DESVELANDO O CONTROLE SOCIAL NO SUS: UMA ANALISE DO FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS MUNICIPAIS DE SAUDE NA 5ª REGIAO (TRAIRI) DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
Democracia. Sistema Único de Saúde. Controle Social. Conselhos de Saúde. Participação Social.
Introdução: A presente dissertação, organizada em formato de coletânea de artigos científicos, analisa o exercício do controle social no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do funcionamento dos Conselhos Municipais de Saúde (CMS) da 5ª Região de Saúde – Trairi, no estado do Rio Grande do Norte. Os CMS são instâncias colegiadas de deliberação, fiscalização e formulação de políticas públicas, previstas na Lei nº 8.142/1990, e constituem pilares essenciais da democracia participativa no SUS. O estudo parte do reconhecimento desses conselhos como instrumentos de controle social e espaços de diálogo entre Estado e sociedade, ao mesmo tempo em que identifica desafios relacionados à autonomia, à representatividade e à efetividade das suas ações. Objetivo: Analisar o funcionamento dos Conselhos Municipais de Saúde da 5ª Região do Trairi/RN, desvelando suas práticas, limites e potencialidades no fortalecimento do controle social e da participação popular no Sistema Único de Saúde. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida entre 2024 e 2025, com a participação de 47 conselheiros e conselheiras de sete municípios da 5ª Região de Saúde – Trairi, representando os segmentos de usuários, trabalhadores e gestores/prestadores de serviço. Os dados foram produzidos por meio de grupos focais, posteriormente transcritos e submetidos à Análise de Conteúdo (Bardin, 1977; 2016), com apoio do software IRaMuTeQ. O corpus empírico, composto por 429 textos e 999 segmentos de texto, foi processado e resultou em três classes temáticas, que deram origem aos três artigos científicos que compõem esta coletânea. Resultados: Os resultados indicam que os Conselhos Municipais de Saúde da região do Trairi exercem papel relevante na gestão participativa do SUS, embora apresentem fragilidades políticas, formativas e estruturais que limitam sua atuação. O primeiro artigo aborda as representações sociais, o tempo de participação e a relação com a gestão municipal, destacando os desafios da autonomia política e da influência das gestões locais. O segundo artigo analisa a organização interna dos CMS, com foco nas comissões e mesas diretoras, evidenciando processos de centralização e fragilidades na efetivação da paridade deliberativa. O terceiro artigo discute a participação popular e a comunicação social, evidenciando o distanciamento entre os conselheiros e a comunidade, bem como a carência de estratégias de mobilização e diálogo social. Em conjunto, os achados demonstram que, apesar das limitações, os CMS constituem espaços legítimos de representação, aprendizado político e exercício da cidadania. Considerações Finais: Conclui-se que o fortalecimento do controle social no SUS requer investimentos em formação continuada, garantia de autonomia institucional, melhoria dos fluxos de informação e ampliação dos canais de comunicação com a sociedade civil. Embora enfrentem desafios estruturais e políticos, os CMS da 5ª Região do Trairi revelam potencialidades democráticas e práticas de resistência que contribuem para a consolidação da participação social no SUS. A dissertação, ao reunir três artigos complementares, reafirma a importância dos conselhos como espaços de mediação entre o Estado e a sociedade e como instrumentos fundamentais para o aprimoramento da gestão participativa e do controle social em saúde.