MAPEAMENTO NACIONAL DOS ATENDIMENTOS POR DISTÚRBIOS E PERTURBAÇÕES DO SONO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: TENDÊNCIAS E PERFIS TEMPORAIS (2015–2024)
Transtornos do sono-vigília. Atenção Primária à Saúde. Sistema de Informação em Saúde. Política de Saúde.
Introdução: O sono, necessidade fisiológica essencial, é fundamental para o equilíbrio físico, mental e emocional. Dada sua relevância para a saúde integral, deve ser valorizado na Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do SUS e responsável pela maioria das demandas da população. Ao reconhecer o sono como determinante de saúde, a APS pode atuar de forma preventiva e resolutiva, promovendo hábitos saudáveis, identificando precocemente os distúrbios de sono e oferecendo cuidado contínuo. Objetivo: Analisar os atendimentos relacionados a perturbações e distúrbios do sono realizados na Atenção Primária à Saúde no Brasil. Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e retrospectivo, de abordagem quantitativa, baseado em dados dos relatórios de produção de atendimentos relacionados a distúrbios e perturbações do sono na APS no Brasil, registrados no Sistema de Informação em Saúde da Atenção Básica (SISAB). Foram analisados dados nacionais de todas as equipes de Atenção Primária, referentes ao período de 2015 a 2024, com filtros por estado, competência (mês/ano), sexo, faixa etária, tipo de atendimento (individual) e CIAP/CID: perturbação do sono (CIAP P06), transtornos não orgânicos do sono por fatores emocionais (CID F51), insônia (CID G47.0) e apneia do sono (CID G47.3). Os dados foram importados, organizados e descritos no Microsoft Excel®, com estatística descritiva expressa em frequências absolutas e relativas. Adicionalmente, realizou-se modelagem de séries temporais pelo método ARIMA no software R e análise de ritmicidade por estado, considerando mês e ano, por meio da análise cosinor. Resultados: Entre 2015 e 2024, foram registrados 4.325.949 atendimentos por perturbações e distúrbios do sono na Atenção Primária à Saúde no Brasil, sendo 67,4% no sexo feminino e 32,6% no masculino. Predominaram as faixas etárias de 45–59 anos (29,1%) e 60–74 anos (29,0%). Na análise de séries temporais, os diagnósticos CIAP P06 e CID G47.0 e G47.3 apresentaram tendência crescente, com projeção de aumento para 2025, enquanto o CID F51 manteve-se estável. A análise de ritmicidade evidenciou padrão sazonal consistente, com maior incidência no inverno, maior amplitude nos estados das regiões Sul e Sudeste e significância estatística (p < 0,05) na maioria dos territórios e diagnósticos analisados. Considerações finais: Logo, o estudo busca fornecer dados sistematizados e robustos traçando um panorama sobre a realidade atual do Brasil, produzindo evidências que subsidiem a formulação de políticas públicas mais eficazes voltadas à promoção da saúde do sono.