INSEGURANÇA ALIMENTAR E O CONSUMO DE BEBIDAS ADOÇADAS EM ADULTOS E IDOSOS DO ESTUDO BRAZUCA NATAL
Insegurança alimentar, Bebidas açucaradas, Consumo alimentar, Adultos, Idosos
A Insegurança Alimentar (IA) ocorre na falta de acesso regular a alimentos em quantidade e qualidade suficientes para uma vida ativa e saudável. Diversos fatores, que atuam de forma interligada, contribuem para a ocorrência da IA e influenciam diretamente o consumo alimentar da população, especialmente em contextos de vulnerabilidade econômica, nos quais a limitação de recursos financeiros favorece o consumo de produtos mais acessíveis, porém de baixa qualidade nutricional e alta densidade calórica, como as bebidas adoçadas. Este estudo teve como objetivo investigar a associação entre a IA e o consumo de bebidas adoçadas em adultos e idosos do Estudo BRAZUCA Natal. Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, realizado entre junho de 2019 e março de 2020, com 411 adultos e idosos do município de Natal/RN. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas domiciliares, nas quais foram obtidas informações sobre condições socioeconômicos e demográficos, situação de IA pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) e de consumo alimentar obtido pela aplicação de dois Recordatórios Alimentares de 24 horas (R24h). As informações referentes ao consumo de bebidas adoçadas foram analisadas considerando como ponto de corte a média do consumo diário (58,1281 mL/dia) e o percentual de contribuição calórica total da população (0,86%). A associação entre IA e o consumo de bebidas adoçadas foi analisada por regressão logística, estimando-se as razões de chance (Odds Ratio – OR) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Entre os participantes em situação de IA, a maioria era do sexo feminino (66%), adultos (61.5%), de raça/cor não branca (73%), com escolaridade até o ensino fundamental (51,4%) e 39.5% possuíam renda per capita abaixo de meio salário-mínimo. O consumo médio de bebidas adoçadas foi de 88.3 mL/dia entre os participantes em IA, correspondendo a 1.26% da energia diária total. As regressões logísticas mostraram que a IA foi associada ao consumo de bebidas adoçadas. Os indivíduos em IA apresentaram 3.15 vezes mais chances de consumir bebidas adoçadas acima da média (OR = 3.15; IC95% = 1.81 – 5.47), bem como 5.57 vezes mais chances de ter um percentual energético diário proveniente dessas bebidas acima da média (OR = 5.57; IC95% = 2.65 – 11.69). Assim, o estudo demonstrou que a IA está associada a um maior consumo de bebidas adoçadas, apresentando maiores chances de consumo e de percentual energético diário proveniente dessas bebidas. Por isso, são necessárias estratégias de políticas públicas que garantam a segurança alimentar e nutricional e que sejam direcionadas à promoção da alimentação adequada e saudável, tendo em vista o contexto de vulnerabilidade da população.