Farinha de araruta (maranta arundinacea L.): produção e avaliação da viabilidade nutricional e tecnológica para utilização como ingrediente alimentar
Biodiversidade, Rizoma, estabilidade, análise sensorial
A diversidade alimentar humana baseia-se em um número limitado de espécies vegetais, utilizando-se apenas 30 das aproximadamente 30.000 espécies comestíveis conhecidas. Esse cenário resulta na subutilização da vasta biodiversidade de países como o Brasil. Uma alternativa viável para reverter essa situação é o resgate de saberes tradicionais e a incorporação de espécies nativas na alimentação, como a araruta (Maranta arundinacea), classificada como Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), cujo cultivo e consumo têm declinado nas últimas décadas. Este estudo teve como objetivo investigar a viabilidade tecnológica e nutricional da produção de farinha de araruta e seu uso como ingrediente alimentar. A pesquisa foi dividida em três fases: Na primeira fase, para definição do protocolo ideal de produção da farinha, avaliou-se o efeito de diferentes tempos e temperaturas de secagem sobre parâmetros de qualidade: atividade de água (Aw), rendimento, cor, granulometria e MEV. Constatou-se que a Aw foi a variável que exerceu maior influência na qualidade do produto, sendo determinante para a definição da faixa ótima de secagem. A segunda fase, atualmente em andamento, compreende a determinação da vida útil da farinha de araruta. Inicialmente, para caracterização da farinha, foram realizadas análises microbiológicas, físico-químicas, químicas e tecnológicas. Posteriormente, deu-se início ao estudo de vida de prateleira, com duração prevista de seis meses e análises realizadas a cada 30 dias. Estão sendo monitorados o perfil microbiológico, as propriedades físico-químicas, químicas e tecnológicas, os índices colorimétricos, além de ser realizado o monitoramento fotográfico. Para definição do tempo de vida útil, os resultados das análises serão comparados entre os diferentes intervalos de tempo avaliados, identificando o ponto em que ocorrem alterações significativas que ultrapassem os limites de aceitação. Na terceira fase, a farinha será aplicada como ingrediente no desenvolvimento de um bolo do tipo brownie. O produto final será submetido à análise de composição centesimal, testes microbiológicos (para verificação da conformidade com as boas práticas de fabricação) e, por fim, à análise sensorial para avaliação da aceitabilidade. Este trabalho é de significativa relevância, pois pretende não apenas gerar conhecimento científico sobre um recurso subutilizado, mas também a promover a valorização da agrobiodiversidade brasileira. Ao fornecer dados concretos sobre a qualidade, segurança e aplicação da farinha de araruta, o estudo contribui para o desenvolvimento de novos produtos alimentícios, incentiva práticas agrícolas mais diversificadas e sustenta iniciativas de conservação de saberes tradicionais associados à biodiversidade nativa.