Sentidos da camuflagem social para pessoas neurodivergentes no contexto universitário
Trabalho, Saúde e Desenvolvimento
Masking. Neurodivergência. Ensino Superior. Autismo. TDAH.
O paradigma da neurodiversidade estabelece pressupostos de pesquisa, ensino e
prática clínica que fazem enfrentamento às ideias de normalidade e de patologização de
sujeitos neurodivergentes, pois diferenças neurológicas deixam de ser interpretadas
prioritariamente como déficits a serem corrigidos e passam a ser compreendidas como
expressões legítimas da variabilidade humana, cujos impactos dependem das relações
estabelecidas entre sujeitos e contextos sociais. Tais dinâmicas contribuem para a emergência
de modos de funcionamento diferentes do que é esperado dentro das normas neurotípicas.
Nesse sentido, a estratégia de camuflagem social emerge enquanto processo de ocultamento
de características neurodivergentes, a fim de evitar discriminação ou exclusão social. Por
outro lado, observa-se consequências preocupantes para a saúde mental e o desenvolvimento
de sujeitos neurodivergentes. Assim, este trabalho tem por objetivo compreender os sentidos
da camuflagem social para pessoas neurodivergentes na constituição da experiência
universitária. A estratégia de pesquisa adotada será o estudo de casos múltiplos com
fundamentação teórica na psicologia histórico-cultural. O procedimento de coleta envolverá a
realização de entrevistas semiestruturadas individuais com universitários neurodivergentes,
utilizando uma adaptação do método de autoconfrontação simples, seguida por análise
qualitativa dos dados de acordo com os procedimentos da Análise Temática.