EFEITO DA Moringa oleifera EM DOENÇAS INFLAMATÓRIAS: UMA OVERVIEW
26 REVISÕES SISTEMÁTICAS
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Moringa oleifera Lam (Moringaceae), conhecida popularmente como “árvore da vida”, “árvore
da coxa”, “árvore do rábano” ou “árvore milagrosa”, é nativa da Índia e da África e cultivada
em muitas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Várias atividades farmacológicas têm sido
relacionadas à espécie incluindo neuroprotetora, antimicrobiana, antiasmática, antimalária,
cardioprotetora, antidiabética, antiobesidade, hepatoprotetora e anticâncer. Entre essas
atividades, o efeito de atenuar o impacto negativo da inflamação crônica e sua ação contra
distúrbios associados têm sido altamente evidenciados. Tal capacidade anti-inflamatória tem
sido atribuída ao conteúdo de glucosinolatos, flavonoides e ácidos fenólicos presentes na planta.
Embora existam muitas evidências na literatura sobre seus benefícios, há uma perda de
padronização dos produtos derivados de M. oleifera (MO) que detêm ação anti-inflamatória.
Objetivos: Resumir e analisar criticamente a qualidade das evidências de revisões sistemáticas
(RSs) e meta-análises (MAs) que avaliaram a eficácia da MO no tratamento de doenças
inflamatórias, compreender as principais vias ativadas durante essa exposição correlacionar o
tipo de produto obtido com a espécie que foi avaliada. Metodologia: Uma busca sistemática da
literatura foi conduzida desde a criação até 04 de novembro de 2024, usando os bancos de dados
Embase, Scopus, Web of Science, PubMed/Medline e Cochrane Library. Os critérios de
elegibilidade foram (i) RSs sobre MO; (ii) RSs sobre MO relacionadas a doenças inflamatórias;
(iii) Nenhuma limitação de idioma, ano e modelo. A seleção da literatura e a extração de dados
foram conduzidas por dois revisores independentes. A qualidade das RSs foi avaliada usando a
lista de verificação PRISMA e a ferramenta AMSTAR-2 adaptada. Resultados e discussão:
Vinte e seis RSs foram incluídas, cobrindo um total de 573 artigos primários. As folhas de MO
foram as partes mais utilizadas da planta; a decocção foi o principal método de extração; a
ingestão de pó encapsulado, em comprimidos ou adicionado a uma refeição, foi o principal
método de preparação; água e etanol foram os solventes mais utilizados; e flavonoides, ácidos
fenólicos e isotiocianatos foram os principais constituintes envolvidos nas atividades da MO.
Muitas RSs mostraram uma eficácia promissora de MO para diabetes mellitus, obesidade,
câncer, hipertensão, dislipidemia, entre outras condições, mas a qualidade dessas RSs foi
questionável. Apenas 6 RSs indicaram que seguiram o PRISMA (2020) e, no entanto, não
atingiram nem 80% de conformidade com a lista de verificação em nossa avaliação. As RSs
foram classificadas, predominantemente, como de baixa qualidade metodológica (≤ 7/16) após
a aplicação do AMSTAR-2. NF-kB e Nrf2 parecem ser as vias envolvidas nos mecanismos anti
inflamatórios e antioxidantes de MO, respectivamente. Conclusões: MO é uma planta
promissora para cuidados de saúde e benéfica no tratamento de doenças inflamatórias, no
entanto, considerando o baixo nível de qualidade de diferentes estudos, nos quais a maioria
apresentou falta de padronização em seu protocolo (dose e forma farmacêutica usada, uso de
pó da planta ao invés do extrato, tipo de extração, identificação e quantificação do perfil
cromatográfico e de marcador para o controle de qualidade), estudos com um melhor
planejamento são necessários para confirmar que o uso dessa planta é seguro e eficaz.