Direito à Cidade e Territorialidade nas Experiências de Usuários da RAPS em Natal/RN
Luta antimanicomial; Direito à cidade; Territorialidade; Psicologia Ambiental.
A luta antimanicomial trouxe para o estudo da psicologia novas formas de atuar para com aqueles que estão fora da estrutura psicológica da norma social. A cidade se torna espaço de reinserção social e cenário de autonomia para esses usuários, trazendo consigo novas formas de atuar no cuidado. Para esse público, essa experiência na cidade vem marcada pela negação de direitos e acessos, surgindo outra forma de se relacionar com o espaço. Em vista da efetivação da psicologia no cuidado em liberdade, essa pesquisa tem como objetivo geral investigar a relação de territorialidade nas experiências de pessoas que fazem uso da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) na cidade de Natal/RN. Tendo como objetivos específicos: a) Analisar como essas dinâmicas de territorialidade se desenvolvem considerando o contexto da cidade de Natal; b) Mapear os itinerários de cuidado desses usuários tendo em vista suas implicações para as dinâmicas de territorialidade e para o exercício do direito à cidade; c) Analisar a partir de noções como apego ao lugar e identidade de lugar, as dimensões simbólicas e afetivas nestas experiências. Trata-se de um estudo qualitativo, tendo como método a entrevista caminhante, e entrevista biográfica. O público alvo são pessoas que fazem/fizeram uso da RAPS no município de Natal, tendo 2 participantes até o momento. As entrevistas estão sendo transcritas, e a análise do corpus se dá a partir da Análise Temática Reflexiva (ATR). Como resultados preliminares, podemos identificar para um dos entrevistados um território na cidade no qual diversas experiências se entrelaçam, conferindo identidade e significado ao espaço. Como também para outro entrevistado a atribuição de um serviço da RAPS um significado que ultrapassa sua função assistencial, percebendo-o como um espaço onde se sente acolhido, reconhecido e aceito, sendo um lugar onde os laços sociais estabelecidos com profissionais e outros usuários desempenham papel central na construção do sentido de lugar.