Etnografia dos processos educacionais na banda municipal de São Gonçalo do Amarante (RN): abordagens teóricas, oralidade e colaboração
banda de música; educação musical; etnografia; aprendizagem coletiva; agenciamento; São Gonçalo do Amarante.
Esta dissertação investiga os processos de ensino e aprendizagem musical desenvolvidos na Banda Municipal de São Gonçalo do Amarante, a BAMUSGA, corporação civil vinculada à Fundação Cultural Dona Militana e financiada pela administração municipal da prefeitura de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. A pergunta central é como os músicos se formam e aprendem a tocar coletivamente numa instituição que opera sob dependência administrativa, precariedade material e pressão política permanentes. O método adotado é o estudo de caso do tipo etnográfico, com imersão continuada no campo entre outubro de 2024 e dezembro de 2025. A coleta de dados combinou observação participante em ensaios e apresentações públicas, diário de campo, registro audiovisual, análise de documentos institucionais e entrevistas semiestruturadas com o regente e músicos em diferentes estágios de formação. A análise mobiliza referenciais filosóficos e antropológicos em fricção, estratégia pela qual os sistemas teóricos são para revelar ângulos da prática musical que a pedagogia convencional raramente alcança. Cinco episódios de campo funcionam como pontos de ancoragem dessa análise. Os dados indicam que a aprendizagem na BAMUSGA ocorre por agenciamento material, circulação horizontal da competência e negociação coletiva de critérios, processos que os músicos sustentam independentemente das condições institucionais adversas. A investigação documenta que a corporação opera sem lei municipal de criação formal, sustentada pelo costume e pela vontade do poder executivo, e que os músicos mantêm a prática coletiva e a qualidade técnica dentro dessas condições por meio de um saber-fazer simultaneamente técnico, político, moral e estético.