência da lipoproteína lipase (LPL) ou de seus cofatores. Clinicamente, associa-se a pancreatite recorrente e importante impacto na qualidade de vida. A restrição lipídica é a principal estratégia terapêutica e pode influenciar a composição corporal. No entanto, não há estudos que avaliem parâmetros bioelétricos nessa população. Este é um estudo tranversal, incluiu 11 indivíduos com SQF e 11 controles pareados por sexo, idade e IMC, com o objetivo de analisar o ângulo de fase (AF) e os vetores da bioimpedância elétrica (BIVA). Foram coletados dados clínicos, antropométricos e bioelétricos (resistência e reatância). Os participantes foram classificados de acordo com o genótipo em homozigotos (duas variantes patogênicas no mesmo gene) e heterozigotos, caracterizados pela presença de variantes em heterozigose em genes relacionados à via da LPL. Não houve diferenças entre SQF controles quanto ao IMC, AF e percentual de gordura (p > 0,05). Contudo, a resistência ajustada pela altura (R/H) foi maior nos homozigotos (p = 0,043), e a análise vetorial mostrou diferença significativa entre os genótipos. O grupo homozigoto apresentou maior variabilidade do AF, incluindo o menor valor da amostra (1,91°), sugerindo possível comprometimento celular. Observou-se ainda discrepância entre classificação pelo IMC e posicionamento vetorial na BIVA. Conclui-se que, embora não haja diferenças entre indivíduos com SQF e controles, existem distinções bioelétricas entre os genótipos, com maior vulnerabilidade nos homozigotos. A BIVA mostrou-se ferramenta complementar útil para avaliação funcional nessa população.