OTIMIZAÇÃO DA EXTRAÇÃO E MICROENCAPSULAÇÃO VIA SPRAY-DRYING DE COMPOSTOS BIOATIVOS DE Syzygium cumini (Myrtaceae): CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA E AVALIAÇÃO DE PROPRIEDADES BIOATIVAS
jambolão; antocianinas; atividade antioxidante; tecnologias emergentes; citotoxicidade.
Os frutos de Syzygium cumini (Myrtaceae) são ricos em antocianinas e compostos fenólicos, moléculas associadas a um elevado potencial antioxidante, mas cuja instabilidade exige processos extrativos otimizados. Este estudo estabeleceu as condições ideais de extração para a recuperação de bioativos da casca e polpa do jambolão, avaliando o impacto de diferentes técnicas de extração, solventes e tempos sobre os teores de antocianinas monoméricas totais (AMT), compostos fenólicos totais (CFT), atividade antioxidante pelo método do sequestro do radical ABTS+ e capacidade antioxidante total (CAT). Posteriormente, realizou-se a caracterização fitoquímica via cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) com os extratos que apresentaram os melhores resultados na quantificação de compostos bioativos e capacidade antioxidante, e o melhor perfil participou da avaliação de segurança biológica frente às linhagens HepG-2 e CHO-K1. A Extração por Líquido Pressurizado (ELP) destacou-se como o método mais promissor, alcançando teores de AMT de 17,92 mg/g e CFT de 897,73 µg EAG/g. A atividade por sequestro de ABTS+ atingiu 2,38 µmol ET/g e a CAT registrou 220,12 mg AA/g. A CLAE identificou quatro antocianinas, majoritariamente pelargonidina-3,5-diglucosídeo (114 μg/g) e cianidina3-glucosídeo (112 μg/g), além de malvidina-3-glucosídeo e peonidina-3-glucosídeo, bem como de ácidos orgânicos e fenólicos (com destaque para o ácido gálico, 711 μg/g), estilbenos e flavonoides, como procianidina A2 (201 μg/g) e epigalocatequina galato (101 μg/g). Quanto à segurança biológica, na linhagem HepG-2, observou-se estímulo à proliferação celular (1000 μg/mL em 24 h e em todas as concentrações em 72 h), com valores de viabilidade entre 121,6% a 133,1%. Frente às células CHO-K1, verificou-se biocompatibilidade em todas as concentrações em 24 h e até 500 μg/mL em 72 h. O emprego da ELP permitiu a obtenção de uma matriz fitoquímica robusta e segura, viabilizando seu potencial uso em futuras aplicações tecnológicas e farmacêuticas.