CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO DA EQUIDADE ENTRE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (ACS) E AGENTES DE COMBATE ÀS ENDEMIAS (ACE)
Agentes Comunitários de Saúde. Promoção da Saúde. Equidade em Saúde.Educação em Saúde. Pessoal de Saúde.
As iniquidades no trabalho em saúde configuram um importante desafio no cenário brasileiro, que afetam o cotidiano dos profissionais, incluindo aqueles que estão na linha de frente, na contramão disso, o presente estudo analisa como as iniquidades estruturais atravessam o cotidiano dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), buscando compreender a produção de equidade no trabalho a partir das experiências desses profissionais.O objetivo geral deste estudo é compreender como a equidade é produzida no contexto do trabalho em saúde. Para isso, foram definidos os seguintes objetivos específicos: mapear as formas de iniquidade relatadas pelos participantes; analisar as estratégias de enfrentamento utilizadas, bem como suas percepções sobre eficácia e limitações estruturais; e avaliar de que maneira a educação permanente contribui para a produção de equidade no trabalho em saúde realizado por ACS e ACE. A metodologia adotada neste estudo baseou-se em uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e com caráter participativo. A coleta de dados foi realizada por meio de uma oficina e de um grupo focal. A análise das informações seguiu a técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin. Participaram da oficina 16 trabalhadores, enquanto o grupo focal contou com a presença de 11 profissionais, entre ACS e ACE em ambos os encontros. Os resultados serão apresentados e analisados em dois artigos. No primeiro artigo observa-se a recorrência de iniquidades relacionadas à raça, gênero, orientação sexual, classe social, e religião, com impactos emocionais, profissionais e sociais, além de relatos de resiliência e apoio coletivo. No segundo artigo é percebido que os processos formativos ampliaram a consciência crítica, fortaleceram a comunicação, estimularam a intervenção diante de injustiças, favoreceram a identificação de iniquidades no cotidiano e reforçaram o sentimento de pertencimento profissional. Integrados, os resultados demonstram que as iniquidades estruturais permanecem como desafios centrais para os agentes, enquanto a Educação Permanente em Saúde surge como ferramenta capaz de promover reflexão, transformar práticas, fortalecer identidades e ampliar a capacidade coletiva de produzir equidade no trabalho em saúde.