“Me sirva”: as vivências dramáticas das entregadorAs subordinadas às plataformas digitais em
Natal/RN”
EntregadorAs subordinadas as plataformas digitais; Trabalhos tradicionalmente
masculinos; Movimentos sociais; Uberização; Psicologia Histórico-Cultural.
Esta pesquisa objetivou analisar as vivências das entregadorAs subordinadas às plataformas digitais em Natal/RN e região
metropolitana. Guiado pela Psicologia Histórico-Cultural e pela Teoria da Reprodução Social, o estudo em questão buscou
analisar as os eventos dramáticos presentes nas suas condições de trabalho e nas relações interpessoais presentes nas suas
vivências. Nesse contexto, através da inspiração etnográfica e da participação observante, a pesquisa acompanhou mulheres
nas ações, eventos e mobilizações da Associação dos Trabalhadores por Aplicativos de Moto e Bike (ATAMB/RN) e seu
grupo de WhatsApp “EntregadorAs – Natal”, com registros em diário de campo. A análise de dados foi através do
Esquema de análise dos aspectos coletivos da vivência, desenvolvido durante esta dissertação. Com base nele, os resultados
foram divididos em quatro eixos dramáticos: a) condições de trabalho; b) relação com os entregadores; c) relação com os
clientes; e d) grupo de WhatsApp “EntregadorAs – Natal”. No eixo de condições de trabalho, evidenciou-se que a falta de
banheiros, o agravamento dos sintomas menstruais pela atividade na moto e a escolha da vestimenta (calça jeans x legging)
constituem situações-conflitivas que expõem a precariedade generificada do trabalho por plataforma e a opressão de gênero
e raça. Na relação com os entregadores, a sexualidade mostrou-se determinante: enquanto as entregadorAs lésbicas são
tratadas no masculino e desfrutam de uma ‘proteção’ ambivalente ao custo do deslocamento para Outra coisa, as
heterossexuais enfrentam assédio constante e adotam estratégias como desfeminilização e distanciamento, além de
sofrerem ataques das companheiras dos entregadores, que as culpabilizam por potenciais traições. Na relação com os
clientes, o assédio sexual e discriminatório é acometido a elas, com denúncias ignoradas pela plataforma. Por fim, o grupo
de WhatsApp "EntregadorAs - Natal" emerge como um espaço de resistência coletiva, onde as mulheres compartilham de
diversas estratégias, reconstruindo laços de solidariedade e pertencimento.