Identificação da proficiência em dispositivos móveis e o nível de solidão percebida por pessoas idosas do município de Cuité, estado da Paraíba
nclusão digital. Letramento digital. Tecnologia da Informação e Comunicação.
Introdução: As projeções indicam que, até 2050, o Brasil terá a sexta maior população idosa no mundo, o que evidencia a importância de não apenas prolongar a vida, mas garantir condições para um envelhecimento saudável e ativo. Nesse cenário, a digitalização tornou-se fundamental para estabelecer relações sociais, acessar serviços e informações. Entretanto, pessoas idosas ainda enfrentam barreiras de acesso, conectividade e habilidades digitais, o que pode limitar sua autonomia, participação social e reforçar o sentimento de solidão. Objetivo: O objetivo desse trabalho é identificar a proficiência em dispositivos móveis e a relação com o nível de solidão percebida por pessoas idosas do município de Cuité, estado da Paraíba. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal, realizado com 80 idosos do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município de Cuité, na Paraíba. Foram utilizados quatro instrumentos: questionário sociodemográfico, a Escala Brasileira de Solidão (UCLA-BR), o questionário de proficiência digital em dispositivos móveis (MDPQ) e o questionário de barreiras intergeracionais. Para classificar perfis de proficiência digital, foi realizada análise de agrupamento com método aglomerativo de Ward. A associação entre a proficiência digital e a solidão foi avaliada por meio da correlação de Spearman. Posteriormente, realizou-se uma análise multivariada utilizando regressão logística binária para verificar a relação entre intergeracionalidade e a proficiência digital. Por fim, foi aplicada regressão linear múltipla para identificar fatores associados a solidão. A análise dos dados foi feita utilizando o software SPSS versão 21. Resultados: Quanto à proficiência digital, foram identificados clusters de alta, intermediária e baixa proficiência. Os domínios que apresentaram maiores médias foram funções básicas de dispositivos móveis (3,34) e entretenimento (2,06), indicando maior facilidade percebida na realização dessas operações. Por outro lado, menores médias de proficiência digital foram observadas nos domínios de comunicação, armazenamento, internet, calendário, privacidade e gerenciamento de software, refletindo maior dificuldade percebida em tarefas menos frequentes no cotidiano. Não foi observada correlação significativa entre proficiência digital e solidão (ρ = −0,021; p = 0,853). Ainda, verificou-se que não há associação significativa entre convivência com pessoas mais jovens e proficiência digital (p>0,05). O modelo final de regressão linear múltipla, incluindo variáveis sociodemográficas, proficiência digital e convivência com jovens não apresentou associação significativa com o desfecho de solidão (R2=0,067; p>0,05). Considerações finais: Esses resultados sugerem que, na população estudada, o nível de proficiência digital em dispositivos móveis não se associa à solidão, indicando que outros fatores sociais e contextuais podem influenciar essa relação.