OS TRABALHADORES E O TRABALHO NO CONTEXTO DA GESTÃO ESTRATÉGICA PÚBLICA UNIVERSITÁRIA
trabalho em contexto de serviço público; planejamento e gestão estratégica de instituições públicas de ensino; Clínica da Atividade; gênero profissional; intergênero profissional.
Nas últimas décadas, a administração pública vem sendo marcada pelo avanço do gerencialismo, em um contexto econômico neoliberal e de precarização do trabalho. As universidades públicas têm adotado modelos de gestão pautados por discursos de performance, excelência e produtividade. Diante desse cenário, o objetivo deste estudo é fazer uma análise do trabalho, a partir da perspectiva de uma equipe envolvida com o planejamento e a gestão estratégica de uma instituição pública de ensino superior. Para isto, utiliza-se o referenciamento teórico-metodológico da Clínica da Atividade para abordar e problematizar os elementos que caracterizam este trabalho, com ênfase tanto nos aspectos contributivos, quanto nos obstáculos à sua realização. Os objetivos específicos são: oportunizar transformações nas atividades de trabalho no contexto em questão, identificando os elementos da práxis profissional que favorecem e/ou que dificultam o reconhecimento de si e a precarização do trabalho e do trabalhador e a relação disso com a qualidade do fazer laboral; analisar a relação dialética entre as atividades e os gêneros dos ofícios que referenciam o trabalho da equipe, retratando seu rebatimento com o coletivo; contribuir conceitualmente com a Clínica da Atividade a partir do contexto em questão; colaborar para o adensamento das discussões a respeito da gestão estratégica pública universitária, com base na perspectiva da Clínica adotada, em termos da análise dos processos de realização da atividade laboral. O método incluiu o uso de entrevistas semiestruturadas individuais e de debate em grupo sobre suas respostas, bem como de Oficina de Fotos e da Instrução ao Sósia, realizadas com servidores de uma universidade pública. A análise de todo o material obtido foi feita com base em ferramental analítico proporcionado pela Clínica da Atividade, com o auxílio da Análise Temática. Como principais achados, e com impacto para a qualidade do trabalho, o trabalhador e a própria instituição, estão a modificação em uma atividade específica e as mudanças vislumbradas em outras atividades dos servidores ao longo da experiência clínica; a indicação, feita pelos sujeitos, de serem realizadas análises do trabalho nos contextos das unidades e na gestão estratégica da universidade, nesta por meio de revisão periódica da estratégia institucional, realizando revisões de documentos como planos, políticas e regimentos; a avaliação da adequação para a equipe e suas atividades da modalidade híbrida (presencial e a distância) de trabalho, inclusive, como auxiliar na manutenção do coletivo formado; o entrelaçamento das formas de precariedade/precarização e de (auto)reconhecimento para a saúde do trabalho e do trabalhador; e a constatação da existência de intergêneros profissionais, como um conceito complementar ao de gênero da Clínica da Atividade.