NANOPARTÍCULAS CONTENDO ÓLEO DE QUINOA (Chenopodium quinoa
Willd.): AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE E DIGESTÃO GASTROINTESTINAL SIMULADA
Ácidos graxos; Nanoencapsulação; Viabilidade celular; Digestão simulada in vitro.
A quinoa é um pseudocereal com alto potencial nutritivo e bioativo, destacando-se
pelo elevado teor de proteínas, além de vitaminas, minerais e compostos fenólicos. O
óleo extraído dessa semente apresenta quantidades expressivas de ácidos graxos
insaturados e vitamina E, o que o torna um produto de interesse funcional. Nesse
cenário, o nanoencapsulamento de compostos lipofílicos configura-se como uma es
tratégia promissora para viabilizar sua solubilização em matriz aquosa, preservar a
integridade dos compostos bioativos, ampliar a biodisponibilidade e potencializar as
propriedades bioativas do óleo. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a
toxidade e digestão gastrointestinal simulada de nanopartículas contendo óleo de
quinoa. Para isso, foram utilizadas a gelatina suína (GS) e proteína do soro do leite
(PTI) como agentes encapsulantes, associadas ao Tween 20 como tensoativo, vi
sando a produção de duas nanoformulações por meio da técnica de emulsificação
óleo/água: OG (óleo de quinoa + gelatina suína) e OPG (óleo de quinoa + gelatina e
proteína do soro do leite). As nanopartículas foram caracterizadas quanto à morfolo
gia, diâmetro e interações químicas (MEV e DLS), avaliadas quanto à eficiência de
encapsulação, toxicidade in vitro (linhagens celulares:CHO-K1, HeLa, 3T3 e A549) e
in vivo (Caenorhabdtis elegans), além da digestão gastrointestinal simulada in vitro. A
caracterização revelou partículas com superfície lisa, sem rachaduras, com formato
esférico e diâmetro de 151,0 (± 44,51) e 198,3 (± 1,00) nm, respectivamente para OG
e OPG. A eficiência de encapsulação foi de 92,69% (± 5,461) para a nanoformulação
OG e 97,88% (± 0,065) para a OPG. A análise de citotoxicidade revelou que o óleo
não apresentou efeito citotóxico para as células CHO-K1, HeLa, 3T3 e A549 (> 95%)
após 24 horas, e citotoxicidade específica em células 3T3 (67%) após 72 horas. Em
relação às nanopartículas, OG não apresentou potencial citotóxico em concentrações
elevadas (90%) mesmo após 72 horas, e OPG demonstrou citotoxicidade para células
3T3 e A549 e ausência de efeito citotóxico nas linhagens CHO-K1 e HeLa. Ademais,
foi avaliada a toxicidade in vivo do óleo de quinoa para o Caenorhabdtis elegans, por
meio do ensaio de eclosão de ovos, não apresentando diferença estatística entre o
grupo controle e as concentrações testadas (p > 0,05). A liberação gastrointestinal in
vitro demonstrou a ausência de ácidos graxos, em ambas as formulações, na fase
oral. A OG apresentou maior liberação gástrica, com a liberação de 41,650% (±14,46)
do ácido linoleico e 33,360% (± 0,00) do oleico, enquanto a OPG melhor desempenho
na fase intestinal, com liberação do ácido linoleico 64,160 % (± 0,730) e oleico 21,310
(± 2,810). Assim, a nanoencapsulação do óleo de quinoa demonstrou ser uma estra
tégia que otimiza as propriedades bioativas do óleo, ampliando suas possibilidades
de aplicação industrial.