Análise Geoambiental do Carste na Bacia Potiguar com Ênfase no Município de Felipe Guerra-RN: a Esculturação do Relevo e Interações Pedogeomorfológicas
Calcário, Bacia potiguar, Caatinga.
O Rio Grande do Norte possui uma das maiores reservas de calcário sedimentar calcítico do nordeste brasileiro. Na Bacia Potiguar, o município de Felipe Guerra-RN possui uma das maiores reservas de calcários e ainda possui uma rica geodiversidade cárstica, com alto valor espeleológico e de grande interesse geoturístico, sendo ainda pouco explorada do ponto de vista turístico e científico. O objetivo deste trabalho foi realizar uma caracterização geoambiental de carste em rochas carbonáticas na Bacia Potiguar, no semiárido brasileiro, é como área de estudo o município de Felipe Guerra-RN. Foram confeccionados mapas temáticos em ambiente SIG com a utilização do software QGIS. Realizou-se um levantamento das cavernas da área de estudo utilizando a plataforma do Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Conforme os dados do anuário estatístico do patrimônio espeleológico brasileiro do ano 2022, o Rio Grande do Norte, 1372 cavernas catalogadas, sendo aproximadamente 350 delas em Felipe Guerra-RN, sendo equivalente a 19,4% das cavernas catalogadas no Estado. A geologia da área de estudo encontra-se inserida na Bacia Potiguar, com predominância da Formação Jandaíra, a qual possui rochas carbonáticas sobreposta aos arenitos da Formação Açu. Na área de estudo tem-se ocorrência generalizada de solos eutróficos de elevada fertilidade, sendo estas características associadas ao material de origem carbonático. Os calcários da região são de predominância calcíticos, com alto grau de pureza, desta forma com o intemperismo, o material de origem oferece teores elevados de nutrientes para os solos. Foram registrados solos, como, Cambissolos Háplicos Ta, eutróficos (CXve), Latossolos Vermelho-Amarelo eutróficos (LVAe), Chernossolos Rêndzicos órtico (MDo), Neossolos Flúvicos Ta eutróficos (RYve) e Vertisssolos Háplicos órticos (VXo). Na área foram identificadas três unidades de relevo: i) chapada do Apodí; ii) Superfície rebaixada do vale do rio Açu; iii) planícies e terraços fluviais. Na área tem-se predominância da chapada do Apodí, a qual está associada com os terrenos cársticos e solos eutróficos. A superfície rebaixada do vale do rio Açu ocorre ao sul da área de estudo associadas às rochas da Formação Açu e a solos flúvicos. As áreas de planícies e terraços fluviais tem-se predominância de modelados de acumulação e ocorrência de solos flúvicos. O rio Açu promoveu uma intensa dissecação na área seguindo a direção SO-NE. Ao longo deste eixo tem-se significativas exposições de cavernas, as quais ainda precisam ser mais bem analisadas, haja visto que o número de cavernas catalogadas no município é subestimado.