As perspectivas estéticas de György Lukács e sua recepção à “arte moderna”
estética, marxismo, modernismo (arte), realismo.
A tese deve discutir as posições estéticas de György Lukács, sua recepção à arte moderna e a validade das leituras que o consideram antimodernista. Trata-se de uma proposta que, em diálogo com críticos do filósofo, assume como tarefa dissecar a alegada insensibilidade de Lukács às “vanguardas” da literatura modernista, colocando em questão os usos da categoria “modernismo”, os fundamentos da estética lukacsiana e sua capacidade de responder adequadamente, enquanto teoria da arte, às realizações artísticas dos “vanguardistas”. Sem a pretensão de declarar superados ou irretocáveis os escritos estéticos de Lukács, tem-se em perspectiva pôr à prova a hipótese de que, a despeito dos juízos insensíveis que emitira contra este ou aquele artista do movimento moderno, o filósofo carece de avaliações em geral mais nuançadas sobre sua recepção à arte moderna. Respaldada em intérpretes de Lukács como Nicolas Tertulian, essa suposta carência parece requerer, se levada a sério, que seja também colocada à prova a figuração do realismo lukacsiano, na paisagem intelectual do marxismo aplicado à estética, como desvio conservador de um apriorismo antimodernista. Diante de um debate que já se arrasta por décadas – ora enredado em aporias, ora apenas declarado como polêmica insolúvel – e que lembra em muitos aspectos antiguíssimas querelas da vida literária, busca-se simplesmente a justa medida na apreciação crítica de Lukács. Desse modo, espera-se contribuir para a explicitação das nuances que, na pressa pela condenação ou absolvição do filósofo, costumam passar despercebidas no trato de suas proposições polêmicas sobre as assim chamadas vanguardas da arte.