"O problema não é o sexo, o problema é trabalhar sob o capitalismo": Experiências de trabalho, cuidado e resistência no trabalho sexual plataformizado
trabalho sexual; camming; putafeminismo; saúde mental
Esta pesquisa analisa os efeitos do trabalho sexual digital nos modos de subjetivação e na saúde mental de trabalhadoras do camming no contexto brasileiro. De caráter qualitativo e interventivo, articulou a pesquisa-intervenção à realização de um grupo online com dezesseis trabalhadoras sexuais, desenvolvido em quatro encontros semanais como dispositivo coletivo de escuta, cuidado e produção de saberes. Ancorada no putafeminismo e nas perspectivas feministas pós-estruturalistas, a pesquisa toma as trabalhadoras como sujeitas de conhecimento e busca deslocar leituras individualizantes sobre sofrimento e saúde mental. A análise, ainda em andamento, evidencia a centralidade das relações construídas entre trabalhadoras diante do isolamento do trabalho, bem como processos de reconhecimento e subjetivação, disputas em torno de raça, gênero e desejabilidade, e os efeitos das arquiteturas das plataformas sobre a organização e a experiência do trabalho. Os resultados preliminares apontam para a coexistência de precarização, estigma e desigualdades com a produção de redes de cuidado, saberes compartilhados, estratégias de resistência e formas coletivas de reconhecimento enquanto trabalhadoras sexuais