Entre furos, banzeiros, afluentes e travessias de rios: cartografia das trajetórias e redes vivas de cuidado de
ribeirinhos em mobilidade estudantil na cidade
Migração estudantil, Ribeirinho, Redes vivas, Cuidado, Universidade.
Esta pesquisa trata de uma cartografia com estudantes ribeirinhos que migraram para a cidade de Manaus/AM
com o propósito de acessar o ensino superior. Desse modo, teve-se como objetivo cartografar as trajetórias e
redes vivas de cuidado presentes nas experiências de migração de estudantes universitários que se deslocaram
de comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas para estudar a graduação em Manaus. Tem-se o território,
as migrações estudantis, os modos de vida ribeirinhos, a cidade, as redes vivas, o acesso, assistência e
permanência estudantil no ensino superior e a cartografia como categorias analisadoras neste estudo. Trata-se
de uma pesquisa-intervenção com o método cartográfico a partir de uma abordagem qualitativa. A pesquisa
está sendo realizada com a cidade de Manaus/AM, tendo a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) como
local de onde emergiram os três estudantes-guia da pesquisa. O método cartográfico foi composto de
ferramentas como usuário-guia, entrevistas cartográficas, mapas falantes, conversas informais, caminhadas,
registros fotográficos, construção de narrativas, observações participantes, consultas em fontes secundárias e
diário cartográfico e de encontros, constituindo uma caixa-ferramenta rizomática para pesquisa. No percurso de
cartografar, as informações produzidas foram organizadas, transcritas, lidas para emergir os Planos de
Visibilidades e seus analisadores discutidos. Para este Exame de Qualificação, discutiu-se o Plano dos modos de
vida e experiências ribeirinhas estudantis no entre território líquido-cidade. Ao tensionármos esse Plano,
emergiram os analisadores que buscaram problematizar, produzir pontos de tensão, mover e ampliar o
pensamento, a saber: a) enfraquecimento, esvaziamento dos modos coletivos de habitar a cidade; b)
estabilidades e incertezas do morar ribeirinho e citadino; c) morar com maior liberdade nas comunidades e
casas ribeirinhas em relação ao morar mais aprisionador da cidade; d) os modos de se alimentar ribeirinhos e
citadinos entre a fartura e a fome; f) sentidos dos rios da vida. Com esse Plano e analisadores queremos
produzir visibilidade para linhas subjetivas, modo de vida que habitam o entre território líquido-cidade, os
fluxos de conexão entre os estudantes e seus modos de existir e habitar a cidade, a ruptura com a normativa
institucional, dentre outros que possam emergir das experiências dos estudantes ribeirinhos em migração, que
muitas vezes não são visíveis, ficam de fora, passam despercebidos, que são invisibilizados ou não valorizados
nos espaços das universidades. Dentre as contribuições, essa pesquisa coloca lente nos processos migratórios
estudantis de povos tradicionais que se deslocam de seus territórios para acessar a educação na cidade, na
cartografia das redes vivas de cuidado desses estudantes em deslocamentos e, sobretudo, nas narrativas de si
dos estudantes-guia ribeirinhos sobre o migrar para formar e formar-se migrando.