Banca de DEFESA: MARIA VITÓRIA NUNES SOUZA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA VITÓRIA NUNES SOUZA
DATA : 14/02/2026
HORA: 09:00
LOCAL: UFRN- Laboratório de Psicologia - Sala 622
TÍTULO:

“Povoada, quem falou que eu ando só?”: Pesquisadoras Mães Negras na Pós-Graduação.

 


PALAVRAS-CHAVES:

aquilombamento; mulheres negras; maternidade; pós-graduação


PÁGINAS: 134
RESUMO:

Historicamente, espaços de pesquisa e construção de conhecimento, dentro de universidades, foram dificultados para as pesquisadoras mães negras. Lélia Gonzalez, nas décadas de 1970 e 1980, denunciou essa estrutura racista, destacando o lugar da mãe-preta na neurose cultural brasileira. Este lugar advém do período colonial brasileiro, quando pessoas negras não eram consideradas seres humanos, com direitos, assim como tinham o acesso à educação negado. Tal lógica colonialista se perpetua ainda hoje, ditando quem é o produtor e detentor do saber e quem são os corpos dominados, fixados na base das estruturas sociais. Com o passar dos anos, as cotas raciais instauram uma tentativa de ruptura com este sistema, imprimindo importante avanço quanto ao acesso de pessoas negras no ensino superior, inclusive de mulheres mães. Foram nossos movimentos sociais negros que possibilitaram que chegássemos até aqui, subvertendo esta lógica dominante; e os quilombos são sua matriz ao longo da história de opressões do racismo à brasileira. Todavia, não há, ainda, regulamentação nacionalmente padronizada para programas de pós-graduação em relação às cotas raciais. Com este trabalho, tendo o aquilombamento como inspiração ética-metodológica, objetivamos analisar as experiências de permanência na pós-graduação junto a pesquisadoras mães negras, identificando as incidências do racismo em seu cotidiano e como ocorre o reconhecimento étnico-racial das participantes. Para tal, propusemos encontros coletivos, destinados ao compartilhamento de experiências, afetos e reflexões sobre as experiências na pós-graduação da UFRN. Tivemos a participação de 5 pesquisadoras ao longo de nossos encontros presenciais e remotos, formamos um grupo de whatsapp para comunicação, mantivemos contato através de ligações telefônicas, de forma que pudemos compartilhar nossa histórias mesmo quando não era possível estar presente nos espaços coletivos combinados. Em confluências com a psicanálise de psicanalistas negras brasileiras e importantes autoras do feminismo negro, realizamos as análises das experiências através de uma escrita autobiográfica e quilombista que entrelaça o pessoal ao político. A partir disso, surgiram os seguintes fios de análise: restos estruturais de raiva, que abordam o racismo estrutural e institucional, bem como as intersecções entre gênero e raça e suas inscrições psíquicas de culpabilização individual; o processo de tornar-se negra na universidade e na maternidade, com seus acontecimentos de ancestralidade, dos quais não sairemos ilesas; e o aquilombar na pós-graduação como convite ao reconhecimento de si no outro e movimento político de Povoada, com nossas ancestrais e as pesquisadoras negras que virão, num ciclo que não possui finais, apenas começos meio começo.  


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3060449 - ANA CAROLINA RIOS SIMONI
Externa à Instituição - KÁROL VEIGA CABRAL - UFPA
Externa à Instituição - MARIA APARECIDA DE FRANCA GOMES - UFRN
Externa à Instituição - RENATA NASCIMENTO DA SILVA - UFRJ
Notícia cadastrada em: 04/02/2026 14:06
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