“SE MORRER, MORREU!”: COMPREENDENDO O SENTIDO DO EXISTIR PARA JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA
Fenomenologia-hermenêutica, Medida Socioeducativa, Sentido
Esta pesquisa teve como objetivo explorar a experiência de jovens em cumprimento de Medida Socioeducativa (MSE) de internação na região metropolitana de Natal/RN, utilizando uma abordagem fenomenológica hermenêutica. A pesquisa partiu da experiência profissional da pesquisadora no atendimento a adolescentes em MSE e concentrou-se no sentido de existência desses jovens. O trabalho contextualizou o histórico das legislações relacionadas à socioeducação no Brasil, destacando como o movimento higienista do século XIX influenciou o controle e a segregação da população de baixa renda, em especial a população negra, após a abolição da escravidão. A introdução e o primeiro capítulo abordaram a transição da doutrina da situação irregular para a Doutrina da Proteção Integral, que reconheceu as crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e prioridade nas políticas públicas. A pesquisa propôs-se a compreender o sentido de existência desses jovens em MSE, explorando como eles se enraízam no mundo e como atribuem significado às experiências de violência e risco de morte. O método de pesquisa baseou-se na filosofia de Martin Heidegger, com ênfase na fenomenologia hermenêutica, que busca entender o sentido do ser humano em seu contexto histórico. Os participantes da pesquisa foram três jovens em cumprimento de MSE na faixa etária de 16 a 17 anos. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas narrativas, e os depoimentos foram registrados em um diário de afetações para preservar a confidencialidade dos participantes. A análise dos dados envolveu a interpretação dos sentidos atribuídos pelos jovens às suas experiências, utilizando a abordagem hermenêutica.