Producao capitalista e reproducao social: a questao de genero a partir das vivencias de mulheres de uma mesma familia
Psicologia Histórico-Cultural, Teoria da Reprodução Social; Vivência; Família.
O suposto avanço na luta por igualdade das relações de trabalho, propagado na ideia neoliberal de maior inserção das mulheres no mercado, é problematizado a partir da complexidade da reprodução social situada na totalidade capitalista, argumentando que a desigualdade nas atribuições do trabalho realizado na unidade doméstica segue a lógica de acumulação do capital. Entendendo que o movimento da materialidade das relações de classe, de raça e de gênero se relaciona dialeticamente com uma complexidade das vivências singulares, esta pesquisa teve como objetivo analisar como a relação entre exploração e opressão se atualiza, permanece e sofre resistências no cotidiano de mulheres de uma mesma família. Para isso, a pesquisa foi realizada em dois momentos. Neste artigo, a articulação sugestionada entre categorias analíticas da Psicologia Histórico-Cultural e da Teoria da Reprodução Social, referente ao primeiro momento, será exposta em diálogo com a apresentação dos dados relacionados ao segundo momento, de aproximação do campo. Sendo continuidade de uma investigação anteriormente realizada, o grupo participante desta pesquisa foi composto por três gerações de mulheres da mesma família. Foram realizadas entrevistas em profundidade orientadas pela história de vida que, juntamente com o diário de campo, compuseram o material analisado a partir do método dos núcleos de colisões dramáticas. A análise indica que para captar a complexidade das dimensões universais, no desvelamento das particularidades das relações sociais, é essencial olhar para as contradições singulares a nível simbólico, cognitivo e afetivo, conformadas entre limites e possibilidades do curso histórico, político e cultural.