A FORMAÇÃO EM SAÚDE DO TRABALHADOR NOS CURSOS DE FISIOTERAPIA DE INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO SUPERIOR NO BRASIL
Saúde do Trabalhador
Ensino
Universidades
Brasil
Introdução: A formação em Saúde do Trabalhador nos cursos de fisioterapia é respaldada pela legislação brasileira e literatura na área, destacando a importância dessa área desde o início da profissão. No entanto, há uma evidente escassez de estudos que explorem o panorama atual da formação específica nesse campo, limitando a compreensão de como esses profissionais estão sendo preparados para enfrentar os desafios relacionados à saúde do trabalhador. Objetivo: Avaliar o panorama brasileiro da formação em Saúde do Trabalhador nos cursos de fisioterapia em instituições públicas de ensino superior. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, estruturado em duas etapas. A primeira consistiu em uma análise documental, em que os projetos pedagógicos e planos de ensino foram examinados para compreender como a saúde do trabalhador é incorporada no currículo. A segunda etapa envolveu uma pesquisa de campo, na qual entrevistas semiestruturadas foram conduzidas com professores diretamente envolvidos na formação em saúde do trabalhador. A análise dos dados coletados se deu por meio do método de análise de conteúdo de Bardin com auxílio do Iramuteq, permitindo uma discussão aprofundada dos achados à luz da literatura existente. Resultados: Embora 87,7% dos cursos incluam a temática, apenas 31,6% apresentam conteúdos considerados essenciais para ST, evidenciando lacunas importantes. Observou-se predominância de abordagens centradas em biomecânica e ergonomia, com ênfase na análise do posto de trabalho e prevenção de LER/DORT, enquanto dimensões de Saúde Coletiva, políticas públicas e fatores psicossociais aparecem de forma limitada ou ausente. As entrevistas confirmam esse cenário: apesar do reconhecimento docente da importância de uma visão ampliada, barreiras como carga horária reduzida, tradição tecnicista e baixo interesse discente dificultam práticas pedagógicas mais críticas. Considerações Finais: há descompasso entre previsão curricular e execução prática, resultando em formação fragmentada e insuficiente. O estudo reforça a necessidade de maior integração de conteúdos sociopolíticos na graduação e de apoio institucional para consolidar uma abordagem crítica da saúde do trabalhador na fisioterapia.