MÃES EM CRISE: O IMPACTO DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO NA SAÚDE MENTAL DAS MÃES QUE ACOMPANHAM SEUS FILHOS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA DE INTERNAÇÃO
saúde mental; maternidade; medida socioeducativa; pessoa privada de liberdade; adolescente institucionalizado; vulnerabilidade social.
Este estudo investigou os impactos do envolvimento de adolescentes em atos infracionais, que resultam em medidas de internação, na saúde mental de suas mães. A pesquisa parte do entendimento de que, segundo o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo e o Estatuto da Criança e do Adolescente, a participação da família, especialmente das mães, é fundamental no acompanhamento dessas medidas. No entanto, a ausência paterna mostrou-se recorrente, sobrecarregando as mulheres nesse processo. O objetivo foi apreender as percepções maternas acerca dos impactos emocionais, sociais e institucionais decorrentes da internação dos filhos. O estudo, de natureza qualitativa, foi realizado com 10 mulheres atendidas no Centro de Atendimento Socioeducativo de Caicó-RN, por meio de entrevistas semiestruturadas analisadas pela técnica de análise de conteúdo de Bardin. A pesquisa seguiu rigorosos critérios éticos, garantindo confidencialidade, anonimato e o respeito às participantes. Os resultados revelaram intenso sofrimento psíquico, expresso em ansiedade, tristeza, vergonha, insônia e manifestações psicossomáticas, além de sobrecarga e sentimentos de solidão decorrentes do estigma social. Embora algumas tenham relatado apoio de familiares próximos, predominaram experiências de isolamento e julgamento. As mães também apontaram fragilidades na rede socioassistencial, ausência de suporte psicológico e pouco envolvimento do Estado no acompanhamento das famílias. Apesar disso, evidenciaram expectativas positivas quanto ao futuro dos filhos, como a reinserção escolar e o ingresso no trabalho. Conclui-se que a medida socioeducativa impacta não apenas o adolescente, mas também a saúde mental das mães, frequentemente invisibilizadas nas políticas públicas. Reforça-se a necessidade de estratégias intersetoriais que promovam suporte psicossocial às famílias, reconhecendo o sofrimento materno como elemento essencial para a efetividade das medidas socioeducativas.